{"id":33912,"date":"2008-09-03T22:21:56","date_gmt":"2008-09-03T22:21:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/09\/03\/conferencia-de-d-jose-policarpo-no-congresso-missionario-nacional\/"},"modified":"2008-09-03T22:21:56","modified_gmt":"2008-09-03T22:21:56","slug":"conferencia-de-d-jose-policarpo-no-congresso-missionario-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-jose-policarpo-no-congresso-missionario-nacional\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Jos\u00e9 Policarpo no Congresso Mission\u00e1rio Nacional"},"content":{"rendered":"<p>\u00abA Miss\u00e3o e as incertezas do mundo contempor\u00e2neo\u00bb <!--more--> 1. Apesar das dificuldades sentidas, a actividade mission\u00e1ria continua a ser hoje a p\u00e1gina mais gloriosa da Igreja, como o foi, quase sempre, ao longo dos s\u00e9culos, s\u00f3 compar\u00e1vel \u00e0 viv\u00eancia da santidade. Ali\u00e1s estas duas p\u00e1ginas cruzam-se frequentemente, constituindo um \u00fanico hino de louvor a Deus criador e Senhor da hist\u00f3ria e a Jesus Cristo, Seu Filho e nosso salvador. Pediram-me para situar a actividade mission\u00e1ria no contexto das incertezas do mundo contempor\u00e2neo. H\u00e1-as concerteza, sobretudo no mais profundo do cora\u00e7\u00e3o do homem; mas o problema principal n\u00e3o vem das incertezas, mas das certezas humanas, n\u00e3o enraizadas em Deus, de ordem cultural, ideol\u00f3gica, religiosa, que competem de igual para igual com as certezas da f\u00e9, obnubilando a abertura que para estas existe espontaneamente no mais \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o humano. Analisarei, assim, algumas caracter\u00edsticas das express\u00f5es espirituais do mundo contempor\u00e2neo, cada vez mais globalizado, procurando intuir o contexto que criam ao an\u00fancio e \u00e0 viv\u00eancia da f\u00e9 crist\u00e3. Na ac\u00e7\u00e3o evangelizadora da Igreja, cruzaram-se sempre duas perspectivas: a dimens\u00e3o teologal da evangeliza\u00e7\u00e3o, cuja fonte \u00e9 Deus e a realiza\u00e7\u00e3o do seu des\u00edgnio salv\u00edfico cujo dinamismo brota de Jesus Cristo, como express\u00e3o perene da Sua P\u00e1scoa, que se plenifica no dom do Esp\u00edrito Santo; e a realidade do mundo e da sociedade a que \u00e9 dirigida a mensagem, com as suas culturas e religi\u00f5es, com a sua interpreta\u00e7\u00e3o da vida humana e sentido da hist\u00f3ria. Ali\u00e1s, o Evangelho e a viv\u00eancia do cristianismo aparecem como for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o positiva desses quadros culturais e sociais, anunciando o homem novo, a definitiva perfei\u00e7\u00e3o humana, que ser\u00e1 escatol\u00f3gica. O cruzamento destas duas perspectivas, a teologal e a hist\u00f3rica, exigem da miss\u00e3o da Igreja a fidelidade e a ousadia do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o.  <b>A dimens\u00e3o teologal da evangeliza\u00e7\u00e3o<\/b> 2. A evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a primeira concretiza\u00e7\u00e3o do dinamismo de encarna\u00e7\u00e3o continuado no tempo. Toda a Igreja \u00e9 mist\u00e9rio de encarna\u00e7\u00e3o, a sua miss\u00e3o \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o continuada da miss\u00e3o de Jesus Cristo, brota do des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus, definitivamente consumado na P\u00e1scoa de Jesus. O dinamismo evangelizador tem a sua fonte em Deus, e tende a p\u00f4r os homens em contacto com Deus, levando-os a conhec\u00ea-l\u2019O e a am\u00e1-l\u2019O; na evangeliza\u00e7\u00e3o, Deus