{"id":33440,"date":"2008-08-01T10:48:33","date_gmt":"2008-08-01T10:48:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/08\/01\/voluntariado-ser-voz-no-centro-de-africa\/"},"modified":"2008-08-01T10:48:33","modified_gmt":"2008-08-01T10:48:33","slug":"voluntariado-ser-voz-no-centro-de-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-ser-voz-no-centro-de-africa\/","title":{"rendered":"Voluntariado: Ser voz no centro de \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Susana Villas Boas partilha dois anos de miss\u00e3o e prepara-se para voltar para junto da sua fam\u00edlia africana <!--more--> Nascida em Portugal, o sotaque franc\u00eas trai Susana Villas Boas na conversa e na escolha das palavras. O franc\u00eas \u00e9 a l\u00edngua oficial da Rep\u00fablica Centro Africana, pa\u00eds onde esteve dois anos em miss\u00e3o.  O desejo de partir em miss\u00e3o \u201csempre esteve presente em mim\u201d, recorda Susana Villas Boas \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA. A escolha dos Leigos Mission\u00e1rios Combonianos aconteceu quando a jovem se confrontou com a frase do fundador que falava em \u201csalvar a \u00c1frica com a \u00c1frica\u201d. Longe de ser a viagem de um volunt\u00e1rio que parte para executar um servi\u00e7o, Susana queria ser uma mission\u00e1ria que \u201cvai para fazer com, estar com e ser parte com as pessoas na realiza\u00e7\u00e3o de algo\u201d.  Aos 24 anos surge o desafio de partir. A ideia foi \u201camadurecendo cada vez mais\u201d. Susana n\u00e3o concebia a \u201cideia de estar neste lado do mundo e ser feliz sem ajudar \u00e0 felicidade dos outros\u201d, principalmente quando as diferen\u00e7as do mundo surgem pela ac\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses desenvolvidos. \u201cSer voz dos que n\u00e3o t\u00eam voz pede uma atitude. \u00c9 pouco falar num mundo melhor se n\u00e3o se faz alguma coisa para que isso aconte\u00e7a\u201d, afirma convicta.  E o agir passa por \u201cestar junto das pessoas que v\u00eaem negados os seus direitos\u201d. A mission\u00e1ria reconhece que em Portugal h\u00e1 muito para fazer \u201cmas, tamb\u00e9m, muito quem ajude\u201d. Por isso, h\u00e1 que dar o passo \u201ce ir para junto de quem sofre as consequ\u00eancias das decis\u00f5es dos pa\u00edses desenvolvidos e chamar a aten\u00e7\u00e3o para a realidade dos pa\u00edses pobres\u201d.  Mo\u00e7ambique era o pa\u00eds mais falado durante a forma\u00e7\u00e3o que antecedeu a partida. Este foi o primeiro pa\u00eds onde os Leigos Mission\u00e1rios Combonianos marcaram presen\u00e7a.   A leiga mission\u00e1ria pedia para ser enviada para onde houvesse necessidade. \u201cEstava dispon\u00edvel para ir onde fosse preciso, mas sentia o apelo do centro da \u00c1frica, sem especificar o pa\u00eds\u201d. Estes seriam os pa\u00edses mais pobres e os que mais necessidades teriam de uma voz que os fizesse aparecer no mapa do mundo.   <b>Dois anos em \u00c1frica<\/b> Em 2006, Susana Villas Boas integrou um projecto em desenvolvimento pelos Leigos Mission\u00e1rios Combonianos espanh\u00f3is, mas que se tornou \u201cde forma natural, na primeira comunidade internacional de Leigos Mission\u00e1rios Combonianos\u201d. Mongoumba \u00e9 um local sem estruturas, sem religiosos, que conta apenas com os leigos. Na \u00e1rea da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, na promo\u00e7\u00e3o da mulher, nos direitos humanos, tudo \u00e9 gerido pela miss\u00e3o.  