{"id":334997,"date":"2024-07-28T09:31:28","date_gmt":"2024-07-28T08:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=334997"},"modified":"2024-07-26T11:54:14","modified_gmt":"2024-07-26T10:54:14","slug":"portugal-igreja-tem-de-dar-um-salto-significativo-na-aproximacao-a-juventude-hugo-monteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-igreja-tem-de-dar-um-salto-significativo-na-aproximacao-a-juventude-hugo-monteiro\/","title":{"rendered":"Pastoral Juvenil: \u00abH\u00e1 uma grande dificuldade, principalmente por causa da linguagem\u00bb &#8211; Hugo Monteiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Quase um ano depois do arranque da Jornada Mundial da Juventude 2023, que mobilizou centenas de milhares de jovens portugueses, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o coordenador-geral do Servi\u00e7o Diocesano da Juventude de Coimbra<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-334998 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187.jpg\" alt=\"\" width=\"1512\" height=\"1512\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187.jpg 1512w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187-260x260.jpg 260w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187-150x150.jpg 150w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187-768x768.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187-300x300.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG_20230724_212500_187-500x500.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 1512px) 100vw, 1512px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/p>\n<p><em>Este novo servi\u00e7o congrega v\u00e1rios departamentos relacionados com a juventude e est\u00e1 a funcionar desde janeiro. Sentiu a sua nomea\u00e7\u00e3o como um sinal de confian\u00e7a do bispo diocesano no trabalho que foi feito, nos \u00faltimos anos, particularmente na prepara\u00e7\u00e3o da JMJ?<\/em><\/p>\n<p>Este Servi\u00e7o Diocesano da Juventude, quando apareceu, ou quando surgiu, ou quando come\u00e7ou a ser falado na nossa diocese de Coimbra, ainda a Jornada n\u00e3o tinha acontecido. Houve este cuidado, eu, juntamente com o senhor Bispo, porque eu era o coordenador do Comit\u00ea Organizador Diocesano para a Jornada Mundial da Juventude aqui em Coimbra, de falarmos, antes da Jornada acontecer, sobre o futuro. E isso era muito importante porque eu tive a sorte de viver duas Jornadas Mundiais da Juventude e j\u00e1 sabia, \u00e0 partida, e pelo que estava a acontecer, como \u00e9 que iria ser. Ia ser tudo muito bom, e depois acabou por ser.\u00a0 Mas neste entusiasmo que \u00edamos ter na jornada era importante, antes, come\u00e7armos a pensar no futuro, porque depois, se calhar, j\u00e1 est\u00e1vamos a perder tempo. Ent\u00e3o pensamos que, num p\u00f3s-JMJ, deveria haver aqui uma reconfigura\u00e7\u00e3o, deveria haver aqui um novo impulso, uma nova linguagem, uma nova estrutura diocesana. E foi assim que tivemos reuni\u00f5es com v\u00e1rios departamentos da diocese ligados \u00e0 juventude, onde est\u00e1 a juventude, nomeadamente a parte da Pastoral Juvenil, a parte da Pastoral do Ensino Superior, a parte da Pastoral da Catequese, especialmente os \u00faltimos anos de Catequese de Inf\u00e2ncia, no nono e d\u00e9cimo ano, a parte da educa\u00e7\u00e3o moral e religiosa, a parte tamb\u00e9m das voca\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m a parte dos v\u00e1rios movimentos que existem na diocese de Coimbra, reunimos e fal\u00e1mos um bocadinho.\u00a0\u00a0E \u00e9 da\u00ed que surge esta ideia de uma nova estrutura chamada Servi\u00e7o Diocesano da Juventude. E este Servi\u00e7o Diocesano, ligado a v\u00e1rios projetos, quer congregar todos estes movimentos, todos estes secretariados, todos estes servi\u00e7os que existem na diocese ligados \u00e0 juventude. Estamos numa fase muito inicial, mas quando come\u00e7\u00e1mos a falar nisto saiu o convite para eu liderar o processo. N\u00e3o foi f\u00e1cil dizer que sim, porque a Jornada Mundial da Juventude consumiu-me e de que maneira, ainda por cima como mission\u00e1rio ou como volunt\u00e1rio, porque n\u00f3s na nossa Igreja de Portugal trabalhamos muito pelo