continua a revelar-Se. Deus revela-Se, salvando. E na longa realiza\u00e7\u00e3o do Seu des\u00edgnio salv\u00edfico, na hist\u00f3ria dos homens, Deus mostrou ser pot\u00eancia criadora, Palavra e Amor, tudo unificado numa comunh\u00e3o de amor que abra\u00e7a o mundo criado. O Seu poder criador realiza-se tanto atrav\u00e9s da Palavra como do amor: a Palavra \u00e9 criadora e o amor transforma e envolve. Jesus Cristo \u00e9 encarna\u00e7\u00e3o da Palavra e possu\u00eddo pelo amor; por isso nos pode comunicar o Esp\u00edrito de amor. A Palavra \u00e9 possu\u00edda pelo amor, e este tem a for\u00e7a criadora da Palavra. A Igreja \u00e9 o fruto mais excelente da encarna\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma comunh\u00e3o gerada pela Palavra e fecundada pelo amor. Ela aparece na hist\u00f3ria \u201ccomo um povo que tira a sua unidade da unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u201d (LG. n\u00ba4). No alto da Cruz, Cristo, a Palavra eterna, est\u00e1 possu\u00eddo pelo amor salv\u00edfico de Deus e envolve a cria\u00e7\u00e3o inteira nesse amor. A miss\u00e3o da Igreja \u00e9 envolver o mundo nesse amor de Deus, plenamente manifestado em Jesus Cristo. Mesmo aqueles que ainda n\u00e3o chegaram ao conhecimento de Jesus Cristo, podem ser abra\u00e7ados, envolvidos nesse amor infinito. E esse abra\u00e7o de amor salv\u00edfico \u00e9 o abra\u00e7o da Igreja, que ela intensifica, cada vez mais, atrav\u00e9s da miss\u00e3o. Isto diz-nos que o sujeito da miss\u00e3o \u00e9 a Igreja e n\u00e3o s\u00f3 cada mission\u00e1rio ou mission\u00e1ria. Em toda a concretiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o, \u00e9 a Igreja que abra\u00e7a o mundo. Digamos isto com as palavras de Jo\u00e3o Paulo II, pronunciadas em Lisboa em 1991, no Est\u00e1dio do Restelo. Valorizando a tradi\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria do Povo Portugu\u00eas, afirmou: \u201cOutrora o trabalho mission\u00e1rio poderia parecer, de algum modo, reservado aos mission\u00e1rios. O Conc\u00edlio Vaticano II, ao colocar a actividade evangelizadora no cora\u00e7\u00e3o da vida eclesial, desejou responsabilizar em rela\u00e7\u00e3o a ela todas as comunidades e todos os fi\u00e9is crist\u00e3os, toda a Igreja, por sua natureza, \u00e9 mission\u00e1ria\u201d (Ad Gentes, n\u00ba2), pelo que \u201cos crentes em Cristo devem sentir, como parte integrante da sua f\u00e9, a solicitude apost\u00f3lica de a transmitir aos outros, pela alegria e luz que ela gera. Essa solicitude deve-se transformar, por assim dizer, em forma e sede de dar a conhecer o Senhor, quando estendemos o olhar para os horizontes imensos do mundo n\u00e3o crist\u00e3o\u201d (Redemptoris Missio, n\u00ba80). Segundo Jo\u00e3o Paulo II, esta dimens\u00e3o eclesial da miss\u00e3o deve transformar-se em urg\u00eancia pastoral em todas as realidades da Igreja. Por isso acrescenta: \u201cExorto as comunidades crist\u00e3s, par\u00f3quias, grupos, movimentos apost\u00f3licos, com todos os seus membros, a intensificarem o seu dinamismo evangelizador, e a n\u00e3o descurarem o seu dever de levar o Evangelho de Cristo \u00e0s pessoas e ambientes dele carecidos. Tereis de vos tornar crentes corajosos, dotados de uma f\u00e9 inquebrant\u00e1vel, alimentada constantemente por uma profunda vida interior, que fa\u00e7a brilhar diante dos homens cada vez com maior intensidade a luz de Cristo\u201d .  