{"id":33600,"date":"2008-08-12T11:21:42","date_gmt":"2008-08-12T11:21:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/12\/bispo-de-lamego-celebra-50-anos-de-sacerdocio\/"},"modified":"2008-08-12T11:21:42","modified_gmt":"2008-08-12T11:21:42","slug":"bispo-de-lamego-celebra-50-anos-de-sacerdocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bispo-de-lamego-celebra-50-anos-de-sacerdocio\/","title":{"rendered":"Bispo de Lamego celebra 50 anos de sacerd\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p>No dia 15 de Agosto, completam-se 50 anos sobre a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal do Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho. Nascido a 11 de Setembro de 1935, na localidade de Prados de Cima (Moimenta da Beira), o prelado desfia as suas mem\u00f3rias em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.  <i> Ag\u00eancia ECCLESIA (AE) \u2013 No ano em que celebra as suas bodas de ouro sacerdotais recebe a chave de ouro do munic\u00edpio de Moimenta da Beira. Os seus conterr\u00e2neos ainda se recordam da crian\u00e7a que viram nascer? D. Jacinto Botelho (JB) \u2013<\/i> Os meus contempor\u00e2neos recordam-se perfeitamente do meu tempo de crian\u00e7a, jovem e adolescente. Lembram-se do tempo que frequentei o semin\u00e1rio. Habituaram-se a ver-me crescer, mas dentro de uma normalidade pr\u00f3pria de qualquer outro cidad\u00e3o.   <i> AE \u2013 Como era o jovem Jacinto quando andava na escola? JB \u2013<\/i> A minha m\u00e3e era professora, mas nunca me deu aulas. Na altura existiam as escolas masculina e a feminina. Como era filho de uma professora existia algum respeito, mas sempre com proximidade.   <i> AE \u2013 E as  brincadeiras da \u00e9poca? JB \u2013<\/i> Gostava muito de brincar com os meus irm\u00e3os. N\u00e3o faltavam brincadeiras que pud\u00e9ssemos realizar.   <i> AE \u2013 Foi a\u00ed que nasceu a sua voca\u00e7\u00e3o? JB \u2013<\/i> Nasceu na altura da Escola Prim\u00e1ria. Chamo-me Jacinto porque nasci no dia de S. Jacinto e porque o p\u00e1roco da minha freguesia se chamava Jacinto. Um padre que marcou as pessoas da altura. Recordo-me que ele pr\u00f3prio se ofereceu para meu padrinho de Baptismo. A rela\u00e7\u00e3o com o p\u00e1roco e outros sacerdotes que passavam l\u00e1 por casa ajudou na minha descoberta vocacional. Eram outros tempos&#8230;   <i> AE \u2013 Recorda-se bem desse tempo? JB \u2013<\/i> Perfeitamente. Passaram, na minha casa, muitos sacerdotes que tiveram um papel muito significativo na minha voca\u00e7\u00e3o.  <i> AE \u2013 Entrou em que semin\u00e1rio? JB \u2013<\/i> Fui com dez anos para o Semin\u00e1rio de Resende e, posteriormente, para o Semin\u00e1rio Maior de Lamego.   <i> AE \u2013 Neste percurso vocacional nunca teve indecis\u00f5es? JB \u2013<\/i> Durante a minha vida tive momentos em que a vontade de avan\u00e7ar para adiante eram mais fortes. Noutras, sentia que a vontade n\u00e3o era assim t\u00e3o manifesta. Tive momentos de indecis\u00e3o, mas felizmente tudo isso foi vencido e superado. Estes passos fazem parte de um discernimento que necessitamos de fazer.  <i> AE \u2013 Qual foi o seu mestre espiritual? JB \u2013<\/i> No Semin\u00e1rio Menor de Resende foi um sacerdote muito piedoso. No Semin\u00e1rio de Lamego foi um sacerdote que, depois, foi bispo de Leiria-F\u00e1tima, D. Alberto Cosme. Na altura era director espiritual do Semin\u00e1rio Maior de Lamego.  <i> AE \u2013 O que bebeu concretamente desses mestres? JB \u2013<\/i> Muita sabedoria e uma profunda espiritualidade.  <i> AE \u2013 N\u00e3o esquecendo que eram tempos dif\u00edceis. Viv\u00edamos em ditadura e a Europa estava em peda\u00e7os com o p\u00f3s II Guerra Mundial. JB \u2013<\/i> \u00c9 verdade. Entrei no Semin\u00e1rio em 1946 e fui ordenado doze anos depois. Foram tempos dif\u00edceis mesmo do ponto de vista material.  <i> AE \u2013 Fome? JB \u2013<\/i> Fome, propriamente, n\u00e3o digo, mas foi o tempo do racionamento. As pessoas compravam g\u00e9neros aliment\u00edcios atrav\u00e9s de senhas. Depois fazia-se a distribui\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas mediante aquela senha. Tempos dif\u00edceis&#8230;  <i> AE \u2013 Andava descal\u00e7o? JB \u2013<\/i> N\u00e3o andava, mas muitos companheiros meus andavam descal\u00e7os.  <i> AE \u2013 Estes tempos deixaram-lhe marcas? JB \u2013<\/i> Cresci naquele ambiente. Em minha casa assinava-se o jornal \u00abNovidades\u00bb. A R\u00e1dio n\u00e3o era t\u00e3o divulgada como hoje, no entanto habituei-me a ouvir as not\u00edcias: o avan\u00e7o dos Aliados (II Guerra Mundial). Estes j\u00e1 est\u00e3o a tantos quil\u00f3metros de Berlim&#8230; Acontecimentos que me marcaram. N\u00e3o viv\u00edamos em clima de guerra, mas com uma certa preocupa\u00e7\u00e3o.  <i> AE \u2013 Os seus pais eram assinantes do jornal \u00abNovidades\u00bb. Uma forma de evangelizar atrav\u00e9s da Comunica\u00e7\u00e3o Social? JB \u2013<\/i> Apesar de chegar com algum atraso, foi um instrumento muito \u00fatil de evangeliza\u00e7\u00e3o familiar. Era lido e apreciado. Aquilo que o jornal dizia \u2013 era, de certo modo, a voz das pessoas ligadas \u00e0 Igreja \u2013 era absorvido. Serviu para formar os meus pais, a mim e aos meus irm\u00e3os.  <i> AE \u2013 Sem esquecer que na altura existia a censura. JB \u2013<\/i> Eu n\u00e3o colocava esse problema.  <i> AE \u2013 Sendo da regi\u00e3o do Douro, n\u00e3o ajudavam nos trabalhos agr\u00edcolas? JB \u2013<\/i> \u00c0s vezes acompanhava o meu pai nas idas aos campos para contactar com os nossos assalariados. Gostava de ver os trabalhos agr\u00edcolas. Era um tempo de aprendizagem.  <b>Sacerdote<\/b> <i> AE \u2013 Passado esse tempo da juventude, foi ordenado sacerdote para a diocese de Lamego. JB \u2013<\/i> Fui ordenado no ano em que morreu o Papa Pio XII (1958). De seguida fui estudar para Roma \u2013 na Universidade Gregoriana \u2013 para preparar-me em Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica. Recordo, perfeitamente, da elei\u00e7\u00e3o do Papa Jo\u00e3o XXIII. Come\u00e7ou a ter novas formas de contacto com as pessoas e muito pr\u00f3ximo da gente de Roma. Uma vez foi \u00e0 universidade onde eu estava como aluno e mostrou muita proximidade.   <i> AE \u2013 E anunciou, no in\u00edcio do seu pontificado, o II Conc\u00edlio do Vaticano. JB \u2013<\/i> O an\u00fancio aparece logo ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo de Roma que deixou muita exig\u00eancia em v\u00e1rias \u00e1reas da Igreja. Na altura do Conc\u00edlio, eu j\u00e1 n\u00e3o estava em Roma, j\u00e1 tinha acabado os estudos.  <i> AE \u2013 Passados quarenta anos deste grande acontecimento eclesial, n\u00e3o estamos ainda atrasados na sua aplica\u00e7\u00e3o? JB \u2013<\/i> Em muitas coisas estamos. At\u00e9 mesmo na consci\u00eancia de sermos membros da Igreja. Na consci\u00eancia de um laicado respons\u00e1vel e coerente. Temos de continuar a lutar, n\u00e3o para um novo conc\u00edlio, mas para que este se consiga implantar em todos os meios.  <i> AE \u2013 Nota-se que sente nostalgia de Jo\u00e3o XXIII.  JB \u2013<\/i> Era uma Papa muito simp\u00e1tico e muito pr\u00f3ximo. Assisti \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o e estava na Pra\u00e7a de S. Pedro quando apareceu fumo branco. Contemplei com os meus olhos esta realidade. Vibrei com aquele acontecimento.  <i> AE \u2013 Depois da sua forma\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica voltou para a diocese que o viu nascer. JB \u2013<\/i> Vim para o Semin\u00e1rio. Fazia parte da equipa formadora como reitor e bastante mais tarde assumi a responsabilidade do Semin\u00e1rio. Depois fui Vig\u00e1rio Episcopal para os Leigos, Vig\u00e1rio Geral-Adjunto e Vig\u00e1rio Geral. Tamb\u00e9m fui p\u00e1roco.  <i> AE \u2013 A quest\u00e3o dos leigos e da fam\u00edlia sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o da sua parte? JB \u2013<\/i> Sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o que tive. Jo\u00e3o Paulo II dizia que uma aut\u00eantica pastoral da Igreja tem de ser uma pastoral familiar.  <i> AE \u2013 Apesar da forma\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria nunca exerceu a actividade docente? JB \u2013<\/i> Fui professor de hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica no semin\u00e1rio. Nos estudos escolhi a parte moderna da hist\u00f3ria.  <i> AE \u2013 Nunca se dedicou \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o? JB \u2013<\/i> Em Roma, sim. Em Portugal, n\u00e3o.  <i> AE \u2013 Perdeu-se um padre professor e ganhou-se um padre pastor. JB \u2013<\/i> \u00c9 a realidade da vida.  <B>Bispo<\/b> <i> AE \u2013 At\u00e9 que foi nomeado para bispo-auxiliar de Braga. Recorda-se desse momento? JB \u2013<\/i> Perfeitamente. Era bispo desta diocese, D. Am\u00e9rico Couto de Oliveira. Um dia, estava a dar uma aula no Semin\u00e1rio e recebo uma not\u00edcia a pedir-me para ir falar com certa urg\u00eancia com D. Am\u00e9rico. Ap\u00f3s a aula, passei pelo Pa\u00e7o Episcopal e D. Am\u00e9rico disse-me que a Nunciatura precisava de saber, at\u00e9 amanh\u00e3 de manh\u00e3, a minha resposta porque o Papa tinha-me nomeado para bispo-auxiliar de Braga. Fiquei muito ansioso&#8230;  <i> AE \u2013 E refugiou-se em ora\u00e7\u00e3o? JB \u2013<\/i> Passei por um convento dominicano de clausura e pedi-lhes: h\u00e1 uma inten\u00e7\u00e3o de responsabilidade que recomendava \u00e0 ora\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s.  <i> AE \u2013 E nasceu o sol do dia seguinte&#8230; JB \u2013<\/i> Recordo-me que quando cheguei ao Pa\u00e7o Episcopal, D. Am\u00e9rico j\u00e1 tinha recebido um telefonema da Nunciatura a perguntar pela resposta. Dei o meu sim com serenidade. Fui ordenado a 20 de Janeiro de 1996, festa do nosso padroeiro, S. Sebasti\u00e3o.  <i> AE \u2013 E partiu para Braga. JB \u2013<\/i> Estive l\u00e1 quatro anos. Foi uma experi\u00eancia muito rica.   <i> AE \u2013 A escola episcopal? JB \u2013<\/i> Todos foram excelentes professores. Trabalh\u00e1vamos em equipa.  <i> AE \u2013 Depois voltou \u00e0s suas ra\u00edzes? JB \u2013<\/i> \u00c9 verdade. Sinto-me acarinhado por estas gentes.  <i> AE \u2013 Mas existem dificuldades pastorais? JB \u2013<\/i> \u00c9 uma zona marcada pela interioridade e pela emigra\u00e7\u00e3o. Este processo migrat\u00f3rio voltou novamente. As pessoas v\u00e1lidas, do ponto de vista f\u00edsico e intelectual, procuram noutros lugares o meio para singrar na vida. H\u00e1 um envelhecimento cada vez mais acentuado.   <i> AE \u2013 Perante este cen\u00e1rio, conclui-se que a Igreja de Lamego evangeliza, essencialmente, a terceira idade. JB &#8211;<\/i> \u00c9 verdade. \u00c9 uma pastoral de terceira vida.  <i> AE \u2013 O que fazer para estancar estes fluxos migrat\u00f3rios? JB &#8211;<\/i> S\u00e3o necess\u00e1rios investimentos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esquecer que esta regi\u00e3o \u00e9 essencialmente rural.    <i> AE \u2013 E o turismo duriense? JB \u2013<\/i> A riqueza tur\u00edstica \u00e9 impar. \u00c9 um rio que serpenteia os montes. Temos tamb\u00e9m um rico patrim\u00f3nio art\u00edstico.  <i> AE \u2013 N\u00e3o esquecendo os mosteiros abandonados? JB \u2013<\/i> H\u00e1 uma vontade para recuperar estes mosteiros. N\u00e3o para voltarem a serem mosteiros, mas para inst\u00e2ncias tur\u00edsticas.  <i> AE \u2013 A desertifica\u00e7\u00e3o humana preocupa-o, mas disse, recentemente, que gostava que os seus leigos dessem a cara. Eles n\u00e3o d\u00e3o a cara por estes problemas? JB \u2013<\/i> Muitos n\u00e3o podem dar a cara porque t\u00eam uma certa idade. \u00c9 fundamental pol\u00edticas de valoriza\u00e7\u00e3o desta zona.  <i> AE \u2013 O D. Jacinto Botelho \u00e9 um bispo de gabinete ou de andar na rua? JB \u2013<\/i> A vida de um bispo \u00e9 estar em contacto com as comunidades. Gosto de estar pr\u00f3ximo das pessoas.  <i> AE \u2013 Nas celebra\u00e7\u00f5es dos seus 50 anos de sacerd\u00f3cio recebeu do munic\u00edpio de Moimenta da Beira a \u00abchave de ouro\u00bb. Ouro sacerdotal com chave de ouro? JB \u2013<\/i> O ouro \u00e9 o s\u00edmbolo da fidelidade. Oxal\u00e1 termine com a chave de fidelidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 15 de Agosto, completam-se 50 anos sobre a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal do Bispo de Lamego, D. Jacinto Botelho. Nascido a 11 de Setembro de 1935, na localidade de Prados de Cima (Moimenta da Beira), o prelado desfia as suas mem\u00f3rias em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA. 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