voluntariado, n\u00e3o \u00e9? E ent\u00e3o consumiu-me muito desde 2019. Ent\u00e3o tive de pensar, tive de falar em casa, teve de ser, teve de haver aqui uma conversa, e depois aceitei este convite do senhor bispo. Fiquei muito feliz por ele acreditar. Isto \u00e9 demonstrar que gostou do que aconteceu, que realmente valeu a pena, e eu acho que sim, que valeu muito a pena, e acho que h\u00e1 muito, muito para fazer, muito mesmo, e que poder\u00edamos fazer muito mais, e penso que podemos fazer muito mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 vamos falar do que \u00e9 que h\u00e1 para fazer, mas deixe-me antes perguntar-lhe se a ideia tamb\u00e9m \u00e9 expressar que todos, sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o bem-vindos e chamados a participar ativamente?<\/em><\/p>\n<p>Este todos, todos, todos, que o Papa Francisco falou t\u00e3o bem e t\u00e3o alto, e nos chamou a pedir para repetir, e que agora se fala tanto neste todos, todos, todos, \u00e9 uma grande responsabilidade para todos n\u00f3s. Porque o todos, todos, todos n\u00e3o \u00e9 dizer s\u00f3 que contamos com todos. N\u00e3o. \u00c9 coloc\u00e1-los c\u00e1, \u00e9 ir ao encontro deles, \u00e9 abrir-lhes as portas, dar-lhes espa\u00e7o, e isso \u00e9 muito dif\u00edcil.\u00a0 \u00c9 muito dif\u00edcil porque, primeiro de tudo, somos ainda uma Igreja muito fechada, muito conservadora em alguns pormenores. Sendo que a mensagem vem de uma Jornada Mundial da Juventude, a n\u00f3s desperta-nos logo. A n\u00f3s e a todos, principalmente aos senhores bispos. isto diz-nos que temos de ir ao encontro de todos, todos, todos. Eu costumo dizer que fazemos um erro muito grande na Igreja, que \u00e9 medir a f\u00e9 de cada um. Parece que \u00e0s vezes temos um medidor de f\u00e9, n\u00e3o sei se isso tem um nome, em sabermos a f\u00e9 de cada um. N\u00e3o, este todos, todos, todos \u00e9 perceber que somos todos diferentes, e \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a maior riqueza, \u00e9 esta diferen\u00e7a que depois nos pode unir em Jesus Cristo.\u00a0Isso \u00e9 um desafio \u00fanico, um desafio incr\u00edvel, que sim, que temos de dar esses passos concretos para ir ao encontro de todos, e sem qualquer tipo de problemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando foi criado este servi\u00e7o, assumiu como objetivo tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os locais da juventude em cada unidade pastoral da diocese de Coimbra. Pergunto como \u00e9 que tem corrido este projeto e o que \u00e9 que j\u00e1 tem sido poss\u00edvel agregar?<\/em><\/p>\n<p>Estes servi\u00e7os locais da juventude est\u00e3o a ser criados, j\u00e1 existem cerca de 10. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque s\u00e3o sempre estruturas completamente novas. A ideia tamb\u00e9m \u00e9 a pr\u00f3pria diocese de Coimbra conseguir estar mais presente localmente, o que aconteceu muito na jornada, at\u00e9 por uma necessidade, por uma necessidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na peregrina\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos tamb\u00e9m, imagino?<\/em><\/p>\n<p>Isso foi ent\u00e3o uma grande loucura, mas esta necessidade de irmos ao local, mesmo a casa das pessoas que n\u00f3s muitas vezes nem conhecemos. Esta necessidade de termos uma data numa Jornada Mundial da Juventude, esta necessidade de termos fam\u00edlias, porque vinham milhares de peregrinos para a diocese de Coimbra nos dias da diocese. Esta necessidade obrigou a Igreja de Coimbra a ter de caminhar a outra velocidade. Agora, n\u00e3o h\u00e1 essa necessidade, porque n\u00f3s n\u00e3o temos essas datas, e este servi\u00e7o local da juventude \u00e9 aproveitar um bocadinho este background que houve nesta jornada, e tamb\u00e9m poder estruturar um pouco a parte pastoral da juventude localmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em Coimbra, a diocese tem-se mostrado empenhada em n\u00e3o desbaratar a energia, o efeito, o balan\u00e7o, o que quisermos chamar; que a jornada promoveu. O bispo prop\u00f4s \u00e0 diocese a realiza\u00e7\u00e3o do primeiro S\u00ednodo dos jovens.