{"id":339533,"date":"2024-09-11T09:33:20","date_gmt":"2024-09-11T08:33:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=339533"},"modified":"2024-09-09T13:34:34","modified_gmt":"2024-09-09T12:34:34","slug":"pegadas-virtuais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pegadas-virtuais\/","title":{"rendered":"Pegadas virtuais"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-271042 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>De vez em quando a comunica\u00e7\u00e3o social vai noticiando acontecimentos passados com o uso do telem\u00f3vel por adolescentes nas escolas que n\u00e3o nos podem deixar indiferentes dado que o telem\u00f3vel, com as possibilidades que oferece, s\u00f3 impropriamente se chamar\u00e1 telem\u00f3vel. Ser\u00e1 por essa e outras raz\u00f5es que, pelo menos na Europa, v\u00e3o surgindo movimentos que preconizam a proibi\u00e7\u00e3o do uso de telem\u00f3veis nas escolas, onde \u00e9 vulgar a invas\u00e3o da privacidade por parte de alunos e a divulga\u00e7\u00e3o nas redes sociais de v\u00eddeos realizados em meio escolar.<\/p>\n<p>Todos sabemos que esse \u00abtelem\u00f3vel inteligente\u00bb &#8211; ser\u00e1 essa a designa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel em portugu\u00eas para significar o \u00absmartphone\u00bb da l\u00edngua inglesa \u2013 possui um grande n\u00famero de funcionalidades para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o tradicional de um telefone. E a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tem sido de tal ordem que, se n\u00e3o deixamos de nos admirar, muito menos deixaremos de ser tentados a utiliz\u00e1-la, nem sempre com a melhor consciencializa\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3menos com ela emergentes.<\/p>\n<p>De equipamento de trabalho para adultos tornou-se o encanto de crian\u00e7as, adolescentes e jovens e, naturalmente, a quest\u00e3o chegou \u00e0s escolas: o \u00absmartphone\u00bb \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed um instrumento de trabalho escolar ou dificulta ele a ac\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e educativa dos alunos? Ou, ultrapassando a disjuntiva, talvez se deva antes perguntar em que condi\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es pode o \u00absmartphone\u00bb ser um instrumento de trabalho para crian\u00e7as, adolescentes e jovens que frequentam as escolas. Complexa problem\u00e1tica que exige um pensamento tamb\u00e9m complexo, contra a tenta\u00e7\u00e3o do pensamento simples, sabendo que a quest\u00e3o, sendo de maior acuidade por se tratar de pessoas em desenvolvimento, n\u00e3o deixa de dizer respeito aos adultos.<\/p>\n<p>Com as redes sociais que diariamente utilizamos, vamos entrando num novo universo e l\u00e1 vamos permanecendo. \u201cFacebook\u201d, \u201cInstagram\u201d, \u201cWhats App\u201d e quejandos s\u00e3o as portas de entrada para este universo virtual de onde dificilmente h\u00e1 sa\u00edda. De vez em quando somos informados \u2013 seremos? \u2013 dos perigos que corremos com a utiliza\u00e7\u00e3o destas portas e ouvimos falar na necessidade de legisla\u00e7\u00e3o proporcionada \u00e0s realidades emergentes com a expans\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o das novas tecnologias. E, por vezes, numa qualquer reportagem, parece podermos concluir que fomos apanhados numa rede virtual de mirones de onde n\u00e3o sabemos como sair. Conheceremos, com certeza, os recantos da nossa casa, da nossa usual habita\u00e7\u00e3o, mas andaremos vagabundeando, sem o sabermos, neste universo virtual em que, deslumbrados com as possibilidades oferecidas, entr\u00e1mos e constru\u00edmos uma nova habita\u00e7\u00e3o cujos meandros ignoramos.<\/p>\n<p>Numa obra de Davide Sisto [n. 1978] &#8211; \u201c<em>Fantasmas Digitais: Imortalidade, mem\u00f3ria e luto na era das redes sociais\u201d<\/em> -, pensador italiano que me era absolutamente desconhecido at\u00e9 h\u00e1 dias, fui encontrar estas palavras: \u00ab<em>Morrer no espa\u00e7o virtual n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. As pegadas digitais de uma pessoa falecida vagueiam eternamente e sem rumo, reaparecendo de forma intempestiva aos olhos de todos os seus contactos<\/em>.\u00bb Ser\u00e1 o que espera cada um de n\u00f3s, a julgar pelas suas palavras: \u00ab<em>O destino de cada um de n\u00f3s est\u00e1 marcado: tornar-nos-emos \u2018fantasmas digitais\u2019, permanentemente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da posteridade e, por conseguinte, involuntariamente, capazes de viver para sempre.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Assim parece e assim nos dizem: no universo digital, desde que l\u00e1 entr\u00e1mos, nunca morremos definitivamente. E a entrada poder\u00e1 at\u00e9 acontecer antes do nascimento nas imagens e fotografias pr\u00e9-natais disponibilizadas pelos pais a familiares e amigos e continuar\u00e1 depois no espa\u00e7o familiar e nos espa\u00e7os das institui\u00e7\u00f5es escolares. E, espontaneamente, lembramos o Cam\u00f5es de \u00abOs Lus\u00edadas\u00bb quando, na \u201cProposi\u00e7\u00e3o\u201d do poema \u00e9pico, assim canta: \u00ab<em>E aqueles que por obras valerosas \/ Se v\u00e3o da lei da morte libertando: \/ Cantando espalharei por toda a parte, \/ Se a tanto me ajudar o engenho e arte.<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Poderemos n\u00e3o ser autores de obras valorosas, sobretudo se nos deixarmos levar passivamente pela torrente, e n\u00e3o teremos um poeta que nos cante, mesmo algum que n\u00e3o possua grande engenho e arte. Mas poderemos n\u00f3s, mesmo sem arte nem engenho, entrar de mansinho nesse universo virtual e assim nos irmos da \u00ab<em>lei da morte libertando<\/em>\u00bb enquanto navegamos nesse mundo que nos espreita para nos envolver.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se tal \u00abimortalidade\u00bb virtual conforta o leitor ou se o deixa preocupado com aquilo que poder\u00e1 acontecer, ap\u00f3s a morte, aos dados e informa\u00e7\u00f5es deixados nesse universo de pegadas digitais que fomos deixando desde que entr\u00e1mos pela primeira vez neste universo digital. Tamb\u00e9m n\u00e3o sei se se imagina o leitor a revisitar velhas decis\u00f5es sobre o uso que tem feito destes meios tecnol\u00f3gicos. Mas que a situa\u00e7\u00e3o d\u00e1 que pensar, l\u00e1 isso sei que d\u00e1. E importa que d\u00ea que pensar \u00e0s escolas, sobretudo se a quest\u00e3o se lhe levantar no quadro da sua autonomia que n\u00e3o no quadro de uma qualquer proibi\u00e7\u00e3o tutelar. E, sobretudo, importa que d\u00ea que pensar aos pais, eles que s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos, seja pela ac\u00e7\u00e3o adequada, seja pela f\u00e1cil passividade.<\/p>\n<p>Guarda, 9 de Setembro de 2024<\/p>\n<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-339533","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=339533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/339533\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=339533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=339533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=339533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}