{"id":33623,"date":"2008-08-13T10:19:16","date_gmt":"2008-08-13T10:19:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/13\/peregrinacao-dos-migrantes-e-refugiados-dedicada-aos-imigrantes-africanos\/"},"modified":"2008-08-13T10:19:16","modified_gmt":"2008-08-13T10:19:16","slug":"peregrinacao-dos-migrantes-e-refugiados-dedicada-aos-imigrantes-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/peregrinacao-dos-migrantes-e-refugiados-dedicada-aos-imigrantes-africanos\/","title":{"rendered":"Peregrina\u00e7\u00e3o dos Migrantes e Refugiados dedicada aos Imigrantes Africanos"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Ant\u00f3nio Vitalino, Presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Mobilidade Humana <!--more--> <i>Tema da XXXVI Semana Nacional da Pastoral das Migra\u00e7\u00f5es: Jovens Migrantes,  protagonistas da esperan\u00e7a Tema do Santu\u00e1rio: 8\u00ba Mandamento: sede verdadeiros<\/i>  Amados Peregrinos, 1.Vindos de perto e de longe, emigrantes e imigrantes, juntamo-nos aqui em F\u00e1tima, lugar que Nossa Senhora escolheu para recordar a um mundo dividido e em guerra, em 1917 e hoje tamb\u00e9m, o essencial daquilo que Jesus disse e fez na plenitude dos tempos, h\u00e1 dois mil anos, por nosso amor, para nosso bem e salva\u00e7\u00e3o. Nesta peregrina\u00e7\u00e3o de Agosto celebramos o acontecimento mais significativo da semana das migra\u00e7\u00f5es, este ano especialmente dedicada aos jovens migrantes como protagonistas da esperan\u00e7a e entre estes, de modo muito concreto, os jovens africanos, que batem \u00e0s portas da Europa e, normalmente, constatam que n\u00e3o se abrem para eles, ou at\u00e9 s\u00e3o empurrados para fora, como se fossem malfeitores, no caso de terem conseguido entrar. A recente directiva comunit\u00e1ria sobre as migra\u00e7\u00f5es veio confirmar esta atitude de uma Europa apenas preocupada com o seu pr\u00f3prio bem-estar, seleccionando os c\u00e9rebros dos pa\u00edses pobres e rejeitando os menos capacitados.    2. Nesta peregrina\u00e7\u00e3o queremos avivar a nossa voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, chamados a constituir a nova fam\u00edlia dos filhos de Deus, onde n\u00e3o pode haver acep\u00e7\u00e3o de pessoas, todos peregrinos da cidade futura, a p\u00e1tria celeste, pois n\u00e3o temos aqui morada permanente, como nos lembrava a segunda leitura desta Missa pelos Exilados e Refugiados.  A 13 de Agosto de 1917, as tr\u00eas crian\u00e7as das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima, L\u00facia, Francisco e Jacinta foram levadas para a pris\u00e3o em Our\u00e9m e impedidas de estar aqui na Cova da Iria, para receber a visita e a mensagem da Senhora, que em Maio lhes pedira para virem a este lugar nos dias 13 dos meses seguintes. Tamb\u00e9m eles, inocentes crian\u00e7as, como tantos exilados e refugiados, sentiram na pele a pris\u00e3o e o afastamento dos seus entes queridos. Mas como os pastorinhos tamb\u00e9m n\u00f3s queremos aprender a perdoar, a n\u00e3o fazer aos outros o que n\u00e3o gostamos que nos fa\u00e7am a n\u00f3s, a lembrar-nos que todos somos estrangeiros neste mundo, cidad\u00e3os da cidade futura. Por isso como os pastorinhos oferecemos a nossa ora\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcios pela convers\u00e3o dos pecadores, por todos os que s\u00e3o v\u00edtimas do ex\u00edlio, expulsos da sua pr\u00f3pria p\u00e1tria. Esta Europa, que, ao longo dos s\u00e9culos, continuamente evangelizada desde os tempos apost\u00f3licos, soube acolher e integrar no seu seio povos de diferentes proveni\u00eancias e culturas, precisa de