{"id":33729,"date":"2008-08-21T10:06:52","date_gmt":"2008-08-21T10:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/21\/homilia-de-d-augusto-cesar-bispo-emerito-de-portalegre-castelo-branco-no-aniversario-da-quarta-aparicao-de-fatima\/"},"modified":"2008-08-21T10:06:52","modified_gmt":"2008-08-21T10:06:52","slug":"homilia-de-d-augusto-cesar-bispo-emerito-de-portalegre-castelo-branco-no-aniversario-da-quarta-aparicao-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-augusto-cesar-bispo-emerito-de-portalegre-castelo-branco-no-aniversario-da-quarta-aparicao-de-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Augusto C\u00e9sar, Bispo Em\u00e9rito de Portalegre-Castelo Branco no Anivers\u00e1rio da Quarta Apari\u00e7\u00e3o de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>\u00abEm Deus, tudo \u00e9 novo\u00bb <!--more--> Hoje, somos convidados a olhar para um novo c\u00e9u e uma nova terra, onde n\u00e3o haver\u00e1 morte e as l\u00e1grimas do sofrimento ser\u00e3o enxugadas por Deus. \u00c9 o deslumbramento da felicidade que n\u00e3o tem fim\u2026e onde cada um se sente atra\u00eddo por Aquele que \u00e9 tudo em todos.  Quase sem querer, o pensamento leva-nos \u00e0 Transfigura\u00e7\u00e3o do Tabor, onde os tr\u00eas disc\u00edpulos se esquecem de si mesmos e apenas desejam ficar ali (\u201cfa\u00e7amos tr\u00eas tendas: uma para Ti, outra para Mois\u00e9s e outra para Elias\u201d\u2026e isto basta!). Mas a luz que os deslumbra, aponta para a Ressurrei\u00e7\u00e3o. E, a\u00ed, tudo ser\u00e1 novo e para sempre. Tamb\u00e9m, neste lugar, onde nos sentimos peregrinos, ouvimos dizer assim, aos Pastorinhos: ai, que Senhora t\u00e3o linda\u2026mais brilhante do que o sol! E donde veio? Do c\u00e9u! Ent\u00e3o, o c\u00e9u faz-nos apetecer um mundo sem guerra, sem desconfian\u00e7a, sem cabe\u00e7as encapu\u00e7adas e a fuma\u00e7a das armas\u2026E, tamb\u00e9m, um mundo onde a inoc\u00eancia das crian\u00e7as grita pela vida e pede que se respeitem os velhinhos e os doentes, e se saiba evitar a ostenta\u00e7\u00e3o, olhando compadecidamente para os pobres. Ser\u00e1, por isso, que a Jacinta, o Francisco e a L\u00facia rezavam o Ter\u00e7o com frequ\u00eancia e se sacrificavam pelos pecadores? De facto, n\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 sem ora\u00e7\u00e3o e sem solidariedade fraterna. De tudo isso fala eloquentemente o Pai Nosso! Mas, rezar a Deus o \u2018Pai Nosso\u2019, n\u00e3o ser\u00e1 \u2018ousadia\u2019 da nossa parte? Assim dizemos na Missa e o vamos repetir daqui a pouco. Na realidade, Deus mostrou-se t\u00e3o pr\u00f3ximo, em Jesus Cristo, que se tornou Deus-connosco. E, a partir da\u00ed, atraiu-nos como filhos, no Filho, e \u00e9 com Ele que rezamos. Por isso, diz tamb\u00e9m o Apocalipse que, no \u2018mundo novo\u2019, Deus mora entre os homens e todos ser\u00e3o o Seu povo. Porqu\u00ea, ent\u00e3o, encher o cora\u00e7\u00e3o de gan\u00e2ncia ou desafiar o bem senso com a arrog\u00e2ncia dos \u00eddolos? Demo-nos, antes, as m\u00e3os e fa\u00e7amos do tempo o ensaio da eternidade. <b>Com Maria, sentimos a ternura de Deus<\/b> Entretanto, oi\u00e7amos de Jesus uma palavra cheia de conforto, dita momentos antes de expirar: a Minha m\u00e3e \u00e9, tamb\u00e9m, a vossa m\u00e3e! E tanto Maria como Jo\u00e3o, entenderam isso mesmo e transmitiram-no \u00e0 Igreja. De facto, o sofrimento da Cruz, t\u00e3o intimamente partilhado com Maria, deu origem ao novo parto, donde nasceu a Igreja. E o baptismo fala disso, como \u2018sacramento\u2019. S. Paulo vai usar uma imagem curiosa, para traduzir este mist\u00e9rio: a do Corpo M\u00edstico. Com efeito, sendo n\u00f3s os membros e Cristo a cabe\u00e7a, Maria \u00e9 \u00fanica M\u00e3e, e podemos rezar em coro: M\u00e3e de Jesus e M\u00e3e nossa! Tamb\u00e9m, o Anjo, na Anuncia\u00e7\u00e3o, deixou antever o percurso de Maria, como pedagoga da f\u00e9: \u201cCheia de gra\u00e7a\u201d! Ora, a vida sacramental \u2018derrama\u2019 na Igreja a gra\u00e7a de Deus, gerada na Cruz e atrav\u00e9s da maternidade espiritual de Maria. E se temos, hoje, alguma coisa a lamentar, \u00e9 que muitos crist\u00e3os se dispensam dos Sacramentos, como se os gestos salv\u00edficos de Cristo fossem secund\u00e1rios e a sua prepara\u00e7\u00e3o inc\u00f3moda e dispens\u00e1vel. Todavia, cada Sacramento \u00e9 um gesto de \u2018vida\u2019 comunicado com esperan\u00e7a, \u00e0 conta do mundo novo ou, se quisermos, do Reino dos c\u00e9us, anunciado por Cristo. E o discipulado por onde Cristo nos atrai, \u00e9 a \u2018escola\u2019 que seduz pelo caminho da santidade (\u201cSede santos, como o vosso Pai do c\u00e9u \u00e9 santo\u201d) ou corrige os nossos