{"id":33677,"date":"2008-08-18T11:51:55","date_gmt":"2008-08-18T11:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/18\/o-monge-simbolo-do-ecumenismo-espiritual\/"},"modified":"2008-08-18T11:51:55","modified_gmt":"2008-08-18T11:51:55","slug":"o-monge-simbolo-do-ecumenismo-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-monge-simbolo-do-ecumenismo-espiritual\/","title":{"rendered":"O monge, s\u00edmbolo do ecumenismo espiritual"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista ao Cardeal Kasper tr\u00eas anos depois da morte do irm\u00e3o Roger <!--more--> H\u00e1 tr\u00eas anos, no dia 16 de Agosto de 2005, durante a ora\u00e7\u00e3o da noite, o irm\u00e3o Roger, fundador e prior da comunidade de Taiz\u00e9, foi assassinado. Pouco tempo antes, ele tinha feito 90 anos. Numa entrevista ao \u00abL\u2019Osservatore Romano\u00bb, o Presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os recorda a sua figura.  <i>Passaram tr\u00eas anos desde a morte tr\u00e1gica do irm\u00e3o Roger, o fundador de Taiz\u00e9. O Senhor Cardeal presidiu \u00e0 cerim\u00f3nia das ex\u00e9quias. Quem era para si o irm\u00e3o Roger?<\/i>   A sua morte impressionou-me muito. Eu estava em Col\u00f3nia, para a Jornada Mundial da Juventude, quando soubemos que o irm\u00e3o Roger tinha morrido, v\u00edtima de um acto violento. A sua morte lembrou-me as palavras do profeta Isa\u00edas sobre o Servo do Senhor: \u00abFoi maltratado, mas humilhou-se e n\u00e3o abriu a boca, como um cordeiro que \u00e9 levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas m\u00e3os do tosquiador\u00bb (Is 53,7). Durante toda a sua vida, o irm\u00e3o Roger seguiu o caminho do Cordeiro: pela sua mansid\u00e3o e humildade, pela sua recusa de qualquer acto grandioso, pela sua decis\u00e3o de n\u00e3o dizer mal de ningu\u00e9m, pelo seu desejo de transportar no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o as dores e as esperan\u00e7as da humanidade. Poucas pessoas da nossa gera\u00e7\u00e3o encarnaram com tanta transpar\u00eancia o rosto manso e humilde de Jesus Cristo. Numa \u00e9poca turbulenta para a Igreja e para a f\u00e9 crist\u00e3, o irm\u00e3o Roger foi uma fonte de esperan\u00e7a reconhecida por muitas pessoas, entre as quais tamb\u00e9m eu me incluo. Como professor de teologia e depois como bispo de Rotenburgo-Estugarda, sempre encorajei jovens a passar por Taiz\u00e9 no Ver\u00e3o. Eu via como essa passagem perto do irm\u00e3o Roger e da comunidade os ajudava a conhecer e a viver a Palavra de Deus, na alegria e na simplicidade. Senti tudo isso ainda mais no momento de presidir \u00e0 liturgia das suas ex\u00e9quias, na grande igreja da Reconcilia\u00e7\u00e3o de Taiz\u00e9.  <i>Aos seus olhos, qual \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do irm\u00e3o Roger e da comunidade de Taiz\u00e9 para o ecumenismo?<\/i>  A unidade dos crist\u00e3os era certamente um dos desejos mais profundos do prior de Taiz\u00e9, tal como a divis\u00e3o dos crist\u00e3os era para ele uma verdadeira fonte de dor e de desgosto. O irm\u00e3o Roger era um homem de comunh\u00e3o, que sofria com qualquer forma de antagonismo ou de rivalidade entre pessoas ou comunidades. Quando ele falava da unidade dos crist\u00e3os e dos encontros que tinha com representantes de diferentes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, o seu olhar e a sua voz deixavam compreender a intensidade de caridade e de esperan\u00e7a com que ele desejava que \u00abtodos sejam um\u00bb. A procura da unidade era para ele como um fio condutor, que marcava at\u00e9 as decis\u00f5es mais concretas de cada dia: acolher alegremente qualquer ac\u00e7\u00e3o que pudesse aproximar crist\u00e3os de diferentes tradi\u00e7\u00f5es, evitar qualquer palavra ou gesto que pudessem atrasar a reconcilia\u00e7\u00e3o. Ele praticava esse discernimento com uma