Os projectos dos Leigos Mission\u00e1rios Combonianos imp\u00f5em que as miss\u00f5es sejam realizadas por, no m\u00ednimo, dois anos, para \u201cdar a possibilidade de se desenvolver um projecto com as pessoas. A ideia n\u00e3o \u00e9 executar um servi\u00e7o, mas estar com as pessoas\u201d, lembra a mission\u00e1ria.  A informa\u00e7\u00e3o sobre a Rep\u00fablica Centro Africana \u00e9 muito escassa. Antes da partida Susana pesquisou na Internet e encontrou \u201clindas teorias distantes da realidade\u201d, nomeadamente informa\u00e7\u00e3o sobre os bantus (etnia) e os seus ritos de inicia\u00e7\u00e3o. Mas a realidade mostrou que os ritos de inicia\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o existem h\u00e1 algum tempo e os valores culturais sofreram uma muta\u00e7\u00e3o. \u201cSente-se ainda uma forte presen\u00e7a da coloniza\u00e7\u00e3o e com a altera\u00e7\u00e3o de valores as pessoas sentem-se no ar, sem uma liga\u00e7\u00e3o \u00e0 raiz cultural\u201d.  \u201cPercebe-se a ac\u00e7\u00e3o do homem branco naquela cultura, e pela aus\u00eancia de um acompanhamento, deu-se uma imposi\u00e7\u00e3o cultural\u201d, aponta Susana Villas Boas.   Aos 24 anos, Susana partiu sem ideias feitas. As suas tarefas passariam por trabalhar com os pigmeus e os bantus (etnias do pa\u00eds). O pedido para se deixarem surpreender por aquilo que encontrassem no pa\u00eds de miss\u00e3o, e a aus\u00eancia de testemunhos de mission\u00e1rios na Rep\u00fablica Centro Africana, levaram Susana a viajar para uma realidade que ainda hoje a surpreende.   Os Leigos Mission\u00e1rios Combonianos formaram a miss\u00e3o h\u00e1 10 anos. Ao longo de dois anos, Susana foi respons\u00e1vel pelo posto de sa\u00fade e pela direc\u00e7\u00e3o de seis escolas \u2013 dois projectos com os pigmeus.   No posto de sa\u00fade o esfor\u00e7o reside na \u201ctentativa de que a medicina seja uma resposta antes que o pigmeu morra com as curas tradicionais e ajudar\u201d. Este \u00e9 um povo que precisa \u201cconstruir o valor da vida\u201d. No meio da floresta, Susana conta \u201cque \u00e9 a lei do mais forte que dita a sobreviv\u00eancia\u201d.  O posto de sa\u00fade assenta num car\u00e1cter preventivo e no \u201cacompanhamento \u00e0 toma dos medicamentos\u201d, tentando encaminhar os pigmeus para o hospital p\u00fablico. O que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois \u201cos pigmeus s\u00e3o vistos como uma ra\u00e7a inferior\u201d. Esta etnia s\u00f3 foi conhecida com a desfloresta\u00e7\u00e3o. \u201cO desconhecimento da ra\u00e7a ditou, na altura, que n\u00e3o seriam humanos\u201d. E esta \u00e9 uma descrimina\u00e7\u00e3o que persiste at\u00e9 hoje.  Com fortes barreiras culturais, o trabalho \u00e9 constru\u00eddo a partir do \u201cquerer fazer com as pessoas\u201d. \u00c9 um processo natural, \u201cpouco a pouco, tentando evitar choques culturais\u201d. As decis\u00f5es e os passos de avan\u00e7o e recuo \u201cs\u00e3o tomados respeitando o outro\u201d.   <b>O choque cultural<\/b> Por dois anos a realidade da Rep\u00fablica Centro Africana foi o dia-a-dia de Susana Villas-Boas. Chegada a Portugal em Julho para dois meses de f\u00e9rias, Susana ainda n\u00e3o fez \u201cde facto f\u00e9rias\u201d. Entre projectos que traz e pedidos de financiamento, a mission\u00e1ria quer trazer a realidade do pa\u00eds africano para a Europa. Umas f\u00e9rias em trabalho com a Rep\u00fablica Centro Africana no sangue.   