{"id":334957,"date":"2024-07-23T11:33:17","date_gmt":"2024-07-23T10:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=334957"},"modified":"2024-07-23T11:33:17","modified_gmt":"2024-07-23T10:33:17","slug":"a-cruz-escondida-283","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-cruz-escondida-283\/","title":{"rendered":"A cruz escondida"},"content":{"rendered":"<p><em>Irm\u00e3 em Timor-Leste fala do pa\u00eds que o Papa visita em Setembro<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-334963 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IR_CRISTINA_MACRINO-7-1024x577.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IR_CRISTINA_MACRINO-7-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IR_CRISTINA_MACRINO-7-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IR_CRISTINA_MACRINO-7-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IR_CRISTINA_MACRINO-7-1536x865.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/IR_CRISTINA_MACRINO-7.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<h4>\u00a0\u201cAinda existe muita fome\u201d<\/h4>\n<p>A Irm\u00e3 Cristina Macrino, uma enfermeira em miss\u00e3o em Bobonaro, faz, para a Funda\u00e7\u00e3o AIS, um retrato deste pa\u00eds cat\u00f3lico de l\u00edngua oficial portuguesa que o Papa vai visitar em Setembro. Um pa\u00eds marcado pelo subdesenvolvimento, onde a \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 escassa, a alimenta\u00e7\u00e3o pobre, as estradas m\u00e1s e onde h\u00e1 problemas ao n\u00edvel da sa\u00fade. No meio de tudo isto, receber o Papa, diz a religiosa, \u201c\u00e9 uma forma de aben\u00e7oar e de dar esperan\u00e7a ao povo\u2026\u201d<\/p>\n<p>\u201cFoi uma not\u00edcia praticamente hist\u00f3rica\u201d, diz a Irm\u00e3 Cristina Macrino, da congrega\u00e7\u00e3o das Reparadoras de Nossa Senhora de F\u00e1tima, sobre o an\u00fancio de que o Papa Francisco vai visitar Timor-Leste no in\u00edcio de Setembro deste ano no contexto de um p\u00e9riplo asi\u00e1tico que o levar\u00e1 tamb\u00e9m a Singapura, Papua Nova-Guin\u00e9 e Indon\u00e9sia. Timor-Leste \u00e9, nesta viagem, o pa\u00eds mais cat\u00f3lico que o Santo Padre vai encontrar. Mais cat\u00f3lico e, a par da Papua Nova-Guin\u00e9, tamb\u00e9m um dos mais pobres do mundo. A Irm\u00e3 Macrino, uma enfermeira em miss\u00e3o em Bobonaro, \u00e9 uma das respons\u00e1veis, desde 2012, por um centro social que apoia todos os dias cerca de 350 crian\u00e7as com alimenta\u00e7\u00e3o e actividades l\u00fadicas, al\u00e9m de trabalhar numa cl\u00ednica que presta apoio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local \u2013 cerca de 6 mil pessoas \u2013 mas tamb\u00e9m a todos os que vivem nas aldeias mais remotas. \u201cA aldeia onde estamos chama-se Memo, o bairro chama-se Pipgala, que significa cabrito assado na l\u00edngua materna, e \u00e9 de facto uma alegria vivermos aqui em miss\u00e3o.\u201d Uma alegria que agora ganha um novo alento com a visita anunciada do Santo Padre para os dias 6 a 9 de Setembro. \u201cJ\u00e1 come\u00e7ou a prepara\u00e7\u00e3o para essa visita\u201d, esclarece a irm\u00e3, acrescentando que todos est\u00e3o \u201cnuma grande ansiedade para viver este acontecimento de forma intensa, marcante, e com muita alegria\u201d, e na expectativa das \u201cmuitas b\u00ean\u00e7\u00e3os que vamos receber com toda a certeza\u201d. Para a Irm\u00e3 Cristina, receber o Papa significa tamb\u00e9m, e principalmente, \u201cdar esperan\u00e7a ao povo\u201d.<\/p>\n<h4>\u201cA sa\u00fade \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o\u201d<\/h4>\n<p>Mas que pa\u00eds vai o Papa Francisco encontrar nesta viagem? Que retrato se pode fazer de Timor-Leste? \u201cEste \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 em desenvolvimento, um pa\u00eds humanamente rico na f\u00e9 cat\u00f3lica, um pa\u00eds rico na beleza natural, um povo acolhedor, tranquilo, capaz de dar uma alegria tamb\u00e9m ao Papa porque ser\u00e1 muito bem recebido, com muito amor e muita alegria\u201d, diz a irm\u00e3 portuguesa, acrescentando que Timor-Leste \u00e9 ainda um pa\u00eds subdesenvolvido e isso \u00e9 vis\u00edvel em v\u00e1rios sectores. \u201cA \u00e1gua pot\u00e1vel, por exemplo, \u00e9 escassa apesar de haver ribeiras e rios. A sa\u00fade \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para o povo e para o Governo. A sa\u00fade \u00e9 fraca porque a nutri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 