{"id":336495,"date":"2024-08-07T10:00:34","date_gmt":"2024-08-07T09:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=336495"},"modified":"2024-08-07T10:00:34","modified_gmt":"2024-08-07T09:00:34","slug":"a-cruz-escondida-285","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-285\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Igreja recordou o assassinato, em Fran\u00e7a, do Padre Jacques Hamel<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_336497\" aria-describedby=\"caption-attachment-336497\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS.jpeg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-336497 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1234\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS.jpeg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS-400x257.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS-1024x658.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS-768x494.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Jacques-Hamel_AIS-1536x987.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-336497\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Funda\u00e7\u00e3o AIS<\/figcaption><\/figure>\n<p>M\u00e1rtir aos 85 anos<\/p>\n<p><em>Em 26 de Julho de 2016, o Padre Jacques Hamel, foi assassinado por dois extremistas isl\u00e2micos que juraram fidelidade ao Daesh. Obrigaram-no a ajoelhar-se, em plena Igreja, antes de o degolarem. Na passada sexta-feira, este sacerdote, que o Papa referiu como sendo \u201cum m\u00e1rtir\u201d, foi lembrado na par\u00f3quia de Saint \u00c9tienne-du-Rouvray, onde serviu at\u00e9 ao \u00faltimo instante da sua vida. Al\u00e9m de uma vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o houve tamb\u00e9m uma cerim\u00f3nia organizada pelo munic\u00edpio local. Jacques Hamel tinha 85 anos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Foi o primeiro sacerdote m\u00e1rtir na Europa \u00e0s m\u00e3os do grupo jihadista Estado Isl\u00e2mico. H\u00e1 precisamente oito anos, a 26 de Julho de 2016, dois homens irromperam pela igreja de Saint \u00c9tienne-du-Rouvray e agarraram o Padre Hamel, de 85 anos de idade, que tinha acabado de celebrar a Missa em substitui\u00e7\u00e3o do sacerdote habitual. Os dois terroristas obrigaram-no a ajoelhar-se e degolaram-no. Testemunhas presentes no local asseguram que as \u00faltimas palavras do idoso sacerdote foram: \u201cAfasta-te de mim, Satan\u00e1s!\u201d. O Papa Francisco referiu-se j\u00e1 ao Padre Hamel como sendo \u201cum m\u00e1rtir!\u201d A causa da sua beatifica\u00e7\u00e3o foi oficialmente iniciada um ano depois do assassinato, em 20 de Maio de 2017. Na passada sexta-feira, a comunidade cat\u00f3lica local recordou este sacerdote \u201ce todas as v\u00edtimas do terrorismo\u201d com um programa que juntou n\u00e3o s\u00f3 autoridades religiosas mas tamb\u00e9m civis. Houve uma missa, presidida por D. Dominique Lebrun, Arcebispo de Rouen, a que se seguiu uma \u201ccerim\u00f3nia republicana pela paz e fraternidade\u201d em homenagem ao Padre Hamel e que foi organizada pelo munic\u00edpio local. O crime de h\u00e1 oito anos comoveu o mundo pela idade avan\u00e7ada do sacerdote, pela viol\u00eancia brutal usada pelos terroristas, mas tamb\u00e9m pelo facto de ter sido o primeiro padre cat\u00f3lico a ser morto na Europa pelos extremistas do Daesh.<\/p>\n<p>A perplexidade pelo ataque<\/p>\n<p>Ainda hoje, a comunidade local, os que conheceram e se habituaram a conviver com o Padre Jacques Hamel recordam com profunda perplexidade tudo o que aconteceu. \u00c9 dif\u00edcil compreender tanta maldade, tanto \u00f3dio, tanta capacidade para fazer mal a algu\u00e9m t\u00e3o idoso e de aspecto t\u00e3o fr\u00e1gil. Uma perplexidade que aumenta quando se descobriu, mais tarde, que n\u00e3o se tratou de um ataque fortuito. Na verdade, foi algo planeado nos mais diversos pormenores, concebido para perturbar, para servir de aviso a todos os crentes, aos \u201ccruzados\u201d, como os jihadistas gostam de apelidar os crist\u00e3os. Mataram o Padre Hamel com o prop\u00f3sito tamb\u00e9m de atemorizar a comunidade crist\u00e3, mas acabaram por plantar, isso sim, uma profunda semente de f\u00e9. O Padre Jacques Hamel j\u00e1 tinha passado a idade da reforma h\u00e1 quase uma d\u00e9cada, mas continuava a trabalhar como padre assistente na