{"id":334301,"date":"2024-07-17T11:00:11","date_gmt":"2024-07-17T10:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=334301"},"modified":"2024-07-18T12:20:56","modified_gmt":"2024-07-18T11:20:56","slug":"pastoral-dos-ciganos-bruno-oliveira-e-mediador-sociocultural-e-gostaria-que-a-sua-funcao-nao-existisse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pastoral-dos-ciganos-bruno-oliveira-e-mediador-sociocultural-e-gostaria-que-a-sua-funcao-nao-existisse\/","title":{"rendered":"Pastoral dos ciganos: Bruno Oliveira \u00e9 mediador sociocultural e gostaria que a sua fun\u00e7\u00e3o \u00abn\u00e3o existisse\u00bb"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 20 anos a fazer a ponte entre a comunidade cigana e o mundo hospitalar, Bruno ajuda na burocracia, na diminui\u00e7\u00e3o de dificuldades e a ultrapassar preconceitos que s\u00e3o como \u00abuma crian\u00e7a num quarto escuro\u00bb \u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_334284\" aria-describedby=\"caption-attachment-334284\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bruno-oliveira1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-334284 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bruno-oliveira1.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"998\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bruno-oliveira1.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bruno-oliveira1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bruno-oliveira1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/bruno-oliveira1-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-334284\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 17 jul 2024 (Ecclesia) \u2013 Bruno Oliveira, mediador sociocultural na Unidade Local de Sa\u00fade de S\u00e3o Jos\u00e9, ajudando a fazer a ponte com a comunidade cigana, disse \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que o ideal era a sua fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o existir mas a desigualdade mostra a necessidade.<\/p>\n<p>\u201cO mediador procura atenuar uma desigualdade que existe no acesso \u00e0 sa\u00fade, no meu caso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s comunidades ciganas. N\u00f3s temos menos de 16 anos de esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade maiorit\u00e1ria. Quando esse equil\u00edbrio for uma realidade a minha fun\u00e7\u00e3o deixa de fazer sentido\u201d, conta o mediador em fun\u00e7\u00f5es h\u00e1 20 anos, mas reconhecido institucionalmente h\u00e1 dois.<\/p>\n<p>Bruno Oliveira integra o Gabinete de Seguran\u00e7a, pertencente \u00e0 Comiss\u00e3o para a Diversidade e Inclus\u00e3o da Unidade Local de Sa\u00fade de S\u00e3o Jos\u00e9, ou seja, acompanha os hospitais Dona Estef\u00e2nia, Santa Marta, S\u00e3o Jos\u00e9, Curry Cabral, Capuz e a Maternidade Alfredo da Costa.<\/p>\n<p>Na fun\u00e7\u00e3o que desempenha est\u00e1 dispon\u00edvel para ajudar algu\u00e9m que chega e n\u00e3o sabe onde se dirigir para ter uma consulta; informar sobre como obter consultas \u2013 encaminhando, por exemplo, para o m\u00e9dico de fam\u00edlia; informa sobre tempo de espera, para que a pessoa perceba que n\u00e3o est\u00e1 esquecida; sobre regras do hospital, burocracia e linguagem \u201cmais t\u00e9cnica\u201d geradora de conflitos.<\/p>\n<p>Bruno Oliveira procura tamb\u00e9m criar uma educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade entre a comunidade cigana, contrariando a \u201cideia de que falta de sa\u00fade \u00e9 ter uma pena partida\u201d.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m em ambiente hospitalar \u00e9 necess\u00e1rio criar uma cultura de encontro que permita ultrapassar situa\u00e7\u00f5es potencialmente geradoras de conflito.