{"id":339390,"date":"2024-09-08T16:36:50","date_gmt":"2024-09-08T15:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=339390"},"modified":"2024-09-08T16:36:50","modified_gmt":"2024-09-08T15:36:50","slug":"a-cruz-escondida-286","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-286\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Um ano ap\u00f3s ataques em Jaranwala Crist\u00e3os pedem seguran\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-339391 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ACN-20230818-151566.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ACN-20230818-151566.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ACN-20230818-151566-347x260.jpeg 347w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/ACN-20230818-151566-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<h4>Viver com medo<\/h4>\n<p>Os graves incidentes ocorridos a 16 de Agosto de 2023 em Jaranwala, com a destrui\u00e7\u00e3o de 26 igrejas e numerosas casas de habita\u00e7\u00e3o, foram j\u00e1 considerados como a pior agress\u00e3o da hist\u00f3ria do Paquist\u00e3o contra a comunidade crist\u00e3. Um ano depois, o medo continua a fazer parte do quotidiano destas fam\u00edlias que reclamam justi\u00e7a e mais seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Num \u00fanico dia, a 16 de Agosto do ano passado, milhares de pessoas queimaram e saquearam pelo menos 26 igrejas e 85 casas de crist\u00e3os em Jaranwala, no Paquist\u00e3o. Nunca, nos 77 anos de hist\u00f3ria do pa\u00eds, havia ocorrido um incidente com tanta gravidade relacionado com a comunidade crist\u00e3. Um ano depois, os l\u00edderes da Igreja dizem que as pessoas est\u00e3o\u00a0ainda aterrorizadas e tamb\u00e9m indignadas,\u00a0porque os respons\u00e1veis n\u00e3o foram responsabilizados pelo que aconteceu. Al\u00e9m disso, a situa\u00e7\u00e3o permanece inst\u00e1vel. Cl\u00e9rigos proeminentes da diocese cat\u00f3lica de Faisalabad dizem que\u00a0os servi\u00e7os de seguran\u00e7a alertaram\u00a0os Crist\u00e3os em Jaranwala\u00a0para que n\u00e3o realizassem eventos ao ar livre\u00a0assinalando o primeiro anivers\u00e1rio das atrocidades. Em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, o Bispo de Faisalabad, D. Indrias Rehmat, fala em pessoas desesperadas e que reclamam por justi\u00e7a. \u201cAs pessoas est\u00e3o assustadas e desesperadas porque at\u00e9 agora n\u00e3o lhes foi feita justi\u00e7a. Algumas pessoas est\u00e3o com raiva e querem protestar. Exigem que actuemos para que a justi\u00e7a seja feita, mas o que podemos fazer?\u00a0Somente o Governo pode fazer justi\u00e7a.\u00a0A maioria dos culpados est\u00e1 em liberdade sob fian\u00e7a, o que perturba a comunidade.\u201d<\/p>\n<h4>Sentimento de inseguran\u00e7a<\/h4>\n<p>O sentimento de medo e de inquieta\u00e7\u00e3o que prevalece entre a comunidade crist\u00e3 de Jaranwala \u00e9 o resultado tamb\u00e9m de actos cont\u00ednuos de viol\u00eancia que se v\u00e3o registando um pouco por todo o pa\u00eds. Ainda recentemente, a 25 de Maio, um crist\u00e3o, Nazir Gill Masih, foi violentamente espancado por uma multid\u00e3o enfurecida em Sargodha, ap\u00f3s mais um caso de falsa acusa\u00e7\u00e3o de blasf\u00e9mia. A agress\u00e3o foi de tal forma violenta que ele acabaria por sucumbir aos ferimentos apesar de ter sido transportado para um hospital. No seguimento deste incidente, D. Samson Shukardin, presidente da Confer\u00eancia Episcopal do Paquist\u00e3o, disse mesmo, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, que se est\u00e1 a viver no Paquist\u00e3o \u201cuma situa\u00e7\u00e3o alarmante\u201d e que os incidentes \u201cest\u00e3o a aumentar de dia para dia\u201d. Joel Amir Sohatra, antigo membro do Parlamento Provincial do Punjab, referiu tamb\u00e9m, na ocasi\u00e3o, que \u201c\u00e9 muito f\u00e1cil acusar algu\u00e9m e depois mat\u00e1-lo\u201d. \u201cIsto continua a acontecer e os incidentes aumentam