{"id":33750,"date":"2008-08-22T15:29:34","date_gmt":"2008-08-22T15:29:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/22\/as-religioes-na-china\/"},"modified":"2008-08-22T15:29:34","modified_gmt":"2008-08-22T15:29:34","slug":"as-religioes-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-religioes-na-china\/","title":{"rendered":"As religi\u00f5es na China"},"content":{"rendered":"<p>O Budismo tem dois mil anos de hist\u00f3ria na China. Chegou da \u00cdndia e houve alturas em que foi rejeitado por ser demasiado Ocidental. Agora existe h\u00e1 tanto tempo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 visto como uma religi\u00e3o estrangeira.   O professor Tong Shijun, Vice-presidente da Academia de Ci\u00eancias de Xangai afirma que a maioria dos crentes religiosos na China \u00e9 budista. \u201cBudista n\u00e3o num sentido muito restrito porque muitos deles tamb\u00e9m prestam devo\u00e7\u00e3o a templos tao\u00edstas\u201d. Uma quest\u00e3o \u201ct\u00edpica na China. As pessoas n\u00e3o s\u00e3o muito r\u00edgidas nos seus sistemas religiosos\u201d.   O templo de Fayuansi, em Pequim, data da era dourada do Budismo, no S\u00e9c. VII. Actualmente, a estrutura do templo, aloja a Academia Budista fundada em 1956 pela Associa\u00e7\u00e3o Budista Chinesa dirigida pelo governo. A Academia forma monges budistas durante quatro ou cinco anos, que podem depois ingressar em outros mosteiros na China. A academia apenas aceita um de quatro candidatos que deve passar os testes do budismo, para al\u00e9m dos de pol\u00edtica e ingl\u00eas.   O governo tenta manter um controle apertado sobre os assuntos financeiros dos templos budistas e tao\u00edstas. Os templos importantes com o Templo de Tanzhe, em Tanzhesi, perderam a sua import\u00e2ncia como mosteiros e foram desenvolvidos como atrac\u00e7\u00f5es turistas sob orienta\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Budista Chinesa.   Os adeptos do budismo tibetano enfrentam restri\u00e7\u00f5es mais graves. O governo suspeita que o separatismo tibetano se encontra por detr\u00e1s das actividades religiosas como a venera\u00e7\u00e3o ao Dalai Lama, por isso elimina-os, por serem politicamente subversivos. Dezenas de monges e freiras tibetanas est\u00e3o a cumprir penas de pris\u00e3o pela sua resist\u00eancia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou patri\u00f3tica.   Em conjunto com o Budismo e o Tao\u00edsmo, centenas de milh\u00f5es de cidad\u00e3os chineses adoram deuses, her\u00f3is ou antepassados locais, embora estas religi\u00f5es sejam desencorajadas como supersti\u00e7\u00f5es. O giverno \u00e9 mais severo com os grupos religiosos n\u00e3o registados que classifica como cultos.   <b>Isl\u00e3o<\/b> O Isl\u00e3o pode ter chegado \u00e0 China no S\u00e9c. VII. Os n\u00fameros acerca dos mu\u00e7ulmanos na China, situam-se actualmente entre os 20 e os 40 milh\u00f5es. 45 mil im\u00e3s est\u00e3o licenciados para ensinar nas 40 mil mesquitas registadas na China.  Mao Tse-tung n\u00e3o o Isl\u00e3o como uma for\u00e7a do imperalismo Ocidental e adoptou-o como  uma pol\u00edtica mais esclarecida em rela\u00e7\u00e3o aos mu\u00e7ulmanos. Nesta altura, o regime estava ansioso por estabelecer boas rela\u00e7\u00f5es com os governos mu\u00e7ulmanos do M\u00e9dio Oriente. Alguns argumentam que a necessidade do petr\u00f3leo dos pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, ajudou a alcan\u00e7ar uma maior liberdade religiosa para os mu\u00e7ulmanos chineses, o que inclu\u00eda permiss\u00e3o para peregrina\u00e7\u00f5es a Meca.   