{"id":33820,"date":"2008-08-28T14:37:16","date_gmt":"2008-08-28T14:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/28\/mensagem-de-d-manuel-clemente-por-ocasiao-do-inicio-do-novo-ano-escolar\/"},"modified":"2008-08-28T14:37:16","modified_gmt":"2008-08-28T14:37:16","slug":"mensagem-de-d-manuel-clemente-por-ocasiao-do-inicio-do-novo-ano-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-d-manuel-clemente-por-ocasiao-do-inicio-do-novo-ano-escolar\/","title":{"rendered":"Mensagem de D. Manuel Clemente por ocasi\u00e3o do inicio do novo ano escolar"},"content":{"rendered":"<p>Um ano para educar, uma escola a redescobrir  <!--more--> O tema da educa\u00e7\u00e3o, especialmente a escolar, \u00e9 sem d\u00favida do maior interesse e subst\u00e2ncia. No entanto, culturalmente falando, esta mesma caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 o problema: \u201cinteresse\u201d conjuga-se hoje no plural e na variedade; e a \u201csubst\u00e2ncia\u201d, se persiste, \u00e9 muito mais rarefeita, menos densa na consist\u00eancia do objecto e na convic\u00e7\u00e3o do sujeito. N\u00e3o \u00e9 demais verific\u00e1-lo, mas seria demais critic\u00e1-lo de modo apenas negativo. A pluralidade dos interesses vem da complexifica\u00e7\u00e3o dos motivos e motiva\u00e7\u00f5es que sucessivamente nos tocam e interpelam. A catadupa de informa\u00e7\u00f5es e descobertas, o cruzamento de dados em redes m\u00faltiplas, tudo questiona amanh\u00e3 as certezas de hoje e muito mais as de ontem ou anteontem\u2026 Estamos j\u00e1 muito longe do \u201clivro \u00fanico\u201d e \u00e9 muito dif\u00edcil fazer comp\u00eandios. Igualmente dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, \u00e9 manter um pensamento linear e uma coer\u00eancia simples, feita de cortes aprior\u00edsticos e metas prefixadas. Da\u00ed que a subst\u00e2ncia educativa se ressinta e dilua. Onde s\u00e3o tantos os motivos, s\u00e3o dif\u00edceis as s\u00famulas e as s\u00ednteses; os enciclopedistas cederam o lugar aos especialistas e estes, em termos cl\u00e1ssicos, est\u00e3o mais do lado dos acidentes do que da subst\u00e2ncia. Claramente mais do lado da perspectiva individual do que da vis\u00e3o global, mais da \u201ccontribui\u00e7\u00e3o\u201d ou da \u201cabordagem\u201d particulares do que do discurso universal. Ressente-se disso a filosofia, mais retra\u00edda nas condi\u00e7\u00f5es do conhecimento, como gnoseologia, do que no seu objecto primeiro e \u00faltimo, como metaf\u00edsica. Repito que n\u00e3o entendo isto como algo de absolutamente negativo, antes como exig\u00eancia, ou crise, de crescimento. Nem sequer \u00e9 totalmente in\u00e9dito, mas tem hoje intensidade maior, sobretudo em termos quantitativos.  Digo-o por ser recorrente pensar que os tempos mudam e mudam para pior, no que \u00e0 educa\u00e7\u00e3o geral respeita. E tamb\u00e9m para adiantar o que retomarei depois, ou seja, que o futuro da educa\u00e7\u00e3o, dentro e fora de Portugal, estar\u00e1 mais do lado dos educadores e dos educandos do que das \u201cmat\u00e9rias\u201d em si mesmas.  Atendamos \u00e0s seguintes aprecia\u00e7\u00f5es: \u201cComo me envergonho dos rapazes deste s\u00e9culo. [\u2026] Um rapazinho de treze anos comete hoje mais embustes e mais ac\u00e7\u00f5es reprov\u00e1veis que dez homens feitos do tempo dos nossos pais. [\u2026] Uma menina de hoje \u00e9 mais pretensiosa que uma mulher n\u00fabil de outros tempos. Qual \u00e9 a causa disto? S\u00f3 Deus sabe. Actualmente, as crian\u00e7as s\u00e3o precoces\u201d.  Talvez nos pare\u00e7am muito actuais e agora ouvidas&#8230; Na verdade, \u201cpermanecem\u201d actuais sendo j\u00e1 muito antigas, recolhidas no s\u00e9culo XVI!