continuar fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o. Foram os valores crist\u00e3os, personalizados em Cristo, o Mestre, o Salvador e Senhor, que deram a verdadeira unidade \u00e0 Europa, mesmo quando esta teve de vencer graves crises, guerras e conflitos. F\u00e1tima foi um ponto alto dessa hist\u00f3ria, pois a Senhora da Mensagem transmitiu aos pastorinhos os valores fundamentais do Evangelho, a convers\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o, para que houvesse paz entre as na\u00e7\u00f5es. Esta velha Europa precisa, hoje, de ser recordada das suas ra\u00edzes crist\u00e3s e do seu dever de praticar a hospitalidade, para que abra as suas portas e colabore com os filhos dos pa\u00edses mais pobres que chegam \u00e0s suas fronteiras, n\u00e3o como malfeitores, mas como pessoas, com dignidade igual \u00e0 nossa, \u00e0 procura de trabalho e de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida que nos seus pa\u00edses de origem, como o fizeram e continuam a fazer tantos europeus por esse mundo fora.  3. Queridos peregrinos de F\u00e1tima, hoje representamos aqui as centenas de milhares de imigrantes a residir e trabalhar no nosso pa\u00eds e tamb\u00e9m os 5 milh\u00f5es de emigrantes portugueses, espalhados pelo mundo, cerca de um ter\u00e7o da nossa popula\u00e7\u00e3o. Todos temos em comum o factor da migra\u00e7\u00e3o do torr\u00e3o natal para outro local, com tudo o que isso implica de desenraizamento, de ruptura, de aventura e encontro de novas culturas, ambientes, pessoas e sociedades. Vivemos num mundo global, em constante mobilidade, \u00e0 procura de uma vida melhor, mas, como crentes em Deus, \u00e0 semelhan\u00e7a do povo eleito e de Abra\u00e3o, sempre confiantes no poder e na miseric\u00f3rdia de Deus, peregrinos da terra prometida, dos novos c\u00e9us e da nova terra, cujo esbo\u00e7o j\u00e1 antevemos na f\u00e9, mas cuja realiza\u00e7\u00e3o plena ser\u00e1 para todos um dom de Deus, que temos de continuamente implorar com as palvras da ora\u00e7\u00e3o que Jesus nos ensinou: venha a n\u00f3s o vosso Reino.   4. Aqui em F\u00e1tima viemos tamb\u00e9m implorar a cura das nossas doen\u00e7as, contra\u00eddas nos caminhos do nosso peregrinar pelo mundo. \u00c0 semelhan\u00e7a do leproso do Evangelho, h\u00e1 pouco proclamado, tamb\u00e9m n\u00f3s nos prostramos neste lugar sagrado e pedimos: \u201cSenhor, se quiserdes podeis curar-me\u201d. Aqui tamb\u00e9m poderemos ouvir a palavra da liberta\u00e7\u00e3o pronunciada pelo Senhor atrav\u00e9s da sua Igreja: \u201cQuero, mas vai mostrar-te ao sacerdote\u201d, isto \u00e9, integra-te na comunidade, a come\u00e7ar pela fam\u00edlia. Vai, deixa os teus caminhos de orgulho, de isolamento, re\u00fane-te aos teus, partilha com eles as tuas alegrias, as tuas tristezas, os teus haveres, constr\u00f3i com eles um mundo melhor, mais solid\u00e1rio, mais em comunh\u00e3o, sempre aberto \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o da nossa cidade. Sabemos que podemos contar com o amor fiel de Deus e a protec\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora, pois nunca se ouviu dizer que algu\u00e9m a Ela tenha recorrido em v\u00e3o. Aqui em F\u00e1tima s\u00e3o curadas as feridas da nossa identidade crist\u00e3 e fortalecidas as nossas certezas e confian\u00e7a. Por isso vale sempre a pena vir a F\u00e1tima como peregrinos da esperan\u00e7a. Esta peregrina\u00e7\u00e3o no per\u00edodo das nossas f\u00e9rias pode ser a melhor forma de refazer as nossas energias e as nossas rela\u00e7\u00f5es com Deus e uns com os outros. Aproveitemos a oportunidade e voltemos os nossos pensamentos e o nosso cora\u00e7\u00e3o para Maria, a M\u00e3e que nos deu Jesus, o Salvador e que Jesus nos deu na Cruz tamb\u00e9m como M\u00e3e nossa. Ela convida-nos agora a aproximar-nos de seu Filho, que vai ficar realmente presente no nosso meio, no sacramento do seu Corpo e Sangue, o alimento da vida eterna.  