aten\u00e7\u00e3o que chegava aos limites da minuciosidade. No entanto, o irm\u00e3o Roger n\u00e3o estava apressado nem ansioso nesta procura da unidade. Ele conhecia a paci\u00eancia de Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria da Igreja. Nunca realizou actos inaceit\u00e1veis para as Igrejas, nem nunca convidou jovens a afastar-se dos seus pastores. Mais do que a rapidez do desenvolvimento do movimento ecum\u00e9nico, o que ele visava era a sua profundidade. Estava convicto de que s\u00f3 um ecumenismo alimentado pela Palavra de Deus e pela celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, pela ora\u00e7\u00e3o e pela contempla\u00e7\u00e3o, seria capaz de reunir os crist\u00e3os na unidade desejada por Jesus. \u00c9 nesta \u00e1rea do ecumenismo espiritual que eu gostaria de situar a importante contribui\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o Roger e da comunidade de Taiz\u00e9.       <i>O irm\u00e3o Roger descreveu muitas vezes o seu caminho ecum\u00e9nico pessoal como uma \u00abreconcilia\u00e7\u00e3o interior da f\u00e9 das suas origens com o mist\u00e9rio da f\u00e9 cat\u00f3lica, sem ruptura de comunh\u00e3o com ningu\u00e9m\u00bb. Esse percurso n\u00e3o pertence \u00e0s categorias habituais. Depois da sua morte, a comunidade de Taiz\u00e9 desmentiu os rumores de uma convers\u00e3o secreta ao catolicismo. Esses rumores nasceram, entre outros aspectos, porque se viu o irm\u00e3o Roger comungar das m\u00e3os do Cardeal Ratzinger durante as ex\u00e9quias do Papa Jo\u00e3o Paulo II. O que podemos pensar da express\u00e3o segundo a qual o irm\u00e3o Roger se teria tornado \u00abformalmente\u00bb cat\u00f3lico?<\/i>  Proveniente de uma fam\u00edlia de confiss\u00e3o reformada, o irm\u00e3o Roger tinha feito estudos de teologia e tinha-se tornado pastor nesta mesma tradi\u00e7\u00e3o reformada. Quando ele falava da \u00abf\u00e9 das suas origens\u00bb, era a esse bonito conjunto de catequese, de devo\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e de testemunho crist\u00e3o que tinha recebido na tradi\u00e7\u00e3o reformada que se referia. Ele partilhava esse patrim\u00f3nio com todos os seus irm\u00e3os e irm\u00e3s de denomina\u00e7\u00e3o protestante, a quem sempre se sentiu profundamente ligado. No entanto, desde que era jovem pastor, o irm\u00e3o Roger tamb\u00e9m procurou alimentar a sua f\u00e9 e a sua vida espiritual nas fontes de outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, transpondo dessa forma alguns limites confessionais. O seu desejo de seguir uma voca\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica e de fundar uma nova comunidade mon\u00e1stica com crist\u00e3os da reforma j\u00e1 dizia muito sobre essa procura.    Ao longo dos anos, a f\u00e9 do prior de Taiz\u00e9 foi-se enriquecendo progressivamente com o patrim\u00f3nio de f\u00e9 da Igreja cat\u00f3lica. Segundo o seu pr\u00f3prio testemunho, foi com refer\u00eancia ao mist\u00e9rio da f\u00e9 cat\u00f3lica que ele compreendeu alguns dados da f\u00e9, como o papel da Virgem Maria na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, a presen\u00e7a real de Cristo nos dons eucar\u00edsticos e o minist\u00e9rio apost\u00f3lico na Igreja, incluindo o minist\u00e9rio de unidade exercido pelo Bispo de Roma. Em resposta, a Igreja cat\u00f3lica tinha aceitado que ele comungasse na eucaristia, como ele fazia todas as manh\u00e3s na grande igreja de Taiz\u00e9. O irm\u00e3o Roger tamb\u00e9m recebeu a comunh\u00e3o, por diversas vezes, das m\u00e3os do Papa Jo\u00e3o Paulo II, que tinha uma rela\u00e7\u00e3o de amizade com ele desde o Conc\u00edlio Vaticano II e que conhecia bem a sua caminhada na f\u00e9 cat\u00f3lica. Neste sentido, n\u00e3o havia nada de secreto ou de escondido na atitude da Igreja cat\u00f3lica, nem em Taiz\u00e9 nem em Roma. No momento do funeral do Papa Jo\u00e3o Paulo II, o Cardeal Ratzinger apenas repetiu o que j\u00e1 se fazia antes dele na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no tempo do defunto Papa. N\u00e3o houve nada de novo ou de premeditado no gesto do Cardeal.  