{"id":33786,"date":"2008-08-26T12:12:09","date_gmt":"2008-08-26T12:12:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/26\/homilia-de-d-jacinto-botelho-nas-bodas-de-ouro-sacerdotais\/"},"modified":"2008-08-26T12:12:09","modified_gmt":"2008-08-26T12:12:09","slug":"homilia-de-d-jacinto-botelho-nas-bodas-de-ouro-sacerdotais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jacinto-botelho-nas-bodas-de-ouro-sacerdotais\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jacinto Botelho nas Bodas de Ouro sacerdotais"},"content":{"rendered":"<p><i>Homilia pronunciada no dia 15 de Agosto de 2008, nos 50 anos da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e por ocasi\u00e3o das ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais<\/i> <!--more--> \u00abMais uma vez esta Catedral da Senhora da Assun\u00e7\u00e3o e no dia lit\u00fargico da Sua Solenidade abre as suas portas a quantos (e s\u00e3o tantos: sacerdotes e leigos) os que aqui se encontram, vindos de toda a Diocese, para, como assembleia celebrante, cantarmos os louvores da M\u00e3e do C\u00e9u, participarmos no Santo Sacrif\u00edcio da Missa, e vivermos com fervor e gratid\u00e3o a ordena\u00e7;\u00e3o sacerdotal de dois novos presb\u00edteros para esta Igreja, e comigo agradecer tamb\u00e9m os cinquenta anos do meu sacerd\u00f3cio.   Celebramos a eleva\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora ao C\u00e9u, em Corpo e Alma. \u00c9 a Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, a Sua exalta\u00e7\u00e3o gloriosa, a Sua Glorifica\u00e7\u00e3o, depois da de Seu divino Filho &#8211; esta afirmada solenemente na segunda leitura,  verdadeiro acto de f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o &#8211; o motivo do j\u00fabilo que a Liturgia nos faz viver.  S. Jo\u00e3o Damasceno, fundamenta teologicamente este Dogma da nossa f\u00e9, com um pensamento que Pio XII cita, na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Munificentissimus Deus, da proclama\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica que muitos de n\u00f3s j\u00e1 hoje rez\u00e1mos na Liturgia das Horas.  &#8220;Era necess\u00e1rio &#8211; afirma o \u00faltimo dos Padres da Igreja do Oriente &#8211; que Aquela que no parto tinha conservado ilesa a sua virgindade conservasse tamb\u00e9m sem nenhuma corrup\u00e7\u00e3o o seu corpo depois da morte. Era necess\u00e1rio que Aquela que trouxera no seu seio o Criador feito menino fosse habitar nos divinos tabern\u00e1culos. Era necess\u00e1rio que a Esposa que o Pai desposara fosse morar com o Esposo celeste. Era necess\u00e1rio que Aquela que tinha visto o seu Filho na cruz e recebera no cora\u00e7\u00e3o a espada de dor de que tinha sido preservada ao d\u00e1-l&#8217;O \u00e0 luz, O contemplasse sentado \u00e0 direita do Pai. Era necess\u00e1rio que a M\u00e3e de Deus possu\u00edsse o que pertence ao Filho e que todas as criaturas a honrassem como a M\u00e3e e Serva de Deus.