3. Esta dimens\u00e3o teologal da evangeliza\u00e7\u00e3o exige da Igreja e de cada crist\u00e3o a identifica\u00e7\u00e3o com Cristo, Ele que \u00e9 a \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o. A fragilidade da nossa coer\u00eancia crist\u00e3 pode estar na origem de algumas daquelas incertezas, internas \u00e0 pr\u00f3pria Igreja: a fragilidade da f\u00e9 \u2013 ouvimos Jo\u00e3o Paulo II a falar de uma f\u00e9 inquebrant\u00e1vel \u2013 a perda da consci\u00eancia do car\u00e1cter \u00fanico do cristianismo como caminho de salva\u00e7\u00e3o, num quadro mundial de conviv\u00eancia de v\u00e1rias religi\u00f5es; a fraca consci\u00eancia da densidade cultural do cristianismo e da sua racionalidade como religi\u00e3o da Palavra; tudo isto pode levar \u00e0 altera\u00e7\u00e3o das motiva\u00e7\u00f5es da miss\u00e3o, sobretudo quando se trata de a situar na realidade concreta do mundo contempor\u00e2neo.  <b>S\u00e3o Paulo como modelo de evangelizador<\/b> 4. Neste Ano Paulino, \u00e9 inevit\u00e1vel olharmos para o grande Ap\u00f3stolo dos Gentios e contemplar nele o dinamismo da miss\u00e3o evangelizadora. Descobrimos nele todos os grandes tra\u00e7os da miss\u00e3o evangelizadora: a f\u00e9 inquebrant\u00e1vel em Jesus Cristo, percebendo a identifica\u00e7\u00e3o da Igreja com Jesus Cristo; o an\u00fancio da esperan\u00e7a na plenitude da vida; o encarar, com realismo, as certezas e incertezas do mundo no seu tempo; o dar a vida pelo Evangelho. Paulo era fariseu, formado nas melhores escolas rab\u00ednicas. Ele acreditava que a Lei era a mais perfeita express\u00e3o da Palavra de Deus em favor do Seu Povo. Mas tamb\u00e9m acreditava que, quando viesse o Messias, Ele seria a Palavra definitiva, relativizando a Lei Mosaica. Persegue os crist\u00e3os porque s\u00e3o seguidores de mais \u201cum falso Messias\u201d, pondo perigosamente em risco a Lei como Palavra de Deus. Quando Cristo Se lhe revela, a come\u00e7ar na apari\u00e7\u00e3o na Estrada de Damasco, Paulo percebe que Ele \u00e9 o Messias esperado e faz uma mudan\u00e7a radical, de acordo com aquilo em que acreditava: quando vier o Messias, Ele \u00e9 a Lei, nele est\u00e1 a Salva\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, torna-se claro que o caminho da salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a f\u00e9 em Jesus Cristo, a uni\u00e3o com Ele, e n\u00e3o a Lei dada a Mois\u00e9s. \u00c9 impressionante a f\u00e9 de Paulo em Jesus Cristo. Na alegria e na tristeza, na morte e na vida, para ele viver \u00e9 Cristo, realiza\u00e7\u00e3o de todas as promessas, Ele que encerra e realiza a verdadeira promessa, a da vida eterna. A solu\u00e7\u00e3o da humanidade est\u00e1 em Jesus Cristo, tanto para o Povo de Israel como para todos os outros homens. \u00c9 urgente d\u00e1-l\u2019O a conhecer e levar os homens a encontrarem-se com Ele. \u201cAi de mim se n\u00e3o evangelizar\u201d. A f\u00e9 \u00e9 o segredo da sua vida e a fonte da sua inquieta\u00e7\u00e3o evangelizadora. \u201cSei em Quem acreditei, combati o bom combate, guardei a f\u00e9, resta-me esperar a coroa de gl\u00f3ria\u201d, escreve ele a Tim\u00f3teo \u00e0 maneira de testamento espiritual. A firmeza da f\u00e9 em Jesus Cristo \u00e9 a \u00fanica certeza da vida de Paulo, que lhe d\u00e1 for\u00e7a para enfrentar tudo, sobretudo as outras certezas daqueles a quem se dirige, os judeus e os gentios. Os judeus continuam a absolutizar a Lei e perseguem Paulo por n\u00e3o a seguir; os gentios adoram uma infinitude de deuses sem mensagem nem cora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podem transformar a vida. Refugiam-se nas diversas sabedorias, de raiz filos\u00f3fica ou gn\u00f3stica, que