(1) E poder\u00edamos remontar mais atr\u00e1s, muito antes dos progressos modernos, da acelera\u00e7\u00e3o do tempo e da generaliza\u00e7\u00e3o dos rel\u00f3gios. Cada gera\u00e7\u00e3o define-se em rela\u00e7\u00e3o a certo entendimento geral das coisas, nas primeiras fases da vida. Algo sobrev\u00e9m de seguida, quantitativa e qualitativamente, que, quando questiona o anterior, desperta reservas. Hoje em dia \u00e9 tal a precipita\u00e7\u00e3o das novidades e t\u00e3o variada a sua qualidade que a referida aprecia\u00e7\u00e3o reticente facilmente se transforma em aceita\u00e7\u00e3o desistente. Outrora, as reservas advinham de se porem em causa valoriza\u00e7\u00f5es objectivas. Hoje, as desist\u00eancias referem-se \u00e0 \u201cinsustent\u00e1vel leveza do ser\u201d, segundo um t\u00edtulo p\u00f3s-moderno (Kundera): se tudo parece ser e n\u00e3o ser, acontecer como desacontecer, a tend\u00eancia \u00e9 para resumir a sociabilidade \u00e0 seguran\u00e7a f\u00edsica, a liberdade \u00e0 disponibilidade para fazer isto ou aquilo, a verdade ao equil\u00edbrio inst\u00e1vel dos consensos ocasionais. Os reflexos na educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o obviamente grandes e graves. &#8211; Partindo de quem est\u00e1 para quem vem, como ainda \u00e9 costume, que proposta se far\u00e1, que base de valoriza\u00e7\u00e3o e vida? N\u00e3o admira que este seja um sector de particular ensaio e melindre na nossa s\u00f3cio-cultura, tanto nas propostas te\u00f3ricas como nas tentativas pr\u00e1ticas. Educa\u00e7\u00e3o significava ac\u00e7\u00e3o formal e formativa, escola era institui\u00e7\u00e3o adequada a tal, fam\u00edlia e docentes iam no mesmo sentido, sobre valores comuns e desejados. Actualmente, fam\u00edlia e doc\u00eancia parecem menos consistentes, escola e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o (in)defini\u00e7\u00f5es mais trabalhosas.  Estas quest\u00f5es t\u00eam um \u00e2mbito bem mais largo, que \u00e9 precisamente o da sociedade e da cultura. &#8211; Concretamente quanto \u00e0 escola e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, em especial as p\u00fablicas, o que \u00e9 que queremos todos para transmitir a todos, mesmo que s\u00f3 essencialmente falando? Creio que nenhum de n\u00f3s saber\u00e1 responder sem hesitar a esta quest\u00e3o, ali\u00e1s a mais b\u00e1sica e directa\u2026 Cheg\u00e1mos portanto a uma aporia ou hesita\u00e7\u00e3o irremedi\u00e1vel. E, quando isto acontece, qual beco sem sa\u00edda, s\u00f3 nos resta uma solu\u00e7\u00e3o, caso n\u00e3o queiramos desistir: voltar atr\u00e1s e procurar outro caminho. Devemos constatar com algum optimismo que a humanidade tem progredido exactamente assim, mais por patamares ou saltos do que nas actuais \u201cescadas rolantes\u201d. No pr\u00f3prio caso de cada um \u00e9 frequente verific\u00e1-lo, em leg\u00edtimas crises de crescimento, mesmo sem serem imediatamente bem-vindas. A tend\u00eancia \u00e9, de facto, para alongar lemas e modos muito al\u00e9m da sua funcionalidade, repetir actualmente respostas dadas a perguntas de ontem, perpetuar representa\u00e7\u00f5es que a realidade conhecida e vivida j\u00e1 ultrapassou. At\u00e9 que esta mesma se torne irremedi\u00e1vel ou \u201cincontorn\u00e1vel\u201d. S\u00f3 nos restar\u00e1 ent\u00e3o voltar \u00e0 rotunda e sair por outra via. Assim estaremos, parece, sem perder nada dum passado que s\u00f3 no fim se mostrou insuficiente, dando-nos, precisamente nisso, o melhor contributo para o futuro. Mesmo para o futuro da educa\u00e7\u00e3o em Portugal. A nova via, n\u00e3o a escolheremos \u00e0s cegas. Desse mesmo passado sobra alguma coisa, algum ind\u00edcio. Precisamente o que nos centra nas pessoas, nos v\u00e1rios agentes do mundo educativo.  