{"id":33598,"date":"2008-08-12T10:25:57","date_gmt":"2008-08-12T10:25:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/12\/testemunho-do-bispo-de-aveiro-sobre-d-manuel-de-almeida-trindade\/"},"modified":"2008-08-12T10:25:57","modified_gmt":"2008-08-12T10:25:57","slug":"testemunho-do-bispo-de-aveiro-sobre-d-manuel-de-almeida-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/testemunho-do-bispo-de-aveiro-sobre-d-manuel-de-almeida-trindade\/","title":{"rendered":"Testemunho do Bispo de Aveiro sobre D. Manuel de Almeida Trindade"},"content":{"rendered":"<p>Um sereno e brilhante rasto de luz <!--more--> Esta \u00e9 a express\u00e3o espont\u00e2nea que de imediato me aflora ao pensamento, entre a saudade e a gratid\u00e3o, para descrever o tempo e a vida do senhor D. Manuel de Almeida Trindade. De 1918 a 2008. Na travessia de um s\u00e9culo, quase por inteiro, e no limiar de um novo mil\u00e9nio, marcado pela esperan\u00e7a. Nada do s\u00e9culo XX lhe foi indiferente. Nada lhe foi estranho. A Igreja de Portugal n\u00e3o era o que hoje felizmente \u00e9 sem a sua lucidez, pondera\u00e7\u00e3o e coragem; sem a sua bondade, intelig\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o; sem a sua f\u00e9, testemunho e ac\u00e7\u00e3o. Guardo, desde h\u00e1 muito, dois belos testemunhos: o de um sacerdote, seu contempor\u00e2neo em Roma e condisc\u00edpulo na mesma Faculdade, mais tarde meu professor e reitor, e o de um bispo, seu aluno no Semin\u00e1rio de que ele acabava de ser nomeado reitor, hoje mestre e irm\u00e3o. Um e outro nele encontraram em momentos decisivos de determinantes op\u00e7\u00f5es o conselheiro l\u00facido, o confidente esclarecido e o esteio firme. A vida, aconchegada nas muitas qualidades que em todo o lado o distinguiram, f\u00ea-lo iniciar humanamente demasiado cedo para o habitual e para o comum todas as miss\u00f5es a que a Igreja o chamou: sereno e sem vangl\u00f3ria \u00e9, com apenas 16 anos, aluno brilhante da prestigiada e exigente Universidade Gregoriana, em Roma; jovem padre, \u00e9 convidado a assumir a delicada e complexa miss\u00e3o de reitor de um respeitado Semin\u00e1rio Maior; apenas bispo eleito faz a singular e marcante experi\u00eancia do Conc\u00edlio; regressado da primeira sess\u00e3o conciliar v\u00ea-se de imediato \u00e0 frente de uma jovem diocese, ainda n\u00e3o completamente refeita da morte s\u00fabita e prematura do seu segundo bispo. D. Manuel, pastor desejado de uma Igreja a viver o alvoro\u00e7o da juventude e o encanto do Conc\u00edlio, ensinou-nos com o seu modo inconfund\u00edvel de ser que s\u00f3 esta brisa conciliar, serena e renovadora, ao jeito do ar fresco, saud\u00e1vel e fecundo da manh\u00e3, traria a resposta necess\u00e1ria aos desafios pastorais da evangeliza\u00e7\u00e3o que diariamente surgiam no cora\u00e7\u00e3o de uma diocese rec\u00e9m-restaurada.        Sempre irmanado com Aveiro, foi pastor atento aos dinamismos sociais e aos valores culturais emergentes nos centros de decis\u00e3o de uma cidade empreendedora e de uma regi\u00e3o em crescimento e em progresso e que decididamente estiveram na g\u00e9nese de anunciadas e imperativas transforma\u00e7\u00f5es da sociedade portuguesa e delinearam o horizonte de liberdade do nosso pa\u00eds em busca do reencontro ansiado com a democracia e com a paz. Aveiro recebeu D. Manuel de Almeida Trindade como sempre o soube e saber\u00e1 fazer: com inesquec\u00edvel alegria e imensa esperan\u00e7a.  Havia circunst\u00e2ncias singulares que o tornavam mais pr\u00f3ximo de Aveiro e das suas gentes. Tinha o seu ber\u00e7o familiar em terras da Anadia e dali partira para o Semin\u00e1rio.  D. Manuel sentiu-se bem em Aveiro, com um v\u00ednculo forte, nunca rompido. Este gosto e esta idiossincrasia aveirenses s\u00e3o t\u00e3o naturais para os que aqui nascem e para os que aqui vivem e trabalham como a ria e como o mar em Aveiro. Basta conhecer a alma aveirense e ler os belos textos do nosso primeiro bispo. Em imagens pelos templos multiplicadas, em sinais impressos nos cora\u00e7\u00f5es e nas vidas que a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o de pastor espiritualmente tocou, em marcas inscritas em obras humanas edificadas e em monumentos materiais constru\u00eddos, em tantas iniciativas pastorais consistentes e duradouras, permanece connosco este ex\u00edmio mestre da f\u00e9 e pai espiritual que foi D. Manuel, que agora partiu ao encontro de Deus. Irm\u00e3o af\u00e1vel e acolhedor, D. Manuel procurou manifestar permanente solicitude por todos e afirmar uma fraterna aten\u00e7\u00e3o aos sacerdotes e seminaristas.  