tocam em alguns aspectos do mist\u00e9rio do homem, mas sem o horizonte de esperan\u00e7a do homem novo, definitivamente renovado. A sabedoria crist\u00e3, ou seja, o sentido da vida humana tem a sua fonte em Cristo, sobretudo na Sua P\u00e1scoa, em Cristo morto e ressuscitado. Paulo tem a consci\u00eancia que esta nova sabedoria escandaliza os judeus e os gentios consideram-na uma loucura. Mas ele sabe que esta \u00e9 a verdadeira sabedoria, o verdadeiro caminho da vida. N\u00e3o abandona a experi\u00eancia da dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da salva\u00e7\u00e3o, recebida da sua tradi\u00e7\u00e3o judaica. Mas percebe que essa comunidade \u00e9 agora a dos que s\u00e3o um com Cristo, o Novo Povo, o Israel de Deus, de que Cristo faz parte e com que se identifica, sendo a Sua cabe\u00e7a, o princ\u00edpio e a origem de toda a plenitude. Em Cristo, Paulo pode enfrentar diante do mundo as eternas quest\u00f5es do homem, a morte e a vida, a rela\u00e7\u00e3o da vida presente com a vida eterna, o encontro do mist\u00e9rio do princ\u00edpio e do fim, a exig\u00eancia da moralidade de vida, n\u00e3o por causa da Lei, mas porque se \u00e9 fiel a Jesus Cristo e coerente com a vida nova que Ele depositou no cora\u00e7\u00e3o dos crentes, atrav\u00e9s do dom do Esp\u00edrito Santo.  <b>As certezas e incertezas do mundo contempor\u00e2neo<\/b> 5. A Igreja, na sua miss\u00e3o evangelizadora, confronta-se com uma sociedade com muitas caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0quela a que Paulo anunciou o Evangelho: as diversas sabedorias, a complexidade do fen\u00f3meno religioso, o hedonismo, a altera\u00e7\u00e3o dos valores. Todas estas componentes assentam em certezas vulner\u00e1veis, prec\u00e1rias, pouco profundas, que se transformam facilmente em incertezas. Claro que vou falar do nosso mundo e n\u00e3o do s\u00e9c. I depois de Cristo.  <b>As diversas sabedorias<\/b> Entendemos por sabedoria um quadro de interpreta\u00e7\u00f5es da vida, no seu sentido, no exerc\u00edcio da liberdade, na fundamenta\u00e7\u00e3o \u00e9tica, na compreens\u00e3o da vida e da morte, do sofrimento e da felicidade. Quando olhamos o mundo como um todo, ressalta \u00e0 vista a variedade destas sabedorias, inspiradas em culturas e religi\u00f5es diversas. Mas n\u00e3o nos iludamos: a globaliza\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 um dinamismo impar\u00e1vel, as sabedorias entrecruzam-se com o aspecto preocupante de as menos profundas serem as que mais influenciam as outras.  6. Come\u00e7o por referir aquela que, no Ocidente, foi nascendo de sistemas filos\u00f3ficos que valorizaram a autonomia do homem em rela\u00e7\u00e3o a Deus e \u00e0 religi\u00e3o, autonomia da raz\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o da verdade, primado do indiv\u00edduo sobre a comunidade, idolatria da liberdade individual, concebida como capacidade e direito de cada indiv\u00edduo decidir da sua verdade, do sentido da sua vida, em \u00faltima an\u00e1lise, do que \u00e9 bem do que \u00e9 mal. A vida humana \u00e9 considerada como dependendo, apenas, do homem e da sua capacidade. O homem ter\u00e1 a felicidade que for capaz de construir. Deus deixou de ser um agente decisivo na realiza\u00e7\u00e3o da plenitude humana e interventor na hist\u00f3ria, afastando-se radicalmente da tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3 e t\u00e3o bem expressa no Salmo 43: \u201cN\u00e3o foi a espada que lhes conquistou a terra, nem seu bra\u00e7o lhes alcan\u00e7ou a vit\u00f3ria. Mas