{"id":334883,"date":"2024-07-22T12:10:52","date_gmt":"2024-07-22T11:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=334883"},"modified":"2024-07-22T14:54:51","modified_gmt":"2024-07-22T13:54:51","slug":"lusofonias-as-provocacoes-de-timothy-schmalz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/lusofonias-as-provocacoes-de-timothy-schmalz\/","title":{"rendered":"LUSOFONIAS &#8211; As provoca\u00e7\u00f5es de Timothy Schmalz"},"content":{"rendered":"<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-334884 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Lusofonias-Tymothy-Schmalz05-03-2024-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Lusofonias-Tymothy-Schmalz05-03-2024-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Lusofonias-Tymothy-Schmalz05-03-2024-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Lusofonias-Tymothy-Schmalz05-03-2024-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Lusofonias-Tymothy-Schmalz05-03-2024-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Lusofonias-Tymothy-Schmalz05-03-2024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>As obras falam mais dos seus autores do que as palavras que pronunciam ou escrevem. Isto aplica-se a livros, mas muito mais a pinturas e esculturas.<\/p>\n<p>Quando vou \u00e0 Pra\u00e7a de S. Pedro, aqui em Roma, fascino-me sempre com a grande escultura de Timothy Schmalz, a ocupar um espa\u00e7o lateral discreto, junto \u00e0 colunata de Bernini. Chama-se \u2018Anjos desconhecidos \u2018 (Angels Unawares \u2013 seguindo a Carta aos Hebreus 13,2) e foi inaugurada pelo Papa Francisco em setembro de 2019, por ocasi\u00e3o do 105\u00ba Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados. Muito se escreveu e continua a escrever sobre este monumental grupo escultural de bronze que apresenta 140 pessoas a viajar (talvez seja melhor dizer, \u2018a fugir!\u2019) no mesmo barco. H\u00e1 uma s\u00e9rie de elementos que saltam aos olhos de quem v\u00ea a escultura. Est\u00e3o ali retratadas com realismo pessoas de todas as idades, proveni\u00eancias e posses. Os rostos s\u00e3o muito expressivos, o mesmo se podendo dizer das roupas, cal\u00e7ado (ou falta dele!) e outros haveres que transportam, n\u00e3o faltando a presen\u00e7a de animais de estima\u00e7\u00e3o e brinquedos.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 400 anos que n\u00e3o se colocava nenhuma obra de arte na pra\u00e7a de S. Pedro e podemos imaginar a for\u00e7a que o papa Francisco teve de fazer para ali ser colocada esta est\u00e1tua que, digamos com frontalidade, destoa muito do cl\u00e1ssico estilo de Bernini! Mas este escultor canadiano \u00e9 um homem muito sens\u00edvel \u00e0s Obras de Miseric\u00f3rdia e tem colocado o seu enorme talento e criatividade ao servi\u00e7o do apelo por mais justi\u00e7a, paz e respeito pelos direitos humanos.<\/p>\n<p>Schmalz tem mais esculturas espalhadas por Roma e pelo mundo. Bastantes delas traduzem plasticamente as obras de miseric\u00f3rdia. Quem vai \u00e0 Bas\u00edlica de S. Paulo fora dos Muros encontra uma pequena escultura, \u00e0 sa\u00edda, com algu\u00e9m atr\u00e1s das grades de uma pris\u00e3o e a frase: \u2018Estava preso e visitaste-me!\u2019. No Trastevere, na Pra\u00e7a de Santo Eg\u00eddio, tem a provocadora est\u00e1tua de um sem abrigo a dormir num banco de jardim. S\u00f3 que, quando nos aproximamos, vemos que as m\u00e3os e os p\u00e9s t\u00eam as marcas dos pregos de Cristo na Cruz. Este \u2018Homeless Jesus\u2019 foi ali colocado para celebrar os 50 anos da funda\u00e7\u00e3o da Comunidade de S. Eg\u00eddio que tem desempenhado um papel relevante na pacifica\u00e7\u00e3o de muitos povos e no combate \u00e0 pobreza e suas causas. H\u00e1 quase uma centena de c\u00f3pias desta est\u00e1tua espalhadas pelo mundo inteiro.