A Associa\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica da China, o bra\u00e7o do partido que controla o Isl\u00e3o, foi fundada em 1953. Muito em breve a primeira tradu\u00e7\u00e3o do Cor\u00e3o para chin\u00eas foi preparada sob a supervis\u00e3o comunista enfatizando a compatibilidade entre os Isl\u00e3o e o Marxismo.   Ibrahim Li Shu Wen \u00e9 um dos im\u00e3s da Mesquita de Niujie, a mais antiga e maior de Pequim onde um dos edif\u00edcios acolhe as mulheres mu\u00e7ulmanas. Sob a Associa\u00e7\u00e3o Mu\u00e7ulmana na China foram introduzidas im\u00e3s femininas e mesquitas apenas para mulheres. Os mu\u00e7ulmanos do resto do mundo denunciam este avan\u00e7o como um desvio dos ensinamentos isl\u00e2micos, mas o im\u00e3 Ibrahim preocupa-se mais com a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade chinesa. \u201cOs ensinamentos e as leis da nossa religi\u00e3o obrigam-nos a n\u00f3s mu\u00e7ulmanos a contribuir para a sociedade a fazer o nosso trabalho e a viver uma vida honesta\u201d.   Estes mu\u00e7ulmanos pertencem a uma seita que n\u00e3o se une aos mu\u00e7ulmanos na mesquita de Niujie para rezar. Encontram-se em peregrina\u00e7\u00e3o aos t\u00famulos dos mu\u00e7ulmanos persas, que ali pregaram no S\u00e9c. XIV. Tamb\u00e9m na China existem diferen\u00e7as entre seitas mu\u00e7ulmanas, mas como fonte potencial de conflito, n\u00e3o s\u00e3o oficialmente reconhecidas.   O im\u00e3 Ibrahim adverte que at\u00e9 o di\u00e1logo inter-religioso poderia ser uma fonte de conflito. \u201cN\u00e3o mantemos um grande di\u00e1logo inter-religioso, porque cada religi\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente e estas diferen\u00e7as podem gerar discuss\u00f5es que apenas levam a maiores conflitos. Por isso, em geral, tentamos evit\u00e1-lo\u201d.   O Governo parece igualmente interessado em evitar conflitos e concede aos mu\u00e7ulmanos v\u00e1rios privil\u00e9gios. S\u00e3o-lhes permitidos feriados durante as festividades isl\u00e2micas e as suas escolas podem fornecer educa\u00e7\u00e3o religiosa.    Mas nem todas as comunidades mu\u00e7ulmanas s\u00e3o tratadas do m\u00eas o modo. Em \u00e1reas predominantemente mu\u00e7ulmanas, onde ocorreu agita\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, a pol\u00edcia faz um controle apertado da actividade religiosa.   Na regi\u00e3o de Shishiang, os professores e estudantes universit\u00e1rios mu\u00e7ulmanos n\u00e3o podem praticar a religi\u00e3o abertamente e as crian\u00e7as com menos de 18 anos, n\u00e3o podem frequentar os servi\u00e7os religiosos nas mesquitas.   <b>Cristianismo<\/b> O Cristianismo n\u00e3o \u00e9 uma novo importa\u00e7\u00e3o Ocidental. No S\u00e9c. XII, Marco Polo relatou a exist\u00eancia de comunidades crist\u00e3s na China. E Parecia que o Cristianismo tinha chegado j\u00e1 no S\u00e9c. VII, um mil\u00e9nio antes de chegar \u00e0 Am\u00e9rica.  Ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o nacionalista de Mao Tse-Tung, o Cristianismo parecia n\u00e3o ter futuro. Muitas das igrejas chinesas foram destru\u00eddas e ainda se encontram em ru\u00ednas, outras foram encerradas. No entanto, a taxa de crescimento de crist\u00e3o na China continental tem sido, surpreendentemente, elevada em compara\u00e7\u00e3o com Taiwan e Hong Kong, onde o Cristianismo pode ser praticado e pregado livremente.   O crescimento mais surpreendente \u00e9 entre as Igrejas protestantes de um milh\u00e3o em 1949, estima-se que existam agora cerca de 20 milh\u00f5es de crentes oficiais e 30 milh\u00f5es de crentes protestantes independentes.   Um deles \u00e9 Hu Yi Juan, que praticou Budismo e Tao\u00edsmo at\u00e9 ter descoberto a B\u00edblia.  