\u00a0 A iniciativa vai poder aferir o envolvimento da juventude de Coimbra na constru\u00e7\u00e3o da Igreja?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Tem de conseguir, tem de conseguir. Tivemos a reuni\u00e3o zero. Eu chamo-lhe reuni\u00e3o zero, que \u00e9 aquela reuni\u00e3o para desconhecermos, e tem de conseguir. Este s\u00ednodo dos jovens que o senhor bispo lan\u00e7ou, esta vontade que n\u00f3s acolhemos muito bem, tem de ir pedir, se for mesmo necess\u00e1rio ir pedir, aos jovens que os jovens digam abertamente o que pensam. As dificuldades, o que acham, o que \u00e9 que deveria ser diferente, como \u00e9 que \u00e9 a sua f\u00e9, o que \u00e9 que o afasta, o que \u00e9 que o aproxima, mas temos de ir, temos de ir ao encontro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que temperatura \u00e9 que tem sentido?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ainda agora come\u00e7amos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma temperatura que eu verifiquei, mas tamb\u00e9m est\u00e1vamos \u00e0 espera, tivemos uma jornada em que isto aqueceu e de que maneira, \u00e9 natural que a seguir se verificasse um resfriado. N\u00e3o estar\u00edamos a contar certamente que \u00edamos estar com a temperatura em alta, isso era imposs\u00edvel. Mas neste resfriar \u00e9 muito importante percebermos que tudo o que aconteceu, tudo o que n\u00f3s vivemos, temos de dar uma solidez para podermos ter uma pastoral da juventude, ou uma pastoral juvenil, forte, com presen\u00e7a de juventude e com voz da juventude. Muitas vezes tiramos-lhe a voz. Eu ainda ontem confidenciava com um amigo esta preocupa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s queremos os jovens, e dizemos aos jovens, venham c\u00e1, venham c\u00e1 fazer isto! Mas se calhar n\u00e3o \u00e9 o que eles querem fazer.<\/p>\n<p>Este s\u00ednodo dos jovens, com uma equipa completamente feita por jovens, entre os 15 e os 30 anos, que saiba escutar e preparar depois um documento final, mas que saiba escutar a juventude. E estou a falar daqueles muito praticantes, daqueles pouco praticantes, daqueles que n\u00e3o s\u00e3o praticantes, mas principalmente a juventude. Para que possam sair resultados. N\u00f3s se queremos fazer um s\u00ednodo \u00e9 porque queremos resultados, queremos escutar para haver resultados concretos. Ontem fal\u00e1vamos um bocadinho, isto dever\u00e1 demorar cerca de dois anos, dois anos e meio, para poder ser algo consolidado, algo com qualidade, que tamb\u00e9m d\u00ea valor e depois tamb\u00e9m algo em que as pessoas se revejam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu vou convid\u00e1-lo agora a alargar um bocadinho o olhar para o que \u00e9 a realidade nacional. Na \u00faltima semana o Patriarca de Lisboa, a respeito deste anivers\u00e1rio, disse que a JMJ gerou uma maior proximidade com as novas gera\u00e7\u00f5es. Estamos a saber capitalizar essa proximidade?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil, essa \u00e9 uma pergunta muito dif\u00edcil. Nunca percebi muito bem porque \u00e9 que n\u00f3s queremos separar a Igreja por faixas et\u00e1rias.\u00a0 \u00c9 demasiado. Temos as crian\u00e7as, temos os jovens, temos os adultos\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sim, \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o, efetivamente&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Para mim \u00e9 errada, completamente errada. Numa comunidade ativa, com dinamismos concretos, a juventude tamb\u00e9m se aproxima. Uma comunidade com uma juventude ativa, com grande dinamismo, a comunidade toda se aproxima. Vimos na Jornada Mundial da Juventude. Bastou andar por l\u00e1 para perceber que n\u00e3o eram todos jovens naquela casa que foram mais convidados, entre os 15 e os 30 anos.\u00a0 N\u00e3o, havia pessoas de outras idades. Para dizer que esta divis\u00e3o depois cria um bocadinho de obst\u00e1culos e torna as coisas mais dif\u00edceis. E a juventude tamb\u00e9m come\u00e7a a pensar, mas afinal, isto \u00e9 para mim? N\u00e3o \u00e9? Isto \u00e9 logo \u00e0 partida uma dificuldade. E depois a n\u00edvel nacional, devia haver, e a\u00ed sinto uma grande dificuldade, devia haver uma linguagem \u00fanica, de entusiasmo a n\u00edvel nacional, bem trabalhada. Algo que aconteceu muito na Jornada e algo que n\u00e3o sei se agora est\u00e1 a acontecer tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sente que o bal\u00e3o, desculpe a imagem, mas sente que o bal\u00e3o de alguma forma esvaziou depois do dia 6 de agosto?