{"id":333787,"date":"2024-07-12T10:48:44","date_gmt":"2024-07-12T09:48:44","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=333787"},"modified":"2024-07-12T17:37:22","modified_gmt":"2024-07-12T16:37:22","slug":"entrevista-devo-muito-a-muita-gente-afirma-o-padre-vasco-pinto-de-magalhaes-nos-50-anos-de-ordenacao-sacerdotal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entrevista-devo-muito-a-muita-gente-afirma-o-padre-vasco-pinto-de-magalhaes-nos-50-anos-de-ordenacao-sacerdotal\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u00abDevo muito a muita gente\u00bb, afirma o padre Vasco Pinto de Magalh\u00e3es, nos 50 anos de ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"epyt-video-wrapper\"><iframe  id=\"_ytid_47877\"  width=\"480\" height=\"270\"  data-origwidth=\"480\" data-origheight=\"270\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0YjDLmg1rOQ?enablejsapi=1&#038;autoplay=0&#038;cc_load_policy=0&#038;cc_lang_pref=pt&#038;iv_load_policy=1&#038;loop=0&#038;rel=0&#038;fs=1&#038;playsinline=1&#038;autohide=2&#038;theme=dark&#038;color=red&#038;controls=1&#038;disablekb=0&#038;\" class=\"__youtube_prefs__  epyt-is-override  no-lazyload\" title=\"YouTube player\"  allow=\"fullscreen; accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen data-no-lazy=\"1\" data-skipgform_ajax_framebjll=\"\"><\/iframe><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Paulo Rocha\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; O que \u00e9 que levou um estudante do quarto ano de Engenharia Mec\u00e2nica a deixar o curso e decidir ser sacerdote?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Todas essas coisas s\u00e3o um processo. Depois n\u00e3o se pode resumir, s\u00e3o coisas que v\u00eam de longe e que t\u00eam momentos intensos. Mas, antes de mais nada, gostava de dizer que tenho muito gosto em celebrar estes 50 anos de padre e poder ter esta conversa com a Ecclesia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 um grande gosto, mas se quisermos recordar esta ocasi\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c0s vezes fa\u00e7o esta retrospetiva e encontro sempre novas frentes. \u00c9 uma coisa que foi amadurecendo, porque sempre tive desde mi\u00fado, e lembro-me desde muito mi\u00fado, esta grande preocupa\u00e7\u00e3o com a vontade de Deus: o que \u00e9 vontade de Deus?<\/p>\n<p>Lembro-me de um retiro no final dos anos do col\u00e9gio &#8211; andei oito anos no Col\u00e9gio Jo\u00e3o de Brito, em Lisboa &#8211; fui para a Instru\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria &#8211; que foi muito intenso, mas depois havia muitas coisas: eu tinha algumas ideias profissionais, algumas empurradas pelo meu pai, outras por mim, jogava r\u00e2guebi, estava muito envolvido nisso tudo, tinha uma namorada, que corria muito bem, mas sempre vinha ao de cima uma certa&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; A quest\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, sempre. Sem ser uma inquieta\u00e7\u00e3o! De vez em quando vinha.<\/p>\n<p>Por outro lado, a engenharia n\u00e3o me estimulava assim tanto. N\u00e3o era contra, mas tamb\u00e9m n\u00e3o era um impulso. O que \u00e9 que eu vou fazer com isto? Como \u00e9 que isto abre mais para as rela\u00e7\u00f5es humanas, mais para as quest\u00f5es humanas, que sempre me interrogaram? N\u00e3o havia ali, de facto, um grande caminho. Podia ser uma profiss\u00e3o, mas n\u00e3o provavelmente uma voca\u00e7\u00e3o, um encantamento.<\/p>\n<p>Andando, andando&#8230; Algumas coisas puxaram mais, a morte desta namorada teve influ\u00eancia, mas sobretudo teve uma grande influ\u00eancia algu\u00e9m que me veio dar, por volta desses tempos, o primeiro livrinho que se publicou em Portugal, do padre Teilhard de Chardin, \u00abO pensamento do Padre Teilhard de Chardin\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Um jesu\u00edta tamb\u00e9m&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim. E foi para mim, talvez a primeira coisa que se publicou do padre Teilhard de Chardin, que praticamente nunca tinha ouvido falar. E foi o Ant\u00f3nio Al\u00e7ada Batista, que era uma figura, um grande editor daquela altura, da Editora Morais, que eu conheci, e que disse: tenho um livro para ti que acabei de editar. De facto, foi o rasgar de horizontes e de vontade de encontrar um caminho de s\u00edntese para as coisas. Em mi\u00fado sempre fui muito pensativo com a ideia de como \u00e9 que as coisas se ligam, quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es. Sempre fui um bocadinho inquietado por isso. E aquele livro rasgou-me um horizonte extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Depois a dire\u00e7\u00e3o espiritual com o padre do col\u00e9gio. Embora j\u00e1 estivesse na universidade, mantinha uma conversa regular com o padre Raposo. E ent\u00e3o come\u00e7ou realmente a ganhar corpo essa possibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; N\u00e3o s\u00f3 a op\u00e7\u00e3o sacerdotal, mas tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o pela Companhia de Jesus&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim! Nunca separei as duas coisas! Embora eu tivesse a presen\u00e7a e muita amizade da minha par\u00f3quia, que era Santa Isabel, em Lisboa, e dava-me muito bem com o prior de l\u00e1 e com os outros, mas a marca do col\u00e9gio: quando pensava em padres, as minhas imagens eram um coletivo daqueles oito anos, muito ricos, com muitas coisas. No \u00faltimo ano, uma grande viagem \u00e0 Alemanha com um grupo do col\u00e9gio para os encontros dos v\u00e1rios col\u00e9gios. Ent\u00e3o, escolheram-me tamb\u00e9m para ir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Idades que s\u00e3o marcantes nesse processo educativo.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Acabei por entrar com 24 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_333768\" aria-describedby=\"caption-attachment-333768\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-333768 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-20.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-333768\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>&#8211; Na Companhia de Jesus<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim: entrei no noviciado, que era em Soutelo. Coincidiu tamb\u00e9m com a entrada do padre Ant\u00f3nio Vaz Pinto, \u00e9ramos muito amigos. Isso tamb\u00e9m ajudou, porque pux\u00e1mos um pelo outro. Foi engra\u00e7ado, porque nunca t\u00ednhamos falado sobre isso, embora f\u00f4ssemos muito amigos, e tiv\u00e9ssemos mesmo um grupo de amigos. Foi uma coisa que n\u00e3o fal\u00e1mos, mas, de repente, encontramo-nos a dizer que est\u00e1vamos a pensar mais ou menos no mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Dois jesu\u00edtas que marcaram a hist\u00f3ria da Companhia aqui em Portugal nos \u00faltimos anos.