Em Portugal recorda situa\u00e7\u00f5es, boas e m\u00e1s que em \u00c1frica s\u00e3o rotineiras. O nascimento e a morte, as visitas na doen\u00e7a, a alegria das crian\u00e7as s\u00e3o factores que a levam a sentir-se em fam\u00edlia em \u00c1frica, onde tamb\u00e9m j\u00e1 partilha a l\u00edngua nacional, o sango.   A integra\u00e7\u00e3o e o reencontro com a cultura natal encontrou s\u00e9rias dificuldades. Nas pequenas coisas pr\u00e1ticas Susana foi confrontada com mudan\u00e7as na sociedade portuguesa. \u201cA quantidade de lixo que se faz, gasta-se energia inutilmente\u201d, explica. A mission\u00e1ria \u00e0 chegada n\u00e3o encontrou a simpatia tradicional acolhedora dos portugueses. \u201cVivemos um ego\u00edsmo extremo. As pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta das pessoas ao seu lado, quanto mais a quem est\u00e1 do outro lado do mundo\u201d.   E porque o cora\u00e7\u00e3o \u201ccontinua a bater do outro lado do mundo\u201d, Susana vai voltar por mais dois anos.   Mais dois anos significam uma continuidade. \u201cNeste momento a Rep\u00fablica Centro Africana faz parte da minha fam\u00edlia\u201d, facto que a deixa dividida entre Portugal e o pa\u00eds africano. \u201cEstar dois anos s\u00f3 com eles cria la\u00e7os de uma rela\u00e7\u00e3o\u201d. Olhando as duas realidades, Susana percebe onde est\u00e1 a necessidade maior. O que j\u00e1 conquistou junto das etnias permite-a desencadear projectos que outros que cheguem agora n\u00e3o conseguem.   O trabalho \u00e9 muito e \u201cprecisamos de pessoas para trabalhar\u201d. A miss\u00e3o est\u00e1 no meio da floresta e de lagos, com uma \u201crealidade complicada\u201d. Duas mission\u00e1rias, Susana e uma colega italiana, sustentaram trabalho de miss\u00e3o que daria para quatro. Duas mission\u00e1rias espanholas deixaram recentemente a miss\u00e3o, e entretanto chegou mais uma mission\u00e1ria portuguesa.  Dia 11 de Setembro marca o regresso ao trabalho interrompido. No seu desapego diz que n\u00e3o leva nada de especial. Vai querer sim levar \u201cum aparelho de esteriliza\u00e7\u00e3o\u201d para o posto de sa\u00fade, mas o que quer \u201c\u00e9 rentabilizar e dar valor ao que j\u00e1 existe no pa\u00eds\u201d.  \u201cH\u00e1 um tempo para partir e um para voltar\u201d. Consciente que o regresso n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, Susana admite que o regresso e a ajuda na forma\u00e7\u00e3o faz parte da miss\u00e3o do Leigo Comboniano. Dois anos distam ainda at\u00e9 ao momento de voltar. \u201cEsta \u00e9 ainda altura de agir\u201d. Susana sente que entra agora na cultura do pa\u00eds e regressar seria desistir \u201cno in\u00edcio do caminho\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Susana Villas Boas partilha dois anos de miss\u00e3o e prepara-se para voltar para junto da sua fam\u00edlia africana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[101,136,154,189,193,203,206,211,261,262,267,329],"class_list":["post-33440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-africa","tag-combonianos","tag-crianca","tag-direitos-humanos","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-ferias","tag-missoes","tag-mocambique","tag-natal","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}