{"id":33713,"date":"2008-08-20T10:29:19","date_gmt":"2008-08-20T10:29:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/20\/cavaco-silva-veta-diploma-de-alteracao-ao-divorcio\/"},"modified":"2008-08-20T10:29:19","modified_gmt":"2008-08-20T10:29:19","slug":"cavaco-silva-veta-diploma-de-alteracao-ao-divorcio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cavaco-silva-veta-diploma-de-alteracao-ao-divorcio\/","title":{"rendered":"Cavaco Silva veta diploma de altera\u00e7\u00e3o ao div\u00f3rcio"},"content":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica, Cavaco Silva, devolveu hoje \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica, sem promulga\u00e7\u00e3o, o diploma que altera o Regime Jur\u00eddico do Div\u00f3rcio, utilizando o chamado &#8216;veto pol\u00edtico&#8217;.  De acordo com o site do chefe do Estado, &#8220;o Presidente da Rep\u00fablica decidiu devolver hoje \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica o Decreto n\u00ba232\/X que aprova o Regime Jur\u00eddico do Div\u00f3rcio, solicitando que o mesmo seja objecto de nova aprecia\u00e7\u00e3o, com fundamento na desprotec\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge que se encontre em situa\u00e7\u00e3o mais fraca &#8211; geralmente a mulher &#8211; bem como dos filhos menores a que, na pr\u00e1tica, pode conduzir o diploma, conforme explica na mensagem enviada aos deputados&#8221;.  Num comunicado, divulgado no s\u00edtio da Internet da presid\u00eancia da rep\u00fablica, Cavaco Silva sublinha que &#8220;importa n\u00e3o abstrair por completo da realidade da vida matrimonial no Portugal contempor\u00e2neo, onde subsistem m\u00faltiplas situa\u00e7\u00f5es em que um dos c\u00f4njuges se encontra numa posi\u00e7\u00e3o mais d\u00e9bil, n\u00e3o devendo a lei, por ac\u00e7\u00e3o ou por omiss\u00e3o, agravar essa fragilidade&#8221;.  No site est\u00e1 tamb\u00e9m dispon\u00edvel a mensagem que o Presidente da Rep\u00fablica dirige ao Parlamento, acompanhando o diploma agora devolvido \u00e0 Assembleia, onde foi aprovado a 04 de Julho com os votos favor\u00e1veis do PS, PCP, BE e Verdes e votos contra do CDS-PP e da maioria da bancada do PSD.  Na mensagem aos deputados, Cavaco Silva defende que &#8220;para n\u00e3o agravar a desprotec\u00e7\u00e3o da parte mais fraca, o legislador devia ponderar em que medida n\u00e3o seria prefer\u00edvel manter-se (&#8230;) o regime do div\u00f3rcio culposo&#8221;.  &#8220;\u00c9 ainda poss\u00edvel afirmar, com algum grau de certeza, que o desaparecimento da culpa como causa de div\u00f3rcio n\u00e3o far\u00e1 diminuir a litigiosidade conjugal e p\u00f3s-conjugal, existindo boas raz\u00f5es para crer que se ir\u00e1 processar exactamente o inverso&#8221;, considera o Presidente.  &#8220;Na verdade, \u00e9 no m\u00ednimo singular que um c\u00f4njuge que viole sistematicamente os deveres conjugais previstos na lei possa de forma unilateral e sem mais obter o div\u00f3rcio e, sobretudo, possa retirar da\u00ed vantagens aos mais diversos n\u00edveis, incluindo patrimonial&#8221;, sublinha o Presidente da Rep\u00fablica.  O chefe de Estado d\u00e1 mesmo um exemplo, que considera poss\u00edvel com o novo regime jur\u00eddico do div\u00f3rcio: &#8220;por exemplo, numa situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos &#8211; uma realidade que n\u00e3o \u00e9 rara em Portugal &#8211; \u00e9 poss\u00edvel aquele obter o div\u00f3rcio independentemente da vontade da v\u00edtima de maus tratos&#8221;.  &#8220;Mais ainda (&#8230;), o marido, apesar de ter praticado reiteradamente actos de viol\u00eancia conjugal, pode exigir do outro o pagamento de montantes financeiros&#8221;, caso tenha sido o marido a contribuir exclusivamente para as despesas familiares, real\u00e7a ainda Cavaco Silva.  O Presidente chama ainda a aten\u00e7\u00e3o para o facto da nova lei poder for\u00e7ar a uma &#8220;vis\u00e3o contabil\u00edstica do matrim\u00f3nio&#8221;, em que cada um dos c\u00f4njuges &#8220;\u00e9 estimulado a manter uma conta corrente das suas contribui\u00e7\u00f5es para os encargos da vida conjugal e familiar&#8221;.  Cavaco Silva contesta tamb\u00e9m que a nova lei pretenda impor na partilha de bens em caso de div\u00f3rcio um regime diferente daquele que foi escolhido por ambos os nubentes no momento do casamento.  O novo regime jur\u00eddico do div\u00f3rcio, agora vetado, pretende p\u00f4r fim ao conceito de div\u00f3rcio litigioso e acabar com a no\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o culposa dos deveres conjugais.  De acordo com as mudan\u00e7as, o div\u00f3rcio &#8220;sem o consentimento de um dos c\u00f4njuges&#8221; pode ser requerido com base na &#8220;separa\u00e7\u00e3o de facto por um ano consecutivo&#8221;, na &#8220;altera\u00e7\u00e3o das faculdades mentais do outro c\u00f4njuge, quando dure h\u00e1 mais de um ano e, pela sua gravidade, comprometa a vida em comum&#8221;.  S\u00e3o ainda fundamentos &#8220;a aus\u00eancia, sem que do ausente haja not\u00edcias, por tempo n\u00e3o inferior a um ano&#8221; e &#8220;quaisquer outros factores que, independentemente da culpa dos c\u00f4njuges, mostrem a ruptura definitiva do casamento&#8221;.  Alarga-se, no C\u00f3digo Penal, a tipifica\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio das responsabilidades parentais e alteram o regime sancionat\u00f3rio.  Depois da devolu\u00e7\u00e3o do diploma, a Assembleia da Rep\u00fablica pode confirmar o seu voto por maioria absoluta dos deputados em efectividade de fun\u00e7\u00f5es, caso em que o Presidente da Rep\u00fablica ter\u00e1 de promulgar o diploma no prazo de oito dias a contar da sua recep\u00e7\u00e3o.   <i>Redac\u00e7\u00e3o\/Lusa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica, Cavaco Silva, devolveu hoje \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica, sem promulga\u00e7\u00e3o, o diploma que altera o Regime Jur\u00eddico do Div\u00f3rcio, utilizando o chamado &#8216;veto pol\u00edtico&#8217;. 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