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; E depois fomos ordenados juntos, neste mesmo 12 de Julho. S\u00f3 que, h\u00e1 dois anos, ele morreu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; No dia 1 de Julho de 1922.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Fizemos um percurso muito interessante, \u00e9ramos amigos. E, de facto, entr\u00e1mos juntos, porque, quando fomos propor a entrada ao Provincial, ele disse que era melhor irmos juntos, do que um em cada ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Regressemos a esse livro do padre Teilhard de Chardin, porque decorre da\u00ed tamb\u00e9m uma marca da sua forma de ser sacerdote: essa leitura crist\u00e3 do mundo foi uma marca permanente, ao longo destes 50 anos?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, sempre. E depois tamb\u00e9m veio ter comigo, j\u00e1 nos princ\u00edpios do ano de 2000, um grupo, mas sobretudo a figura do Ant\u00f3nio Paix\u00e3o, a ideia de trazer para Portugal a Associa\u00e7\u00e3o de Amigos do padre Teilhard de Chardin, uma coisa em Fran\u00e7a, na B\u00e9lgica e noutros pa\u00edses, que tem muita for\u00e7a. Ent\u00e3o aliei-me a ele, porque achei que, finalmente, algu\u00e9m quer agarrar nisto a s\u00e9rio, a difus\u00e3o dos textos e dos livros do padre Teilhard de Chardin. Ent\u00e3o o Ant\u00f3nio Paix\u00e3o arrastou-me, e eu, com muito gosto, estive tamb\u00e9m na funda\u00e7\u00e3o dessa Associa\u00e7\u00e3o de Amigos do padre Teilhard de Chardin: temos um retiro anual, temos confer\u00eancias, algumas publica\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Um dos muitos projetos onde se envolveu, e j\u00e1 vamos a outros projetos. O facto de ser jogador de r\u00e2guebi tamb\u00e9m teve influ\u00eancia no que foi a descoberta da voca\u00e7\u00e3o e o lan\u00e7ar-se nessa voca\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 verdade! Ainda hoje fa\u00e7o muitas reflex\u00f5es e at\u00e9 o \u00faltimo editorial da revista \u2018Brot\u00e9ria\u2019 \u00e9 sobre o desporto, sempre me interessei imenso. O r\u00e2guebi, para mim, \u00e9 uma escola de vida. Grande influ\u00eancia do meu pai, que foi um grande promotor do r\u00e2guebi em Portugal e construiu o Est\u00e1dio Universit\u00e1rio de Lisboa, impulsionou o do Porto, o de Coimbra tamb\u00e9m&#8230; Sempre entendi isso como uma escola de vida: por um lado, pelo empenho que tem; por outro lado, \u00e9 um desporto que n\u00e3o se pode compatibilizar com o individualismo ou com o elitismo de sermos estrelas. \u00c9 verdadeiramente um desporto de equipa e onde h\u00e1 pap\u00e9is muito bem direcionados. Mas, o meu pai fazia uma coisa interessante: para percebermos o nosso lugar &#8211; dos 15, cada um tem o seu lugar na equipa: ele punha-nos a jogar em todos os lugares. \u201cPara jogares no teu lugar, tens de perceber o que \u00e9 que se passa com os outros\u201d. Foi uma m\u00e1xima que me ficou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Foi isso que o levou a escrever, acredito que tenha sido o primeiro livro, \u00abR\u00e2guebi, um desporto completo\u00bb?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, foi uma reflex\u00e3o que fiz. Quando fui dar aulas para o col\u00e9gio de Santo Tirso, transformei um campo de futebol num campo de r\u00e2guebi, com um grande susto de todo o col\u00e9gio. N\u00e3o foi fazer um relevado, foi fazer um \u201cervado\u201d: meti uma vaca com um arado e dei cabo do campo, para depois poder l\u00e1 jogar. Era um campo cheio de pedras. Dali sa\u00edram alguns jogadores muito importantes, depois do col\u00e9gio, quando foram para as universidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E nesta abordagem ao desporto, a via profissional claro que \u00e9 necess\u00e1ria, mas vai deturpar o verdadeiro esp\u00edrito do desporto, na sua opini\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Pode, n\u00e3o necessariamente, se for equilibrado. Acho que nunca se devia ser s\u00f3, s\u00f3, s\u00f3, desportista. Como tamb\u00e9m nunca devemos, em qualquer outra profiss\u00e3o, deixar de ter outros espa\u00e7os, devemos ter alargado as nossas vis\u00f5es e outras ocupa\u00e7\u00f5es, ou art\u00edstica, ou cultural, porque sen\u00e3o depois, quando se acaba o desporto &#8211; e acaba cedo sempre &#8211; o que \u00e9 que se faz? E nem todos s\u00e3o grandes figuras para ter enriquecido, antes, pelo contr\u00e1rio. Portanto, h\u00e1 ali uma coisa viciante: noutros desportos, em muitos pa\u00edses, o desporto deixa de ser desporto, passa a ser espet\u00e1culo. J\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apenas desportistas, s\u00e3o artistas, s\u00e3o pessoas com grandes capacidades, a gente vai ao espet\u00e1culo, mas de desporto tem pouco, porque o desporto \u00e9 uma atividade &#8211; a palavra quer dizer isso &#8211; sem porte. O \u201cdes-porte\u201d significa n\u00e3o-porte. Portanto, \u00e9 aquilo que se faz gratuitamente. \u00c9 o l\u00fadico do humano, um dos tra\u00e7os da humanidade \u00e9 o \u201cludos\u201d, \u00e9 o jogo, a capacidade de jogar, de inventar jogos, de criar. Mas, este profissionalismo, que depois j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 profissionalismo \u00e9 neg\u00f3cio, e neg\u00f3cio alt\u00edssimo, \u00e9 perturbador, porque se perde a rela\u00e7\u00e3o com as pessoas. H\u00e1 quem seja capaz de lidar, mas h\u00e1 um perigo. Eu dizia muitas vezes isso: j\u00e1 n\u00e3o vivia na parte dos desportos, vivia na parte dos espet\u00e1culos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E vemos isso na hist\u00f3ria de muitos desportistas: felizmente, alguns recuperam essa parte humanista, nomeadamente no Euro&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, e tem que ser, porque se n\u00e3o fica uma coisa lateral, uma profiss\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que o desporto, sem ser acompanhado por valores e por uma educa\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, o saber perder, o saber ganhar, os ideais ol\u00edmpicos, de alguma maneira, s\u00e3o muito mais participar do que ganhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Uma marca que \u00e9, de alguma forma, uma heran\u00e7a paterna&#8230; Se nos quisermos focar numa heran\u00e7a materna, teremos a serenidade, a proximidade de todas as pessoas, com reflexo no seu percurso sacerdotal?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, sem d\u00favida. Acho que herdei dos dois lados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_333771\" aria-describedby=\"caption-attachment-333771\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-333771 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-4.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-333771\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>&#8211; E isso deu-lhe um equil\u00edbrio?