{"id":334087,"date":"2024-07-15T17:22:37","date_gmt":"2024-07-15T16:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=334087"},"modified":"2024-07-15T17:22:37","modified_gmt":"2024-07-15T16:22:37","slug":"quando-as-democracias-ignoram-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/quando-as-democracias-ignoram-a-ciencia\/","title":{"rendered":"Quando as democracias ignoram a ci\u00eancia!"},"content":{"rendered":"<p><em style=\"font-size: 16px;\">D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-184289 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Galileu, criador do m\u00e9todo cient\u00edfico, foi um lutador contra a nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, um defensor da liberdade e da honestidade intelectual. Ao defender as ideias helioc\u00eantricas, viu-se em palpos de aranha, foi condenado. M\u00e1 sorte!\u00a0 Mesmo que obrigado a negar publicamente o que a ci\u00eancia lhe dizia, n\u00e3o deixou de segredar: \u2018no entanto, ela move-se\u2019. Faleceu em pris\u00e3o domicili\u00e1ria na noite de 8 de janeiro de 1642, desgostoso e sofrido. A quest\u00e3o n\u00e3o foi tanto entre religi\u00e3o e ci\u00eancia. Nem o pr\u00f3prio Galileu via a coisa assim. Ali\u00e1s, foi o Padre Nicolau Cop\u00e9rnico, C\u00f3nego da Catedral de Frauenburg, Pol\u00f3nia, o primeiro que, fazendo da torre da catedral o seu observat\u00f3rio astron\u00f3mico, defendeu a teoria helioc\u00eantrica, contradizendo a geoc\u00eantrica de Ptolomeu. As contribui\u00e7\u00f5es de Kepler e de Galileu, tamb\u00e9m cat\u00f3licos, \u00e9 que confirmaram mais essa constata\u00e7\u00e3o. O problema esteve do lado de quem tinha poder e se julgava dono da verdade. A B\u00edblia nunca foi nem \u00e9 um livro de ci\u00eancia. A linguagem b\u00edblica \u00e9 metaf\u00f3rica e n\u00e3o se pode dizer que tenha erros. O erro est\u00e1 em interpret\u00e1-la de forma literal ou em us\u00e1-la como coisa que ela n\u00e3o \u00e9. Urbano VIII, embrulhado pelos seus ac\u00f3litos, cultura e ambiente do tempo, fez isso, errou. A Igreja, por\u00e9m, tamb\u00e9m ao seu mais alto n\u00edvel, reconheceu o erro e seguiu em frente. Nunca desistiu da ci\u00eancia, penetrando tamb\u00e9m ela por v\u00e1rios caminhos da cria\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de conhecimento. Sempre o fez, vendo na ci\u00eancia uma esp\u00e9cie de \u2018purifica\u00e7\u00e3o intelectual\u2019, um servi\u00e7o \u00e0 verdade e ao pr\u00f3prio homem. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, afirmou-o, p\u00fablica e humildemente. O Papa Francisco, em tempos, afirmou que nem o Big Bang nem a teoria da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin est\u00e3o em conflito com a f\u00e9. Bento XVI falava eloquentemente sobre a necessidade de a ci\u00eancia e a f\u00e9 darem as m\u00e3os para chegarem ainda mais longe. Atrav\u00e9s dos tempos, muitas pessoas da Igreja, incluindo padres e bispos, fizeram descobertas cient\u00edficas que marcaram a hist\u00f3ria da ci\u00eancia e o progresso cient\u00edfico. Alguns continuam a desbravar esses caminhos.<\/p>\n<p>Os nossos dirigentes europeus e nacionais, hoje, n\u00e3o ignoram, por certo, a ci\u00eancia, promovem-na. Em certos \u00e2mbitos, por\u00e9m, fazem dela t\u00e1bula rasa. O Parlamento Europeu aprovou uma resolu\u00e7\u00e3o a reclamar que o recurso ao aborto, como m\u00e9todo anticoncetivo, seja consagrado como direito fundamental na Carta dos Direitos Fundamentais da Uni\u00e3o Europeia. Segundo essa peti\u00e7\u00e3o, no Artigo 3\u00ba deve constar que \u201ctodas as pessoas t\u00eam o direito \u00e0 autonomia sobre o corpo, o acesso gratuito, informado, pleno e universal \u00e0 sa\u00fade e aos direitos sexuais e reprodutivos, e a todos os servi\u00e7os de sa\u00fade conexos, sem discrimina\u00e7\u00e3o, incluindo no acesso ao aborto seguro e legal\u201d. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 eliminar todas as restri\u00e7\u00f5es e obst\u00e1culos afetivos, parentais, jur\u00eddicos, financeiros, sociais, m\u00e9dicos, etc. etc. que se oponham ao aborto, pressionando ou obrigando mesmo os pa\u00edses a que o fa\u00e7am, tamb\u00e9m em conformidade com as orienta\u00e7\u00f5es da OMS que est\u00e3o na mesma linha.