Numa alocu\u00e7\u00e3o ao Papa Jo\u00e3o Paulo II, na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, durante o encontro europeu de jovens em 1980, o prior de Taiz\u00e9 descrevia o seu pr\u00f3prio caminho e a sua identidade de crist\u00e3o com estas palavras: \u00abEncontrei a minha pr\u00f3pria identidade de crist\u00e3o reconciliando em mim mesmo a f\u00e9 das minhas origens com o mist\u00e9rio da f\u00e9 cat\u00f3lica, sem ruptura de comunh\u00e3o com ningu\u00e9m\u00bb. Na verdade, o irm\u00e3o Roger nunca quis romper \u00abcom ningu\u00e9m\u00bb, por motivos que estavam essencialmente ligados ao seu desejo de uni\u00e3o e \u00e0 voca\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica da comunidade de Taiz\u00e9. Por isso, ele preferia n\u00e3o utilizar certos termos, como \u00abconvers\u00e3o\u00bb ou ades\u00e3o \u00abformal\u00bb, para qualificar a sua comunh\u00e3o com a Igreja cat\u00f3lica. Na sua consci\u00eancia, ele tinha entrado no mist\u00e9rio da f\u00e9 cat\u00f3lica como algu\u00e9m que cresce, sem ter que \u00ababandonar\u00bb ou \u00abromper\u00bb com aquilo que tinha recebido ou vivido antes. Poder\u00edamos falar muito sobre o sentido de alguns termos teol\u00f3gicos ou can\u00f3nicos. No entanto, por respeito pela caminhada na f\u00e9 do irm\u00e3o Roger, seria prefer\u00edvel n\u00e3o aplicarmos a seu respeito categorias que ele pr\u00f3prio considerava desapropriadas \u00e0 sua experi\u00eancia e que ali\u00e1s a Igreja cat\u00f3lica nunca lhe quis impor. Tamb\u00e9m a\u00ed, as palavras do pr\u00f3prio irm\u00e3o Roger deveriam bastar-nos.  <i>V\u00ea liga\u00e7\u00f5es entre a voca\u00e7\u00e3o ecum\u00e9nica de Taiz\u00e9 e a peregrina\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares de jovens \u00e0quela pequena aldeia na Borgonha? Do seu ponto de vista, ser\u00e1 que os jovens s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 unidade vis\u00edvel dos crist\u00e3os?<\/i>  Penso que o facto de todos os anos milhares de jovens continuarem a ir \u00e0 pequena colina de Taiz\u00e9 \u00e9 verdadeiramente um dom do Esp\u00edrito Santo \u00e0 Igreja de hoje. Para muitos deles, Taiz\u00e9 representa o primeiro e o principal local onde podem encontrar jovens de outras Igrejas e Comunidades eclesiais. Alegro-me por ver que os jovens que enchem todos os anos as tendas de Taiz\u00e9 v\u00eam de diferentes pa\u00edses da Europa ocidental e oriental, alguns de outros continentes, que pertencem a diferentes comunidades de tradi\u00e7\u00e3o protestante, cat\u00f3lica e ortodoxa, que s\u00e3o muitas vezes acompanhados pelos seus padres ou pastores. Uma parte dos jovens que chegam a Taiz\u00e9 vem de pa\u00edses que passaram pela guerra civil ou por violentos conflitos internos, muitas vezes num passado ainda recente. Outros v\u00eam de regi\u00f5es que sofreram, durante v\u00e1rias dezenas de anos, sob o jugo de uma ideologia materialista. Outros ainda, que s\u00e3o talvez a maioria, vivem em sociedades profundamente marcadas pela seculariza\u00e7\u00e3o e pela indiferen\u00e7a perante a religi\u00e3o. Em Taiz\u00e9, nos momentos de ora\u00e7\u00e3o e de partilha b\u00edblica, eles redescobrem o dom da comunh\u00e3o e da amizade que s\u00f3 o Evangelho de Jesus Cristo pode oferecer. Escutando a Palavra de Deus, eles redescobrem tamb\u00e9m a riqueza \u00fanica que lhes foi dada pelo sacramento do baptismo. Sim, acredito que muitos jovens se apercebem do que verdadeiramente est\u00e1 em jogo no que se refere \u00e0 unidade dos crist\u00e3os. Eles sabem o quanto o fardo das divis\u00f5es ainda pode pesar no testemunho dos crist\u00e3os e na constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade. Em Taiz\u00e9 eles encontram como que uma \u00abpar\u00e1bola de comunidade\u00bb, que ajuda a ultrapassar as fracturas do passado e a olhar para um futuro de comunh\u00e3o e de amizade. De regresso \u00e0s suas casas, esta experi\u00eancia ajuda-os a criar grupos de ora\u00e7\u00e3o e de partilha no seu pr\u00f3prio ambiente de vida, para alimentar este desejo de unidade.  <i>Antes de presidir ao Conselho Pontif\u00edcio para a Unidade dos Crist\u00e3os, foi bispo de Rotenburgo-Estugarda e, como tal, acolheu em 1996 um encontro europeu de jovens animado pela comunidade de Taiz\u00e9. Que contribui\u00e7\u00e3o d\u00e3o esses encontros de jovens \u00e0 vida das Igrejas?<\/i>  Esse encontro foi, de facto, ocasi\u00e3o de uma enorme alegria e de uma profunda intensidade espiritual para a diocese e sobretudo para as par\u00f3quias que acolheram jovens provenientes de diferentes pa\u00edses. Esses encontros parecem-me extremamente importantes para a vida da Igreja. Muitos jovens, como j\u00e1 disse, vivem em sociedades secularizadas, tendo dificuldade em encontrar companheiros de caminhada na f\u00e9 e na vida crist\u00e3. S\u00e3o raros os espa\u00e7os onde \u00e9 poss\u00edvel aprofundar e celebrar a f\u00e9, na alegria e na serenidade. As Igrejas locais t\u00eam por vezes dificuldade em acompanhar bem os jovens na sua caminhada espiritual. \u00c9 por isso que os grandes encontros, como aqueles que a comunidade de Taiz\u00e9 organiza, respondem a uma verdadeira necessidade pastoral. A vida crist\u00e3 precisa certamente de sil\u00eancio e de solid\u00e3o, como dizia Jesus: \u00abFechada a porta, reza em segredo a teu Pai\u00bb (Mt 6,6). Mas precisa igualmente de partilha, de encontro e de troca de experi\u00eancias. A vida crist\u00e3 n\u00e3o se vive de forma isolada, muito pelo contr\u00e1rio. Pelo baptismo, pertencemos ao mesmo e \u00fanico corpo de Cristo ressuscitado. O Esp\u00edrito \u00e9 a alma e o sopro que anima esse corpo, que o faz crescer em santidade. Os Evangelhos falam ali\u00e1s com regularidade de uma grande multid\u00e3o de pessoas que tinham vindo, por vezes de muito longe, para verem e escutarem Jesus, e para serem curadas por ele. Os grandes encontros de hoje em dia inscrevem-se nessa mesma din\u00e2mica. Eles permitem que os jovens apreendam melhor o mist\u00e9rio da Igreja como comunh\u00e3o, que escutem juntos a palavra de Jesus e que nele confiem.  <i>O Papa Jo\u00e3o XXIII qualificou Taiz\u00e9 como uma \u00abpequena Primavera\u00bb. Por seu lado, o irm\u00e3o Roger dizia que o Papa Jo\u00e3o XXIII tinha sido o homem que mais o havia marcado. Para si, porque ser\u00e1 que o Papa que teve a intui\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II e o fundador de Taiz\u00e9 se apreciavam tanto?<\/i>  Cada vez que eu encontrava o irm\u00e3o Roger, ele falava-me muito da sua amizade com o Papa Jo\u00e3o XXIII, e depois com o Papa Paulo VI e com o Papa Jo\u00e3o Paulo II. Era sempre com gratid\u00e3o e com uma grande alegria que ele me falava dos muitos encontros e conversas que tinha tido com eles, ao longo dos anos. Por um lado, o prior de Taiz\u00e9 sentia-se pr\u00f3ximo dos Bispos de Roma, na preocupa\u00e7\u00e3o deles em conduzir a Igreja de Cristo pelos caminhos da renova\u00e7\u00e3o espiritual, da unidade dos crist\u00e3os, do servi\u00e7o aos pobres e do testemunho do Evangelho. Por outro lado, o irm\u00e3o Roger sabia que era verdadeiramente compreendido e apoiado por eles na sua pr\u00f3pria caminhada espiritual e na orienta\u00e7\u00e3o que tomava a jovem comunidade de Taiz\u00e9. A consci\u00eancia de agir em harmonia com o pensamento do Bispo de Roma era para o irm\u00e3o Roger como uma b\u00fassola em todas as suas ac\u00e7\u00f5es. Ele nunca teria tomado uma