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Acho que sim. O confronto era grande&#8230; Acho que tive uma fam\u00edlia que me conduziu bem, sem press\u00e3o nenhuma. Somos seis, com idades diferentes (agora j\u00e1 n\u00e3o somos. A minha irm\u00e3 mais velha j\u00e1 morreu) e eu sou o segundo. Creio que as rela\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s eram construtivas. Havia uma forma muito grande de responsabilizar, responsabilizar cada um, na sua idade, no seu tempo, no seu modo. Havia ali uma pedagogia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E passou, de facto, para a sua miss\u00e3o sacerdotal, esse perfil materno de serenidade.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Acho que sim. A minha m\u00e3e era uma mulher capaz de ouvir. N\u00e3o intervinha muito, mas perceb\u00edamos o que \u00e9 que aprovava e o que \u00e9 que n\u00e3o aprovava. Tinha esse jeito de n\u00e3o criar conflitos, mesmo com as coisas que podiam n\u00e3o estar muito a condizer com o seu cora\u00e7\u00e3o. Devo muito a muita gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Depois da forma\u00e7\u00e3o, da Filosofia em Portugal e da Teologia na Gregoriana, em Roma, foi ordenado sacerdote.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Entrei de 64 para 65 e foi ordenado em 74, num tempo quente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Como \u00e9 que viveu esse tempo, que era tamb\u00e9m do p\u00f3s-concilio Vaticano II, de muita desist\u00eancia, mesmo entre sacerdotes, perturbou esse ambiente?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o muito, mas viv\u00edamos isso com bastante intensidade. Senti o Conc\u00edlio Vaticano II como o Papa Jo\u00e3o XXIII: \u201car fresco\u201d, que era a raz\u00e3o de dar in\u00edcio a este Conc\u00edlio, ir aos fundamentos da Igreja e \u00e0 sua hist\u00f3ria, o reencontrar, sobretudo, a linguagem, que \u00e9 sempre, para mim, a grande preocupa\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 a linguagem a usar? Sem querer ferir o rigor dos termos, eu procuro muito naquilo que falo, naquilo que escrevo, ir ao encontro de uma linguagem que n\u00e3o pode ser r\u00edgida, por muito t\u00e9cnica que seja (mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos perder-nos em explica\u00e7\u00f5es). Gosto de perceber as coisas, de encontrar as s\u00ednteses, as linguagens. E os livros saem um bocado disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Ser ordenado cerca de tr\u00eas meses ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, como era o ambiente?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Era tenso, havia cuidados. O meu pai, que era administrador de uma f\u00e1brica, tinha sido saneado \u00e0 for\u00e7a. Bom, estava a viver l\u00e1 fora e a verdade \u00e9 que, na televis\u00e3o italiana, percebia-se melhor o que \u00e9 que se passava em Portugal. Fui t\u00e3o acompanhado em It\u00e1lia, naquela altura, que n\u00f3s \u00edamos \u00e0 televis\u00e3o ver o que \u00e9 que se passava. E a verdade \u00e9 que est\u00e1vamos sempre a ter mais informa\u00e7\u00e3o organizada do que perceb\u00edamos com a correspond\u00eancia e com aquilo que se estava a passar c\u00e1.<\/p>\n<p>As coisas, evidentemente, n\u00e3o podiam estar a ser conduzidas e com menos isen\u00e7\u00e3o. E a televis\u00e3o, a RAI, dava panoramas muito grandes do que \u00e9 que estava a acontecer em Portugal. Estar l\u00e1 fora n\u00e3o me tinha tirado a vis\u00e3o de acompanhar.<\/p>\n<p>No dia da ordena\u00e7\u00e3o, no Col\u00e9gio de S\u00e3o Jo\u00e3o de Brito, havia avisos: cuidado, n\u00e3o vamos criar aqui algumas pessoas que possam vir perturbar a celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Tranquilo?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, antes pelo contr\u00e1rio. Antes pelo contr\u00e1rio!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Primeiros anos de padre: Campos de F\u00e9rias<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8211; Os primeiros anos de sacerdote foram num ambiente dos col\u00e9gios, nomeadamente em Santo Tirso?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, estive um ano a dar aulas em Santo Tirso e era o perfeito dos mais velhos. Era o internato, naquela altura. O internato d\u00e1 muito trabalho porque se tem, n\u00e3o s\u00f3 de organizar as aulas, mas os tempos livres, dia a dia, os tempos livres, as noites, os descansos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E ter\u00e1 sido essa experi\u00eancia de proximidade com adolescentes e jovens que o levou a pensar, dez anos depois de ser sacerdote, em projetos para as f\u00e9rias, nomeadamente os campos de f\u00e9rias?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Tinha feito alguns acampamentos com o Col\u00e9gio, em mi\u00fado. E apreciava essa liga\u00e7\u00e3o \u00e0 terra.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, o padre Pedro Rocha Mendes comentava que se tinha impressionado com coment\u00e1rio meu, escrito para os 30 anos do Camtil \u2013 o Camtil \u00e9 o movimento de campos de f\u00e9rias que fundei com muito gosto e muita alegria e que agora faz 40 anos \u2013 e que tinha este t\u00edtulo: \u00abO Camtil aconteceu-me\u00bb. Eu acho que quase tudo me aconteceu na vida. N\u00e3o fui tanto \u00e0 procura das coisas, mas vinham ter comigo: nunca tinha pensado ir para um internato, nem tinha estado. Mas, aquela oportunidade, ao ver aquela coisa toda, estava a come\u00e7ar a mexer comigo. Nunca fui tanto de tomar uma iniciativa, mas de responder.<\/p>\n<p>Em Coimbra, quando viemos fundar o Centro Universit\u00e1rio de Coimbra, o Centro Manuel da N\u00f3brega, havia, a partir do Col\u00e9gio de Coimbra, Col\u00e9gio de Cernache, um movimento de Campos de F\u00e9rias, que se chamava Mocamfe e funcionava muito bem, para os alunos dos col\u00e9gios. Agora, tamb\u00e9m h\u00e1 um novo movimento para os col\u00e9gios, chamam-se Campin\u00e1cios, naquela altura, chamava-se Mocamfe. E foi uma coisa um bocadinho revolucion\u00e1ria, deste padre H\u00e9lder Ribeiro. E fui indicado pelo provincial para ir trabalhar com ele, nos campos de f\u00e9rias. N\u00e3o me era nada estranho, tinha gosto e ia aprender com ele.<\/p>\n<p>Para encurtar as coisas: o padre H\u00e9lder Ribeiro, de quem era amigo, fez um percurso algo complexo no seu sacerd\u00f3cio, acabou por deixar primeiro os jesu\u00edtas e depois o sacerd\u00f3cio, casou e eu acompanhei um bocadinho esse processo.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, um conjunto de pessoas a que se ligou &#8211; \u00e9 importante dizer isto &#8211; n\u00e3o tinham a espiritualidade com que estes campos de f\u00e9rias tinham nascido. E os campos orientados por ele, os mais velhos, come\u00e7aram a tornar-se campos de teatro, campos pol\u00edticos, e aquilo come\u00e7ou a inquietar as fam\u00edlias. At\u00e9 que chegou uma grande crise. E o Bispo de Coimbra, que era na altura a institui\u00e7\u00e3o m\u00e1xima daquele movimento juvenil &#8211; naquela altura, ainda os movimentos juvenis n\u00e3o podiam ter autonomia, ou dependiam do Estado ou dependiam da Igreja &#8211; dissolveu o Mocamfe, quando eu lhe fui apresentar que aquilo se estava a desviar profundamente da espiritualidade com que tinha nascido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Est\u00e1vamos na d\u00e9cada de 70 ainda? Ou j\u00e1 80?