Crist\u00e3o h\u00e1 apenas sete anos, recorda que nessa altura, \u201ca igreja estava meio vazia, mas agora precisam de construir uma nova, porque o n\u00famero de pessoas aumentou muito. E s\u00e3o sobretudo jovens. Estou muito contente porque cada vez mais, jovens se tornarem crist\u00e3o\u201d.   Um estudo realizado pela Universidade Aberta Chinesa mostrou que seis em cada 10 estudantes em Pequim se interessam pelo Cristianismo e querem tornar-se crentes. A maioria procura informa\u00e7\u00e3o religiosa na Internet. \u201cActualmente cada vez mais chineses compreendem ingl\u00eas. A Internet n\u00e3o tem fronteiras, por isso podem aprender muito sobre a cultura ocidental\u201d, aponta Hu Yi Juan.  A impress\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de B\u00edblias e de outro material crist\u00e3o s\u00e3o prioridades protestantes. Hu Yi Juan dirige uma empresa de meios de comunica\u00e7\u00e3o. O seu objectivo \u00e9 publicar livros e programas de v\u00eddeo que comuniquem os valores crist\u00e3os sem darem li\u00e7\u00f5es de moral em demasia. Ele espera que isto seja apenas o come\u00e7o. \u201cEspero que no futuro, seja poss\u00edvel os crist\u00e3os criarem editoras, esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o e empresas de produ\u00e7\u00e3o independentes na China\u201d.  Dezenas de milhar de grupos de Igreja protestantes n\u00e3o se encontram registados. Os seus membros e l\u00edderes s\u00e3o por vezes assediados por funcion\u00e1rios locais do governo e os edif\u00edcios da igreja s\u00e3o destru\u00eddos. Os crist\u00e3os protestantes argumentam que a repress\u00e3o est\u00e1 menos relacionada com a oposi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica \u00e0 religi\u00e3o do que com o medo de uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular fora do controle do governo.   \u201cPenso que um bom crist\u00e3o \u00e9 automaticamente um bom cidad\u00e3o. Seguimos os dez mandamentos e estes s\u00e3o muito mais exigentes que as leis que devemos seguir para sermos bons cidad\u00e3os\u201d, explica Hu Yi Juan.  A Igreja cat\u00f3lica, muito hierarquizada e com sede fora da China coloca um outro tipo de desafio. Para manter os cat\u00f3licos sob controle, o objectivo do partido comunista era cortar os la\u00e7os com Roma e criar a Associa\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica. O seu objectivo era dirigira  Igreja desde o interior da China seguindo a linha partid\u00e1ria.  Liu Bai Nian, Vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica Chinesa afirma que \u201ca Associa\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica n\u00e3o \u00e9 uma igreja nem uma ordem religiosa. \u00c9 um colectivo patri\u00f3tico formado por padres e leigos. A sua miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 religiosa. A sua miss\u00e3o, dentro do sistema  especial do comunismo chin\u00eas \u00e9 construir uma ponte entre a Igreja e o governo\u201d.   Liu Bai Nian \u00e9 um leigo cat\u00f3lico. Como dirigente da Associa\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica Liu Bai Nian, fiscaliza tudo o que acontece na Igreja oficial. Como \u00e9 gasto o dinheiro, o que pode ser pregado, quem pode ser visto. Dos 12 a 20 milh\u00f5es de cat\u00f3licos chineses, quatro milh\u00f5es e meio est\u00e3o registados na Associa\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica Cat\u00f3lica. A influ\u00eancia de Lui \u00e9 t\u00e3o grande que por vezes \u00e9 apelidado de \u00abo Papa chin\u00eas\u00bb.   \u201cOs protestantes est\u00e3o a ter um crescimento muito mais r\u00e1pido, por isso pode perguntar-se o porqu\u00ea da comunidade cat\u00f3lica chinesa n\u00e3o ter o mesmo crescimento. Qual a raz\u00e3o? Deve-se ao comando da Igreja Cat\u00f3lica. O Vaticano ainda mant\u00e9m rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Taiwan, algo que \u00e9 de dif\u00edcil compreens\u00e3o par os chineses\u201d.   No passado, o Papa era mantido fora de vista. Recentemente, prevaleceu uma nova linha de pensamento. Desde os anos 90 forma reintroduzidas na missa, as ora\u00e7\u00f5es do Papa e a sua lideran\u00e7a espiritual \u00e9 publicamente reconhecida. Mas apenas at\u00e9 um certo ponto.   \u201cC\u00e9sar \u00e9 Csar, Deus \u00e9 Deus. S\u00e3o coisas distintas, especialmente na China. N\u00f3s, a Igreja chinesa, respeitamos a B\u00edblia e em assuntos de f\u00e9 ouvimos o Papa, em assuntos da Na\u00e7\u00e3o ouvimos o governo\u201d.  <b>A presen\u00e7a jesu\u00edta<\/b> Os primeiros crist\u00e3os a chegar \u00e0 China foram os astorianos, durante o S\u00e9c. VII. No S\u00e9c. XIV, os franciscanos  pregavam aos mong\u00f3is em Pequim. Mas na altura que os mission\u00e1rios jesu\u00edtas chegaram \u00e0 cidade, em 1552, o Cristianismo n\u00e3o tinha de forma alguma desaparecido.   Os Jesu\u00edtas tornaram-se acad\u00e9micos respeitados. Frequentavam a corte imperial e acabaram por conseguir meio milh\u00e3o de convers\u00f5es. O imperador ofereceu terras a Matteo Ricci, o mais famoso destes jesu\u00edtas que se tornou o primeiro padre de par\u00f3quia a que pertence actualmente a Catedral da Nantang.   O sucessor de Ricci como padre de par\u00f3quia da Igreja de Nantang, \u00e9 Francisco Xavier Zhang, que \u00e9 tamb\u00e9m o secret\u00e1rio local da Associa\u00e7\u00e3o Patri\u00f3tica de Pequim. Segundo ele, a separa\u00e7\u00e3o original entre Roma e Pequim, foi causada pelos preconceitos anti-comunistas.   \u201cOs estrangeiros mission\u00e1rios foram demasiado sens\u00edveis ao ponto de vista do ate\u00edsta filos\u00f3fico do Partido Comunista. N\u00e3o que a Igreja cat\u00f3lica chinesa tenha rejeitado o Papa, a Santa S\u00e9 \u00e9 que rejeitou a Igreja cat\u00f3lica chinesa\u201d.  O corte de la\u00e7os com Roma causou uma divis\u00e3o entre os cat\u00f3licos chineses. Segundo o Pe. Francisco Xavier, nem o governo, nem a Igreja patri\u00f3tica s\u00e3o respons\u00e1veis por esta divis\u00e3o. Ele culpa os que permaneceram ao lado de Roma. \u201c Esta divis\u00e3o adveio de raz\u00f5es pol\u00edticas e hist\u00f3ricas, de preconceitos religiosos, ego\u00edsmo ou arrog\u00e2ncia espiritual. N\u00e3o tem nada a ver com a f\u00e9. Da\u00ed a Igreja clandestina, a separa\u00e7\u00e3o. Os irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo que tendo sido influenciados pelos preconceitos, pela raz\u00e3o pol\u00edtica, agora preferem permanecer clandestinos e subterr\u00e2neos, sem sol, disseminando-se por todo o lado\u201d.  Os crist\u00e3o clandestinos n\u00e3o partilham da vis\u00e3o do Pe. Francisco Xavier. Mas consideram-se parte de uma longa tradi\u00e7\u00e3o \u2013 sofrer as consequ\u00eancias de dizer a verdade a poder.  <b>Institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas<\/b> A colabora\u00e7\u00e3o com o governo tem muitas vantagens.  A restitui\u00e7\u00e3o de bens, licen\u00e7as e ajuda financeira para construir novas igrejas e a liberdade para ensinar o estudo da catequese e da B\u00edblia. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um pre\u00e7o a pagar. As m\u00e3os da Igreja aberta ficam atadas quando os valores crist\u00e3o entram em confronto com as directivas do partido, como a pol\u00edtica do filho \u00fanico, que \u00e9 muitas vezes posta em pr\u00e1tica atrav\u00e9s do aborto.   