{"id":339699,"date":"2024-09-10T10:58:14","date_gmt":"2024-09-10T09:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=339699"},"modified":"2024-09-10T10:58:14","modified_gmt":"2024-09-10T09:58:14","slug":"a-cruz-escondida-287","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-287\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Bispo de Pemba visitou comunidades crist\u00e3s atacadas pelos terroristas<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-339700 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/D_JULIASSE_VISITA_AGOSTO_14-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/D_JULIASSE_VISITA_AGOSTO_14-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/D_JULIASSE_VISITA_AGOSTO_14-347x260.jpg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/D_JULIASSE_VISITA_AGOSTO_14-768x576.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/D_JULIASSE_VISITA_AGOSTO_14.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<h4>Medo e fome em Cabo Delgado<\/h4>\n<p><em style=\"font-size: 16px;\">D. Ant\u00f3nio Juliasse visitou algumas comunidades crist\u00e3s no norte da Diocese de Pemba que foram alvo da viol\u00eancia brutal dos terroristas que reivindicam pertencer ao Daesh, o grupo Estado Isl\u00e2mico, e que t\u00eam deixado um rasto de medo em Cabo Delgado. Numa mensagem enviada para a Funda\u00e7\u00e3o AIS em Lisboa, o prelado descreve a alegria com que foi acolhido e a dor de celebrar \u201cao relento ou ao lado dos escombros das igrejas destru\u00eddas\u201d, e deixa o alerta para o problema da fome\u2026<\/em><\/p>\n<p>Nangololo, Litingina, Imbuho, Chilinde, Mueda\u2026 foram muitos os locais, foram muitas as comunidades que o Bispo de Pemba percorreu ao longo dos \u00faltimos dias, numa visita pastoral que o levou ao encontro de algumas das popula\u00e7\u00f5es que vivem mais ao norte da Diocese e que mais t\u00eam sofrido ao longo dos \u00faltimos anos com a viol\u00eancia terrorista que tem fustigado a prov\u00edncia de Cabo Delgado desde Outubro de 2017. Uma visita pastoral que era desejada mas que, por motivos de seguran\u00e7a, n\u00e3o tinha sido poss\u00edvel cumprir. Aconteceu agora. \u201c<em>\u00c9 grande a dor que sinto como pastor da Diocese de n\u00e3o poder visitar todos os Crist\u00e3os por causa da inseguran\u00e7a. As lideran\u00e7as crist\u00e3s locais avisaram-me atrav\u00e9s dos sacerdotes que est\u00e3o em Mueda da possibilidade de se chegar a algumas regi\u00f5es. Parti e foi um momento \u00fanico de recep\u00e7\u00e3o calorosa, de alegria e de esperan\u00e7a.<\/em>\u201d \u00c9 assim que come\u00e7a a <a href=\"https:\/\/fundacao-ais.pt\/mocambique-e-grande-a-dor-que-sinto-diz-bispo-de-pemba-ao-visitar-comunidades-que-foram-atacadas-pelos-terroristas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mensagem enviada pelo Bispo de Pemba para a Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/a> em Lisboa mal terminou a visita pastoral. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar-se hoje da Diocese de Pemba, que corresponde \u00e0 prov\u00edncia de Cabo Delgado, sem se referir os ataques terroristas que t\u00eam ocorrido nesta regi\u00e3o desde Outubro de 2017. Tudo mudou desde ent\u00e3o. Ao longo destes quase sete anos, calcula-se que mais de cinco mil pessoas tenham sido mortas, havendo ainda cerca de 1 milh\u00e3o de deslocados. Nem a Igreja escapou \u00e0 viol\u00eancia dos grupos armados, conhecidos localmente como \u2018insurgentes\u2019 e que reivindicam pertencer ao Daesh, a organiza\u00e7\u00e3o jihadista Estado isl\u00e2mico. Muitas capelas e estruturas da Igreja foram destru\u00eddas ou vandalizadas e algumas ficaram completamente em ru\u00ednas. Um dos casos mais dram\u00e1ticos ocorreu em 2020 na hist\u00f3rica miss\u00e3o cat\u00f3lica de Nangololo, a segunda mais antiga de toda a diocese e que foi fundada h\u00e1 100 anos pelos Padres Monfortinos. Por ali, a Igreja tinha constru\u00eddo salas de aula, um posto m\u00e9dico, uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio comunit\u00e1ria, centros de forma\u00e7\u00e3o, at\u00e9 um po\u00e7o para o fornecimento de \u00e1gua. Praticamente tudo foi destru\u00eddo. Foi nesse lugar, no meio