&#8221;  A reflex\u00e3o de S. Germano de Constantinopla, igualmente referenciada na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica acima nomeada, afirmando Sua Santidade Pio XII, que, no pensamento de S. Germano, &#8220;a incorrup\u00e7\u00e3o e a assun\u00e7\u00e3o da Virgem M\u00e3e de Deus condiziam n\u00e3o s\u00f3 com a maternidade divina, mas tamb\u00e9m com a peculiar santidade desse corpo virginal&#8221; ajuda-nos a compreender o sentido desta Solenidade. Diz S. Germano: &#8220;V\u00f3s, como est\u00e1 escrito, apareceis em beleza; e o vosso corpo virginal todo ele \u00e9 santo, todo ele \u00e9 casto, todo ele morada de Deus, de modo que, at\u00e9 por este motivo, ficou isento de ser reduzido ao p\u00f3 da terra; foi, sim, transformado, enquanto era humano, para a vida excelsa da incorruptibilidade; mas \u00e9 o mesmo, vivo e glorios\u00edssimo, inc\u00f3lume e participante da vida perfeita&#8221;.   Sabemos que Nossa Senhora \u00e9 uma simples criatura, n\u00e3o \u00e9 uma deusa. \u00c9 uma mulher que precisou da Reden\u00e7\u00e3o. Mas dentro desta limita\u00e7\u00e3o, como ensinou o Conc\u00edlio e reflectiu Jo\u00e3o Paulo II, sobretudo na Enc\u00edclica M\u00e3e do Redentor, \u00e9 a primeira entre os pobres e os humildes do Senhor, a bendita entre as mulheres, a que sempre esteve sob o dom\u00ednio da Gra\u00e7a. Ela, redimida do modo mais sublime, \u00e9 o in\u00edcio do Novo Testamento. Esta Reden\u00e7\u00e3o singular n\u00e3o visou apenas a sua santifica\u00e7\u00e3o pessoal: criou nela radical e plena disponibilidade para o servi\u00e7o da salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 a escrava do Senhor e toda a sua vida \u00e9 de cooperadora com Cristo na Reden\u00e7\u00e3o. A sua vida foi um sim permanente de empenhamento, sem desculpas, sem retic\u00eancias, no cumprimento do plano do Senhor. Renuncia a si numa entrega total at\u00e9 \u00e0 consuma\u00e7\u00e3o m\u00e1xima do Calv\u00e1rio, onde dolorosamente consente, adere, comunga o cruento sacrif\u00edcio do seu Filho. Como a Jesus se lhe poderiam aplicar as palavras de S. Paulo: Fez-se obediente at\u00e9 \u00e0 morte. Por isso Deus a exaltou. &#8220;Plenamente unida a Cristo, como sua M\u00e3e e sua Serva humilde, associada estreitamente A Ele, na humilha\u00e7\u00e3o e no sofrimento, n\u00e3o podia deixar de vir a participar no mist\u00e9rio de Cristo ressuscitado e glorificado numa conformidade at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias&#8221;.  A Arca da Alian\u00e7a, como a invocamos na Ladainha, \u00e9 introduzida no templo, levada at\u00e9 Deus, colocada num trono de gl\u00f3ria acima de todos os santos e anjos do C\u00e9u, como no-lo revelou a vis\u00e3o apocal\u00edptica da primeira leitura e comentam os Padres da Igreja.   Mas o privil\u00e9gio concedido \u00e0 Virgem Imaculada, \u00e9 sinal de esperan\u00e7a segura e de consola\u00e7\u00e3o para todo o povo de Deus que peregrina na terra, que luta no meio de dificuldades e dos perigos da vida, contra o pecado e a morte. A M\u00e3e de Jesus, como afirma o Conc\u00edlio, glorificada j\u00e1 no corpo e na alma \u00e9 imagem e \u00e9 in\u00edcio da Igreja que se h\u00e1-de consumar no s\u00e9culo futuro.   Nesta ordem de reflex\u00e3o, permiti que recorde uma expressiva palavra de Bento XVI: &#8220;Maria foi elevada ao c\u00e9u em corpo e alma: tamb\u00e9m para o corpo existe um lugar em Deus. Para n\u00f3s o c\u00e9u j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma esfera muito distante e desconhecida. No c\u00e9u temos a m\u00e3e. E a M\u00e3e de Deus, a M\u00e3e do Filho de Deus, \u00e9 a nossa M\u00e3e. Ele mesmo o disse. Ele constitui-a nossa M\u00e3e, quando disse ao disc\u00edpulo e a todos n\u00f3s: \u00abEis a tua M\u00e3e!\u00bb No c\u00e9u temos a M\u00e3e. O c\u00e9u est\u00e1 aberto, o c\u00e9u tem um cora\u00e7\u00e3o&#8221;.  