<\/p>\n<blockquote><p>A solidariedade \u00e9 um valor \u00e9tico para a comunidade cigana. Quando um familiar ou pessoa pr\u00f3xima est\u00e1 num momento de fragilidade, as pessoas deixam de ir trabalhar para acompanhar quem est\u00e1 sozinho ou fragilizado\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Bruno Oliveira fala em valores que a comunidade procura manter: \u201cO respeito que n\u00f3s temos pelas pessoas mais velhas \u00e9 muito, muito grande. Com eles est\u00e1 a sabedoria, est\u00e1 a experi\u00eancia da vida, s\u00e3o eles que resolvem problemas nos matrim\u00f3nios, promovem a uni\u00e3o e o perd\u00e3o entre pessoas; nas festas comunit\u00e1rias \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o eles d\u00e3o a b\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstive de luto pela morte do meu pai e vesti o t\u00edpico luto cigano, todo de preto, barba e chap\u00e9u. Um dia, ia entrar por uma porta do hospital, onde s\u00f3 entram os funcion\u00e1rios e um seguran\u00e7a questionou-me. Tive de lhe mostrar o meu cart\u00e3o do hospital porque ele n\u00e3o acreditava que eu trabalhava l\u00e1\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Bruno Oliveira esclarece que \u201cos sinais externos\u201d s\u00e3o importantes para as pessoas ciganas como forma de express\u00e3o de sentimentos: \u201cH\u00e1 pessoas que exprimem os sentimentos atrav\u00e9s da pintura, da arte. N\u00f3s exprimimos o nosso sentimento de tristeza atrav\u00e9s do luto. E tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de honrar aqueles que j\u00e1 partiram\u201d.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 tamb\u00e9m \u201cexperi\u00eancias muito positivas\u201d que vive no trabalho: \u201cQuando eu estava de luto, houve um almo\u00e7o no servi\u00e7o, e os meus colegas pediam um prato de peixe porque sabiam que eu n\u00e3o comia carne. Eu brincava com eles a dizer que eles estavam um bocado \u2018aciganados\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Bruno Oliveira recorda que desde cedo cresceu aberto \u00e0 diferen\u00e7a e ao respeito, tendo crescido no bairro Padre Cruz, na freguesia de Carnide, em Lisboa, na rua a jogar \u00e0 bola, a \u201capanhar fruta no quintal dos vizinhos\u201d com crian\u00e7as de diferentes culturas, \u201calgumas de fam\u00edlias retornadas\u201d e a aprender o valor da diferen\u00e7a; nas ruas onde viveu nunca se sentiu discriminado porque ali crescia-se com solidariedade.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O preconceito \u00e9 como uma crian\u00e7a que est\u00e1 numa sala \u00e0s escuras, que na pr\u00f3pria cabe\u00e7a cria os seus pr\u00f3prios monstros, os seus pr\u00f3prios medos, que s\u00e3o imagin\u00e1rios, e quando acende a luz esses monstros simplesmente desaparecem porque h\u00e1 conhecimento sobre quem \u00e9 o outro\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cVivemos hoje numa sociedade intercultural, onde as culturas est\u00e3o em intera\u00e7\u00e3o, trocam conhecimentos e valores. Esta interculturalidade convoca ao respeito e ao conhecimento do pr\u00f3ximo, ultrapassando preconceitos e muitas barreiras que existem na muita falta de di\u00e1logo e ru\u00eddo na comunica\u00e7\u00e3o\u201d, constata.<\/p>\n<p>Quando era pequeno a sua m\u00e3e sempre lhe disse que seria o doutor da fam\u00edlia e cedo acompanhar os pais na venda nas feiras lhe provocava um \u201cvazio enorme\u201d; quando a oportunidade de fazer a forma\u00e7\u00e3o para mediador sociocultural surgiu na sua vida agarrou o estudo com muito entusiasmo, dedicando-se ao aprofundamento de \u00e1reas como Psicologia, Rela\u00e7\u00f5es Interculturais, Psicopatologia, a Hist\u00f3ria do Povo Cigano e Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cO mais importante n\u00e3o \u00e9 o que n\u00f3s queremos ser no futuro, mas \u00e9 ter objetivos no futuro. O preocupante \u00e9 que quando n\u00e3o se tem objetivos, nem se pensa no futuro\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>A conversa com Bruno Oliveira, mediador sociocultural na Unidade Local de Sa\u00fade de S\u00e3o Jos\u00e9, pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/radio\/\">portal<\/a> de informa\u00e7\u00e3o e no podcast &#8216;<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/alarga-a-tua-tenda\">Alarga a tua tenda<\/a>&#8216;.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 20 anos a fazer a ponte entre a comunidade cigana e o mundo hospitalar, Bruno ajuda na burocracia, na diminui\u00e7\u00e3o de dificuldades e a ultrapassar preconceitos que s\u00e3o como \u00abuma crian\u00e7a num quarto escuro\u00bb 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