<\/p>\n<p>Outra est\u00e1tua que me obriga sempre a parar quando passo junto ao Hospital do Esp\u00edrito Santo, nas margens do Rio Tibre: \u2018Estava doente e foste visitar-me!\u2019 \u00e9 o t\u00edtulo. H\u00e1 uma pessoa doente, deitada numa cama, tamb\u00e9m com as marcas dos pregos da crucifica\u00e7\u00e3o, nas m\u00e3os e nos p\u00e9s.<\/p>\n<p>O Papa Francisco chamou a aten\u00e7\u00e3o do mundo inteiro para o drama de milh\u00f5es de migrantes e refugiados quando, durante a \u00faltima sess\u00e3o sinodal, convidou todos os participantes neste evento mundial para um momento especial de ora\u00e7\u00e3o junto \u00e0 est\u00e1tua de Schmalz na pra\u00e7a de S. Pedro, a 19 de outubro de 2023: \u2018<em>Nunca conseguiremos agradecer suficientemente a S\u00e3o Lucas por nos ter transmitido a par\u00e1bola do Bom Samaritano. A mesma est\u00e1 tamb\u00e9m no centro da Enc\u00edclica\u00a0\u2018<\/em><em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">Fratelli Tutti<\/a><\/em><em>\u2019<\/em><em>, porque \u00e9 uma chave, eu diria\u00a0a\u00a0chave, para passar do isolamento que sofre o mundo a um mundo aberto, dum mundo em guerra \u00e0 paz num mundo diferente. Escutamos a par\u00e1bola, esta tarde, pensando nos migrantes, aqui representados nesta grande escultura, com homens e mulheres das mais variadas idades e proveni\u00eancias; e, no seu meio, os anjos que os conduzem.<\/em><\/p>\n<p><em>A estrada, que levava de Jerusal\u00e9m a Jeric\u00f3, n\u00e3o era segura, tal como hoje n\u00e3o o s\u00e3o as numerosas rotas migrat\u00f3rias que atravessam desertos, florestas, rios, mares. Quantos irm\u00e3os e irm\u00e3s est\u00e3o, hoje, na mesma condi\u00e7\u00e3o daquele viandante da par\u00e1bola! Tantos! Quantos s\u00e3o roubados, espoliados e espancados no caminho! Partem enganados por traficantes sem escr\u00fapulos; depois s\u00e3o vendidos como mercadoria de interc\u00e2mbio. Acabam sequestrados, prisioneiros, explorados e reduzidos \u00e0 escravid\u00e3o. S\u00e3o humilhados, torturados, estuprados. E muitos, muitos, morrem, sem nunca chegar \u00e0 meta. As rotas migrat\u00f3rias do nosso tempo est\u00e3o cheias de homens e mulheres feridos e abandonados semimortos, cheias de irm\u00e3os e irm\u00e3s cujo sofrimento brada aos olhos de Deus. Com frequ\u00eancia, trata-se de pessoas que fogem da guerra e do terrorismo, como infelizmente temos visto nestes dias\u2019<\/em>.<\/p>\n<p>Schmalz descreve as suas esculturas como \u2018ora\u00e7\u00f5es visuais\u2019. E s\u00e3o-no, de facto, porque provocam quem as v\u00ea, convidando-as a aprofundar as fontes b\u00edblicas em que se inspiram. E mais: obrigam a refletir, a rezar e a mudar mentalidades e atitudes. Deixemos que a voz e as obras dos artistas falem alto e calem fundo. Eles ajudam o mundo a ser melhor.<\/p>\n<p><em>Tony Neves, em Roma<\/em><\/p>\n<div class=\"ast-oembed-container \" style=\"height: 100%;\"><iframe title=\"Spotify Embed: LUSOFONIAS - As provoca\u00e7\u00f5es de Timothy Schmalz \" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3UNUL4J1JySkkpjQ6xhJUL?si=ZEgKUibpRKGJj4iG3I95RA&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tony Neves, em Roma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":299394,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-334883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334883"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334883\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299394"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}