Tamb\u00e9m \u00e9 neles que a referida aporia se manifesta primeiro. Por experi\u00eancia pessoal e certamente compartilhada por muit\u00edssimos, sei que a maior parte das observa\u00e7\u00f5es e queixas prov\u00eam desse mesmo campo pessoal e interpessoal: quest\u00f5es de disciplina, de interesse pelas mat\u00e9rias, de objectivos globais e parciais\u2026 &#8211; Que fazer, que ensinar e para qu\u00ea, em suma, no sentido da realiza\u00e7\u00e3o de todos e cada um (alunos e professores, auxiliares e fam\u00edlias, comunidade local ou global)? \u2013 Que fazer fazendo-nos realmente, satisfatoriamente?  Mant\u00eam cabimento as seguintes observa\u00e7\u00f5es sobre a \u201ccrise de identidade e forma\u00e7\u00e3o dos professores na actualidade\u201d: \u201c \u2026 os professores parecem sofrer \u2013 e n\u00e3o conduzir, embora de maneira modesta \u2013 a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade. A bem dizer, as atitudes dos professores perante a ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou a constru\u00e7\u00e3o do futuro s\u00e3o contradit\u00f3rias, na medida em que \u2018o of\u00edcio de professor se enra\u00edza numa certa \u00e9tica e na aguda consci\u00eancia da superioridade do letrado. O professor tem por vezes vontade de defender os valores que justificam o seu magist\u00e9rio. Conserva-se facilmente fiel \u00e0 imagem de uma sociedade tradicional, hierarquizada e respeitadora do saber e da cultura\u2019 [P. Gerbod]. [\u2026] Seria tamb\u00e9m necess\u00e1rio recordar, para explicar o actual mal-estar, por um lado o peso das estruturas hier\u00e1rquicas e, por outro, o lugar real que, tanto sob o \u00e2ngulo material como sob o \u00e2ngulo moral, \u00e9 concedido na sociedade aos professores. [\u2026] Hoje, os progressos realizados nas ci\u00eancias humanas e nas ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o, juntamente com a evolu\u00e7\u00e3o da reflex\u00e3o pol\u00edtica sobre as rela\u00e7\u00f5es entre a escola e a sociedade, contribuem para modificar sensivelmente as concep\u00e7\u00f5es e as perspectivas da forma\u00e7\u00e3o dos professores\u201d. (2) Em quatro pontos se det\u00eam as observa\u00e7\u00f5es escutadas: sobre a identidade do professor; sobre a tradi\u00e7\u00e3o \u201cconservadora\u201d do seu of\u00edcio; sobre o seu lugar na sociedade; e tudo isto no novo quadro de rela\u00e7\u00f5es entre escola e sociedade. &#8211; Conduzir ou sofrer a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade? \u00c9 sabido como a figura do professor, sobretudo na viragem do s\u00e9culo XIX para o XX, era tida como determinante para a forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es laboriosas e progressivas. Quase substitu\u00eda o sacerd\u00f3cio antigo da divindade pelo \u201csacerd\u00f3cio\u201d novo da humanidade e do futuro. Depois, em termos menos rom\u00e2nticos mas ainda iluministas, \u201cabria\u201d intelig\u00eancias e adestrava engenhos, em saberes mais cl\u00e1ssicos ou mais tecnol\u00f3gicos. O mundo estava a\u00ed como campo largo e a hist\u00f3ria projectava-se como caminho certo. O problema, magno problema, surgiu com a desilus\u00e3o de guerras e p\u00f3s-guerras, as suspeitas generalizadas sobre os reais intuitos de grandes e pequenos, as retrac\u00e7\u00f5es consumistas dos antigos ideais e a dificuldade em mant\u00ea-los como horizonte, tudo isto junto e a fragilizar a figura e a convic\u00e7\u00e3o do professor remanescente.  