iniciativa que soubesse ser contra a opini\u00e3o ou a vontade do Bispo de Roma. Ali\u00e1s, uma mesma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a prossegue ainda hoje, com o Papa Bento XVI, que pronunciou palavras muito comoventes por ocasi\u00e3o da morte do fundador de Taiz\u00e9, e que todos os anos recebe o irm\u00e3o Alois em audi\u00eancia privada. De onde vinha esta estima rec\u00edproca entre o irm\u00e3o Roger e os sucessivos Bispos de Roma? Ela encontra certamente as suas ra\u00edzes no factor humano, nas ricas personalidades dos homens em quest\u00e3o. Finalmente, eu diria que essa estima vinha do Esp\u00edrito Santo, que \u00e9 coerente com aquilo que vai inspirando, num mesmo momento, a pessoas diferentes, para o bem da \u00fanica Igreja de Cristo. Quando o Esp\u00edrito fala, todos compreendem a mesma mensagem, cada um na sua pr\u00f3pria l\u00edngua. O verdadeiro artes\u00e3o da compreens\u00e3o e da fraternidade entre os disc\u00edpulos de Cristo \u00e9 ele, o Esp\u00edrito de comunh\u00e3o.   <i>Conhece bem o irm\u00e3o Alois, o sucessor do irm\u00e3o Roger. Como v\u00ea o futuro da comunidade de Taiz\u00e9?<\/i>  Embora eu j\u00e1 o tivesse encontrado antes, foi sobretudo depois da morte do irm\u00e3o Roger que aprendi a conhecer melhor o irm\u00e3o Alois. Alguns anos antes, o irm\u00e3o Roger tinha-me confiado que tudo estava previsto para a sua sucess\u00e3o, quando isso se revelasse necess\u00e1rio. Estava feliz com a perspectiva do irm\u00e3o Alois assumir o seu lugar. Quem poderia imaginar que essa sucess\u00e3o teria que ser efectuada numa \u00fanica noite, depois de um acto de viol\u00eancia inusitada? O que \u00e9 espantoso desde ent\u00e3o \u00e9 a grande continuidade na vida da comunidade de Taiz\u00e9 e no acolhimento dos jovens. A liturgia, a ora\u00e7\u00e3o e a hospitalidade prosseguem no mesmo esp\u00edrito, como um c\u00e2ntico que nunca foi interrompido. Isso diz muito, n\u00e3o apenas sobre a pessoa do novo prior, mas tamb\u00e9m, e sobretudo, sobre a maturidade humana e espiritual de toda a comunidade de Taiz\u00e9. Foi a comunidade no seu conjunto que herdou o carisma do irm\u00e3o Roger, que ela continua a viver e a irradiar. Conhecendo as pessoas, tenho plena confian\u00e7a no futuro da comunidade de Taiz\u00e9 e no seu empenho pela unidade dos crist\u00e3os. Essa confian\u00e7a vem-me tamb\u00e9m do Esp\u00edrito Santo, que n\u00e3o suscita carismas para depois os abandonar na primeira ocasi\u00e3o. O Esp\u00edrito de Deus, que \u00e9 sempre novo, trabalha na continuidade de uma voca\u00e7\u00e3o e de uma miss\u00e3o. Vai ser ele a ajudar a comunidade a viver e a desenvolver a sua voca\u00e7\u00e3o, na fidelidade ao exemplo que o irm\u00e3o Roger lhe deixou. As gera\u00e7\u00f5es passam, mas o carisma permanece, porque \u00e9 dom e obra do Esp\u00edrito. Gostaria de terminar voltando a dizer ao irm\u00e3o Alois e a toda a comunidade de Taiz\u00e9 a minha grande estima pela sua amizade, pela sua vida de ora\u00e7\u00e3o e pelo seu desejo de unidade. Gra\u00e7as a eles, o rosto manso do irm\u00e3o Roger continua a ser-nos familiar.  <i>Redac\u00e7\u00e3o\/L\u2019Osservatore Romano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista ao Cardeal Kasper tr\u00eas anos depois da morte do irm\u00e3o Roger<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[120,127,144,192,203,206,221,237,238,246,285,315],"class_list":["post-33677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-bento-xvi","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-ecumenismo","tag-europa","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-joao-xxiii","tag-liturgia","tag-patrimonio","tag-taize"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33677"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33677\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}