{"id":33567,"date":"2008-08-08T13:10:26","date_gmt":"2008-08-08T13:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/08\/livros-companhia-para-ferias\/"},"modified":"2008-08-08T13:10:26","modified_gmt":"2008-08-08T13:10:26","slug":"livros-companhia-para-ferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/livros-companhia-para-ferias\/","title":{"rendered":"Livros: companhia para f\u00e9rias"},"content":{"rendered":"<p>Em tempo de f\u00e9rias, os livros s\u00e3o a companhia ideal. Cabem em qualquer bagagem, s\u00e3o uma ocupa\u00e7\u00e3o para os dias e um convite \u00e0 reflex\u00e3o, \u00e0 criatividade que pode levar o leitor a novas experi\u00eancias.   O programa Ecclesia falou com Maria Teresa Gonzalez, uma escritora muito conhecida entre o p\u00fablico juvenil, sobre o gostos pela leitura e pelos livros.   <i>Ecclesia -Tem no\u00e7\u00e3o que as pessoas n\u00e3o l\u00eaem ou n\u00e3o gostam de ler?  MTG &#8211;<\/i> Sobre os jovens n\u00e3o me queixo. O facto de h\u00e1 quase 20 anos, todas as semanas me deslocar a uma escola que trabalhou um livro que escrevi, faz-me pensar que se l\u00ea muito mais do que aquilo que as pessoas na realidade dizem.  H\u00e1 de facto pessoa que l\u00eaem pouco, ouras que ainda n\u00e3o adquiriam o gosto pela leitura, um gosto que deve ser adquirido logo na inf\u00e2ncia. De qualquer forma, n\u00e3o estou pessimista em rela\u00e7\u00e3o a esta mat\u00e9ria, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o aos jovens. H\u00e1 jovens que l\u00eaem muito, que se interessam pelos livros e essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual continuo a escrever ao ritmo que escrevo.    <i>Ecclesia &#8211; Como foi para si a descoberta do prazer de ler e de escrever?  MTG &#8211;<\/i> O prazer da leitura de hist\u00f3rias vem do contacto com o meu pai. O meu pai era um grande contador de hist\u00f3rias que incutiu nos cinco filhos um gosto enorme pelos livros. Diariamente contava-nos historias ou um excerto de um livro de aventuras. O gosto vem da\u00ed. Lembro-me de querer muito ir para a escola aprender a ler para poder ler todos os livros que estavam em minha casa. E come\u00e7ou a nascer em mim o gosto de contar hist\u00f3rias tal como o meu pai contava. Com nove anos, comecei a sentir a necessidade da escrita para os outros. Escrevia coisas para oferecer aos meus pais e \u00e0 minha fam\u00edlia. Mas sem imaginar que algum dia iria fazer disto a minha vida.  Quando existe algu\u00e9m da fam\u00edlia muito pr\u00f3ximo que tem connosco la\u00e7os de afecto profundos e nos transmite esse gosto pelas hist\u00f3rias e pelo livro, esse gosto entra naturalmente. E isto sem sacrif\u00edcio. Quando ou\u00e7o coment\u00e1rios sobre n\u00e3o gostarem de ler \u00e9 porque esse gosto n\u00e3o lhes foi incutido.   <i>Ecclesia &#8211; Recorda alguns textos que escrevia nessa altura?  MTG &#8211;<\/i> Normalmente eram poemas com ilustra\u00e7\u00f5es minhas. E \u00e9 o que menos fa\u00e7o actualmente, embora j\u00e1 o tenha feito para crian\u00e7as e jovens.   Tamb\u00e9m gostava muito de escrever cartas. Era uma forma privilegiada de comunicar, que eu desenvolvi, especialmente quando fui, como aluna interna para um col\u00e9gio, em \u00c9vora das Irm\u00e3s Doroteias. De facto a\u00ed entrei na fase epistolar e ganhei um gosto enorme pela escrita das cartas. E esse \u00e9 um gosto que actualmente se perdeu.   Habituei-me, quando \u00edamos de f\u00e9rias, escrever cartas \u00e0s pessoas da fam\u00edlia que ficavam. Era uma forma interessante de comunicar. Eu gostava de receber e de enviar cartas.   <i>Ecclesia &#8211; Normalmente todas as crian\u00e7as t\u00eam o prazer de ouvir hist\u00f3rias? MTG &#8211;<\/i> Penso que sim. E \u00e9 uma pena o facto de algumas crian\u00e7as n\u00e3o terem essa oportunidade. Recentemente escrevi um livro que fala disso &#8211; \u00abO Castelo dos livros\u00bb &#8211; e fala desse amor pela escrita e pelos livros. Aborda as crian\u00e7as a quem nunca ningu\u00e9m contou uma hist\u00f3ria. Isto \u00e9 uma perda enorme. O contar hist\u00f3ria \u00e0s crian\u00e7as \u00e9, n\u00e3o s\u00f3 uma forma de estreitar la\u00e7os, mas tamb\u00e9m de abrir os horizontes da imagina\u00e7\u00e3o e de aumentar o vocabul\u00e1rio.  <i>Ecclesia &#8211; \u00c9 tamb\u00e9m uma oportunidade para tamb\u00e9m os pais lerem? MTG &#8211;<\/i> Tamb\u00e9m. Porque h\u00e1 hist\u00f3rias que s\u00e3o interessantes para os pais. Sendo hist\u00f3rias infantis, n\u00e3o deixam de ser interessantes para os pais.  <i>Ecclesia &#8211; Este \u00e9 tamb\u00e9m um dos seus p\u00fablicos, os pais? MTG &#8211;<\/i> Sim. Pode ser muito interessante para os pais dar as suas \u00abachegas\u00bb no final da hist\u00f3ria, fazer as suas interpreta\u00e7\u00f5es ou acrescentarem o que entendem. A pessoa quando l\u00ea, pode fazer do livro o seu livro, l\u00ea-lo \u00e0 sua maneira, transmiti-lo \u00e0 sua maneira.   <i>Ecclesia &#8211; Nas f\u00e9rias, tamb\u00e9m escreve ou p\u00e1ra de escrever? MTG &#8211;<\/i> Paro de escrever, porque \u00e9 algo que fa\u00e7o durante o ano todo, praticamente todos os dias. Se tiver uma ideia que me parece interessante, fa\u00e7o um apontamento \u00e0 m\u00e3o, mas sem preocupa\u00e7\u00e3o.  O Ver\u00e3o \u00e9 um tempo em que leio. Leio durante o ano todo, mas habituei-me com o meu pai, ir \u00e0 Feira do Livro em Lisboa, comprar os livros para o Ver\u00e3o.  Era uma altura de grande entusiasmo comprar os livros que aguardavam pelo final das aulas para serem lidos. A descobertas dos livros foi sempre um grande prazer. E continua a ser, porque todos os anos volto \u00e0 Feira ou vou a livrarias trazer os meus livros.  Tenho tamb\u00e9m o privil\u00e9gio de ter amigos que escrevem e me oferecem os seus livros, que eu guardo com muito carinho e para saborear nas f\u00e9rias.  <i>Ecclesia &#8211; Que livros nos recomenda para as f\u00e9rias? MTG &#8211;<\/i> Come\u00e7o por recomendar um livro da escritora Margarida Fonseca Santos que, recentemente, ganhou o pr\u00e9mio liter\u00e1rio Manuel Teixeira Gomes. \u00c9 uma novela e chama-se \u201cO n\u00ba 11\u201d, porque \u00e9 o n\u00famero de um pr\u00e9dio onde vivem v\u00e1rias pessoas que n\u00e3o se encontram, cujas vidas n\u00e3o se cruzam, at\u00e9 ao dia em que falta a electricidade e acontecem v\u00e1rias perip\u00e9cias.   De Maria Isabel Mendon\u00e7a Soares recomendo um livro de pequenas biografias sobre grandes portugueses. Desde Garcia de Orta, Rainha Santa Isabel, Pedro Nunes, entre outros.  E recomendo \u00abDo tempo livre \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do tempo\u00bb que \u00e9 uma reflex\u00e3o muito interessante feita pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. Normalmente quando se fala de tempo livre, associa-se aos jovens e \u00e0s crian\u00e7as, porque \u00e9 preciso ocupar o seu tempo para que d\u00ea frutos. Mas tamb\u00e9m os adultos deveriam pensar assim.   Refiro-me, por exemplo, \u00e0 experi\u00eancia de voluntariado que \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria tanto \u00e0s pessoas que o fazem, como \u00e0s pessoas que precisam desse servi\u00e7o.  Lan\u00e7o um apelo, n\u00e3o s\u00f3 aos jovens mas tamb\u00e9m aos adultos, que no seu tempo livre se possam inteirar sobre alguma experi\u00eancia de voluntariado, no s\u00edtio onde vivem, porque \u00e9 enriquecidor aproveitar o nosso tempo livre e partilh\u00e1-lo com algu\u00e9m que precisa.    