muito fraca. As pessoas t\u00eam poucos meios financeiros, passam dificuldades, o clima tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda, faz muito calor e, portanto, torna-se dif\u00edcil. Outro grande problema \u00e9 com os acessos para que as pessoas possam circular no pa\u00eds. Com as estradas ainda muito danificadas \u00e9 dif\u00edcil fazer grandes percursos e isso \u00e9 de facto um grande problema para Timor-Leste em termos de desenvolvimento\u201d, afirma a religiosa. A quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 outro dos problemas que a irm\u00e3 acentua, talvez pela sua sensibilidade como enfermeira e pelo seu contacto di\u00e1rio com as popula\u00e7\u00f5es. E fala mesmo em fome. \u201cAinda existe muita fome em Timor. As fam\u00edlias passam muito mal em termos de alimenta\u00e7\u00e3o. A base da alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 de facto o arroz, a hortali\u00e7a e pouco mais. Por isso existe ainda muita tuberculose aqui em Timor-Leste e muita gastroenterite nas crian\u00e7as e por isso ainda morrem muitas crian\u00e7as com diarreias e v\u00f3mitos. \u00c9 um problema que estamos todos a tentar resolver, mas est\u00e1 longe, est\u00e1 muito longe de se alcan\u00e7ar uma solu\u00e7\u00e3o, uma resolu\u00e7\u00e3o para este problema da fome e das necessidades nutricionais em Timor-Leste\u201d, explica Cristina Macrino.<\/p>\n<h4>\u201cUma emo\u00e7\u00e3o estar com o Papa\u201d<\/h4>\n<p>A visita do Papa Francisco poder\u00e1 ser um elemento catalisador para o desenvolvimento do pa\u00eds, para a resolu\u00e7\u00e3o de alguns destes problemas cr\u00f3nicos identificados pela religiosa portuguesa. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio trabalhar com esperan\u00e7a, trabalhar com amor, e trabalhar com essa certeza de que, todos juntos, podemos fazer um mundo melhor, todos juntos podemos fazer um Timor mais feliz, mais digno em cada casa, em cada fam\u00edlia, em cada distrito, em cada aldeia, em cada munic\u00edpio, em geral\u201d, diz a irm\u00e3. Se a visita do Santo Padre est\u00e1 a ser encarada com muita expectativa e at\u00e9 alguma ansiedade, como \u00e9 que Cristina Macrino v\u00ea a possibilidade de, ela pr\u00f3pria, poder encontrar-se pessoalmente com Francisco? Que lhe diria? \u201cN\u00e3o sei. Seria uma emo\u00e7\u00e3o muito grande se chegasse perto do Papa, \u00e9 verdade. Para Timor-Leste, pediria ora\u00e7\u00e3o, que rezasse pelo povo de Timor, para que nunca perca a sua f\u00e9, nunca perca a esperan\u00e7a, nunca perca a vontade de continuar a lutar por si, pela vida, por um pa\u00eds com mais capacidade para dar futuro ao futuro povo de Timor. N\u00e3o poderia pedir mais nada, n\u00e3o \u00e9? Tenho confian\u00e7a de que, ao olhar o Papa olhos nos olhos, ele iria escutar o meu pedido de ora\u00e7\u00e3o e penso que [isso] s\u00f3 por si j\u00e1 seria uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para o povo e pelo menos para a nossa miss\u00e3o e para o nosso povo, a quem servimos no dia-a-dia\u201d, diz a Irm\u00e3 Cristina Macrino. Timor-Leste \u00e9 um pa\u00eds profundamente cat\u00f3lico. Foi col\u00f3nia portuguesa at\u00e9 1975, tendo sido invadido e ocupado ent\u00e3o pela Indon\u00e9sia \u2013 ap\u00f3s uma declara\u00e7\u00e3o fugaz de independ\u00eancia \u2013, o que motivou uma longa luta de guerrilha at\u00e9 que ganhou a sua autodetermina\u00e7\u00e3o em 1999, sob o patroc\u00ednio das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o indon\u00e9sia, a popula\u00e7\u00e3o local foi duramente reprimida e muitos sacerdotes e religiosas arriscaram a vida para defender os cidad\u00e3os dos abusos militares. A declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia aconteceu a 20 de Maio de 2002, tornando-se ent\u00e3o no primeiro estado soberano deste s\u00e9culo. Esta ser\u00e1 a segunda visita papal ao territ\u00f3rio, depois da de Jo\u00e3o Paulo II, em 1989.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o AIS tem um contacto regular com a Igreja de Timor-Leste, apoiando dezenas de projectos h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3 em Timor-Leste fala do pa\u00eds que o Papa visita em Setembro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-334957","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334957","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334957\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}