5. Irm\u00e3os peregrinos, aqui reunidos em vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o, somos uma assembleia unida \u00e0 volta de Nossa Senhora, que nos quer p\u00f4r em comunh\u00e3o profunda com seu Filho, Jesus, nosso Salvador, sem discrimina\u00e7\u00e3o de ra\u00e7as, de cores, de ideologias pol\u00edticas ou de proveni\u00eancia. Aqui antecipamos simbolicamente a realidade do C\u00e9u. A Igreja tem de ser testemunho, sinal e realiza\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o do g\u00e9nero humano em Deus. Mas tamb\u00e9m estamos conscientes do longo caminho que temos a percorrer at\u00e9 \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o total desse des\u00edgnio de Deus. Podemos dizer que F\u00e1tima antecipa essa vontade de Deus. Por isso n\u00f3s viemos at\u00e9 aqui, percorrendo longas dist\u00e2ncias e sentimo-nos bem neste recinto, conscientes de que Deus est\u00e1 connosco e Nossa Senhora, que \u00e9 M\u00e3e, intercede por n\u00f3s e nos pede, para escutarmos o seu Filho Jesus.  6. Antes de terminar esta breve exorta\u00e7\u00e3o gostaria de pedir \u00e0s nossas comunidades espalhadas pelo mundo para se abrirem aos mais jovens, dar-lhes lugar e vez nas iniciativas que vamos desenvolvendo, pois eles s\u00e3o mais sens\u00edveis aos factores provenientes da sua dupla perten\u00e7a, o pa\u00eds de origem dos seus progenitores e o pais onde vivem e se preparam para a vida e nesta encruzilhada poder\u00e3o fazer surgir comunidades humanas mais ricas e coesas, para bem de toda a fam\u00edlia humana, que s\u00f3 ter\u00e1 futuro se se abrir \u00e0 diferen\u00e7a, \u00e0 multiculturalidade, \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Deste modo os jovens tornar-se-\u00e3o verdadeiramente os protagonistas da esperan\u00e7a de um mundo envelhecido e empedernido em rivalidades e nacionalismos sem sentido.  7. Aqui estamos, irm\u00e3os peregrinos, neste local bendito, para reavivar a nossa comunh\u00e3o com o Senhor e uns com os outros, para nos apoiarmos mutuamente nos caminhos da nossa vida, contando sempre com Jesus, que encontrou esta maneira maravilhosa de ficar connosco, na Eucaristia, mist\u00e9rio de amor e de doa\u00e7\u00e3o da vida por todos n\u00f3s. Alimentando-nos do P\u00e3o descido do c\u00e9u, temos parte na sua vida e na sua gl\u00f3ria. Aprendemos a viver numa atitude de doa\u00e7\u00e3o, de gratid\u00e3o, de miseric\u00f3rdia, de transforma\u00e7\u00e3o da nossa vida em oferta agrad\u00e1vel a Deus.  A  Maria confiamos e consagramos as nossas fam\u00edlias, sobretudo as que mais sofrem as consequ\u00eancias das migra\u00e7\u00f5es que separam os seus membros e dificultam a sua agrega\u00e7\u00e3o. Maria, M\u00e3e de Jesus e nossa M\u00e3e, Senhora de F\u00e1tima e de tantos outros t\u00edtulos com que sois invocada pelo mundo fora, velai por todos os que vivem e trabalham longe da sua terra natal, amparai as suas fam\u00edlias, uni-as no amor, fortalecei a identidade de dupla perten\u00e7a dos nossos jovens, para que sejam verdadeiramente protagonistas da esperan\u00e7a num mundo desiludido e triste, fechado sobre si mesmo, rogai por n\u00f3s, agora e na hora da nossa morte. \u00c1men. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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