de dia para dia. Sinceramente, n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a para as minorias religiosas. Nem sequer h\u00e1 esperan\u00e7a de protec\u00e7\u00e3o no futuro\u201d, referiu, concluindo que, face a tudo isto e \u00e0 sucess\u00e3o de casos envolvendo membros da comunidade crist\u00e3, \u201ca situa\u00e7\u00e3o continua a ser de p\u00e2nico em todo o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<h4>Apoio aos Crist\u00e3os<\/h4>\n<p>Ap\u00f3s os incidentes de 16 de Agosto de 2013, o Governo paquistan\u00eas agiu rapidamente para compensar as pessoas afectadas pelos ataques, mas a Comiss\u00e3o Nacional de Justi\u00e7a e Paz assegura que apenas 26 das 86 casas danificadas\u00a0nos ataques\u00a0foram reabilitadas. Sobre todo este processo h\u00e1 tamb\u00e9m queixas, nomeadamente de D. Indrias Rehmat, que ter\u00e1 mandado suspender as repara\u00e7\u00f5es nas igrejas, obras patrocinadas pelo Governo, alegando que os empreiteiros estavam a fazer um trabalho deficiente, nomeadamente ao n\u00edvel dos telhados, deixando os edif\u00edcios inseguros. A viol\u00eancia em Jaranwala foi de tal ordem que a Funda\u00e7\u00e3o AIS decidiu logo, a n\u00edvel internacional, avan\u00e7ar com um pacote de ajuda de emerg\u00eancia para as 464 fam\u00edlias mais atingidas, que incluiu primeiros socorros, mas tamb\u00e9m apoio, por exemplo, para a repara\u00e7\u00e3o dos danos causados nas habita\u00e7\u00f5es e ainda a aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos. Na altura, a diocese pedia apoio para vestu\u00e1rio, electrodom\u00e9sticos de cozinha, roupas de cama e colch\u00f5es, material escolar para crian\u00e7as e at\u00e9 mesmo ve\u00edculos, nomeadamente motorizadas e riquex\u00f3s, que haviam sido destru\u00eddos nos ataques e eram o instrumento de trabalho de muitos crist\u00e3os que se dedicam, por exemplo, \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o e venda de produtos. D. Indrias Rehmat elogiou a Funda\u00e7\u00e3o AIS por ter fornecido esta ajuda de emerg\u00eancia \u00e0s fam\u00edlias afectadas permitindo-lhes o regresso a casa. \u201cEm nome da comunidade de Jaranwala \u2013 aqueles que foram v\u00edtimas naquele dia \u2013 e de toda a diocese,\u00a0quero agradecer \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS e aos generosos benfeitores que responderam \u00e0s nossas necessidades\u00a0\u201d, disse o prelado. \u201cDo fundo do meu cora\u00e7\u00e3o, quero agradecer a cada membro da Funda\u00e7\u00e3o AIS. A vossa solidariedade incessante continua a auxiliar as pessoas mais necessitadas.\u201d<\/p>\n<h4><strong>Solidariedade dos Portugueses<\/strong><\/h4>\n<p>Nesta campanha global de ajuda para com os Crist\u00e3os paquistaneses, o secretariado portugu\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o AIS revelou-se mesmo um dos mais activos. Logo depois dos incidentes, numa carta enviada para milhares de benfeitores e amigos da institui\u00e7\u00e3o em Portugal, Catarina Martins de Bettencourt explicava a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia que se tinha abatido sobre a comunidade crist\u00e3 de Jaranwala e apelava \u00e0 solidariedade de todos. \u201cFoi um dos mais cru\u00e9is ataques contra os Crist\u00e3os a que este pa\u00eds alguma vez assistiu\u201d, escreveu a directora do secretariado portugu\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o AIS. \u201cMuitos n\u00e3o t\u00eam ainda para onde ir, dormem no ch\u00e3o, sem luz el\u00e9ctrica, sem nada para cozinhar\u2026 A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica.\u201d A carta de Catarina Bettencourt terminava com um apelo \u00e0 solidariedade para com estas fam\u00edlias crist\u00e3s, lembrando que o tempo urgia, principalmente para quem ficou sem nada\u2026<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano ap\u00f3s ataques em Jaranwala Crist\u00e3os 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