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, 70 para 80, o Camtil come\u00e7ou em 84. Todos aqueles anos, de 76 para a frente, eu estive a fazer campos de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>P\u00f4s-se a quest\u00e3o de fazer um novo. E a\u00ed pude organizar, com o grupo de casa, o que \u00e9 que queremos dos campos de f\u00e9rias, como \u00e9 que podem ser uma miss\u00e3o de espiritualidade inaciana. O que \u00e9 que \u00e9 a espiritualidade inaciana para estas idades, come\u00e7ando pelos mi\u00fados, pequeninos, de nove anos, at\u00e9 aos mais velhos? Como \u00e9 que h\u00e1 aqui uma gradualidade, quais s\u00e3o os tra\u00e7os de liga\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, ao trabalho, \u00e0 gratuidade? Quais s\u00e3o os valores? Ent\u00e3o organizei os \u2018pilares do Camtil\u2019 e, a partir da\u00ed, fizemos os novos estatutos e o novo nome.<\/p>\n<p>Foi um trabalho muito bonito, de equipa entre n\u00f3s, e de pensar uma pedagogia ligada \u00e0 natureza com inquieta\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas, que ainda n\u00e3o se falava disso, na linha da f\u00e9, do servi\u00e7o, da comunidade, da alegria, do tempo livre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Tudo isso em liberdade? <\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim. Exatamente. E ent\u00e3o nasceu qualquer coisa de novo. Mas foi uma coisa que foi at\u00e9 comigo, tive de agarrar naquilo, caiu-me nos bra\u00e7os. Mas sempre apoiado nas coisas da comunidade e est\u00e1vamos sempre a por os jesu\u00edtas mais novos como animadores, como diretores de campo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; O papel do animador, em todo esse processo, \u00e9 central?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Central\u00edssimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_333767\" aria-describedby=\"caption-attachment-333767\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-333767 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-8.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-333767\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>&#8211; At\u00e9 a n\u00edvel pessoal, do pr\u00f3prio?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Eu digo que os grandes benefici\u00e1rios dos campos de f\u00e9rias s\u00e3o os animadores. E \u00e9 nesses que temos de apostar a prepara\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 muito importante que se delegue. Nos campos de f\u00e9rias n\u00e3o h\u00e1 anarquia, mas h\u00e1 uma grande delega\u00e7\u00e3o nas responsabilidades pessoais e nas miss\u00f5es que se vai tendo no dia-a-dia: quem vai ajudar na cozinha, quem vai levar a lou\u00e7a, quem vai \u00e0s latrinas? E isso tudo roda com&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Volt\u00e1mos \u00e0 equipa de r\u00e2guebi e \u00e0s v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es de cada jogador.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 claro. Est\u00e1 sempre essa ideia. \u00c9 a matriz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Centros Universit\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8211; Avancemos tamb\u00e9m no acompanhamento que foi fazendo alunos, adolescentes e jovens, depois universit\u00e1rios. E a\u00ed, os centros universit\u00e1rios que inspirou, que fundou e que acompanhou: qual foi a preocupa\u00e7\u00e3o essencial pessoal e da Companhia de Jesus para essa presen\u00e7a na Universidade?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; A presen\u00e7a na Universidade nasceu de um grupinho, o padre Ant\u00f3nio Vaz Pinto, o padre Alberto Brito e eu. Enquanto estudantes, \u00edamos pensando nisso, t\u00ednhamos passado pela Universidade e achamos que havia um buraco na pastoral universit\u00e1ria. Os col\u00e9gios, sim, imensas coisas. Mas o tempo fundamental da forma\u00e7\u00e3o humana, em Portugal, pelo menos, havia um buraco grande. N\u00f3s pr\u00f3prios t\u00ednhamos uma ou duas resid\u00eancias universit\u00e1rias, mas n\u00e3o propriamente Pastoral Universit\u00e1ria direta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o foi a inven\u00e7\u00e3o dos centros universit\u00e1rios e come\u00e7\u00e1mos por Coimbra, onde t\u00ednhamos uma casa que j\u00e1 tinha sido tamb\u00e9m uma esp\u00e9cie de resid\u00eancia, mas que estava praticamente abandonada. A\u00ed pod\u00edamos tamb\u00e9m colaborar os tr\u00eas de alguma maneira, cada um mais com a sua especialidade. E eu tinha feito, em Roma, a Teologia normal, tr\u00eas anos, e depois dois anos de Espiritualidade. Portanto, a minha forma\u00e7\u00e3o foi em Espiritualidade. E sempre me interessou muito o acompanhamento das pessoas. Mas isso j\u00e1 antes.<\/p>\n<p>Mesmo antes de entrar. N\u00e3o \u00e9 que eu goste de ser muito conversador, n\u00e3o sou nem de ter muitas iniciativas, mas sou capaz de ouvir os problemas dos meus amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 o papel pacificador da m\u00e3e, que h\u00e1 pouco falamos&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim! E, ent\u00e3o, sempre me coube e sempre me dediquei \u00e0 escuta, ao acompanhamento espiritual, que \u00e9 uma dimens\u00e3o ligada aos exerc\u00edcios espirituais de Santo In\u00e1cio: n\u00e3o h\u00e1 exerc\u00edcios espirituais sem acompanhamento personalizado. O padre Alberto Brito estava muito desenvolvido em quest\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es humanas e quest\u00f5es sociais, o padre Ant\u00f3nio Vaz Pinto tinha, na Alemanha, feito Teologia Fundamental e, portanto, t\u00ednhamos aqui um trio que de alguma maneira se completava. E a experi\u00eancia era muito engra\u00e7ada, porque depois convers\u00e1vamos sobre as experi\u00eancias que est\u00e1vamos a fazer, os grupos, as pessoas que acompanh\u00e1vamos e, depois, a ideia depois juntar o noviciado. O noviciado tinha passado por uma crise muito forte: durante praticamente dez anos, n\u00e3o entrou ningu\u00e9m!<\/p>\n<p>Foram os tempos dif\u00edceis!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Est\u00e1vamos em Coimbra ainda&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, mas naqueles dez anos, de 69 a 79, praticamente n\u00e3o havia ningu\u00e9m. Um aqui, outro l\u00e1. E entrar na vida religiosa e nos semin\u00e1rios, foi sempre muito dif\u00edcil. Em 79 abrimos no noviciado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Esse centro universit\u00e1rio nasceu primeiro em Coimbra, depois aqui o de Lisboa, que est\u00e1 a fazer 40&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; A seguir o Ant\u00f3nio Vaz Pinto veio para Lisboa, eu depois fui para o Porto. Coimbra estava lan\u00e7ado!