{"id":33769,"date":"2008-08-25T11:56:03","date_gmt":"2008-08-25T11:56:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/25\/romaria-a-sao-bartolomeu-mostra-que-tradicao-continua-presente\/"},"modified":"2008-08-25T11:56:03","modified_gmt":"2008-08-25T11:56:03","slug":"romaria-a-sao-bartolomeu-mostra-que-tradicao-continua-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/romaria-a-sao-bartolomeu-mostra-que-tradicao-continua-presente\/","title":{"rendered":"Romaria a S\u00e3o Bartolomeu mostra que tradi\u00e7\u00e3o continua presente"},"content":{"rendered":"<p>O tradicional \u201cbanho santo\u201d voltou ontem a concentrar as aten\u00e7\u00f5es em S. Bartolomeu do Mar, Esposende, numa praia j\u00e1 praticamente sem areia. Apesar do areal ter dado lugar a um amontoado de seixos, v\u00e1rias centenas de pessoas concentraram- se naquela zona litoral minhota para assistir a este ritual antigo, que come\u00e7a com as crian\u00e7as e respectivos pais a darem tr\u00eas voltas \u00e0 igreja, carregando frangos pretos.  Quem segue esta tradi\u00e7\u00e3o, que se repete pelo menos desde 1566, acredita que as crian\u00e7as sendo mergulhadas nas \u00e1guas frias do Atl\u00e2ntico, a 24 de Agosto, dia de S. Bartolomeu, se livram de maleitas como medo, gaguez, gota ou epilepsia. E ontem foram muitos os devotos de S. Bartolomeu que se deslocaram \u00e0 freguesia de Mar, a cinco quil\u00f3metros a norte de Esposende, para se juntar a estes momentos altos da romaria.  Sandra Neiva, de Palmeira de Faro, daquele concelho, foi uma das muitas m\u00e3es que recorreu ao afamado \u201cbanho santo\u201d. O filho Tiago, de 7 anos, \u00abgagueja muito\u00bb. Com os mergulhos na \u00e1gua fria, acredita que \u00abvai passar\u00bb.  Tiago n\u00e3o teve medo de se submeter ao \u201ctratamento\u201d, mas a maioria das crian\u00e7as que s\u00e3o levadas ao colo, seja pelos banheiros de servi\u00e7o, seja pelos pais, fazem quase sempre gestos de resist\u00eancia e chegam mesmo a gritar.  O banho dado por banheiros \u00e9 mais \u201cprofissional\u201d, mas tem um pre\u00e7o. Desde h\u00e1 dois anos que custa cinco euros. H\u00e1 pais que preferem ser eles pr\u00f3prios a megulhar os filhos, e nem sempre \u00e9 por uma quest\u00e3o de poupan\u00e7a. \u00abSendo eu a dar o banho, o meu filho sente-se mais confiante. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o tenha confian\u00e7a no banheiro, mas comigo sente-se mais seguro \u00bb, alega Paula Cruz, depois de ter levado \u00e0 \u00e1gua, pela primeira vez, o pequeno Filipe, de 3 anos. A residir em Ponte de Lima, \u00e9 a segunda vez que esta devota faz a romaria de S. Bartolomeu do Mar. H\u00e1 cinco anos, esteve l\u00e1 para dar o \u201cbanho\u201d \u00e0 filha, agora com 8 anos. \u00abVenho n\u00e3o porque tenham problemas, \u00e9 mais para cumprir a tradi\u00e7\u00e3o \u00bb, explica.  O ritual inicia-se com tr\u00eas voltas \u00e0 igreja, carregando as crian\u00e7as um frango preto. Pais e filhos entram depois no templo, para passarem por debaixo do andor de S. Bartolomeu, sendo o passo seguinte a b\u00ean\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a doente, ou que se teme venha a ficar doente, miss\u00e3o que fica a cargo de um membro da comiss\u00e3o de festas, que lhe encosta \u00e0 cabe\u00e7a a uma pequena r\u00e9plica da imagem do santo.  Nas imedia\u00e7\u00f5es da igreja, t\u00eam sido colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o frangos pretos de aluguer para as pessoas que n\u00e3o levem galin\u00e1ceos. Este ano, a comiss\u00e3o de festas fixou o aluguer em dez euros. Os frangos s\u00e3o depois depositados num galinheiro cont\u00edguo \u00e0 igreja para, mais tarde, serem vendidos em leil\u00e3o, cuja receita ajudar\u00e1 a custear a festa.  