{"id":33855,"date":"2008-09-02T11:31:55","date_gmt":"2008-09-02T11:31:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/09\/02\/semanas-da-pastoral-social-uma-historia-com-exito\/"},"modified":"2008-09-02T11:31:55","modified_gmt":"2008-09-02T11:31:55","slug":"semanas-da-pastoral-social-uma-historia-com-exito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/semanas-da-pastoral-social-uma-historia-com-exito\/","title":{"rendered":"Semanas da Pastoral Social, uma hist\u00f3ria com \u00eaxito"},"content":{"rendered":"<p>Objectivo concreto \u00aba forma\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais e das comunidades crist\u00e3s para um campo apost\u00f3lico\u00bb <!--more--> As Semanas da Pastoral Social foram iniciadas em 1983 e completam agora 25 anos. Nasceram com uma finalidade concreta: a forma\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais e das comunidades crist\u00e3s para um campo apost\u00f3lico, na altura pouco privilegiado, mas determinante na linha do testemunho evang\u00e9lico da caridade e da solidariedade. O exerc\u00edcio da caridade, como ajuda fraterna, era a ac\u00e7\u00e3o eclesial menos atendida na Igreja em Portugal, se a compararmos com a catequese das crian\u00e7as e a liturgia, sobretudo das celebra\u00e7\u00f5es e devo\u00e7\u00f5es religiosas. Era como que uma ac\u00e7\u00e3o meramente individual, escondida, realizada em geral apenas pelos vicentinos e por grupos reduzidos de volunt\u00e1rios em algumas par\u00f3quias, uma minoria no conjunto de cada diocese.  A Caritas Nacional exercia, desde o principio, sobretudo uma actividade assistencial, e organizava campanhas por altura de calamidades graves. Estendia-se \u00e0s par\u00f3quias por essas raz\u00f5es, sem grupos permanentes. A sua necess\u00e1ria renova\u00e7\u00e3o oferecia dificuldades, por motivo da rotina que vivia. As institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social n\u00e3o eram numerosas, porque a pol\u00edtica do Estado lhes era pouco favor\u00e1vel. As Miseric\u00f3rdias viviam uma crise prolongada, porque eram orientadas, na maioria dos casos, por gente com pouca sensibilidade crist\u00e3. Concentravam a sua ac\u00e7\u00e3o nos hospitais concelhios, bem aceites pelas popula\u00e7\u00f5es do interior, sem outras val\u00eancias sociais, que s\u00f3 mais tarde proliferaram.  O tempo que se seguiu ao 25 de Abril, por raz\u00f5es \u00f3bvias, trouxe fortes dificuldades \u00e0s institui\u00e7\u00f5es sociais da Igreja, com assaltos populares a centros sociais e uma amea\u00e7a renovada de nacionaliza\u00e7\u00e3o, em pleno gon\u00e7alvismo, travada \u00e0 \u00faltima hora, j\u00e1 com senten\u00e7a lavrada. Pouca sensibilidade e alheamento das comunidades crist\u00e3s; amadorismo dos agentes volunt\u00e1rios, sempre poucos, bem como imprepara\u00e7\u00e3o do clero; m\u00faltiplos campos havia apelando para uma necessidade de resposta, a descoberto da ac\u00e7\u00e3o da Igreja; institui\u00e7\u00f5es orientadas por gente com deficiente forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e t\u00e9cnica; dificuldades provenientes dos servi\u00e7os estatais, marcados pela \u00e2nsia da colectiviza\u00e7\u00e3o das respostas sociais ou da entrega das institui\u00e7\u00f5es ao \u201cpovo\u201d.  Era um panorama dom\u00e9stico, n\u00e3o obstante algumas obras muitos v\u00e1lidas nas m\u00e3os de v\u00e1rias congrega\u00e7\u00f5es religiosas e mesmo de algumas par\u00f3quias e dioceses do pa\u00eds. N\u00e3o andavam por a\u00ed as grandes preocupa\u00e7\u00f5es pastorais da Igreja em Portugal por meados do s\u00e9culo.  As Semanas Nacionais de Liturgia, pelo \u00eaxito alcan\u00e7ado e fruto da renova\u00e7\u00e3o imposta pelo Conc\u00edlio, incitavam a que se tentasse igual caminho na pastoral social. Mas era necess\u00e1rio acordar os crist\u00e3os e as par\u00f3quias para este campo. Foi ent\u00e3o poss\u00edvel, porque a Caritas Nacional, com o caminho j\u00e1 andado e depois dos problemas graves porque passara, era conhecida e estava agora pacificada. Orientava esta institui\u00e7\u00e3o gente preparada e com esp\u00edrito crist\u00e3o. O Episcopado indicara-a como Secretariado Nacional da Pastoral S\u00f3cio Caritativa, uma tarefa a cargo da Comiss\u00e3o Episcopal respectiva. A esta a Caritas proporcionava o apoio log\u00edstico e humano para as iniciativas a tomar. Por sua vez, o Conselho Nacional da Pastoral Social, entretanto constitu\u00eddo com um espectro alargado, garantia a liga\u00e7\u00e3o normal e a sensibiliza\u00e7\u00e3o \u00e0s car\u00eancias no terreno e \u00e0s necessidades dos diversos servi\u00e7os e institui\u00e7\u00f5es que o constitu\u00edam.  