{"id":33665,"date":"2008-08-14T17:08:37","date_gmt":"2008-08-14T17:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/14\/mulheres-e-igreja-20-anos-da-mulieris-dignitatem\/"},"modified":"2008-08-14T17:08:37","modified_gmt":"2008-08-14T17:08:37","slug":"mulheres-e-igreja-20-anos-da-mulieris-dignitatem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mulheres-e-igreja-20-anos-da-mulieris-dignitatem\/","title":{"rendered":"Mulheres e Igreja: 20 anos da \u00abMulieris dignitatem\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Documento de Jo\u00e3o Paulo II foi o primeiro inteiramente dedicado \u00e0 mulher. Bento XVI tamb\u00e9m tem dedicado aten\u00e7\u00e3o ao tema <!--more--> Na continuidade do Conc\u00edlio Vaticano II, que encoraja a uma participa\u00e7\u00e3o mais vasta da mulher n\u00e3o s\u00f3 no \u00e2mbito cultural e social mas tamb\u00e9m eclesial, e da constitui\u00e7\u00e3o da \u201cComiss\u00e3o de estudo sobre a mulher na sociedade e na Igreja\u201d por Paulo VI em 1973, Jo\u00e3o Paulo II publicou em 1988, no seguimento do S\u00ednodo dos Bispos sobre a participa\u00e7\u00e3o dos leigos na vida da Igreja, a \u201cMulieris dignitatem\u201d. A carta apost\u00f3lica foi assinada no dia 15 de Agosto. Pela primeira vez um documento pontif\u00edcio \u00e9 inteiramente dedicado \u00e0 mulher. Jo\u00e3o Paulo II faz uma an\u00e1lise antropol\u00f3gica \u00e0 luz da Revela\u00e7\u00e3o para evidenciar verdades fundamentais tais como a igual dignidade do homem e da mulher criados \u00e0 imagem de Deus, a unidade dos dois e o chamamento \u00e0 comunh\u00e3o, a import\u00e2ncia da complementaridade e reciprocidade entre homem e mulher, a figura de Maria como modelo da mulher e realiza\u00e7\u00e3o do ser humano chamado \u00e0 santidade. O Papa polaco lembrava que, na sequ\u00eancia do S\u00ednodo de 1987, foram feitos votos de um \u201caprofundamento dos fundamentos antropol\u00f3gicos e teol\u00f3gicos necess\u00e1rios para resolver os problemas relativos ao significado e \u00e0 dignidade do ser mulher e do ser homem\u201d. \u201cTrata-se de compreender a raz\u00e3o e as consequ\u00eancias da decis\u00e3o do Criador de fazer existir o ser humano sempre e somente como mulher e como homem. Somente a partir destes fundamentos, que consentem colher em profundidade a dignidade e a voca\u00e7\u00e3o da mulher, \u00e9 poss\u00edvel falar da sua presen\u00e7a activa na Igreja e na sociedade\u201d, podia ler-se. A Igreja, escreveu Jo\u00e3o Paulo II, \u201crende gra\u00e7as por todas e cada uma das mulheres: pelas m\u00e3es, pelas irm\u00e3s, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na fam\u00edlia, que \u00e9 o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, \u00e0s vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres \u00abperfeitas\u00bb e pelas mulheres \u00abfracas\u00bb\u201d. \u201cA Igreja agradece todas as manifesta\u00e7\u00f5es do \u00abg\u00e9nio\u00bb feminino surgidas no curso da hist\u00f3ria, no meio de todos os povos e Na\u00e7\u00f5es; agradece todos os carismas que o Esp\u00edrito Santo concede \u00e0s mulheres na hist\u00f3ria do Povo de Deus, todas as vit\u00f3rias que deve \u00e0 f\u00e9, \u00e0 esperan\u00e7a e caridade das mesmas: agradece todos os frutos de santidade feminina\u201d, escreveu ainda. O tema foi retomado recentemente na audi\u00eancia geral de Bento XVI de 14 de Fevereiro de 2007, dedicada \u00e0s mulheres e \u00e0 sua responsabilidade eclesial desde as primeiras comunidades crist\u00e3s at\u00e9 hoje. \u201cAl\u00e9m dos Doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, s\u00e3o escolhidas no n\u00famero dos disc\u00edpulos tamb\u00e9m muitas mulheres. Apenas brevemente posso mencionar aquelas que se encontram no caminho do pr\u00f3prio Jesus, a come\u00e7ar pela profetisa Ana (cf. Lc 2, 36-38), at\u00e9 \u00e0 Samaritana (cf. Jo 4, 1-39), \u00e0 mulher s\u00edrio-fen\u00edcia (cf. Mc 7, 24-30), \u00e0 hemorro\u00edssa (cf. Mt 9, 20-22) e \u00e0 pecadora perdoada (cf. Lc 7, 36-50). N\u00e3o me refiro sequer \u00e0s protagonistas de algumas par\u00e1bolas eficazes, por exemplo a uma dona de casa que amassa o p\u00e3o (cf. Mt 13, 33), \u00e0 mulher que perde a dracma (cf. Lc 15, 8-10), \u00e0 vi\u00fava que importuna o juiz (cf. Lc 18, 1-8)\u201d, afirmou. \u201cMais significativas para o nosso assunto s\u00e3o aquelas mulheres que desenvolveram um papel activo no contexto da miss\u00e3o de Jesus. Em primeiro lugar, o pensamento dirige-se naturalmente \u00e0 Virgem Maria que, com a sua f\u00e9 e a sua obra materna, colaborou de modo \u00fanico para a nossa Reden\u00e7\u00e3o, tanto que Isabel p\u00f4de proclam\u00e1-la &#8220;bendita \u00e9s tu entre as mulheres&#8221; (Lc 1, 42), acrescentando: &#8220;Feliz de ti que acreditaste&#8221; (Lc 1, 45). Tornando-se disc\u00edpula do Filho, Maria manifestou em Can\u00e1 a confian\u00e7a total nele (cf. Jo 2, 5) e seguiu-o at\u00e9 aos p\u00e9s da Cruz, onde recebeu dele uma miss\u00e3o materna para todos os seus disc\u00edpulos de todos os tempos, representados por Jo\u00e3o (cf. Jo 19, 25-27)\u201d, acrescentou o actual Papa. Para Bento XVI, \u00e9 claro que \u201ca hist\u00f3ria do cristianismo teria tido um desenvolvimento muito diferente, se n\u00e3o houvesse a generosa contribui\u00e7\u00e3o de muitas mulheres\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento de Jo\u00e3o Paulo II foi o primeiro inteiramente dedicado \u00e0 mulher. 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