dessas ru\u00ednas, que o povo crist\u00e3o voltou agora a rezar juntamente com o seu bispo. Foi hist\u00f3rico. D. Ant\u00f3nio Juliasse esteve por l\u00e1 e em muitas outras localidades. Foi um reencontro emotivo do Bispo de Pemba com o povo de Deus. Um reencontro marcado pela trag\u00e9dia que tem ensombrado a regi\u00e3o de Cabo Delgado. \u201c<em>Em todos os lados, as Missas foram feitas assim, ao relento, ou ao lado dos escombros das igrejas destru\u00eddas, vandalizadas, como foi o caso de Nangololo. \u00c9 uma dor muito grande ver edif\u00edcios destru\u00eddos, edif\u00edcios que, durante tanto tempo, foram expressivos para a f\u00e9 das pessoas, de tantas pessoas, e que agora n\u00e3o resta grande coisa sen\u00e3o destro\u00e7os<\/em>.\u201d<\/p>\n<h4>\u201cSitua\u00e7\u00e3o muito complicada\u201d<\/h4>\n<p>D. Ant\u00f3nio Juliasse faz nesta mensagem tamb\u00e9m um retrato de como est\u00e1 actualmente a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. E h\u00e1 palavras que se repetem sempre que se fala em Cabo Delgado. Uma delas \u00e9 medo. A outra \u00e9 fome. \u201c<em>Em todo o lado prevalece o medo e a incerteza sobre o futuro. O sofrimento ainda \u00e9 grande. S\u00e3o ainda muitos os campos de deslocados que se mant\u00eam activos por aqueles lados. Mas, infelizmente, com menos assist\u00eancia humanit\u00e1ria por estes dias. Sem seguran\u00e7a, as pessoas t\u00eam medo de serem surpreendidas nos campos, que distam normalmente entre 1 km e 3 km da aldeia onde vivem e por isso a produ\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 baixa e surge portanto o problema da fome, porque as pessoas n\u00e3o produzem o suficiente e tamb\u00e9m os outros servi\u00e7os n\u00e3o funcionam adequadamente<\/em>\u201d, explica D. Ant\u00f3nio Juliasse para concluir que, \u201c<em>portanto, esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o ainda muito complicada<\/em>\u201d. Em algumas aldeias, diz ainda o prelado, j\u00e1 algumas pessoas come\u00e7aram a regressar, mas n\u00e3o mais de 20 a 30 % da popula\u00e7\u00e3o que por l\u00e1 vivia. Mas em todo o lado prevalece o receio de novos ataques, da incurs\u00e3o dos terroristas, da viol\u00eancia que eles arrastam quase sempre consigo. No meio de tudo isto, a f\u00e9 do povo tem persistido. D. Ant\u00f3nio Juliasse fala mesmo que viveu uma \u201cexperi\u00eancia reconfortante\u201d, ao ser acolhido \u201ccalorosamente\u201d em todo o lado, \u201ccom cantos e dan\u00e7as\u201d e at\u00e9 com a partilha de bens durante os ofert\u00f3rios, o que deixou D. Juliasse particularmente comovido, dada a situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza na regi\u00e3o. No relato do Bispo de Pemba h\u00e1 a esperan\u00e7a de que os tempos negros que se vivem no norte de Mo\u00e7ambique possam terminar, dando lugar a uma vida de paz e de menos pobreza e sofrimento. \u201c<em>Eu vejo que \u00e9 pela f\u00e9 em Deus a esperan\u00e7a de que esta guerra um dia ter\u00e1 fim e que este povo est\u00e1 capaz de aguentar o sofrimento do momento<\/em>\u201d, diz ainda D. Juliasse, que terminou a mensagem enviada para Lisboa com um agradecimento \u00e0 solidariedade que a Funda\u00e7\u00e3o AIS tem manifestado para com a Igreja de Pemba desde a primeira hora, desde que os ataques terroristas come\u00e7aram a atingir o territ\u00f3rio. \u201c<em>Agrade\u00e7o a todos os que nos apoiam para estarmos perto deste povo, oferecendo-lhe o conforto espiritual. A Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre tem apoiado os sacerdotes para fazerem este tipo de trabalho, de estar mais pr\u00f3ximo dos que sofrem, e apoiarem-nos com o conforto espiritual, e este ano tamb\u00e9m recebemos ajuda de combust\u00edvel para que possamos fazer este trabalho. E, portanto, manifesto aqui o meu agradecimento a todos os que contribuem para que isto esteja a ser poss\u00edvel. Muito obrigado!<\/em>\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo de Pemba visitou comunidades crist\u00e3s atacadas pelos terroristas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-339699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339699\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}