Par\u00f3quia de Saint \u00c9tienne-du-Rouvray, um sub\u00farbio de Rouen, no nordeste de\u00a0Fran\u00e7a. Mostrava uma grande abertura ao di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso com mu\u00e7ulmanos e judeus que residiam na zona. Depois do seu assassinato multiplicaram-se mesmo os encontros entre as v\u00e1rias confiss\u00f5es religiosas. Considerado como m\u00e1rtir pelos fi\u00e9is mal se soube da not\u00edcia do assassinato, o processo de beatifica\u00e7\u00e3o do Padre Jacques Hamel arrancou logo um ano depois tendo-se conclu\u00eddo j\u00e1 em 2019 a chamada fase diocesana. Ao longo desse trabalho foram reunidas mais de 11 mil p\u00e1ginas de documentos, de testemunhos, de hist\u00f3rias de vida e at\u00e9 as homilias deste sacerdote franc\u00eas que o Papa Francisco viria a recordar como sendo \u201cum homem manso e bom, que criava fraternidade\u201d e que \u201cdeu a vida para n\u00e3o renegar Jesus\u201d.<\/p>\n<p>Igreja, local de romaria<\/p>\n<p>Praticamente desde o dia do assassinato que a Igreja de Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray, na Normandia, se transformou num local de peregrina\u00e7\u00e3o. De facto, a comunidade crist\u00e3 tem honrado a mem\u00f3ria do Padre Hamel. H\u00e1 cada vez mais pessoas que se deslocam \u00e0 Igreja para rezar, mas tamb\u00e9m h\u00e1 quem se dirija at\u00e9 l\u00e1 em romaria, emprestando a este lugar onde se derramou o sangue de um sacerdote, de um m\u00e1rtir, um sentido muito particular, muito especial. O Padre Paul Vigouroux, da diocese de Rouen, explicou isso ao secretariado franc\u00eas da Funda\u00e7\u00e3o AIS: \u201cOs fi\u00e9is v\u00e3o \u00e0 igreja ou ao t\u00famulo do Padre Hamel, sozinhos ou em grupos\u00a0para rezar\u201d. O movimento de fi\u00e9is n\u00e3o tem parado de crescer e vai dar origem, provavelmente j\u00e1 no pr\u00f3ximo ano, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um \u201cespa\u00e7o de acolhimento\u201d no centro paroquial, ao lado do presbit\u00e9rio onde vivia o Padre Hamel. Nesse local haver\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o permanente com a reconstitui\u00e7\u00e3o dos acontecimentos de h\u00e1 oito anos. Uma exposi\u00e7\u00e3o onde, provavelmente, ser\u00e1 exibido o texto da homilia do Papa Francisco a 14 de Setembro de 2016, na missa em sufr\u00e1gio do Padre Jacques Hamel. Na altura, o Santo Padre recordou o sacerdote como exemplo de coragem e de vida que deve ser imitado por todos. \u201cO Padre Jacques Hamel foi degolado na Cruz, precisamente enquanto celebrava o sacrif\u00edcio da Cruz de Cristo. Homem bom, manso, fraterno, que procurava fazer sempre a paz, foi assassinado como se fosse um criminoso. Eis o fio sat\u00e2nico da persegui\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 algo neste homem que aceitou o mart\u00edrio ali, com o mart\u00edrio de Cristo no altar, h\u00e1 algo que me faz pensar muito: no momento dif\u00edcil que vivia, no meio da trag\u00e9dia que ele via aproximar-se, homem manso e bom, homem que criava fraternidade, n\u00e3o perdeu a lucidez de acusar e dizer claramente o nome do assassino: \u2018Afasta-te, Satan\u00e1s!\u2019. Deu a vida por n\u00f3s, deu a vida para n\u00e3o renegar Jesus\u201d, disse o Santo Padre nessa missa que decorreu na capela da casa de Santa Marta, no Vaticano. \u201cQue este exemplo de coragem, o mart\u00edrio da sua vida, de se esvaziar a si mesmo para ajudar os outros, de criar fraternidade entre os homens, ajude todos n\u00f3s a progredir sem medo. Que do C\u00e9u ele \u2013 devemos pedir-lhe, \u00e9 um m\u00e1rtir, e os m\u00e1rtires s\u00e3o beatos, devemos rezar-lhe \u2014 nos d\u00ea a mansid\u00e3o, a fraternidade, a paz, a coragem de dizer a verdade: matar em nome de Deus \u00e9 sat\u00e2nico!\u201d, concluiu o Papa Francisco.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja recordou o assassinato, em Fran\u00e7a, do Padre Jacques Hamel<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-336495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=336495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/336495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=336495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=336495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=336495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}