Numa escola que transmitia o saber adquirido, era deste lado que normalmente se situava o professor, como seu expositor e guardi\u00e3o. Numa escola onde se repercutam mais as d\u00favidas te\u00f3ricas, ainda que met\u00f3dicas, e as incertezas, ainda que de opera\u00e7\u00e3o e ensaio, a natureza docente mudar\u00e1 tamb\u00e9m. Ali\u00e1s, a sociedade actual manifesta uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua com a escola. Compreende-se e advoga-se o seu papel de transmiss\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o no campo dos saberes te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos. Mas n\u00e3o se lhe d\u00e1 o lugar central que pretenderia ter nesse sentido, quer porque a escola perdeu a reverencial proemin\u00eancia anterior, quer porque a transmiss\u00e3o dos conhecimentos a extravasa, numa rede muito mais larga e omnipresente, inform\u00e1tica sobretudo. Por tudo isto e al\u00e9m do mais, procura-se um outro enquadramento escola-sociedade e estamos longe da nova plataforma a alcan\u00e7ar. Entretanto, a transforma\u00e7\u00e3o do sistema educativo traz ao professor custos e riscos. T\u00e3o inevit\u00e1veis como promissores, acrescente-se.      A perplexidade mant\u00e9m-se, porque incide sobre os pr\u00f3prios objectivos da sociedade. Indefinidos estes, fragilizam-se os elos pessoais duma tradi\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, como o s\u00e3o particularmente os professores, e mais dif\u00edcil se torna a motiva\u00e7\u00e3o dos alunos. J\u00e1 h\u00e1 duas d\u00e9cadas se escrevia assim: \u201c \u2026 o sector da educa\u00e7\u00e3o, em Portugal, vem-se debatendo com muitas lacunas e dificuldades que condicionam o seu desej\u00e1vel desenvolvimento. Delas se destacam umas de car\u00e1cter hex\u00f3geno e outras de car\u00e1cter end\u00f3geno. Do primeiro conjunto salientam-se as seguintes: aus\u00eancia de um modelo de desenvolvimento global, sectorial e regional para a sociedade portuguesa [\u2026]; falta de articula\u00e7\u00e3o entre a educa\u00e7\u00e3o\/forma\u00e7\u00e3o, o emprego e a actividade econ\u00f3mica [\u2026]. Quanto \u00e0s quest\u00f5es end\u00f3genas s\u00e3o de referir as seguintes: [\u2026] falta de relacionamento do sistema educativo com o mundo do trabalho e com o meio; [\u2026] indefini\u00e7\u00e3o do perfil dos docentes necess\u00e1rios para o ensino n\u00e3o superior\u201d. (3) Devemos constatar que, apesar dos ineg\u00e1veis esfor\u00e7os posteriores, ainda h\u00e1 muito a repensar e a fazer para que a escola e a sociedade se reencontrem, com as necess\u00e1rias consequ\u00eancias na rela\u00e7\u00e3o cultural professor \u2013 aluno. Como igualmente constataremos que, dada a radicalidade da muta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, o \u201cproblema\u201d n\u00e3o se resolver\u00e1 a partir do Estado, hoje menos consistente, mas duma sociedade que n\u00e3o desista de continuar.  Como se apontava atr\u00e1s, \u00e9 como sociedade aberta e din\u00e2mica, do passado para o futuro, que nos devemos redefinir. Ent\u00e3o tamb\u00e9m nos reencontraremos na escola, e muito especialmente a\u00ed. Longe de se desactualizar, ela obter\u00e1 a m\u00e1xima pertin\u00eancia, mas como local onde de algum modo estejamos todos. Todos, porque a forma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 obra da vida inteira, do pr\u00e9-escolar ao \u201cs\u00e9nior\u201d, aprendendo-se sempre, segundo a respectiva idade. Todos, porque em cada patamar de ensino se conjugar\u00e3o as diversas inst\u00e2ncias da sociabilidade e da cultura: professores e alunos, auxiliares e fam\u00edlias, institui\u00e7\u00f5es e ambientes, o meio pr\u00f3ximo e o mais alargado. Que a escola e os que a fazem n\u00e3o se sintam postergados, mas valorizados pelo seu lugar central no conhecimento. Conhecimento que, por ser partilhado e convivido, se torna