Paulo e Maria (nomes fict\u00edcios) s\u00e3o um casal que se recusou a ceder a estas quest\u00f5es. Paulo explica que t\u00eam cinco filhos apesar de o governo apenas permitir um filho por fam\u00edlia. \u201cPor isso somos punidos. A minha mulher foi presas por essa raz\u00e3o\u201d.   Quando as fam\u00edlias t\u00eam mais filhos do que \u00e9 permitido, o governo castiga-as com multas. A fam\u00edlia de Paulo era demasiado pobre para pagar a multa, por isso a pol\u00edcia confiscou-lhe a mob\u00edlia. Mas Paulo e Maria est\u00e3o convencidos que tomaram a decis\u00e3o certa.  S\u00e3o crist\u00e3os clandestinos.  \u201cO quinto mandamento ensina que n\u00e3o se pode matar ou fazer mal a si pr\u00f3prio, muito menos aos pr\u00f3prios filhos. Os nossos padres falam muitas vezes sobre isso. H\u00e1 muitos abortos no nosso pa\u00eds e no nosso caso pens\u00e1mos em n\u00e3o ter mais filhos mas agora consideramos uma ben\u00e7\u00e3o de Deus\u201d.  Tamb\u00e9m DaWei, religiosa da Igreja clandestina, pensa que os filhos s\u00e3o uma ben\u00e7\u00e3o. E t\u00eam muitos. Ela vive do campo, onde os meninos t\u00eam mais valor que as meninas. Nos anos 90, Da Wei em conjunto com outras mulheres fundou uma comunidade religiosa independente da Associa\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica. As irm\u00e3s come\u00e7aram por acolher crian\u00e7as que tinham sido abandonadas nas ruas ou em lixeiras, na sua maioria, meninas.   Para viver com as crian\u00e7as como uma fam\u00edlia, as mulheres escavaram um buraco numa montanha e constru\u00edram um abrigo improvisado. \u201cNo in\u00edcio deixaram as crian\u00e7as \u00e0 nossa porta e \u00e0 medida que \u00edamos tendo mais crian\u00e7as, procuramos fam\u00edlias que ficassem com as mais saud\u00e1veis. As crian\u00e7as deficientes ficaram connosco\u201d.  A fam\u00edlia cresceu e com ajuda, mais de 100 crian\u00e7as passaram pela fam\u00edlia de S\u00e3o Jos\u00e9. A maioria foi adoptadas por fam\u00edlias crist\u00e3s. As irm\u00e3s ficaram com as crian\u00e7as que ningu\u00e9m quer. \u201cS\u00e3o deixadas ao abandono porque s\u00e3o deficientes. Neste caso as pessoas tratam os meninos e as meninas de forma igual porque, uma vez que s\u00e3o deficientes, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a\u201d.  Os cuidados m\u00e9dicos na China tornaram-se um luxo inacess\u00edvel para a maioria da popula\u00e7\u00e3o rural. Se um rec\u00e9m nascido necessitar de cuidados m\u00e9dicos extraordin\u00e1rios, as fam\u00edlias locais sabem que a \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 a fam\u00edlia de S\u00e3o Jos\u00e9. Mas n\u00e3o existem financiamentos do governo e, se se acabarem os fundos que v\u00eam de fora, algumas das crian\u00e7as deixadas \u00e0 entrada n\u00e3o poder\u00e3o receber tratamento atempadamente.   \u201cQuando encontramos crian\u00e7as abandonadas na rua, baptizamo-las e registamo-las. Depois s\u00e3o levadas directamente ao hospital para ver se precisam de cuidados m\u00e9dicos ou se t\u00eam alguma doen\u00e7a grave. Se tiveram, precisamos de arranjar dinheiro para pagar esses cuidados\u201d.   O trabalho das irm\u00e3s recebe o aux\u00edlio das pessoas da aldeia. Para muitos, a fam\u00edlia de S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 o seu primeiro contacto com os  Cristianismo. \u201cFicam comovidos pelo modo como os cat\u00f3licos amam estas crian\u00e7as abandonadas e especialmente o que as irm\u00e3s fazem. Para as mulheres, as coisas s\u00e3o sempre mais dif\u00edceis e por isso, d\u00e3o-nos roupa e v\u00eaem-nos visitar, trazendo doces para s crian\u00e7as\u201d.   