sim a vossa direita e o vosso bra\u00e7o e a luz da vossa face, porque os amaste\u201d ou a frase de Jesus, \u201csem Mim nada podeis fazer\u201d. Deus passou a in\u00fatil e facilmente a inexistente. A forma mais preocupante de ate\u00edsmo \u00e9 o daqueles que, mesmo aceitando que Deus existe, vivem como se Ele n\u00e3o existisse. Esta forma de \u201cate\u00edsmo pr\u00e1tico\u201d \u00e9 mais frequente e mais preocupante que o ate\u00edsmo te\u00f3rico, racionalmente estabelecido. Claro que esta sabedoria \u00e9 incapaz de dar respostas v\u00e1lidas nos momentos cruciais da exist\u00eancia: o sofrimento, a morte, a solid\u00e3o, a inquieta\u00e7\u00e3o interior. Mas na normalidade da vida humana transforma-se numa barreira para o acolhimento da mensagem crist\u00e3; esta sabedoria profana e horizontal, limitada ao horizonte da vida terrena, incapaz de transcend\u00eancia e de vida eterna, atinge tamb\u00e9m muitos crist\u00e3os, que n\u00e3o encontram em Deus a companhia amorosa em todos os passos da Sua vida, o que alarga o horizonte da miss\u00e3o a multid\u00f5es de crist\u00e3os baptizados, n\u00e3o crentes ou mal-crentes, que n\u00e3o vivem a vida segundo a sabedoria da Cruz. O Evangelho s\u00f3 \u00e9 acolhido quando Cristo aparece como resposta de vida. Quem n\u00e3o se interroga e n\u00e3o deseja ir mais longe, nem sequer ouve a mensagem. O evangelizador tem de estar atento \u00e0s buscas e inquieta\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o humano. O primeiro fruto do Evangelho \u00e9 levar o homem a uma vis\u00e3o mais profunda de si mesmo, ensin\u00e1-lo a desejar.  Neste aspecto temos de estar conscientes que as sociedades inspiradas nesta sabedoria profana, aceitam a Igreja apenas pelos servi\u00e7os que presta \u00e0 sociedade, inserindo-a no esfor\u00e7o de melhoria da sociedade no horizonte deste mundo. A evangeliza\u00e7\u00e3o tem de ser, cada vez mais, um grito de transcend\u00eancia e de esperan\u00e7a na vida eterna.  <b>A complexidade do fen\u00f3meno religioso contempor\u00e2neo<\/b> 7. \u00c9 tamb\u00e9m nesse quadro que as sociedades democr\u00e1ticas se abriram ao respeito pelo fen\u00f3meno religioso, expresso nos quadros legais da liberdade de consci\u00eancia, de que a liberdade religiosa \u00e9 uma express\u00e3o maior. Mas, nesse quadro, corre-se o risco de considerar todas as religi\u00f5es de igual valor, sem capacidade de discernimento do contributo espec\u00edfico de cada uma para a plena realiza\u00e7\u00e3o humana. A globaliza\u00e7\u00e3o tende a universalizar todas as grandes religi\u00f5es o que exigiria um estudo s\u00e9rio e continuado de religi\u00f5es comparadas. Para os crist\u00e3os isto \u00e9 muito importante, para descobrirem o car\u00e1cter \u00fanico do cristianismo, o que n\u00e3o por\u00e1 em quest\u00e3o o respeito pelas outras religi\u00f5es e pelos valores que t\u00eam em comum. Nesta fase da globaliza\u00e7\u00e3o, sentimos que no Ocidente, a par da experi\u00eancia nova de conv\u00edvio com crentes de outras confiss\u00f5es, come\u00e7am a surgir sistemas de fasc\u00ednio por outras religi\u00f5es. Se as religi\u00f5es se equivalem no seu sentido fundamental, que sentido tem a miss\u00e3o crist\u00e3, que nunca se pode confundir com proselitismo? Quando a pr\u00f3pria teologia come\u00e7ou a equacionar o sentido salv\u00edfico de todas as religi\u00f5es, porqu\u00ea inquiet\u00e1-los com a mensagem crist\u00e3? Quando o cristianismo \u00e9 apenas mais uma religi\u00e3o, a miss\u00e3o evangelizadora perde a sua urg\u00eancia. A Teologia