<\/em><\/p>\n<p>Mas ele tinha de esvaziar. Isto n\u00e3o t\u00ednhamos hip\u00f3tese nenhuma. Ele tinha de esvaziar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O problema \u00e9 como \u00e9 que voltamos a encher?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Isso \u00e9 grande dificuldade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-335000\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IMG-20230808-WA0007.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Mas n\u00e3o tem a sensa\u00e7\u00e3o que esvaziou demasiado depressa?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tenho um bocadinho a sensa\u00e7\u00e3o disso, mas ele tinha de esvaziar. \u00c9 assim, n\u00f3s temos a certeza que ele tinha de esvaziar.\u00a0 Agora, temos de saber trabalhar para ele encher. E para ele encher n\u00f3s n\u00e3o podemos andar a trabalhar, eu digo muito isto, por quintinhas, costumo dizer isto. N\u00e3o. Tem de haver um trabalho muito nacional de mensagem, de comunica\u00e7\u00e3o; a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, de envolvimento, de eventos.\u00a0 A Jornada quer se queira, quer n\u00e3o, foi um grande evento. E os jovens precisam sentir que tamb\u00e9m est\u00e3o a ser convidados para grandes momentos, que sejam bem trabalhados, bem organizados. Se n\u00e3o s\u00e3o absolvidos por tudo. Neste momento h\u00e1 tanta oferta, que se n\u00e3o for algo que verdadeiramente toque, que seja bem preparado, que haja um bom caminho, bem organizado, dificilmente conseguimos cativar a juventude. Isto \u00e9 uma responsabilidade muito grande da Igreja portuguesa.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>A Diocese de Coimbra celebrou em abril o in\u00edcio de uma nova peregrina\u00e7\u00e3o junto dos jovens com a r\u00e9plica da cruz peregrina da Jornada Mundial da Juventude. \u00c9 um esfor\u00e7o de retomar a din\u00e2mica que se viveu nas v\u00e1rias comunidades, aquando do encontro do ano passado?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o queremos fazer igual. A peregrina\u00e7\u00e3o que houve com os s\u00edmbolos da JMJ foi \u00fanica porque \u00edamos, pela primeira vez, ter no nosso pa\u00eds a Jornada Mundial da Juventude. Esta cruz, esta r\u00e9plica da cruz, \u00e9 para fazer momentos concretos, n\u00e3o para relembrarmos sempre a Jornada Mundial da Juventude, mas para ter miss\u00f5es concretas agora, de futuro. Porque sen\u00e3o estamos sempre a falar do mesmo e n\u00e3o damos passos em frente.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Mas entra nessa l\u00f3gica, de que estava a falar, de criar iniciativas que mobilizem os jovens\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exato, que mobilizem, mas que sejam iniciativas concretas e que eles se revejam. E o jovem que carrega aquela cruz, que se reveja no significado daquela cruz. N\u00e3o s\u00f3 o que aconteceu, mas tamb\u00e9m o que podemos ainda viver, o que podemos ainda fazer.<\/p>\n<p>Queremos criar um dinamismo tamb\u00e9m com esta cruz, na parte do voluntariado, na parte de ir ao encontro dos mais necessitados, de regressar \u00e0s comunidades, mas de uma forma diferente. Porque j\u00e1 n\u00e3o estamos em prepara\u00e7\u00e3o para a Jornada, estamos numa prepara\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para termos esta Igreja viva nas nossas comunidades, o que \u00e9 muito dif\u00edcil. E que esta cruz peregrina, esta r\u00e9plica, sirva tamb\u00e9m para isso. Ela agora no ver\u00e3o est\u00e1 a descansar\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 um ano, por esta altura, Coimbra recebia cerca de 14 mil peregrinos, nos Dias na Diocese, uma experi\u00eancia que se viveu de norte a sul do pa\u00eds. Que impacto \u00e9 que esta presen\u00e7a, esta experi\u00eancia internacional deixou nas comunidades cat\u00f3licas?