actos pela vontade do Pai (\u201cPai, qual \u00e9 a Tua vontade\u201d?). Nesta perspectiva, a M\u00e3e de Jesus, cedo se tornou Sua disc\u00edpula. E mal vai se os pais abdicam da sua miss\u00e3o ou nada t\u00eam a aprender com os filhos. Pois, o amor da fam\u00edlia, com matriz Trinit\u00e1ria, \u00e9 circular e construtivo de mais amor; e quando interrompe o movimento ou pretende ser aut\u00f3nomo, gera crise e sofrimento. Basta ter em conta as crian\u00e7as repartidas ao fim de semana ou confrontadas com a frieza da rua. <b>O c\u00e9u nunca desiste<\/b> \u00c9 por isso que vem muito a prop\u00f3sito convidar-vos a acompanhar os tr\u00eas Pastorinho na cadeia de Our\u00e9m, quando o Administrador os subtraiu \u00e0 autoridade dos pais e \u00e0 vontade de Nossa Senhora (era o dia 13 de Agosto!). A Jacinta (mais pequenina dos tr\u00eas), chora com saudades da m\u00e3e e da fam\u00edlia em geral; o Francisco reza e sofre, para que ela seja forte; e a L\u00facia olha para os dois, com a responsabilidade de ser mais velha. Mas a ang\u00fastia maior, era se Nossa Senhora n\u00e3o lhes aparecia mais! Simplesmente, o c\u00e9u n\u00e3o desiste e Nossa Senhora \u00e9 m\u00e3e. Passemos ao dia 19 (cujo anivers\u00e1rio hoje celebramos). Os tr\u00eas Pastorinhos haviam regressado\u2026e a L\u00facia mais o Francisco guardavam as ovelhas relativamente perto de suas casas. A dado momento, pressentem algo de sobrenatural que os envolvia, como nas outras vezes, em que Nossa Senhora lhes aparecia. E com pena da Jacinta, quiseram cham\u00e1-la depressa, valendo-se, para isso, do Jo\u00e3o (irm\u00e3ozito dos dois mais pequenos), a quem foi preciso dar dois vint\u00e9ns, para o convencer. Viram, ent\u00e3o, o acostumado reflexo da luz e, logo que a Jacinta chegou, Nossa Senhora apareceu sobre uma carrasqueira (exactamente, onde agora se encontra a Sua imagem, em nicho pr\u00f3prio). E, de novo, a pergunta ritual da L\u00facia: \u201cVossemec\u00ea que me quer\u201d? A seguir, transcrevo as palavras de Nossa Senhora, de acordo com as Mem\u00f3rias da L\u00facia, para ser fiel ao conte\u00fado da Mensagem: \u201cQuero que continueis a ir \u00e0 Cova de Iria, no dia 13, e que continueis a rezar o Ter\u00e7o todos os dias. No \u00faltimo m\u00eas, farei o milagre, para que todos acreditem\u201d. L\u00facia ainda perguntou que destino haviam de dar ao dinheiro deixado pelas pessoas, na Cova de Iria\u2026e pediu a cura de alguns doentes, a rogo de outras pessoas. No fim de tudo, Nossa Senhora tomando um semblante mais triste, acrescentou: \u201cRezai, rezai muito e fazei sacrif\u00edcios pelos pecadores, que v\u00e3o muitas almas para o inferno, por n\u00e3o haver quem se sacrifique e pe\u00e7a por elas\u201d. E os Pastorinhos tomaram t\u00e3o a s\u00e9rio as palavras da M\u00e3e do c\u00e9u, que fizeram das suas vidas uma obla\u00e7\u00e3o constante. Acaso o exemplo destes pequeninos n\u00e3o tocar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o de muita gente, inspirando formas de repara\u00e7\u00e3o pelo mundo dos que andam distra\u00eddos do essencial e pouco se d\u00e3o do sofrimento alheio? Consentiremos que o ego\u00edsmo do tempo tome a dianteira ao amor, e encha de capricho e medo os ambientes? A cada passo, oi\u00e7o pedir-me: reze por mim, que as minhas ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o pobrezinhas e as suas est\u00e3o mais perto de Deus\u2026E eu, antes de responder, lembro o velho Sime\u00e3o e a velha Ana, como vigias de Deus \u00e0 espera do Messias,  que do lado de fora do Templo, viram o que o sacerdote mesmo paramentado e em miss\u00e3o de culto, n\u00e3o viu; e, depois, acrescento: a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se mede assim\u2026Rezemos, antes, uns pelos outros, e fa\u00e7amo-lo em cadeia, para que o murm\u00fario do Pai Nosso, fa\u00e7a do mundo uma bas\u00edlica e dos homens uma assembleia de irm\u00e3os! Que a mensagem de Nossa Senhora continue a inquietar as pessoas, a fim de que o mundo n\u00e3o teime em ficar \u00f3rf\u00e3o de Deus. Pois, quando assim acontece, h\u00e1 mais orfandade pelo caminho e a paz fica distante. Nossa Senhora de F\u00e1tima e m\u00e3e da Igreja, rogai por n\u00f3s!   F\u00e1tima, 19 de Agosto de 2008  &#8211;  (+ Augusto C\u00e9sar)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abEm Deus, tudo \u00e9 novo\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,168,179,206,207,294,314,316],"class_list":["post-33729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-familia","tag-fatima","tag-sacramentos","tag-solidariedade","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33729\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}