Nos \u00faltimos sete anos fui volunt\u00e1ria junto das Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, em servi\u00e7o \u00e0 pessoa com defici\u00eancia profunda e com doen\u00e7a mental. As Irm\u00e3s e os Irm\u00e3os promovem campos de f\u00e9rias para jovens que queiram fazer esta experi\u00eancia, de ir ao encontro do outro, que tem necessidade de aten\u00e7\u00e3o e afecto, mas tem muito para dar. \u00c9 uma experi\u00eancia poss\u00edvel nestas alturas de Ver\u00e3o.   <i>Ecclesia &#8211; Os seus trabalhos s\u00e3o fruto de uma experi\u00eancia pessoal? MTG &#8211;<\/i> Sim, at\u00e9 agora nunca escrevi nada que n\u00e3o nascesse do contacto e da minha experi\u00eancia pessoal com os outros. Da experi\u00eancia pessoal de voluntariado nasceu o livro \u00abOs p\u00e9s que anunciam a paz\u00bb mas tamb\u00e9m um outro, que \u00e9 uma homenagem aos volunt\u00e1rios e tamb\u00e9m \u00e0s fam\u00edlias das pessoas com doen\u00e7a mental. Esse livro chama-se \u00abVoa comigo\u00bb.   <i>Ecclesia &#8211; Os livros significam uma evas\u00e3o, mas s\u00e3o tamb\u00e9m a possibilidade do in\u00edcio de uma nova experi\u00eancia&#8230; MTG &#8211;<\/i> Essa \u00e9 precisamente a ideia, de que os livros possam ser o in\u00edcio de uma reflex\u00e3o, mesmo n\u00e3o sendo ensaios filos\u00f3ficos. Devem ser um ponto de reflex\u00e3o onde se come\u00e7a por fazer sil\u00eancio interior e procurar descobrir o que cada um pode fazer, agora que se \u00e9 enriquecido por uma ideia nova.   <i>Ecclesia &#8211; A intensidade com que escreve vem do contacto com os outros, com as hist\u00f3rias da vida real. Quando anda na rua percebe linhas de futuros livros? MTG &#8211;<\/i> Percebo isso nos encontro com os outros. Nas escolas, no encontro com os jovens, naquilo que eles me escrevem. Os jovens t\u00eam uma necessidade grande de desabafar e os jovens encontram nos meus livros pontos de identifica\u00e7\u00e3o. Chegam a pedir-me para escrever sobre situa\u00e7\u00f5es que os afectam. Sinto uma grande vontade e voca\u00e7\u00e3o em dar resposta a essas quest\u00f5es que param na cabe\u00e7a dos jovens e tamb\u00e9m na minha, pois escrevo para tentar entender algumas coisas que se passam na nossa vida, por vezes dif\u00edceis de compreender.   <i>Ecclesia &#8211; O p\u00fablico juvenil adv\u00e9m da sua experi\u00eancia como professora? MTG &#8211;<\/i> Sim. Fui durante 15 anos professora, sobretudo de l\u00edngua portuguesa e vem da\u00ed, do contacto muito directo com o p\u00fablico juvenil, e a necessidade de escrever para eles. Tem dado bom resultado e sinto-me muito grata ao trabalho que tem sido feito nas escolas, aos professores, aos jovens que divulgam o meu trabalho junto dos colegas, que \u00e9 a melhor divulga\u00e7\u00e3o que pode haver para um autor que escreve para jovens.   <i>Ecclesia &#8211; O seu livro \u00abA lua de Joana\u00bb esteve em palco alguns meses. A ida ao teatro \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de ocupa\u00e7\u00e3o do tempo e, neste caso, abordando um universo que toca muito os jovens? MTG &#8211;<\/i> Gosto muito de teatro e estou muito grata \u00e0s pessoas que t\u00eam feito dos meus livros, ocasi\u00f5es extraordin\u00e1rias de conv\u00edvio e momentos muito interessantes. \u00c9 um complemento fort\u00edssimo do meu trabalho. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempo de f\u00e9rias, os livros s\u00e3o a companhia ideal. Cabem em qualquer bagagem, s\u00e3o uma ocupa\u00e7\u00e3o para os dias e um convite \u00e0 reflex\u00e3o, \u00e0 criatividade que pode levar o leitor a novas experi\u00eancias. 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