Em 1983, pareceu \u00e0 Comiss\u00e3o Episcopal e aos \u00f3rg\u00e3os que a assessoravam, que se podia arrancar com as Semanas da Pastoral Social. Assim aconteceu. As primeiras tr\u00eas Semanas iam proporcionar, pelos temas tratados, um alicerce de ac\u00e7\u00e3o continuada e um motivo de renova\u00e7\u00e3o urgente e inadi\u00e1vel.  Foram estes temas os seguintes: Pastoral Social, o que \u00e9? (1983); Pastoral Social, que objectivos? (1984); Pastoral Social, agentes e meios (1985).  Os 400 participantes na I Semana, eram j\u00e1 cerca de 500 na II Semana e mais de 600 na III Semana, vindos de todas as dioceses do pa\u00eds, com grupos significativos da Madeira e dos A\u00e7ores. A publica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida dos textos destas Semanas e o esfor\u00e7o por levar a reflex\u00e3o \u00e0s dioceses que assim quiseram, ajudaram a enraizar o projecto.  A IV Semana (1986), com mais de 800 participantes, foi realizada no centen\u00e1rio do Padre Am\u00e9rico e teve como tema Marginalidade dos jovens. Assim se abriu caminho \u00e0s Semanas seguintes, reflectindo sempre temas objectivos e actuais, com o interesse manifesto de quem nelas participava. A pastoral social ganhara, por fim, normal cidadania como ac\u00e7\u00e3o eclesial. \u00c9 de real\u00e7ar o empenhamento das Comiss\u00f5es Episcopais que se seguiram para manter e desenvolver o projecto inicial, o que nem sempre acontece com iniciativas v\u00e1lidas da Igreja, interrompidas e nunca mais retomadas, com preju\u00edzos pastorais manifestos e esfor\u00e7os n\u00e3o respeitados. Os problemas sociais t\u00eam-se multiplicado e agravado na sua complexidade e nos seus efeitos. A Igreja, ao servi\u00e7o das pessoas, que n\u00e3o \u00e9 outra a sua voca\u00e7\u00e3o, tem de estar cada vez mais atenta e interventora, sabendo ler atempadamente os sinais dos tempos e ouvir, com cora\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, os gritos de dor dos inumer\u00e1veis \u201cferidos da vida\u201d. Dispomos hoje de mais meios humanos e t\u00e9cnicos, h\u00e1 mais abertura \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o entre os diversos agentes sociais, cresceu na Igreja a consci\u00eancia de servi\u00e7o \u00e0s pessoas, faz-se um diagn\u00f3stico mais objectivo das situa\u00e7\u00f5es e das necessidades. J\u00e1 ningu\u00e9m pensa que a pastoral social se esgota em ac\u00e7\u00f5es assistenciais, mas sem se negar a estas quando necess\u00e1rias, o caminho vai na linha da promo\u00e7\u00e3o em ordem ao desenvolvimento, \u00e0 justi\u00e7a e ao bem comum. Complementarmente, \u00e0 defesa e implementa\u00e7\u00e3o das estruturas indispens\u00e1veis. As tr\u00eas ac\u00e7\u00f5es devem conjugar-se para uma melhor resposta aos problemas e maior empenhamento das pessoas e das comunidades. Parece ser claro o \u00eaxito de uma iniciativa que j\u00e1 conta com 25 anos de ac\u00e7\u00e3o, sem desvios nem cansa\u00e7os. A Igreja de Cristo se n\u00e3o favorece o exerc\u00edcio da caridade em todas as suas dimens\u00f5es e com os meios mais v\u00e1lidos e, ao mesmo tempo, n\u00e3o se esfor\u00e7a por comprometer nesta ac\u00e7\u00e3o as suas comunidades, est\u00e1 pondo em causa, por falta de testemunho, a sua ac\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica e esvaziando de sentido e valor as suas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas, especialmente a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, fonte que alimenta toda a ac\u00e7\u00e3o s\u00f3cio caritativa e a sua interven\u00e7\u00e3o na sociedade. <i>Ant\u00f3nio Marcelino, Bispo Em\u00e9rito de Aveiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Objectivo concreto \u00aba forma\u00e7\u00e3o dos agentes pastorais e das comunidades crist\u00e3s para um campo 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