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E a\u00ed iniciaram os respetivos centros universit\u00e1rios. E se quisermos olhar o panorama em Portugal, \u00c9vora tamb\u00e9m tem uma presen\u00e7a de jesu\u00edtas agora?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Agora tem, \u00e9 mais recente e temos grande esperan\u00e7a. Embora com este quase pesadelo da morte do padre Jos\u00e9 Maria Brito, que nos surpreendeu&#8230; Foi o meu primeiro grupo de novi\u00e7os. Fa\u00e7o-lhe homenagem!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Era um grande impulsor tamb\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o na Companhia de Jesus&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, sim. Quando eu o conheci no Porto, ele estudava jornalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Estava o padre Vasco Pinto Magalh\u00e3es no centro&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, quando fui para o CREU, que era o Centro de Reflex\u00e3o e Encontro Universit\u00e1rio, ele come\u00e7ou a aparecer l\u00e1 nas minhas coisas e lembro-me de ele ter organizado na Faculdade de Jornalismo, que era dura, de esquerdas \u2018b\u00e1sicas\u2019, uns debates sobre o aborto. E convidou-me. E aqui foi duro!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Da \u201cAla dos Namorados\u201d \u00e0s \u201cDamas e Valetes\u201d<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8211; Foi no Porto tamb\u00e9m, ou j\u00e1 antes, que lan\u00e7ou formalmente os grupos de acompanhamento a namorados e depois casais?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Casais j\u00e1 havia. Comecei em Coimbra a fazer cursos de noivos. E, em Coimbra, parecia-me que as coisas estavam a pedir: havia por ali muitos namorados e namoradinhos e depois havia grupos de casais&#8230; Ent\u00e3o comecei, em Coimbra, com uma coisa que se chamava \u2018A ala dos Namorados\u2019. Quando eu fui para o Porto, achei que este nome n\u00e3o me ca\u00eda bem no Porto. Esses grupos, no Porto, passaram a chamar-se \u2018Damas e Valetes\u2019. E funcionaram muito bem.<\/p>\n<p>Eu dizia: muitas vezes, os casamentos falham porque se namorou mal. E, portanto, n\u00e3o se fizeram verdadeiras decis\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E foi desse trabalho, em conjunto, com namorados e depois com casais, que foi criando tamb\u00e9m alguma escola neste tema?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, existe um livrinho sobre isso, porque essa escola eram as que me acompanhavam nos cursos de noivos. Chama-se \u00abO que n\u00e3o cresce, decresce\u00bb. Que inventaram tamb\u00e9m uma coisa muito simp\u00e1tica, que est\u00e1 agora a funcionar muito bem e que est\u00e1 a vir do Porto, com o exemplo deles. Chama-se \u2018Esta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7o\u2019. \u2018Esta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7o\u2019 \u00e9 um casal que se fez conhecer durante a forma\u00e7\u00e3o das equipas de noivos e que depois do casamento acompanha um ou dois casais que queiram ser acompanhados a percorrer o seu primeiro ano de casamento, sobretudo. Porque tamb\u00e9m \u00e9 um problema: imensa prepara\u00e7\u00e3o, mas depois s\u00e3o largados. Quem \u00e9 que os acompanha? S\u00e3o casais relativamente pr\u00f3ximos, mas j\u00e1 com uma estrutura familiar, que ficam encarregados de ser a \u2018Esta\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7o\u2019. Um deles, os casalinhos novos, podem \u201cir \u00e0 bomba\u201d de vez em quando restabelecer, ver como \u00e9 que andam os pneus&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Gostava ainda de focar mais dois projetos a que o padre Vasco Pinto de Magalh\u00e3es esteve particularmente ligado e depois j\u00e1 vamos a este tema da fam\u00edlia de uma forma mais abrangente. Agora, o grupo \u2018Ao 3\u00ba Dia\u2019.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Ah, sim! Tamb\u00e9m isso \u00e9 uma coisa muito bonita, onde tamb\u00e9m fui \u201capanhado\u201d, com todo o gosto. Mariana Abrantes Pinto, uma mulher de grande qualidade, de grande interven\u00e7\u00e3o e de uma espiritualidade muito forte; criou grupos de acompanhamento de pessoas ou doentes graves ou doen\u00e7as cr\u00f3nicas e que \u00e0s vezes ficam muito perdidas e n\u00e3o t\u00eam quem as acompanhe. Uma coisa \u00e9 acompanhamento diretamente religioso. Outra coisa \u00e9, independentemente da religi\u00e3o, oferecer a estas pessoas a oportunidade de se encontrarem e de partilharem as alegrias dif\u00edceis e as tristezas para aprender a viver nesta formula\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de renascer, de se redimir, de ultrapassar&#8230; A ideia \u201cao terceiro dia\u201d, da ressurrei\u00e7\u00e3o. As pessoas que vivem a proximidade da morte de uma forma muito dolorosa, doen\u00e7as cr\u00f3nicas muito dif\u00edceis, v\u00e3o criar alguns grupos onde podem trocar as suas descobertas, as suas dif\u00edceis aceita\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o. E o grupo chama-se \u2018Ao 3\u00ba Dia\u2019: procuramos n\u00e3o ficar nem no primeiro, que \u00e9 o estado de choque, nem no segundo, que \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o dolorosa das coisas, a interroga\u00e7\u00e3o e a mastiga\u00e7\u00e3o disto tudo e \u00e0s vezes sem sa\u00edda, h\u00e1 pessoas que ficam longamente no segundo dia&#8230; At\u00e9 que nos podemos ajudar a encontrar caminhos! Encontrar caminhos para n\u00e3o iludir que tem uma doen\u00e7a grav\u00edssima, que \u00e9 mesmo uma coisa cr\u00f3nica que n\u00e3o vai sair dali ou que est\u00e1 pendente de muitas coisas. N\u00e3o, vamos enfrentar essa realidade e encontrar caminhos! Ent\u00e3o, os grupos \u2018Ao 3\u00ba Dia\u2019 que se devem mais \u00e0 Mariana do que a mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_333770\" aria-describedby=\"caption-attachment-333770\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-333770 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Padre-Vasco-Pinto-de-Magalhaes-13.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-333770\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>&#8211; <\/em><em>Padre Vasco, recorde-nos esse tempo da funda\u00e7\u00e3o do Centro de Bio\u00e9tica, onde esteve tamb\u00e9m envolvido&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Mais uma&#8230; As coisas foram acontecendo. \u00c9 o que eu digo!