{"id":33836,"date":"2008-08-29T15:07:33","date_gmt":"2008-08-29T15:07:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/29\/voluntariado-nao-escolhe-idades\/"},"modified":"2008-08-29T15:07:33","modified_gmt":"2008-08-29T15:07:33","slug":"voluntariado-nao-escolhe-idades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-nao-escolhe-idades\/","title":{"rendered":"Voluntariado n\u00e3o escolhe idades"},"content":{"rendered":"<p>Depois de duas miss\u00f5es em Mo\u00e7ambique e Timor, a ajuda aos mais necessitados continua a chamar <!--more--> Mostrando que a miss\u00e3o n\u00e3o escolhe idades, nem o entusiasmo da doa\u00e7\u00e3o se esgota na juventude, Elizabeth Santos, prepara-se para aos 61 anos partir, pela terceira vez em miss\u00e3o. O destino \u00e9 novo. A Rep\u00fablica Centro Africana \u00e9 desconhecida para muitos, que ainda persistem em perguntar \u201cmas como se chama o pa\u00eds?\u201d O entusiasmo, sendo repetido, cheira a novo, porque novo \u00e9 o desafio e as pessoas que quer ajudar.  Reformada do Instituto de Cinema Audiovisual e Multim\u00e9dia, Elizabeth Santos n\u00e3o se encostou ao descanso. Aos 46 anos esta volunt\u00e1ria realizou o desejo, antes j\u00e1 sentido, de iniciar a forma\u00e7\u00e3o para fazer voluntariado mission\u00e1rio. Repetidamente afirma \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que n\u00e3o nunca foi uma experi\u00eancia. \u201cChama-lhe o que quiser, mas experi\u00eancia n\u00e3o se coaduna com o que vivi\u201d. Viv\u00eancia, doa\u00e7\u00e3o, miss\u00e3o, voluntariado, anos de entrega, tudo cabe nos anos que Elizabeth Santos viveu longe da fam\u00edlia em Portugal.   Uma peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa iluminou o que outros j\u00e1 tinham percebido em si \u2013 a vontade de se doar 24 horas por dias a quem precisa.   \u201cDecidi em segundos fazer voluntariado\u201d, explica a volunt\u00e1ria \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA. Quando ao chegou da Terra Santa comentou com o filho a sua vontade de partir em miss\u00e3o, teve como resposta \u201cat\u00e9 que enfim\u201d. Ao que parece, mesmo sem se aperceber, Elizabeth Santos manifestava o seu interesse por estas actividades, mesmo sem \u201cter pessoas pr\u00f3ximas que tenham estado em miss\u00f5es\u201d.   <b>Mo\u00e7ambique, Fonte Boa<\/b> Partiu aos 49 anos para a miss\u00e3o de Fonte Boa, em Mo\u00e7ambique, atrav\u00e9s dos Leigos para o Desenvolvimento. Durante um ano e meio fez forma\u00e7\u00e3o onde nunca se sentiu \u201cnem mais velha, nem deslocada\u201d. Elizabeth Santos explica que sempre \u201crefutei a posi\u00e7\u00e3o de m\u00e3e na forma\u00e7\u00e3o\u201d. Sendo a mais velha, Elizabeth afirma que foi importante viv\u00ea-la com pessoas mais novas. \u201cAprendi muito e tenho aprendido muito mais do que o que tenho ensinado\u201d.  Entre diferentes idades, a motiva\u00e7\u00e3o era a mesma. \u201cA forma\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com mais de 100 pessoas e terminou com 11\u201d, recorda a volunt\u00e1ria, exemplificando a consci\u00eancia do projecto e a \u201cforte motiva\u00e7\u00e3o dos que ficaram\u201d.   Durante tr\u00eas anos viveu em Fonte Boa. Envolvida em projectos \u201cligados \u00e0 promo\u00e7\u00e3o humana\u201d, Elizabeth foi respons\u00e1vel por um projecto de costura para ensinar as \u201cmeninas do internato\u201d, a que se juntaram os rapazes no \u00faltimo ano. Num clima frio, \u201cparecido com o nosso\u201d, recorda, o tricot era uma utilidade. Mas tamb\u00e9m o crochet e os bordados, passando pela costura de roupas. Como forma de incentivar as mais pequenas e ensin\u00e1-las a coser \u00e0 m\u00e3o \u201censinei-as a fazer bonecas de pano\u201d, e assim \u201caprendiam a coser, fazendo a roupa das bonecas\u201d.   