das religi\u00f5es tem de estabelecer a converg\u00eancia de todas elas, pelo menos escatol\u00f3gica, com Jesus Cristo, salvador de todos os homens. Para al\u00e9m da nega\u00e7\u00e3o absoluta da liberdade religiosa na pr\u00e1tica de algumas grandes religi\u00f5es, assistimos a um outro fen\u00f3meno, no quadro da globaliza\u00e7\u00e3o, que acarreta novas dificuldades para a miss\u00e3o crist\u00e3. Dada a real e ineg\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o entre religi\u00e3o e cultura, muitos pa\u00edses encontraram a sua identidade cultural na valoriza\u00e7\u00e3o da sua religi\u00e3o tradicional, impedindo ou pondo dificuldades \u00e0 expans\u00e3o do cristianismo. \u00c9 o caso de muitos pa\u00edses isl\u00e2micos, da \u00cdndia, com a valoriza\u00e7\u00e3o do Hindu\u00edsmo, onde a entrada de mission\u00e1rios estrangeiros \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. Nesses pa\u00edses, onde a Igreja est\u00e1 implantada, afirma-se sobretudo como servi\u00e7o \u00e0 sociedade, na educa\u00e7\u00e3o e na assist\u00eancia, o que exige dela que fa\u00e7a passar, atrav\u00e9s desse servi\u00e7o prestado, o an\u00fancio de Jesus Cristo. A China \u00e9, apesar de tudo, um caso \u00e0 parte, em que as dificuldades que a Igreja encontra hoje s\u00e3o de outra ordem. A longa hist\u00f3ria da China \u00e9, sobretudo, marcada por uma cultura, o confucionismo, e n\u00e3o tanto por uma religi\u00e3o. V\u00e1rias religi\u00f5es se t\u00eam afirmado na China e o seu sucesso depende muito da sua capacidade de integrar essa cultura. A evangeliza\u00e7\u00e3o da China depender\u00e1 da capacidade do cristianismo para fazer a s\u00edntese com a cultura chinesa. O fracasso da evangeliza\u00e7\u00e3o da China, no passado, deveu-se a essa incapacidade de incultura\u00e7\u00e3o do cristianismo. H\u00e1 hoje na China muitos intelectuais que consideram o cristianismo a religi\u00e3o mais capaz de integrar a cultura chinesa, o que transforma a China no grande desafio da evangeliza\u00e7\u00e3o dos nossos tempos. Neste quadro complexo do fen\u00f3meno religioso contempor\u00e2neo, o sincretismo \u00e9 a grande tenta\u00e7\u00e3o, de que n\u00e3o ficam isentos os pr\u00f3prios crist\u00e3os. Houve mesmo j\u00e1 quem propusesse que se fosse buscar a cada religi\u00e3o os melhores elementos e se fizesse uma religi\u00e3o universal. Os crist\u00e3os t\u00eam de descobrir, viver e anunciar a especificidade do cristianismo, o que n\u00e3o impede de reconhecer valores comuns, que encontrar\u00e3o a sua plenitude em Jesus Cristo. Penso mesmo que a valoriza\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f3nio comum da humanidade, em termos culturais e religiosos, um \u201cuniversal humano\u201d, pode ser importante para o progresso da humanidade, na constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, da solidariedade e da paz.  <b>O hedonismo e o conceito f\u00e1cil de felicidade<\/b> 8. Chamo hedonismo a um conceito de vida e de felicidade a conseguir imediatamente, fruindo tudo o que a natureza nos oferece. O que \u00e9 natural \u00e9 bom e leg\u00edtimo, excluindo a dimens\u00e3o sobrenatural de reconstru\u00e7\u00e3o do homem. O modelo de vida e de felicidade que as sabedorias profanas veiculam \u00e9 hedonista, consumista, exclui o sentido do sofrimento e relativiza a perenidade da felicidade a construir na fidelidade. A avidez, a gan\u00e2ncia, o materialismo, a relativiza\u00e7\u00e3o das escolhas de vida que se fizeram, s\u00e3o consequ\u00eancia dessa perspectiva. Este modelo