O trabalho de programas baseados na f\u00e9, na China, \u00e9 raramente divulgado. O controlo oficial dos meios de comunica\u00e7\u00e3o permite ao governo atribuir os sucesso dos programas baseados na f\u00e9 \u00e0s autoridades locais ao mesmo tempo que mant\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o anti-religiosa.   Uma das obras de caridade cat\u00f3lica, a Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, tem vindo a trabalhar para apoiar projectos pastorais na China h\u00e1 quase 20 anos. Uma das iniciativas vitais para a Igreja local s\u00e3o as publica\u00e7\u00f5es religiosas. A literatura religiosa publicada sem autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 regularmente confiscada e os editores s\u00e3o presos. Ser autorizado a editar livros, \u00e9 um privil\u00e9gio das religi\u00f5es registadas.   Nos \u00faltimos 20 anos as editoras cat\u00f3licas chinesas imprimiram mais de cinco milh\u00f5es de livros, desde B\u00edblias e missais, a teologia e biografias de santos. A \u00abImprensa da F\u00e9\u00bb foi fundada em Hebei, em 1991 pelo Pe. Jo\u00e3o Baptista Zhang. O que come\u00e7ou como uma pequena empresam \u00e9 agora uma grande empresa de publica\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas com mais de 240 t\u00edtulos no seu catalogo. Publica tamb\u00e9m, quinzenalmente, o jornal \u00abF\u00e9\u00bb que, com quase 60 mil subscritores, \u00e9 o jornal cat\u00f3lico com maior circula\u00e7\u00e3o na China.   O sacerdote Zhang explica que \u201cmuito mudou desde o passado at\u00e9 hoje. H\u00e1 dez anos n\u00e3o havia nenhuma imagem do Papa no nosso jornal, mas agora existem tantas imagens do Papa como tantas not\u00edcias sobre ele\u201d. Mas existe um limite a esta liberdade. Quando o sacerdote quis publicar o novo catecismo da Igreja Cat\u00f3lica confrontou-se com um problema.  \u201cNo in\u00edcio n\u00e3o o pod\u00edamos publicar porque havia algo de anti-socialismo e anti-comunismo. Mas o Papa Jo\u00e3o Paulo II deu especial permiss\u00e3o para a China\u201d. Retirando uma frase, o livro publicado.  Como qualquer outro editor, o Pe. Jo\u00e3o Baptista tenta imprimir livros que as pessoas queiram comprar. \u201cN\u00e3o pod\u00edamos publicar nada que n\u00e3o fosse apropriado para a nossa sociedade. Por isso, penso que todos os livros que publicamos s\u00e3o bem recebidos pelos cat\u00f3licos e pela sociedade\u201d.   As opini\u00f5es crist\u00e3os sobre o aborto e a pena de morte s\u00e3o temas demasiado quentes para serem tratados num pa\u00eds com a pol\u00edtica do filho \u00fanico e dez mil execu\u00e7\u00f5es por ano. O Pe. Zhagn tem de for\u00e7ar o limite nas situa\u00e7\u00f5es em que a doutrina crist\u00e3 entra em confronto com o pensamento do governo.   <i>Redac\u00e7\u00e3o\/Romereports e Chatolic Radio and Television Network\/Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Budismo tem dois mil anos de hist\u00f3ria na China. Chegou da \u00cdndia e houve alturas em que foi rejeitado por ser demasiado Ocidental. Agora existe h\u00e1 tanto tempo que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 visto como uma religi\u00e3o estrangeira. O professor Tong Shijun, Vice-presidente da Academia de Ci\u00eancias de Xangai afirma que a maioria dos crentes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[93,104,127,154,167,193,206,213,236,237,297],"class_list":["post-33750","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-aborto","tag-america","tag-catequese","tag-crianca","tag-dialogo-inter-religioso","tag-educacao","tag-familia","tag-franciscanos","tag-jesuitas","tag-joao-paulo-ii","tag-santa-se"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}