Elizabeth Santos participou tamb\u00e9m no projecto de carpintaria e de alfabetiza\u00e7\u00e3o funcional. \u201cDe manh\u00e3 as pessoas iam aprender uma profiss\u00e3o, no caso era carpintaria e de tarde aprendiam portugu\u00eas\u201d.   Como na miss\u00e3o em Fonte Boa n\u00e3o havia livros, \u201cos seus livros eram os seus apontamentos. Por isso ensinava-lhes estenografia para que os apontamentos fossem o mais completos poss\u00edvel\u201d. Em miss\u00e3o, Elizabeth aproveitou os seus conhecimentos profissionais ao servi\u00e7o da ludoteca. \u201c\u00c0 Sexta e ao S\u00e1bado \u00e0 noite, no refeit\u00f3rio do internato masculino, organiz\u00e1vamos sess\u00f5es de cinema\u201d. Nas aldeias, \u201cmuitos rapazes e raparigas ganhavam no\u00e7\u00e3o de um comboio ou de um avi\u00e3o atrav\u00e9s dessas sess\u00f5es que organiz\u00e1vamos\u201d, recorda entusiasmada.   <b>Timor, Dili<\/b> Em 1999 d\u00e1-se o regresso a Portugal, mas por pouco tempo, pois nova miss\u00e3o esperava por Elizabeth. Desta vez um novo continente. Em Timor, precisamente em Dili, o ensino do portugu\u00eas voltou a ocupar o seu tempo, mas agora a v\u00e1rios grupos. Na escola de S\u00e3o Jos\u00e9 ensinava portugu\u00eas. Aos novi\u00e7os jesu\u00edtas \u201censinava ingl\u00eas e estenografia\u201d. E ajudou na prepara\u00e7\u00e3o de bolsiros para Macau com o portugu\u00eas.   A costura foi tamb\u00e9m um projecto retomado em Timor com meninas entre os 7 e os 14 anos.   Sendo pa\u00edses \u201ctotalmente\u201d diferentes, Elizabeth Santos afirma que a adapta\u00e7\u00e3o em Timor n\u00e3o foi dif\u00edcil. \u201cS\u00e3o pa\u00edses diferentes, mas muito iguais ao mesmo tempo. Na car\u00eancia e nas pessoas\u201d, afirma sublinhando ser uma pessoa \u201cque se adapta muito bem\u201d. O dif\u00edcil, explica, \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o em Portugal, quando se regressa. \u201cVoltar a este ritmo e a esta vida, e \u00e0 indisponibilidade para estar ao servi\u00e7o \u00e9 que custa\u201d.   Tanto em Mo\u00e7ambique como em Timor, Elizabeth pediu para voltar e continuar os projectos. N\u00e3o porque \u201cos projectos ficassem interrompidos, nunca ficam\u201d, sublinha, pois \u201ct\u00eam sempre seguimento\u201d. Mas uma \u201cvontade pr\u00f3pria, um sentimento de bem estar em miss\u00e3o, onde me sentia feliz\u201d, ditou que estivesse tr\u00eas anos em Mo\u00e7ambique e quisesse permanecer mais tempo em Timor.   Partir em miss\u00e3o \u201cn\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d. Elizabeth Santos valoriza o tempo de forma\u00e7\u00e3o para que \u201cn\u00e3o se parta de \u00e2nimo leve ou levianamente\u201d. Ao contr\u00e1rio assume o cuidado para \u201cpartir com a certeza que queremos ajudar\u201d.   Os anos de miss\u00e3o, tanto em Mo\u00e7ambique como em Timor, ajudaram Elizabeth a descobrir a sua voca\u00e7\u00e3o. \u201cDescobri outra voca\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito desta, que \u00e9 o ensino\u201d, afirma, acrescentando ter pena de n\u00e3o a ter descoberto mais cedo.   