<\/p>\n<p>Isso foi uma experi\u00eancia tamb\u00e9m muito bonita. Agora estou com isto mais f\u00e1cil, porque estes dias tenho estado a rever o filme, com alegria. E essa foi uma grande experi\u00eancia. Ainda dura, embora esteja numa fase um bocadinho&#8230; Mas foi a primeira organiza\u00e7\u00e3o de bio\u00e9tica em Portugal. Coimbra prestava-se porque estabelecemos grandes amigos, sobretudo entre m\u00e9dicos, entre juristas, alguns psic\u00f3logos. E as quest\u00f5es de bio\u00e9tica estavam a despoletar: era uma palavra nova, n\u00e3o existia. Potter, americano, tinha lan\u00e7ado um livro \u00abBio\u00e9tica, uma ponte para o futuro\u00bb. E era uma grande novidade! A palavra bio\u00e9tica era um neologismo: havia \u00e9tica, a \u00e9tica m\u00e9dica. Mas esta liga\u00e7\u00e3o profunda entre a ci\u00eancia e a pr\u00e1tica cient\u00edfica e a \u00e9tica \u00e9 uma experi\u00eancia que n\u00e3o se pode separar, que, mais que \u00e9tica m\u00e9dica, \u00e9 bio\u00e9tica, que se alastra e depois se combina com ecologia e outras frentes, estava na ordem do dia. E ali e tamb\u00e9m no Porto, com alguns m\u00e9dicos e n\u00e3o s\u00f3, o professor Walter Oswald, professor Daniel de Serr\u00e3o, em Coimbra, Jorge Biscaia, Agostinho Almeida Santos, Barbosa de Melo&#8230; Come\u00e7\u00e1mos a reunir, depois surgiu a primeira revista e come\u00e7\u00e1mos a fazer ciclicamente pequenos cursos de alertar e ir buscar esta reflex\u00e3o, onde se apanham todos estes temas, com um estudo profundo da dimens\u00e3o \u00e9tica da vida, mas particularmente as quest\u00f5es \u00e9ticas que se levantam, das coisas mais evidentes. Ent\u00e3o, hoje, tudo agora se triplica com as quest\u00f5es que se levantam, com as ideologias de g\u00e9nero e outras coisas todas por a\u00ed.<\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia muito rica: gente muito boa, muito dedicada. Ent\u00e3o construiu-se o CEB, Centro de Estudos de Bio\u00e9tica, que continua: depois teve a sua sede no Porto, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo. Estava ligada \u00e0 Universidade Cat\u00f3lica, no Porto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; <\/em><em>E <\/em><em>estes s\u00e3o alguns projetos onde o nome do padre Vasco Pinto Magalh\u00e3es emerge rapidamente. Acredito que muitos outros projetos, muitas outras iniciativas, tamb\u00e9m assinalam estes 50 anos de sacerd\u00f3cio&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Pois, at\u00e9 me espanto! Realmente, fal\u00e1mos de tanta coisa&#8230; Acontece-me.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; N\u00e3o vira costas?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o digo que n\u00e3o. Fico ali a ponderar, porque eu levo tempo. Levo tempo porque preciso sempre de ponderar para perceber bem se \u00e9 A, \u00e9 B, \u00e9 C, porque n\u00e3o D?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E se quisermos encontrar uma marca que sempre foi identificando a presen\u00e7a do padre Vasco Pinto Magalh\u00e3es, a palavra acompanhamento pode defini-la?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Acho que sim. \u00c9 o que eu fa\u00e7o mais. Ent\u00e3o, atualmente&#8230; Nem vou escrevendo, porque os livros tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o livros que eu tenha escrito, assim como tal. Por exemplo, estes dois que fal\u00e1mos, eram os temas que eu tratava, que ficavam depois escritos ou gravados, num curso. Depois, pode-se \u201ccozinhar\u201d e dar um livro, mas n\u00e3o nasceu para ser um livro. A maior parte destes livros foram grava\u00e7\u00f5es de cursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Tamb\u00e9m este que temos aqui em cima da mesa, \u00abS\u00f3 avan\u00e7a quem descansa\u00bb?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, um bocadinho mais tratado, mas eram coisas que eu andava a tratar e a falar sobre elas. Antes do livro, a conversa e a grava\u00e7\u00e3o e depois&#8230; Os outros quase todos&#8230; Tamb\u00e9m o que agora est\u00e1 para sair, s\u00e3o o conjunto de tr\u00eas noites aqui na \u2018Brot\u00e9ria\u2019. Uma coisa sobre o discernimento espiritual. O discernimento das op\u00e7\u00f5es e o discernimento da vida interior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E vemos aqui no programa da \u2018Brot\u00e9ria\u2019, julho-setembro, que no dia 20 de julho, far\u00e1 aqui uma sess\u00e3o especial, precisamente sobre este livro \u00abS\u00f3 avan\u00e7a quem descansa\u00bb.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim. Mais que sobre o livro, sobre a realidade.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9: na vida agitada que a gente tem, na correria, t\u00e3o importante saber descansar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 uma sabedoria: a sabedoria do descanso. Descansar n\u00e3o \u00e9 parar e ficar a olhar para o teto. Descansar \u00e9 uma atividade. Pode n\u00e3o parecer!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Entre os v\u00e1rios livros que foi escrevendo, confesso que para identificar um livro com o seu autor, recordo-me imediatamente de \u00abN\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es, h\u00e1 caminhos\u00bb. Que tamb\u00e9m surgiu de programas na R\u00e1dio Renascen\u00e7a, creio eu?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim. Na Renascen\u00e7a, eu fazia uma frase para cada dia, que ao princ\u00edpio at\u00e9 ia l\u00e1 eu dizer. \u00c0s vezes havia algu\u00e9m que podia fazer a locu\u00e7\u00e3o, mas escrevia um pensamento para cada dia do ano. E, na Renascen\u00e7a, saiu um livro que tem um pensamento para 365 dias&#8230; Na verdade, que acrescentei depois um 13\u00ba m\u00eas. Portanto, n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 365 pensamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E este livro indica tamb\u00e9m o sentido da sua miss\u00e3o sacerdotal, do acompanhamento que faz, da presen\u00e7a que tem: n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o de dizer imediatamente ao seu interlocutor \u201c\u00e9 por aqui ou \u00e9 por acol\u00e1\u201d. H\u00e1 uma provoca\u00e7\u00e3o, o lev\u00e1-lo \u00e0 descoberta?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim! Isso \u00e9 o Evangelho. O Evangelho n\u00e3o d\u00e1 solu\u00e7\u00f5es, faz propostas e desafios e faz-nos pensar como \u00e9 que depois se podem aplicar na minha vida, como \u00e9 que, ao longo de 20 s\u00e9culos, essas propostas s\u00e3o sempre atuais. Aquilo n\u00e3o \u00e9 uma coisa para ser cumprido \u00e0 letra, \u00e9 um desafio a ser lido conforme a circunst\u00e2ncia e o tempo.<\/p>\n<p>O Evangelho faz isso: temas com um olhar positivo para a vida, no meio da negatividade, no meio dos pessimismos todos, no meio das inquieta\u00e7\u00f5es, ter ali um pensamento di\u00e1rio. Isso n\u00e3o tinha novidade, mas quando a Renascen\u00e7a me convidou para poder fazer isso, que ainda h\u00e1 e havia outros, ent\u00e3o depois aquilo, um dia, deu um livro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E est\u00e1 entre, enfim, as dezenas que t\u00eam com a sua autoria&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8211; O livro que \u00e9 uma colet\u00e2nea grande de temas, e tem mais a ver com a \u00e9tica, \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de temas e de confer\u00eancias, em debates, mais a ver com a bio\u00e9tica, chama-se \u00abOlhar e o Ver\u00bb.