<\/em><\/p>\n<p>Por Coimbra, na Jornada, passaram cerca de 25 mil pessoas, porque tivemos a realidade dos inscritos, nos Dias na Diocese, quase 15 mil, e tivemos muitos que vieram de passagem, porque queriam passar e conhecer Coimbra. Tivemos algumas congrega\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estavam inscritas porque tinham os seus pr\u00f3prios programas. Ali\u00e1s, na semana da Jornada em Lisboa, falavam muito de Coimbra, \u201co que \u00e9 que se passa aqui em Coimbra, que est\u00e3o aqui tantos peregrinos, que continuaram a passar?\u201d. Foi muito bonito, foi incr\u00edvel. E o que \u00e9 que isto fez? Digo-o sem problema: aproximou-nos muito da sociedade. Perceberam que realmente \u00e9 algo muito especial, a Jornada foi algo muito especial, e as portas da sociedade escancararam-se. Falo de c\u00e2maras municipais, de associa\u00e7\u00f5es, de universidades, de escolas, abriram-se para esta Jornada, abriram-se e eu nunca senti nada assim, porque se abriram sem qualquer problema. Acolheram todas as nossas propostas, tudo o que n\u00f3s ped\u00edamos, todo o envolvimento. Envolviam-se e diziam que sim, que queriam fazer parte. Claro, quando chegamos \u00e0quela altura e chegaram estes milhares de peregrinos, viram que realmente valeu a pena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Coimbra tem um desafio particular, dada a sua rela\u00e7\u00e3o com a universidade. \u00c9 um campo privilegiado de a\u00e7\u00e3o pastoral na \u00e1rea da juventude?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um campo que tem de ser muito bem trabalhado tamb\u00e9m, mas Coimbra tem uma riqueza muito grande nesta quest\u00e3o do Ensino Superior, porque todos os anos temos p\u00e3o novo, o forno est\u00e1 sempre a dar p\u00e3o novo, e isso \u00e9 uma grande riqueza que tem de ser muito bem trabalhada. A n\u00edvel pastoral tem havido alguma dificuldade, queremos ver se agora se consegue melhorar um bocadinho esta situa\u00e7\u00e3o, mas Coimbra tem essa riqueza, tem estes jovens estudantes que todos os anos entram na Universidade e que d\u00e3o outra for\u00e7a juvenil \u00e0 pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma grande dificuldade, principalmente por causa da linguagem. Os jovens, de ano para ano, t\u00eam linguagens diferentes e n\u00f3s temos de ter um cuidado enorme. Desculpem partilhar isto convosco: antes da pandemia, eu j\u00e1 tinha sido nomeado por causa da Jornada Mundial da Juventude, em 2019, fui falar a um lugar sobre redes sociais na Igreja, e falei sobre o Facebook &#8211; agora \u00e9 mais Instagram, mas na altura ainda falei no Facebook &#8211; e disse assim, \u201colhem, o Facebook tem um problema, n\u00f3s criticamos muito, a Igreja est\u00e1 l\u00e1 pouco, mas a Igreja tem de andar passos \u00e0 frente, quando o jovem chega l\u00e1, a Igreja j\u00e1 l\u00e1 est\u00e1, e n\u00f3s andamos sempre, quando \u00e9 preciso j\u00e1 l\u00e1 vamos\u201d\u2026 ainda fui criticado na altura por isso, foi cair a pandemia, e era toda a Igreja a utilizar o Facebook, por necessidade. Onde chegar, o jovem precisa que a Igreja j\u00e1 l\u00e1 esteja, seja nas redes sociais, seja na escola, seja na Universidade, que seja acolhido, que a Igreja saiba acolher. Temos uma dificuldade enorme em fazer isso, parece que estamos \u00e0 espera que aconte\u00e7a, para l\u00e1 irmos, \u00e9 tipo os inc\u00eandios, s\u00f3 quando chegar aquele patamar \u00e9 que l\u00e1 vamos. N\u00e3o, a Igreja tem de dar um salto significativo nesta aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 juventude, sen\u00e3o andamos sempre a falar do mesmo. A Jornada correu muito bem, porque t\u00ednhamos a data, t\u00ednhamos a data ali\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O processo sinodal lan\u00e7ado pelo Papa Francisco decorre desde 2021, depois do S\u00ednodo dedicado aos jovens em 2018. O pr\u00f3prio Papa diz que foi a\u00ed que nasceu esta ideia do S\u00ednodo sobre a sinodalidade: \u00e9 preciso valorizar o envolvimento das novas gera\u00e7\u00f5es nesta forma de ser Igreja que \u00e9 proposta por Francisco?