A volunt\u00e1ria reconhece que n\u00e3o se trata de uma \u201crealiza\u00e7\u00e3o de vida, at\u00e9 porque as pessoas podem n\u00e3o se realizar por muitos anos que vivam\u201d. Afirma antes que partir em miss\u00e3o \u00e9 \u201cum apelo, uma vontade que tenho de estar ao servi\u00e7o dos outros 24 horas por dia, que \u00e9 algo que aqui eu n\u00e3o posso fazer\u201d.  <b>Rep\u00fablica Centro Africana<\/b> Em 2003 Elizabeth decidiu que \u201cquando partisse novamente, estaria j\u00e1 reformada\u201d Por isso, esperou alguns anos, para novamente entrar em forma\u00e7\u00e3o agora atrav\u00e9s dos Mission\u00e1rios Combonianos, congrega\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da qual parte em Janeiro para a Rep\u00fablica Centro Africana. Com a vida estabilizada a volunt\u00e1ria sente que \u201cvenho quando entender que devo vir. Estou mais livre\u201d, sublinha.  A liga\u00e7\u00e3o ao Mission\u00e1rios Combonianos aconteceu \u201cna viagem \u00e0 Terra Santa\u201d. Quando Elizabeth decidiu ser mission\u00e1ria, \u201cdesconhecia o carisma desta congrega\u00e7\u00e3o\u201d. Mas foi nesta viagem que \u201cme interessei por Comboni e pelo seu carisma e fiquei interessada em partir com eles\u201d. No entanto, em 1993, n\u00e3o havia ainda forma\u00e7\u00e3o para mission\u00e1rios leigos. \u201cPor isso, encaminharam-me para os Leigos para o Desenvolvimento\u201d.   Hoje, o desafio da Rep\u00fablica Centro Africana por no m\u00ednimo dois anos, \u00e9 encarado com \u201cmuita expectativa e j\u00e1 com saudades do que n\u00e3o conhe\u00e7o\u201d. Ainda sem saber o que vai fazer \u201csei j\u00e1 que h\u00e1 para fazer\u201d, conta entusiasmada. \u201cTodos os trabalhos me empolgam, mas em especial, o trabalho com os pigmeus\u201d, expl\u00edcita. Elizabeth vai inclusivamente frequentar um curso na Cruz Vermelha, \u201cpara optimizar a minha ajuda\u201d.   Uma certeza Elizabeth Santos tem. \u201cVou nascer de novo\u201d. Quando pisar a terra do pa\u00eds que a vai acolher a partir de Janeiro, \u201cvou apaixonar-me pelas pessoas\u201d.  Os seus 61 anos permitem-lhe viver a miss\u00e3o de forma diferente. \u201cInterrogo-me o que faria se fosse mais nova\u201d, explica, sublinhando que a \u201cexperi\u00eancia de vida ensina e d\u00e1 outro sabor\u201d. Mas aponta que o convite para a miss\u00e3o \u201ctem de partir do cora\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cQuem nos envia \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, se fosse a raz\u00e3o, ningu\u00e9m partia em miss\u00e3o\u201d, afirma. O convite tem de ser \u201cindividualmente descoberto, n\u00e3o podemos partir atr\u00e1s do que o outro faz\u201d.  A entrega de Elizabeth \u00e9 tal que quando parte em miss\u00e3o \u201cdeixo um documento escrito onde manifesto a minha vontade de, se me acontecer alguma coisa ou perder a vida, quero l\u00e1 ficar e n\u00e3o quero voltar\u201d. Um doa\u00e7\u00e3o que se esgota na total entrega e no n\u00e3o saber o que vir\u00e1 depois.   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de duas miss\u00f5es em Mo\u00e7ambique e Timor, a ajuda aos mais necessitados continua a chamar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[136,182,206,236,244,261,262,317,329,330],"class_list":["post-33836","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-combonianos","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-familia","tag-jesuitas","tag-leigos-para-o-desenvolvimento","tag-missoes","tag-mocambique","tag-terra-santa","tag-voluntariado","tag-voluntariado-missionario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33836\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}