Cumpridos os rituais de manh\u00e3, da parte da tarde faz-se o chamado agradecimento ao santo, atrav\u00e9s de uma prociss\u00e3o grandiosa que agora n\u00e3o vai at\u00e9 ao mar, devido \u00e0 eros\u00e3o costeira.  O areal foi engolido e ontem notou-se j\u00e1 alguma dificuldade em circular na praia dada a grande concentra\u00e7\u00e3o de seixos.  Jos\u00e9 Laranjeiro, um octagen\u00e1rio de S. Bartolomeu de Mar, compara, com semblante triste, os tempos de hoje e aqueles em que na praia de Mar as pessoas se podiam espraiar e jogar \u00e0 bola. \u00abT\u00ednhamos aqui um extenso areal que era procurado por muitos veraneantes, agora temos estas pedras que tiraram beleza e vida \u00e0 praia\u00bb, observa.  Os habitantes da freguesia, sobretudo os mais pr\u00f3ximos da costa, n\u00e3o escondem a preocupa\u00e7\u00e3o, enquanto aguardam pelas medidas anunciadas pelo Governo no sentido da reposi\u00e7\u00e3o de parte do areal.  A eros\u00e3o costeira est\u00e1 a prejudicar o turismo balnear n\u00e3o s\u00f3 de Mar como tamb\u00e9m das freguesias vizinhas de Cep\u00e3es, Belinho e Antas.  <b>Banheiros asseguram tradi\u00e7\u00e3o<\/b> Este ano, para ajudar ao ritual estiveram dois banheiros com a presen\u00e7a de uma equipa de megulhadores num bote a cerca de 100 metros da costa.  O banheiro mais velho, Jos\u00e9 Ramiro, 55 anos, faz este servi\u00e7o desde os 20. Acredita que a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se ir\u00e1 perder se o mar invadir totalmente a praia, at\u00e9 porque, lembra, antigamente a \u201cterapia sagrada\u201d acontecia numa fonte junto \u00e0 igreja velha. \u00abEsta tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 muito antiga e n\u00e3o a vamos deixar perder\u00bb, garante, durante uma pausa que aproveita para fumar ao lado da mulher, a quem confia o dinheiro que vai recebendo.  A meio da manh\u00e3, ia j\u00e1 com cerca de 30 banhos. \u00abEste ano, est\u00e1 a ser bom\u00bb, reconhece.  Jos\u00e9 Ramiro lembra que quando come\u00e7ou a dar banhos eram cobrados 20 escudos. Uns anos depois, o pre\u00e7o aumentou para 100 escudos. Com a chegada do Euro, duplicou (dois euros) e, h\u00e1 dois anos, a colega de actividade, Maria, decidiu fixar o pre\u00e7o em cinco euros. \u00abDisse-lhe: \u00f3 Maria, isto vai dar bronca, mas as pessoas n\u00e3o t\u00eam reclamado\u00bb, assegura.  Normalmente, o \u201cbanho santo\u201d \u00e9 dado a partir dos tr\u00eas anos e a crian\u00e7a \u00e9 mergulhada em n\u00famero \u00edmpar. Uma ou tr\u00eas vezes \u00e9 o mais habitual.  Jos\u00e9 Ramiro n\u00e3o est\u00e1 ali s\u00f3 para ganhar uns euros. Gosta de ajudar e acredita piamente que o banho \u00abfaz bem\u00bb a quem sofre de medo e gaguez. \u00abH\u00e1 tr\u00eas anos, trouxeram c\u00e1 uma crian\u00e7a, cuja m\u00e3e tinha morrido, que tinha medo da \u00e1gua. Agarrei-a, meti-a tr\u00eas vezes e perdeu o medo. N\u00e3o fui eu que fiz o milagre, foi o S. Bartolomeu\u00bb, ressalvou, com um pequeno sorriso.  At\u00e9 h\u00e1 umas d\u00e9cadas, o banho tinha que ser ministrado por homens ligados ao mar, normalmente sargaceiros, que eram obrigados a ter a respectiva licen\u00e7a, passada pela autoridade mar\u00edtima.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tradicional \u201cbanho santo\u201d voltou ontem a concentrar as aten\u00e7\u00f5es em S. 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