{"id":337518,"date":"2024-08-20T14:32:22","date_gmt":"2024-08-20T13:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=337518"},"modified":"2024-08-20T14:32:22","modified_gmt":"2024-08-20T13:32:22","slug":"o-algoismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-algoismo\/","title":{"rendered":"O algo\u00edsmo"},"content":{"rendered":"<div id=\":1y5\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":1y6\" class=\"a3s aiL \">\n<div>\n<div><em>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Li, por estes dias, um artigo, informando o decl\u00ednio da pr\u00e1tica religiosa em Espanha. Tem crescido o n\u00famero de ateus e os jovens est\u00e3o cada vez menos religiosos. Poder\u00e1 ser uma realidade a que estamos a assistir em v\u00e1rios pa\u00edses europeus. \u00c9 indisfar\u00e7\u00e1vel que o Ocidente, e mais concretamente a Europa, est\u00e1 a passar por uma crise de f\u00e9. De uma sociedade que facilmente aceitou ou coabitou com a ideia de Deus e com a doutrina e a moral da f\u00e9, de tal forma que negar Deus era quase ofensivo e delituoso, passamos para uma sociedade que deixou de se importar com Deus, alheada da viv\u00eancia religiosa e indiferente \u00e0 sabedoria e \u00e0s propostas das religi\u00f5es, em que negar Deus ou assumir o agnosticismo \u00e9 um sinal de modernidade, uma exig\u00eancia para se pertencer aos \u00abnovos tempos\u00bb. Alguns estudiosos sugerem que a Europa est\u00e1 a passar por um certo \u00abenjoo\u00bb religioso ou por um \u00abcansa\u00e7o\u00bb da f\u00e9. Outros at\u00e9 afian\u00e7am que estamos a assistir \u00e0 \u201cagonia do Cristianismo\u201d. Muitos procuram apontar outras causas, que t\u00eam a sua relev\u00e2ncia: o niilismo contempor\u00e2neo, que questiona tudo e n\u00e3o aceita nenhuma verdade como absoluta, o predom\u00ednio de uma mentalidade positivista e cientificista, que n\u00e3o sabe pensar para l\u00e1 do laborat\u00f3rio e mede tudo pelo alcance do microsc\u00f3pio, o comodismo contempor\u00e2neo, que adota estilos de vida sem grande pensamento e exig\u00eancia, a terr\u00edvel e dura experi\u00eancia que foi o s\u00e9culo XX, com as suas guerras e barbaridades, com um caudal de destrui\u00e7\u00e3o, morte e desumanidade inimagin\u00e1vel, que deixou marcas muito profundas na alma humana, suscitando um questionamento e uma d\u00favida persistente sobre todos os princ\u00edpios, ideias, convic\u00e7\u00f5es, doutrinas, sistemas de pensamento e ideologias. Digamos que a Europa est\u00e1 a passar por \u00abuma noite escura\u00bb, que os m\u00edsticos crist\u00e3os penosamente descrevem nos seus livros, em que Deus parece ausente e n\u00e3o responde sen\u00e3o com um sil\u00eancio inquietante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas, na verdade, pode haver indiferen\u00e7a para com a viv\u00eancia religiosa e para com as religi\u00f5es, mas penso que a f\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 assim t\u00e3o esquecida no \u00edntimo das pessoas. Muitas com quem vou falando, nas amenas cavaqueiras de ver\u00e3o e nas serenas querelas de esplanada, que n\u00e3o tiveram a forma\u00e7\u00e3o religiosa que almejariam ter, afirmam que n\u00e3o se limitam a pensar a vida com os olhos voltados para a terra, mas que acreditam em \u00abalgo acima de n\u00f3s\u00bb, que possivelmente \u00abnos criou, nos deu a vida e nos governa\u00bb e n\u00e3o deixar\u00e1 de nos \u00abchamar a participar numa vida para sempre\u00bb, \u00abpara al\u00e9m da morte\u00bb. \u00c9 o que os te\u00f3logos chamam o algo\u00edsmo, talvez a religi\u00e3o mais popular atualmente, acreditar em algo, sem saber muito bem o que isso \u00e9, mas acredita-se, o que prova que a f\u00e9 em Deus n\u00e3o se apaga e n\u00e3o se elimina facilmente do pensamento e da reflex\u00e3o humana, e que o ser humano consegue formular sempre uma ideia de Deus a partir da experi\u00eancia e da perce\u00e7\u00e3o que tem da vida e da realidade. Claro que \u00e9 muito c\u00f3modo ficar-se pelo algo\u00edsmo, mas um crente a s\u00e9rio esfor\u00e7a-se por compreender esse \u00abalgo\u00bb em que acredita e procura relacionar-se com Ele, fonte da vida, sem o querer dominar ou entender tudo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como afirmam alguns te\u00f3logos, talvez n\u00e3o esteja tanto em crise a f\u00e9 em si, a capacidade e o desejo que a pessoa humana tem de procurar a raz\u00e3o de ser da vida e das coisas, de procurar uma transcend\u00eancia que seja a fonte, o sustento e a plenitude da vida, mas est\u00e1 em crise a f\u00e9 numa certa ideia ou conceito de Deus, a cren\u00e7a numa determinada identidade de Deus e numa certa forma de nos relacionarmos com Ele, j\u00e1 n\u00e3o servem as ritualidades, as linguagens e as roupagens que at\u00e9 agora enformaram e vestiram as religi\u00f5es. E se assim \u00e9, as crises de f\u00e9, como tantas que j\u00e1 houve ao longo da hist\u00f3ria humana, s\u00e3o ben\u00e9ficas para a f\u00e9, porque obrigam as religi\u00f5es a refletir sobre a imagem que comunicam de Deus, obrigam a repensar o discurso, a doutrina e a moral das propostas religiosas, eivadas de exageros e inconsist\u00eancias, for\u00e7am a mudar esquemas, costumes, m\u00e9todos, f\u00f3rmulas e solu\u00e7\u00f5es, aprofundam a espiritualidade. As crises acabam por ser oportunidades e filtros epocais, que purificam, maturam e robustecem a f\u00e9. Andam por a\u00ed muitas imagens de Deus, que temos de erradicar do discurso e da viv\u00eancia religiosa. E acho que, antes de mais, podemos come\u00e7ar por aqui. J\u00e1 n\u00e3o tem qualquer sentido falar do deus castigador e vingativo, que n\u00f3s invent\u00e1mos, numa blasfema antropomorfiza\u00e7\u00e3o de Deus, que criou a religiosidade do medo e um sem n\u00famero de pessoas oprimidas, permanentemente assoladas por escr\u00fapulos e perturba\u00e7\u00f5es. J\u00e1 \u00e9 tempo de questionarmos a imagem de um deus que exige sacrif\u00edcios sem mais nem menos, que exige expia\u00e7\u00f5es e penit\u00eancias para sanar a culpa e dar pr\u00e9mios, parecendo que se compraz com a dor humana, j\u00e1 \u00e9 tempo de se repensar no deus milagroso, que temos de despertar e convencer pela ora\u00e7\u00e3o ou qualquer ato heroico, dando a impress\u00e3o de que anda distra\u00eddo e n\u00e3o conhece a vida das pessoas, salvando uns e a outros deixa-os morrer, j\u00e1 \u00e9 tempo de nos interrogarmos sobre a imagem demasiado humana de Deus que ensinamos e pregamos, um deus de humores e caprichos, que se ofende e que est\u00e1 muito ofendido\u2026N\u00e3o acho que seja esta a linguagem correta e a melhor imagem de Deus. Como todas estas ideias e imagens de Deus andam muito longe do Deus santo, bom, misericordioso e amoroso que Jesus ensinou, sem deixar de ser exigente e justo, certamente!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[183],"class_list":["post-337518","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-vila-real"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=337518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/337518\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=337518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=337518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=337518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}