reconhecimento m\u00fatuo, de pessoas e saberes, convic\u00e7\u00f5es e pesquisas, em secularidade preenchida e s\u00f3 assim verdadeira. Secularidade refere-se ao mundo de todos, neste tempo comum. N\u00e3o \u201cindependentemente\u201d das convic\u00e7\u00f5es de cada um, mas exactamente na sua partilha. As pessoas sustentam convic\u00e7\u00f5es e sustentam-se por elas, mesmo quando n\u00e3o pare\u00e7a. Abstrair deste aspecto \u00e9 abstrair da vida real e geometrizar \u201cno espa\u00e7o\u201d e n\u00e3o no s\u00e9culo, no mundo concreto das pessoas vivas. Importa \u00e9 que a escola se torne lugar de aproxima\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia, sobretudo local, onde o conhecimento m\u00fatuo impe\u00e7a o confronto de fantasmas ideol\u00f3gicos e cren\u00e7as reprimidas. J\u00e1 o dev\u00edamos ter aprendido, com in\u00fameras \u201cli\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria\u201d, neste campo das convic\u00e7\u00f5es. Foram primeiro os unanimismos pr\u00f3prios e for\u00e7osos \u2013 tamb\u00e9m for\u00e7ados &#8211; de tempos menos complexos: perigavam as minorias \u00e9tnicas, religiosas e outras. Foram depois os assomos laicistas da modernidade, para que outro unanimismo se conseguisse por exclus\u00e3o de partes, calando a transmiss\u00e3o p\u00fablica das cren\u00e7as e remetendo-as para o \u00e2mbito particular: perigava a verdade humana das convic\u00e7\u00f5es partilhadas e animadoras da vida em geral, sem as quais a pessoa concreta \u00e9 sacrificada \u00e0 abstrac\u00e7\u00e3o individualista ou massificada, sem rosto nem nome aut\u00eanticos. De iniciativa p\u00fablica ou particular, a escola n\u00e3o pode restringir arbitrariamente a proposta cultural, tamb\u00e9m no que \u00e0 religi\u00e3o respeita. E insistindo sempre no car\u00e1cter pessoal e personalista do processo educativo. Para os professores, seja qual for a mat\u00e9ria, trata-se de partilhar o saber que activamente \u201cprofessam\u201d. H\u00e1 muito que sabemos como eles s\u00e3o t\u00e3o importantes como o ensino que ministram, exactamente pela intensidade existencial com que o fa\u00e7am. Com tais professores, os alunos s\u00e3o mais facilmente envolvidos num processo geral de conhecimento em que j\u00e1 come\u00e7am a ser protagonistas.  Para realizar o bem comum, cabe ao Estado viabilizar uma escola assim, de iniciativa p\u00fablica ou particular, distribuindo recursos e motivando sempre: segundo a vontade de todos e em benef\u00edcio da coexist\u00eancia e partilha de ide\u00e1rios e m\u00e9todos leg\u00edtimos. Leg\u00edtimos pelo crit\u00e9rio humanista (em prol da dignidade de cada pessoa humana), leg\u00edtimos pela bondade realmente demonstrada (activando a solidariedade), leg\u00edtimos pela real capacidade criativa (da ci\u00eancia ao esp\u00edrito). A\u00ed temos mais o novo ano lectivo, para avan\u00e7armos juntos. Partindo do encontro inter-pessoal, numa sociedade de todos que conte com cada um.          Porto, 28 de Agosto de 2008, Mem\u00f3ria de Santo Agostinho <i>+ Manuel Clemente, Bispo do Porto  1 Cit. por L\u00c9ON, Antoine \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1983, p. 40.  2 L\u00c9ON &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o, p. 251-252.  3 GRILO, Eduardo Mar\u00e7al \u2013 A evolu\u00e7\u00e3o do sistema educativo nos anos 74 \u2013 85. Povos e Culturas. 1 (1986) 284-285.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um ano para educar, uma escola a redescobrir<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,187,193,206,314],"class_list":["post-33820","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33820\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}