{"id":336861,"date":"2024-08-12T12:02:42","date_gmt":"2024-08-12T11:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=336861"},"modified":"2024-08-12T12:02:42","modified_gmt":"2024-08-12T11:02:42","slug":"lusofonias-balanco-boliviano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-balanco-boliviano\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; Balan\u00e7o boliviano"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Portugal<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-336862 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Lusofonias-Bolivia3-12-08-2024-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Lusofonias-Bolivia3-12-08-2024-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Lusofonias-Bolivia3-12-08-2024-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Lusofonias-Bolivia3-12-08-2024-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Lusofonias-Bolivia3-12-08-2024-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Lusofonias-Bolivia3-12-08-2024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Buenavista, cidade que nasceu da Miss\u00e3o dos Jesu\u00edtas, \u00e9 um pequeno para\u00edso, porta de entrada do grande Parque Natural do Ambor\u00f3. Mangueiras gigantes protegem do sol as casas t\u00e9rreas, s\u00f3 oferecendo flores nesta \u00e9poca do ano. Foi pena, pois o que mais gosto das mangueiras \u00e9 o seu fruto, e ali as mangas s\u00e3o uma do\u00e7ura! Pude ir molhar os p\u00e9s no rio e participar na feira nocturna que, todas as sextas feiras, toma conta de uma das ruas mais importantes da cidade e fornece ao povo e turistas um pouco de tudo, como \u00e9 t\u00edpico destes espa\u00e7os comerciais.<\/p>\n<p>Visitei o pa\u00eds num momento muito cr\u00edtico. Nas bombas, n\u00e3o havia gas\u00f3leo e a gasolina amea\u00e7ava acabar, o que se torna terreno f\u00e9rtil para todas as negociatas t\u00edpicas dos mercados paralelos. Metia d\u00f3 ver as filas de kms com cami\u00f5es parados ao longo das grandes estradas, bem como as filas de pequenos ve\u00edculos a gasolina nas imedia\u00e7\u00f5es das bombas. Como habitualmente, o povo reage e, mais uma vez, apostou nos bloqueios de estradas, n\u00e3o deixando passar ningu\u00e9m. Veremos at\u00e9 onde esta crise ir\u00e1 neste Estado que se afirma Plurinacional.<\/p>\n<p>A Igreja em Santa Cruz de la Sierra \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o forte e reconhecida. O atual arcebispo, D. Ren\u00e9 Leigue, \u00e9 filho da terra, acabado de suceder a D. Sergio Gualberti, italiano. Ambos marcam o ritmo da Igreja local h\u00e1 muito anos, pois D. Ren\u00e9 era j\u00e1 um dos Bispos Auxiliares da Arquidiocese. Tive a alegria de conversar com ambos, pois D. Ren\u00e9 presidiu \u00e0 Missa do \u2018Encontr\u00e3o Espiritano\u2019, na Igreja de San Juan Bautista e D. S\u00e9rgio orientou uma manh\u00e3 de reflex\u00e3o aos jovens padres que chegaram \u00e0 Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos cinco anos. Guardo de ambos a simplicidade, a proximidade dos padres e do povo e, sobretudo, a op\u00e7\u00e3o clara pelos mais pobres.<\/p>\n<p>\u00c9 longa e profunda a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 do pa\u00eds. Mas h\u00e1 que reconhecer que o impacto mais relevante foi provocado pelos Jesuitas, atrav\u00e9s da sua metodologia com a constru\u00e7\u00e3o das Redu\u00e7\u00f5es, essas Miss\u00f5es em que os povos ind\u00edgenas recebiam uma forma\u00e7\u00e3o humana integral, com apostas na agricultura, nos trabalhos de constru\u00e7\u00e3o com madeira, na aprendizagem das letras, das artes e of\u00edcios. Fundamental era igualmente o investimento na m\u00fasica, pelo que, ainda hoje, as Missas s\u00e3o quase sempre tocadas pela \u2018Orquestra Missional\u2019. Visitei San Jos\u00e9 e fiquei fascinado, como j\u00e1 tinha ficando aquando das visitas a Concepcion e Xavier.<\/p>\n<p>H\u00e1 imagens que saltam aos olhos e provocam inquieta\u00e7\u00f5es. Na Bol\u00edvia, uma delas, \u00e9 verificar que muitas pessoas aparentam ter graves dores de dentes, pois andam com bocas inchadas! Basta estar algum tempo a conversar com as pessoas para perceber que muitas metem \u00e0 boca folhas de coca, mastigam e fazem uma bola numa das bochechas, guardando-a horas a fio. N\u00e3o experimentei, mas disseram-me que \u00e9 uma pr\u00e1tica ancestral para esconder a fome e excitar o corpo para o trabalho. Corresponde ao nosso v\u00edcio de fumar! Afinal, n\u00e3o h\u00e1 urg\u00eancia de destacar dentistas para a Bol\u00edvia, como me ocorreu quando verifiquei o fen\u00f3meno!<\/p>\n<p>Dois eventos serviram de pretexto para mais uma visita \u00e0 Bol\u00edvia: o \u2018Encontr\u00e3o da Fam\u00edlia Espiritana da Am\u00e9rica do Sul\u2019 e o Encontro de Espiritanos em Nomea\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria. Ambos atingiram os objetivos propostos, com umas seis dezenas de participantes no primeiro e apenas treze no segundo. Na Am\u00e9rica do Sul, os Espiritanos trabalham no Brasil, na Bol\u00edvia e no Paraguai.<\/p>\n<p>Prometi na \u00faltima cr\u00f3nica que falaria um pouco da flora e da gastronomia locais. Os olhos enchem-se sempre que vemos floridas duas \u00e1rvores: o tajibo, com flores lil\u00e1s, amarelas, brancas e rosa e o toborochi, \u00e1rvore bojuda que tamb\u00e9m tem flores muito berrantes e d\u00e1 um fruto de que se faz sumo. Quanto a comida, h\u00e1 muitos assaditos, empanadas (com recheios para todos os gostos!), cunhap\u00e9 (p\u00e3o de queijo), sopa de mani (amendoim), churrascos\u2026e, para beber, h\u00e1 a chicha (bebida t\u00edpica dos povos incas, feita de milho que, depois de fermentar, fica muito alco\u00f3lica) e o mocochinchi, feita com p\u00eassego desidratado, muito doce, at\u00e9 porque Santa Cruz \u00e9 a terra de cana do a\u00e7\u00facar!<\/p>\n<p>Muito mais se poderia dizer deste povo e desta terra, mas l\u00e1 voltarei mais vezes e continuarei a falar da Miss\u00e3o que ali acontece. Agrade\u00e7o a hospitalidade fant\u00e1stica. Desejo a continua\u00e7\u00e3o de uma miss\u00e3o inspirada. Tudo de bom, at\u00e9 breve!<\/p>\n<p>Tony Neves, em Portugal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-336861","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=336861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336861\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=336861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=336861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=336861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}