Mas a hora que vivemos \u00e9 de imenso j\u00fabilo para a Diocese com a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal de dois novos presb\u00edteros. \u00c9 a grande benemer\u00eancia de Deus a esta Igreja de Lamego e a este pobre padre que hoje celebra os 50 anos do seu sacerd\u00f3cio. Recordo o momento em que colei o meu corpo ao ch\u00e3o desta Catedral como dentro de momentos o far\u00e3o o Filipe e o Jorge.  Quero partilhar convosco duas recentes reflex\u00f5es de Bento XVI que muito me t\u00eam ajudado a mim e poder\u00e3o ajudar igualmente os dois mais novos irm\u00e3os que as minhas m\u00e3os e a ora\u00e7\u00e3o que vou pronunciar far\u00e3o sacerdotes, e ajudar ainda todos os irm\u00e3os do Presbit\u00e9rio. A primeira \u00e9 retirada de uma alocu\u00e7\u00e3o aos sacerdotes, di\u00e1conos e seminaristas na Catedral de Brindisi, quando em 15 de Junho \u00faltimo visitou esta cidade. Falou assim: &#8220;Caros irm\u00e3os sacerdotes, para que a vossa vida seja forte e vigorosa \u00e9 necess\u00e1rio, como bem sabeis, aliment\u00e1-la com uma ora\u00e7\u00e3o ass\u00eddua. Portanto, sede modelos de ora\u00e7\u00e3o, tornai-vos mestres de ora\u00e7\u00e3o. Os vossos dias sejam cadenciados pelos tempos de ora\u00e7\u00e3o durante os quais, segundo o modelo de Jesus, vos entretendes num di\u00e1logo regenerador com o Pai. Sei que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil manter-se fiel a estes encontros quotidianos com o Senhor, sobretudo hoje que o ritmo da vida se fez fren\u00e9tico e as ocupa\u00e7\u00f5es absorvem em medida cada vez maior. Todavia temos de nos convencer: o momento da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais importante na vida do sacerdote, aquele em que a gra\u00e7a divina age com maior efic\u00e1cia, dando fecundidade ao seu minist\u00e9rio. Rezar \u00e9 o primeiro servi\u00e7o a prestar \u00e0 comunidade. Por isso, os momentos de ora\u00e7\u00e3o devem ser na nossa vida uma verdadeira prioridade. [&#8230;] Se n\u00e3o estivermos em comunh\u00e3o com Deus, nada poderemos dar tamb\u00e9m aos outros.&#8221;  A segunda reflex\u00e3o \u00e9 a resposta a um sacerdote no j\u00e1 habitual encontro com o clero do lugar onde Sua Santidade passa as f\u00e9rias de ver\u00e3o e que ocorreu em Bressanone na manh\u00e3 do passado dia 6 de Agosto: &#8220;H\u00e1 necessidade do sacerdote que se d\u00e1 completamente ao Senhor e por isso se d\u00e1 tamb\u00e9m completamente aos homens. [&#8230;] O sacerd\u00f3cio (ministerial) da Igreja significa que, por um lado, estamos consagrados ao Senhor, retirados do comum, mas, por outro lado, estamos consagrados a Ele, para que deste modo possamos pertencer-lhe totalmente e totalmente pertencer aos outros. [&#8230;] Esta \u00abretirada do comum\u00bb significa \u00abentrega a todos\u00bb. Este \u00e9 um modo importante, o modo mais importante de servir os irm\u00e3os. [&#8230;] Uma prioridade fundamental da exist\u00eancia do sacerdote \u00e9 estar com o Senhor, isto \u00e9, ter tempo para a ora\u00e7\u00e3o. Quero assim sublinhar: sejam quais forem os compromissos acumulados, a verdadeira prioridade \u00e9 encontrar em cada dia, direi, uma hora de tempo para estar em sil\u00eancio para o Senhor e com o Senhor, como a Igreja nos prop\u00f5e que fa\u00e7amos com o brevi\u00e1rio, as ora\u00e7\u00f5es do dia &#8230; e organizar a partir daqui as restantes prioridades. [&#8230;] Tenho a impress\u00e3o que as pessoas compreendem e sabem apreciar quando um sacerdote est\u00e1 com Deus, quando assume o encargo de rezar pelos outros: N\u00f3s &#8211; dir\u00e3o &#8211; n\u00e3o somos capazes de rezar tanto, tu deves faz\u00ea-lo por n\u00f3s, \u00e9 o teu of\u00edcio, por assim dizer, ser aquele que reza por n\u00f3s. Queremos um sacerdote que honestamente se empenhe em viver com o Senhor e depois esteja \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos homens &#8211; os que sofrem, os moribundos, as crian\u00e7as, os jovens (eu diria que s\u00e3o estas as prioridades).&#8221; Belo e exigente programa de vida sacerdotal.  Iluminemos as reflex\u00f5es com o mist\u00e9rio celebrado neste dia. Interessa-nos descobrir nele o caminho que Nossa Senhora percorreu, paradigma da nossa vida ministerial, e que est\u00e1 resumido na caminhada para casa de Isabel relatada no Evangelho. N\u00e3o houve uni\u00e3o mais \u00edntima com Jesus que a que Nossa Senhora viveu nesta peregrina\u00e7\u00e3o de solidariedade. Depois pensemos que Ela subiu ao mais alto da gl\u00f3ria, porque desceu na humildade do servi\u00e7o, na disponibilidade abnegada. Deus eleva o que se humilha para O servir e para servir os irm\u00e3os. A visita a Isabel \u00e9 a li\u00e7\u00e3o que precisamos de colher. Nossa Senhora incarnou no seu cora\u00e7\u00e3o o amor de Deus que dela se serviu e serve, das suas formas sens\u00edveis, para se aproximar de quantos se sentem carenciados, sejam eles quem for, sem exclus\u00f5es, sem prefer\u00eancias, bons e maus, simp\u00e1ticos e antip\u00e1ticos, reconhecidos e ingratos, ensinando-nos que \u00e9 assim que tamb\u00e9m n\u00f3s temos de servir, amando. O amor de Nossa Senhora que corre apressadamente para as montanhas, retrata a solicitude do samaritano que se faz pr\u00f3ximo de quem sofre e de quem precisa, indicando-nos que essa \u00e9 a medida para amar. Ou parafraseando a bela express\u00e3o de Bento XVI: Como Ela temos de ser n\u00f3s tamb\u00e9m: um cora\u00e7\u00e3o que v\u00ea. Experimentaremos assim, de modo consciente e respons\u00e1vel, o agora referido no final da primeira leitura: Agora chegou a salva\u00e7\u00e3o, o poder e a realeza do nosso Deus e o dom\u00ednio do Seu Ungido.  Do cora\u00e7\u00e3o agradecido do Filipe e do Jorge que v\u00eaem realizado o seu sonho de h\u00e1 tanto tempo acalentado, dos seu pais, irm\u00e3os e demais familiares, aqui presentes, dos Semin\u00e1rios com suas equipas formadoras e companheiros, das par\u00f3quias de Cambres e de Ariz, com os seus p\u00e1rocos e fi\u00e9is que os viram nascer e acompanharam o seu crescimento, das comunidades onde realizaram os est\u00e1gios e beneficiaram do seu entusiasmo juvenil, do cora\u00e7\u00e3o de todas estas pessoas e demais diocesanos, a quem sa\u00fado do fundo do cora\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m do meu, confundido e grato pelos 50 anos de padre, brota, humilde, sincero e comprometido, o c\u00e2ntico da M\u00e3e do Sumo e Eterno Sacerdote e de todos os sacerdotes: A minha alma glorifica o Senhor e o meu esp\u00edrito exulta em Deus, meu Salvador.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia pronunciada no dia 15 de Agosto de 2008, nos 50 anos da ordena\u00e7\u00e3o 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