de felicidade \u00e9 insaci\u00e1vel, exige-se sempre mais e culpam-se facilmente os outros por n\u00e3o o conseguirmos. A felicidade a construir, com o esfor\u00e7o e persist\u00eancia do atleta que corre no est\u00e1dio, quase desapareceu. S\u00e3o os outros que t\u00eam obriga\u00e7\u00e3o de garantir que eu seja feliz. Percebemos melhor o Serm\u00e3o da Montanha: \u201cBem aventurados os que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o de pobre\u201d, e o Evangelho anunciado aos pobres, devido \u00e0 sua maior disponibilidade para acolher a surpresa de Deus. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil anunciar o Evangelho a pessoas que t\u00eam esta concep\u00e7\u00e3o da felicidade. \u00c9 o esc\u00e2ndalo da Cruz, de que falava Paulo. A mensagem crist\u00e3, com a sua exig\u00eancia renovadora, \u00e9 considerada desadaptada para o homem, ele que se considera capaz de resolver todas as interroga\u00e7\u00f5es da sua exist\u00eancia e de construir a sua pr\u00f3pria felicidade. S\u00f3 uma compreens\u00e3o da felicidade como plenitude da vida, que vencer\u00e1 o sofrimento e a morte, se abre \u00e0 esperan\u00e7a escatol\u00f3gica da vida eterna. Quem s\u00f3 procura a felicidade poss\u00edvel neste mundo e ao alcance das capacidades humanas, n\u00e3o deseja a vida eterna, na plenitude de Deus. E esses n\u00e3o podem seguir Jesus Cristo na etapa decisiva e definitiva da sua vida. Toda a vida humana neste mundo, para ser caminho de felicidade, precisa de ser vivida com Cristo. Mas Ele \u00e9 decisivo para n\u00f3s, porque inaugurou no meio de n\u00f3s e para n\u00f3s, a vida definitiva. Para o crist\u00e3o desejar a felicidade \u00e9 desejar estar com Cristo para sempre, mergulhar na Sua plenitude de vida, at\u00e9 que Ele venha definitivamente na Sua gl\u00f3ria. \u00c9 impressionante o n\u00famero de contempor\u00e2neos nossos que deixaram de acreditar na vida depois da morte. Para muitos, essa \u00e9 a incerteza fundamental, mas n\u00e3o encontram na sua f\u00e9 a resposta. Anunciar Jesus Cristo \u00e9, necessariamente, anunciar a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e Cristo ressuscitado como a terra prometida. J\u00e1 o referimos atr\u00e1s, isto tem a ver com a profundidade da esperan\u00e7a que nos faz viver. O mito da felicidade imediata pode matar a esperan\u00e7a.  <b>O que \u00e9 que move o cora\u00e7\u00e3o humano<\/b> 9. O homem \u00e9 um ser espiritual e para al\u00e9m dos objectivos imediatos para alcan\u00e7ar a felicidade no presente, n\u00e3o consegue calar as grandes inquieta\u00e7\u00f5es do seu cora\u00e7\u00e3o, embora os mais profundos que encaminhariam o homem para a busca de Deus possam ser abafados pela busca do imediato e do mais f\u00e1cil. \u00c9 a adultera\u00e7\u00e3o do desejo. Desejar \u00e9 um sentimento fundamental no cora\u00e7\u00e3o humano. O horizonte da caminhada para a vida mede-se, tamb\u00e9m, pela profundidade dos nossos desejos. Se desejo apenas a felicidade imediata, pela frui\u00e7\u00e3o e pelo prazer, pela posse e pelo dom\u00ednio, nunca aprenderemos a desejar a plenitude da vida. A esperan\u00e7a crist\u00e3, mais do que assegurar a felicidade imediata, aprofunda o desejo. Tudo o que j\u00e1 experimento de bom, \u00e9 marcado pelo desejo de mais e melhor, na certeza de que s\u00f3 a participa\u00e7\u00e3o na plenitude da vida nos satisfar\u00e1. Perceber que s\u00f3 Deus saciar\u00e1 os nossos desejos mais profundos, \u00e9 sinal de que se entrou no verdadeiro ritmo da vida. Santo Agostinho reconhece-o nas \u201cConfiss\u00f5es\u201d: o meu cora\u00e7\u00e3o estava inquieto enquanto n\u00e3o repousou em V\u00f3s. E Santa Teresa agradece ao Senhor o t\u00ea-la feito perceber que procur\u00e1-l\u2019O e encontr\u00e1-l\u2019O s\u00e3o a mesma coisa, porque o pr\u00e9mio que Ele d\u00e1 \u00e0queles que O procuram \u00e9 um mais ardente desejo de O encontrarem. O cristianismo n\u00e3o consegue anunciar a esperan\u00e7a a quem est\u00e1 satisfeito com o que \u00e9 e com o que tem; Jesus Cristo \u00e9 resposta para os cora\u00e7\u00f5es inquietos, incapazes de serem felizes s\u00f3 com a felicidade que j\u00e1 constru\u00edram. A fragilidade do desejo e a falta de profundidade do modelo de felicidade que se procura, est\u00e1 na causa das grandes desilus\u00f5es, no nosso tempo. Refiro apenas algumas:  * As desilus\u00f5es no amor. Quantos para\u00edsos imaginados que ru\u00edram perante a exig\u00eancia do amor e da fidelidade. O amor n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 experi\u00eancia de dom generoso, sup\u00f5e tenacidade e fidelidade. O amor, no seu in\u00edcio, n\u00e3o garante a felicidade definitiva. \u00c9 antes a ousadia de a procurar em conjunto, de m\u00e3os dadas, com a for\u00e7a de Deus no cora\u00e7\u00e3o. O amor humano \u00e9 garantia de felicidade se nunca se desistir de a procurar e n\u00e3o se quiser procur\u00e1-la sozinho.  * As desilus\u00f5es com a sociedade que constru\u00edmos. O mito da sociedade perfeita neste mundo, tenha ela o modelo da \u201csociedade sem classes\u201d ou da sociedade democr\u00e1tica, onde todos t\u00eam igual direito \u00e0 felicidade \u00e9 sempre causa de desilus\u00f5es para quem pensou que podia construir o C\u00e9u na Terra. As injusti\u00e7as, a viol\u00eancia, o desrespeito pela dignidade humana, o fosso cada vez mais profundo entre ricos e pobres, geram muitas desilus\u00f5es: nos sistemas econ\u00f3micos, nos mecanismos pol\u00edticos, no sistema judicial, etc. Sem perceber que, em cada momento, o modelo de sociedade ideal est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o, que \u00e9 tarefa generosa de todos, mobilizados por valores superiores e que aqueles que semeiam a justi\u00e7a e a paz talvez n\u00e3o cheguem a colher os frutos neste mundo, o que n\u00e3o significa que fiquem sem recompensa. Os homens grandes que constru\u00edram a Hist\u00f3ria foram aqueles que n\u00e3o exigiram receber imediatamente o pr\u00e9mio do seu esfor\u00e7o.  <b>Conclus\u00e3o<\/b> 10. Evangelizar \u00e9 remar contra a corrente; a express\u00e3o \u00e9 de Jo\u00e3o Paulo II, \u00e9 sempre anunciar uma revolu\u00e7\u00e3o, uma profunda transforma\u00e7\u00e3o na vida. \u201cMudai o vosso cora\u00e7\u00e3o\u201d, foi o primeiro desafio da prega\u00e7\u00e3o do Evangelho do Reino por Jesus. Evangelizar n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque s\u00e3o hoje muitas as resist\u00eancias \u00e0 mensagem. Mas vale a pena. Devemos isso a Jesus Cristo; essa \u00e9 a Sua urg\u00eancia que s\u00f3 pode realizar atrav\u00e9s da Sua Igreja, que continua a enviar, custe o que custar, aconte\u00e7a o que acontecer.  <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abA Miss\u00e3o e as incertezas do mundo contempor\u00e2neo\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,144,161,193,237,275,285,314],"class_list":["post-33912","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-concilio-vaticano-ii","tag-d-jose-policarpo","tag-educacao","tag-joao-paulo-ii","tag-pascoa","tag-patrimonio","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}