<\/p>\n<p>Os programas que fazia com o Henrique Manuel na Renascen\u00e7a tamb\u00e9m deram livros. Eram conversas que depois passaram para a escrita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acompanhamento<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8211; Padre Vasco, para al\u00e9m dos muitos projetos, dos momentos da vida, creio que h\u00e1 temas que sempre o definem e gostava que refletisse connosco hoje aqui sobre esses temas. J\u00e1 vamos \u00e0 fam\u00edlia, j\u00e1 vamos tamb\u00e9m a uma fase mais adulta, mas antes a juventude, a universidade.<\/em> <em>Trazendo o sacerd\u00f3cio para os dias de hoje, de que forma \u00e9 poss\u00edvel o acompanhamento que sempre fez quando a assun\u00e7\u00e3o de valores, de ideais, de decis\u00f5es permanentes \u00e9 cada vez mais n\u00e3o s\u00f3 dif\u00edcil, como rejeitada mesmo?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 todo um trabalho de ajudar as pessoas a motivarem-se para n\u00e3o ficar no imediatismo ou atr\u00e1s das filosofias \u2018emotivistas\u2019, que s\u00e3o uma doen\u00e7a grave, para ajudar as pessoas a cultivar a dist\u00e2ncia cr\u00edtica e o pensamento cr\u00edtico. A dist\u00e2ncia cr\u00edtica significa isto: n\u00e3o me deixar envolver imediatamente pelas opini\u00f5es, por muito que eu goste mais desta ou daquela. Analisa primeiro. Mant\u00e9m a tua liberdade e ensinar as pessoas, no acompanhamento, ajudar a pessoa a perceber se est\u00e1 a ser livre ou se est\u00e1 a repetir qualquer coisa, ou se est\u00e1 num seguidismo de grupo ou de partido que, para o fazer, seja por op\u00e7\u00e3o. E, por isso, o cultivo da dist\u00e2ncia cr\u00edtica que \u00e9 uma coisa muito importante dos exerc\u00edcios espirituais. O cultivo da liberdade interior. Falamos todos de liberdade, mas estamos todos t\u00e3o prisioneiros a imagens, a esquemas, a modas, que \u00e9 muito dif\u00edcil depois a press\u00e3o social n\u00e3o dominar. E ent\u00e3o vamos por emo\u00e7\u00f5es. E por isso tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do pensamento cr\u00edtico. Avaliar e tamb\u00e9m o pensamento cr\u00edtico de si pr\u00f3prio. Acho que isto est\u00e1 muito na base daquilo que pode servir \u00e0s pessoas. Porque se n\u00e3o vou nesta corrente, vou naquela corrente, sou boa pessoa, est\u00e1 bem, sim, com certeza. Mas depois n\u00e3o h\u00e1 interven\u00e7\u00e3o personalizada, h\u00e1 grupos que facilmente se radicalizam. E ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 pensamento, estou a defender a minha dama. Mas pensa: o que \u00e9 que podes encontrar de positivo no outro lado? Para uma coisa que tamb\u00e9m me parece muito importante num acompanhamento de espiritualidade, que \u00e9 uma outra vertente, que \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o pessoal versus pressa de ser feliz. E a\u00ed \u00e0s vezes \u00e9 terr\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 preciso n\u00e3o ter pressa para ser feliz?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9. Porque a pressa estraga tudo. A pressa come coisas, passa por cima, n\u00e3o consegue distinguir o que \u00e9 que \u00e9 mais importante. E h\u00e1 uma correria, mas todos temos muita pressa de resolver, de fazer o curso, de ser feliz, de experimentar. E a pressa atropela. N\u00e3o \u00e9 ficar na ressaca, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 adiar. Adiar n\u00e3o ajuda ningu\u00e9m. Ou ficar a olhar para tr\u00e1s. Mas a pressa \u00e9 perigosa, \u00e9 muito perigosa. Porque faz parte da sabedoria do tempo. Que \u00e9 dar tempo ao tempo. As coisas precisam do seu tempo. E a pressa \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o que todos temos, mas atropela, faz passar por cima, n\u00e3o deixa ver. E \u00e9 preciso ter tempo para ver, para contemplar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; \u00c9 poss\u00edvel rejeitar essa tenta\u00e7\u00e3o quando a press\u00e3o do ranking, dos objetivos est\u00e1 sempre presente?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Ou se cultiva uma vida interior com alguma solidez ou ent\u00e3o, muito fragilizados, corremos atr\u00e1s da bola. Mas n\u00e3o passamos a bola.<\/p>\n<p>O nosso mundo, oferecendo tanta coisa e com tanta competi\u00e7\u00e3o, cria muitas vezes dificuldades da aceita\u00e7\u00e3o pessoal. Estamos cheios de modelos e vamos atr\u00e1s disso: os felizes s\u00e3o estes&#8230; E a cultura, de alguma maneira, cultiva a competi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 compet\u00eancia.<\/p>\n<p>E esta gente nova sofre muito por se encontrar consigo pr\u00f3pria. O que \u00e9 que eu sou? O que \u00e9 que eu ando c\u00e1 a fazer?<\/p>\n<p>Estas duas linhas, tenho-as bastante claras. Mas, cada caso \u00e9 um caso!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8211; E se quisermos pensar na fam\u00edlia&#8230; O padre Vasco escreveu e disse v\u00e1rias vezes que a fam\u00edlia \u00e9 capaz de ser a institui\u00e7\u00e3o mais atacada nos dias de hoje.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim, \u00e9 verdade. Acho que sim. Diretamente ou indiretamente, as ideologias \u00e0 roda da ideologia de g\u00e9nero, destroem a fam\u00edlia. Consciente ou inconscientemente \u00e9 o objetivo, \u00e9 o que vai acontecer. Porque todas estas quest\u00f5es \u00e0 roda de uma sexualidade por mero impulso, tanto faz, destroem isso. Medo da natalidade&#8230; Queixamo-nos muito na natalidade, mas temos imenso medo da natalidade. E j\u00e1 se consegue meter esse medo aos mais novos. N\u00e3o comentes nisso!<\/p>\n<p>E isso destr\u00f3i aquilo que me parece &#8211; e n\u00e3o \u00e9 preconceito &#8211; que a c\u00e9lula base da sociedade \u00e9 a fam\u00edlia. A fam\u00edlia tradicional, chamem-lhe o que quiser, \u00e9 a fam\u00edlia natural. Porque natureza pura n\u00e3o h\u00e1, nem h\u00e1 fam\u00edlias quimicamente puras. H\u00e1 fam\u00edlias, h\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es e estruturas. De facto, a base da sociedade \u00e9 o homem e a mulher, fecundo, respons\u00e1veis pela vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E \u00e9 esse o prop\u00f3sito que \u00e9 essencial garantir?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 essencial garantir. Porque se n\u00e3o, estamos a suicidar. Um mundo onde nos fechamos sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, onde o amor \u00e9 fundamentalmente satisfa\u00e7\u00e3o, porque, ainda que seja muito ajudar o outro, isso n\u00e3o dura sempre, se isso n\u00e3o tem fecundidade&#8230; Como crist\u00e3os, \u00e9 essa a nossa responsabilidade de criar, recriar: somos feitos para criar o mundo, n\u00e3o s\u00f3 para o amparar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; E chegamos novamente a esse t\u00edtulo, \u00abO que n\u00e3o cresce, decresce\u00bb.