<\/p>\n<p>Se os meus apontamentos est\u00e3o certos, houve 336 votos a favor, 163 contra e 39 absten\u00e7\u00f5es. No entanto, a peti\u00e7\u00e3o precisa ainda de ser aprovada por outras inst\u00e2ncias da EU. Entre n\u00f3s, afinam pelo mesmo diapas\u00e3o o PS, o BE, o PCP, o PAN, o L e a IL. Os homens t\u00eam livre escolha de procriar, as mulheres n\u00e3o. Por isso, a \u00fanica maneira de acabar com esta descrimina\u00e7\u00e3o, \u00e9 que as mulheres tenham o direito ao aborto, dizem. Para eles, o aborto n\u00e3o mata, salva vidas. Al\u00e9m disso, defendem que as mulheres t\u00eam o direito de decidir sobre o seu pr\u00f3prio corpo. A quest\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 que se trata doutro ser humano. A ci\u00eancia diz que, desde a sua conce\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma nova vida. N\u00e3o uma qualquer esp\u00e9cie de vida, mas uma vida humana. N\u00e3o nascida, \u00e9 verdade, mas existente e viva. Sabemos que os conhecimentos sobre o ADN, as ecografias 3D, 4D e 5D permitem afirmar isso e acompanhar o crescimento da crian\u00e7a. N\u00e3o ser\u00e1 essa, pois, uma iniciativa contra a ci\u00eancia? O direito ao aborto ser\u00e1 mesmo um direito humano? Uma liberdade fundamental? Ser\u00e1 que o aborto n\u00e3o mata mesmo o outro, mas salva vidas? Ou ser\u00e1 que a verdade cient\u00edfica e os direitos humanos, em certas circunst\u00e2ncias, podem depender de maiorias parlamentares ou outras, ou da vontade subjetiva de cada um? Ser\u00e1 que a ci\u00eancia aqui n\u00e3o conta? Ou ser\u00e1 que, hoje, o negar a ci\u00eancia j\u00e1 n\u00e3o significa atraso nem obscurantismo e passou a demonstrar progresso e ideias arejadas? E ser\u00e1 que o direito sobre o pr\u00f3prio corpo n\u00e3o promove a desigualdade, tornando os mais fr\u00e1geis v\u00edtimas de quem sobre eles superentende? N\u00e3o ser\u00e1 isso consagrar na lei que h\u00e1 seres humanos que nem sequer t\u00eam o direito de que os deixem nascer e viver? Mas o direito \u00e0 vida n\u00e3o \u00e9 o direito fundamental, o maior dos direitos sobre os quais assentam todos os outros direitos? E ser\u00e1 que a iniciativa em causa constitui mesmo um avan\u00e7o nos direitos das mulheres, um progresso para os pa\u00edses, um direito sexual e reprodutivo e\/ou um passo fundamental para a defesa da liberdade, da igualdade, da justi\u00e7a e da sa\u00fade sexual e reprodutiva em toda a Uni\u00e3o Europeia, como afirmam? N\u00e3o ser\u00e1 isto meramente ideol\u00f3gico, anticient\u00edfico, promotor da desigualdade humana e destruidor duma sociedade a partir de dentro? Ser\u00e1 que o direito de decidir sobre o meu pr\u00f3prio corpo, me permite decidir sobre se o outro, que depende total e absolutamente de mim, deve continuar a existir ou deve ser morto por interesses v\u00e1rios? N\u00e3o vem isso contradizer a ess\u00eancia dos direitos humanos e a ess\u00eancia do pr\u00f3prio direito? Ser\u00e1 que a crian\u00e7a \u00e9 propriedade da mulher e que entre a crian\u00e7a e ela n\u00e3o existe uma rela\u00e7\u00e3o pessoal, maternal, filial? N\u00e3o \u00e9 um dever da legisla\u00e7\u00e3o, dos pol\u00edticos, da pol\u00edtica e duma sociedade que se preze de o ser, servir os mais fr\u00e1geis e desfavorecidos, sobretudo os que est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea da vontade de terceiros? E n\u00e3o dizem as autoridades p\u00fablicas que est\u00e3o para servir o povo, todo o povo? Ent\u00e3o, porque se vive preocupado em tutelar os \u2018direitos\u2019 de quem mata e n\u00e3o se defende quem vai ser morto? Ser\u00e1 um verdadeiro Estado democr\u00e1tico aquele que disponibiliza servi\u00e7os e subsidia a \u2018morte segura\u2019 (!) dum ser humano para que n\u00e3o cause problemas \u00e0quele que mata, abortando? N\u00e3o ser\u00e1 mais justo e humano que o Estado fa\u00e7a tudo para que as mulheres vivam com alegria a sua maternidade? A grandeza e a dignidade da mulher bem como os direitos humanos n\u00e3o merecer\u00e3o mais, muito mais, muit\u00edssimo mais e melhor?<\/p>\n<p>Desde 2007, que se saiba, s\u00f3 em Portugal j\u00e1 se realizaram mais de 250 mil abortos volunt\u00e1rios. A estrat\u00e9gia \u00e9 clara e tem feito o seu caminho. Embrulha-se a mensagem em algumas verdades para que se torne simp\u00e1tica e a mentira passe, mesmo que lentamente. Manipula-se a linguagem, deixa-se de usar a palavra aborto, d\u00e1-se-lhe nomes mais simp\u00e1ticos e enganadores, como se isso mudasse a realidade. Quere-se fazer crer que \u00e9 uma mera quest\u00e3o religiosa e n\u00e3o humana, fomentando o desprezo te\u00f3rico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s religi\u00f5es, como retr\u00f3gradas, e promovendo os promotores da causa, como peritos na mat\u00e9ria. Ridiculariza-se, como reacion\u00e1rio e obscurantista, quem luta contra tal embuste e defende o contr\u00e1rio. At\u00e9 se pretende obrigar os profissionais de sa\u00fade a executar o aborto, mesmo quando invocam o seu direito \u00e0 obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia. Os ide\u00f3logos destas causas, regra geral, s\u00f3 admitem a democracia, e s\u00e3o democratas, quando os outros pensam e dizem o que eles dizem e pensam!&#8230;<\/p>\n<p>Sempre achei que o homem deve duvidar de si mesmo, n\u00e3o da verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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