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos de valorizar, integrando a juventude nas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 cham\u00e1-los, n\u00e3o podemos s\u00f3 chamar a juventude para estarem l\u00e1, que \u00e9 o que acontece. Perdoem, mas acontece muito isto. \u201cN\u00f3s temos aqui um grupo que avalia isto, somos 50, e s\u00e3o 10 jovens\u201d. E o que \u00e9 que vale a presen\u00e7a dos 10 jovens? \u00c9 importante darmos voz, mas respostas tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ouvi-los e ficar na gaveta. N\u00f3s temos de ir ao encontro e dar-lhes respostas e envolv\u00ea-los nas decis\u00f5es, sen\u00e3o andamos sempre com os mesmos problemas. N\u00f3s temos uma crise, sem ser na Igreja, de l\u00edderes da juventude, temos uma crise de l\u00edderes de jovens em Portugal, n\u00e3o sei se reparamos isso. Depois queixamo-nos que s\u00e3o sempre os mesmos, \u201cl\u00e1 vem aquele mais velho\u201d, e na Igreja tamb\u00e9m temos essa dificuldade, faltam os l\u00edderes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando s\u00e3o jovens tamb\u00e9m se queixam porque s\u00e3o demasiado jovens\u2026<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Desculpem, temos de ouvir os jovens, temos de lhes dar espa\u00e7o, temos de os deixar fazer, temos de deixar que as coisas aconte\u00e7am, sen\u00e3o vamos estar m\u00eas a m\u00eas, ano a ano a falar do mesmo &#8211; e daqui a uns tempos estamos a dizer que n\u00e3o jovens na Igreja, porque fica complicado assim. O Papa Francisco percebe isso, por isso \u00e9 que este S\u00ednodo \u00e9 fundamental neste momento e que haja bons resultados dele. Este S\u00ednodo dos Bispos, que em outubro ter\u00e1 a sua conclus\u00e3o\u2026 que haja bons resultados e que a Igreja portuguesa saiba ouvir e aplicar.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E vamos a caminho do Jubileu 2025, que prev\u00ea no seu programa um grande encontro de jovens em Roma. \u00c9 uma oportunidade especial para a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal de retomar caminhos lan\u00e7ados durante a prepara\u00e7\u00e3o da jornada?<\/em><\/p>\n<p>O Jubileu em Roma j\u00e1 devia estar a ser trabalhado desde o dia 7, 8, 9 de agosto de 2023.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o est\u00e1, ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Pois, eu tenho pouca informa\u00e7\u00e3o ainda do Jubileu, s\u00f3 pela parte l\u00e1 de Roma, mas a n\u00edvel nacional devia estar a ser muito trabalhado. Um Jubileu \u00e9 uma oportunidade \u00fanica. Ainda por cima, tendo n\u00f3s a Jornada Mundial da Juventude, onde o Papa Francisco nos convidou, convocou-nos localmente: vamos a Seul, mas antes temos de ir a Roma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 preciso arrepiar caminho? <\/em><\/p>\n<p>Muito. A minha m\u00e3e costuma dizer que \u201ctem de se dar ao chinelo\u201d. E n\u00f3s temos de andar muito para a frente, n\u00f3s temos de fazer muito mais. E tamb\u00e9m temos de ser muito mais profissionais, n\u00e3o podemos ser t\u00e3o volunt\u00e1rios no que acontece. N\u00f3s nunca far\u00edamos uma Jornada Mundial da Juventude se fosse por voluntariado. N\u00e3o t\u00ednhamos qualquer tipo de hip\u00f3tese, na sua organiza\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos de pensar muito mais alto, se queremos uma reforma estruturada e se queremos cativar a juventude de hoje. A juventude tem tanta coisa para se cativar, se a Igreja n\u00e3o percebe que tem de a cativar, tem de repensar, ent\u00e3o fica sempre muito dif\u00edcil, muito dif\u00edcil mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase um ano depois do arranque da Jornada Mundial da Juventude 2023, que mobilizou centenas de milhares de jovens portugueses, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o coordenador-geral do Servi\u00e7o Diocesano da Juventude de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":334998,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[],"class_list":["post-334997","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334997"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334997\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/334998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}