<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Sim. Porque a fam\u00edlia \u00e9 isso, \u00e9 um processo de crescimento: pessoal, interpessoal e transpessoal, no sentido de ajudar a vida a outros. Sem isso, estamos a matar, estamos a eliminar.<\/p>\n<p>D\u00e1 muito trabalho, \u00e9 caro! \u00c9 claro que \u00e9 um problema pol\u00edtico tamb\u00e9m aqui, a escola, os acompanhamentos, mas n\u00e3o viemos a este mundo para nos tentar distrair e divertir um bocadinho.<\/p>\n<p>Mas, mesmo isso, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser crente para perceber o que \u00e9 que eu fa\u00e7o?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Diante de muitas press\u00f5es, de muitos modelos apresentados, tamb\u00e9m para a fam\u00edlia, para a vida em grupo, para a vida em sociedade, aquela sugest\u00e3o do padre Vasco Pinto Magalh\u00e3es do distanciamento, da autocr\u00edtica, \u00e9 tamb\u00e9m a solu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Isso est\u00e1 sempre na base! O que eu fa\u00e7o, fa\u00e7o de uma forma respons\u00e1vel porque pensei sobre isso. N\u00e3o fiquei ali \u00e0s voltas, para encontrar o que \u00e9 que faz sentido. E n\u00e3o \u00e9, voltando ao outro t\u00edtulo, n\u00e3o \u00e9 encontrar uma solu\u00e7\u00e3o, \u00e9 encontrar um caminho. Caminho que cada um faz depois no seu ritmo certo. Faz o teu caminho!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Diante da indiferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8211; Um terceiro tema e \u00faltimo&#8230; Sobre a experi\u00eancia crente, nomeadamente a participa\u00e7\u00e3o nas comunidades crentes, a Igreja Cat\u00f3lica ou outras. A indiferen\u00e7a \u00e9 hoje o principal, n\u00e3o diria opositor, mas o interlocutor que \u00e9 preciso ter presente, a indiferen\u00e7a diante do fen\u00f3meno religioso?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Eu acho que faz procurar outras perten\u00e7as, mais imediatistas, mais a curto prazo, porque o que assusta \u00e9 um bocado o longo prazo, \u00e9 o casamento para a vida. Acho que \u00e9 um risco! As Igrejas e religi\u00f5es n\u00e3o podem ser paternalistas, n\u00e3o podem querer estar a formatar. A forma n\u00e3o \u00e9 uma forma. H\u00e1 uma forma de ser, mas n\u00e3o h\u00e1 uma forma. E a liberdade \u00e9 isso: tanta informa\u00e7\u00e3o, tanta coisa que as pessoas sentem-se inseguras, onde \u00e9 que eu me pego? E uma das rea\u00e7\u00f5es \u00e9 n\u00e3o pegar em nada. N\u00e3o percebo, n\u00e3o me pega nada, n\u00e3o me diz nada, n\u00e3o me d\u00e1 respostas nem solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas&#8230; Ent\u00e3o h\u00e1 uma esp\u00e9cie de desconfian\u00e7a, de indiferen\u00e7a. Para o bem e para o mal tudo se critica, pode-se chegar a esse medo de dar um passo de compromisso. Chama-se indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero que as pessoas sejam indiferentes, porque rapidamente a substituem por outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Rejeitam, ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Rejeitam esta que est\u00e1 velha, que tem uns tipos que ningu\u00e9m percebe, que tem uma linguagem que n\u00e3o sei o qu\u00ea, que est\u00e1 a repetir sempre o mesmo, aquela que a gente j\u00e1 percebe de onde \u00e9 que vem e que faz dinheiro com n\u00e3o sei o qu\u00ea, e portanto h\u00e1, muito rapidamente, umas formas de rejei\u00e7\u00e3o, mas para aderir a outras coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria muito estar a falar disso, mas o que \u00e9 o \u201cwoke\u201d? \u00c9 uma religi\u00e3o, \u00e9 uma forma religiosa. Aderir \u00e0quela coisa sem pensar \u00e9 uma esp\u00e9cie de f\u00e9 que estava tudo mal e agora vai estar tudo bem. Porque h\u00e1 uma nova liberdade, porque h\u00e1 um renascimento&#8230; E, ainda por cima, \u00e9 uma religi\u00e3o que se imp\u00f5e, porque quem n\u00e3o quiser seguir aquilo, \u00e9 atrasado mental.<\/p>\n<p>H\u00e1 assim uma esp\u00e9cie de querer ser moderno, mas \u00e9 uma coisa muito religiosa.<\/p>\n<p>H\u00e1 dias estava a ler umas coisas sobre as heresias dos c\u00e1taros e os albigenses, do s\u00e9culo XIII, t\u00eam coisas muito parecidas. Acho que estamos a voltar \u00e0quela onda terr\u00edvel, que demorou 200 anos a superar&#8230; Eles tamb\u00e9m se chamavam os puros, eles \u00e9 que sabiam. Tinha um dualismo de vida terr\u00edvel, porque achavam que o corpo vinha do princ\u00edpio do mal e o esp\u00edrito vinha do princ\u00edpio do bem. E portanto podia haver um bom esp\u00edrito no mau corpo ou no corpo errado, tamb\u00e9m achavam isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Nesse ambiente que nos caracteriza, que import\u00e2ncia tem centros de cultura, de encontro, de di\u00e1logo, como \u00e9 este centro da Brot\u00e9ria?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 muito importante. Depende muito tamb\u00e9m da dedica\u00e7\u00e3o. Acho que h\u00e1 tamb\u00e9m a dimens\u00e3o da arte, da literatura, da revista. O pensamento debatido e pensado, e temos a galeria de arte que faz um trabalho muito dif\u00edcil de classificar, porque \u00e9 uma coisa muito no seu tempo. E \u00e0s vezes n\u00e3o temos dist\u00e2ncia ainda para nada disto&#8230; Mas, por outro lado, tem que se estar na onda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; Estes s\u00e3o os centros tamb\u00e9m de escuta e de acompanhamento?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Todos devem ser, de alguma maneira. N\u00e3o \u00e9 esta a especialidade, n\u00e3o \u00e9 um centro de espiritualidade. Mas um padre n\u00e3o pode fazer uma coisa esquecendo a outra: posso estar a falar de arte, ou de literatura, ou de r\u00e2guebi, mas n\u00e3o posso esquecer como \u00e9 que isto tudo se integra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8211; 50 anos ap\u00f3s a ordena\u00e7\u00e3o do sacerdotal, \u00e9 aqui, no centro de Lisboa, que continua esse desafio?<\/em><\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 um desafio muito grande, muito interessante, com muita grande dificuldade de lugar, estamos em cima do cavalo. Acho que aqui h\u00e1 uma equipa muito determinada e com muita boa vontade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":9,"featured_media":333768,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[343,236],"class_list":["post-333787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-de-lisboa","tag-jesuitas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333787"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333787\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/333768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}