Humano e nobre em tudo, nunca esqueceu que era filho do povo simples, honesto, laborioso e crente. Desse povo que durante o dia ganha o p\u00e3o com o suor do rosto e \u00e0 noite agradece a Deus o p\u00e3o que reparte \u00e0 mesa. Com desvelo e ternura fala e escreve sobre a sua fam\u00edlia. Com enlevo e saudade evoca o seu ber\u00e7o em Monsanto da Beira e tra\u00e7a-nos em coloridas pinceladas de afecto familiar as raz\u00f5es que decidiram o regresso \u00e0s amadas terras bairradinas.  \u00c9 esta tel\u00farica empatia do semeador e esta b\u00ean\u00e7\u00e3o sagrada da fam\u00edlia que nenhum de n\u00f3s jamais esquece, que nos fazem bem, nos equilibram e nos rasgam horizontes de miss\u00e3o \u00e0 maneira das \u00e1rvores frondosas cujas ra\u00edzes v\u00e3o longe buscar a seiva que as alimenta e o h\u00famus s\u00f3lido que as fortalece.    Talvez este gosto pelas ra\u00edzes, ainda maior para quem t\u00e3o cedo, hoje dir\u00edamos demasiado cedo, se desapegou de Coimbra para ir ao encontro de Roma, lhe tenha acicatado mais o sentido da lucidez, do necess\u00e1rio equil\u00edbrio, da dimens\u00e3o universal, da consci\u00eancia cat\u00f3lica e do esp\u00edrito mission\u00e1rio que um servidor da Igreja deve ter. Sempre que a Igreja o chamou a uma miss\u00e3o ou a um servi\u00e7o, D. Manuel esteve presente: com a espont\u00e2nea apreens\u00e3o de um jovem seminarista a caminho de Roma em momentos dif\u00edceis da vida da Europa; com a alegria da esperan\u00e7a e da fidelidade de quem, com apenas vinte e dois anos, \u00e9 ordenado sacerdote; com a ilimitada generosidade, a exigir o total e permanente abandono nas m\u00e3os de Deus, de quem diz sim \u00e0 elei\u00e7\u00e3o episcopal; com a prudente serenidade de quem aceita o servi\u00e7o maior na Igreja de Portugal, que os seus irm\u00e3os bispos renovadamente lhe pedem. A exemplo de santa Joana, Padroeira de Aveiro, tamb\u00e9m D. Manuel fez de Aveiro \u201ca sua pequenina Lisboa\u201d, por onde passaram em tempos exigentes e determinantes da nossa hist\u00f3ria os caminhos certos da Igreja e de Portugal. \u00c9 tanto o que lhe devemos!   Viveu sempre de acordo com a Verdade e tudo nele era reflexo da Luz afirma na proximidade da mem\u00f3ria e na intensidade do afecto, de l\u00e1 longe nas terras distantes do Maranh\u00e3o, um dos padres desta diocese de Aveiro. Ao decidir regressar a Aveiro para aqui ser sepultado, D. Manuel cumpre a promessa feita na primeira sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 diocese e reafirma com este gesto o seu amor nunca rompido a esta terra e a sua doa\u00e7\u00e3o nunca subtra\u00edda a esta diocese, que nele teve um pastor exemplar e nele encontra agora uma b\u00ean\u00e7\u00e3o perene.  D. Manuel de Almeida Trindade \u00e9 para n\u00f3s bispos um exemplo de pastor com quem todos aprendemos, ouv\u00edamos em voz autorizada, na S\u00e9 Catedral, na solene e sagrada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica que se fez memorial vivo da P\u00e1scoa, certeza inabal\u00e1vel de Ressurrei\u00e7\u00e3o e sinal expressivo, digno e belo da comunh\u00e3o diocesana. Recordo e evoco a imagem de tranquilidade e de paz da hora da morte do senhor D. Manuel como se um sereno e brilhante rasto de luz naquele momento ali nascesse para iluminar, sempre e para sempre, a vida e a miss\u00e3o dos pastores e os caminhos de f\u00e9 e de evangeliza\u00e7\u00e3o da Igreja de Aveiro. Obrigado, senhor D. Manuel.  <i>+Ant\u00f3nio Francisco dos Santos Bispo de Aveiro <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um sereno e brilhante rasto de luz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,174,203,206,261,275],"class_list":["post-33598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-diocese-de-coimbra","tag-europa","tag-familia","tag-missoes","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}