{"id":33369,"date":"2008-07-29T12:39:24","date_gmt":"2008-07-29T12:39:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/07\/29\/olhar-o-mundo-como-dom-de-deus\/"},"modified":"2008-07-29T12:39:24","modified_gmt":"2008-07-29T12:39:24","slug":"olhar-o-mundo-como-dom-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/olhar-o-mundo-como-dom-de-deus\/","title":{"rendered":"Olhar o mundo como dom de Deus"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral de Bento XVI para o m\u00eas de Agosto <!--more--> <i>Que a fam\u00edlia humana saiba respeitar o plano do Criador sobre o mundo e seja cada vez mais consciente do grande dom de Deus que \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o<\/i> 1.\tCria\u00e7\u00e3o, dom de Deus \tO modo crist\u00e3o de olhar o mundo, partilhado com outras religi\u00f5es, n\u00e3o dispensa este princ\u00edpio: tudo \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, dom gratuito de Deus. H\u00e1 outros modos de olhar o universo, modos materialistas, nos quais o conceito de cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem lugar \u2013 o universo \u00e9 olhado como fruto de for\u00e7as e acasos sem nenhum princ\u00edpio explicativo. Mesmo assim, \u00e9 poss\u00edvel encontrar preocupa\u00e7\u00f5es comuns a crentes e ateus relativamente ao cuidado a ter com a natureza. Tais preocupa\u00e7\u00f5es comuns dizem respeito, sobretudo, ao esfor\u00e7o por encontrar formas cada vez mais humanas de viver e ter acesso aos bens da terra sem destruir irremediavelmente a cria\u00e7\u00e3o.  2.\tSacraliza\u00e7\u00e3o da natureza \tAs preocupa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas fazem cada vez mais parte do nosso quotidiano \u2013 seja-se crente ou n\u00e3o. H\u00e1 uma consci\u00eancia cada vez mais clara de que a ac\u00e7\u00e3o humana transforma a natureza, e nem sempre para melhor. Os \u00abmovimentos ecol\u00f3gicos\u00bb \u2013 e at\u00e9 os partidos pol\u00edticos ecologistas \u2013 t\u00eam na sua origem, quase sempre, esta consci\u00eancia da fragilidade da natureza e da necessidade de adoptar modelos de desenvolvimento mais respeitadores dos equil\u00edbrios naturais. H\u00e1, por\u00e9m, ideologias radicais que, em nome da natureza e sua defesa, se v\u00eam revelando cada vez mais inimigas do homem. Tais ideologias, muito devedoras do materialismo actual, pseudo-cient\u00edfico, acabam deificando a natureza, considerando-a \u00absagrada\u00bb, \u00abintoc\u00e1vel\u00bb&#8230; e, no mesmo passo, demonizam o homem e a sua ac\u00e7\u00e3o sobre o mundo, vista sempre como m\u00e1 e prejudicial. Perde-se, deste modo, aquela concep\u00e7\u00e3o mais equilibrada segundo a qual o resultado da ac\u00e7\u00e3o sensata do homem sobre a natureza \u00e9 um gradual processo de humaniza\u00e7\u00e3o do mundo, que vai sendo transformado e tornado cada vez mais habit\u00e1vel.  3.\tQuest\u00f5es em aberto \tO ecologismo ideol\u00f3gico encontrou no \u00abaquecimento global\u00bb e na utiliza\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis o seu mais significativo campo de batalha. Aquele, atribu\u00eddo exclusivamente \u00e0 ac\u00e7\u00e3o humana, passou de fen\u00f3meno clim\u00e1tico a estudar e enfrentar, se poss\u00edvel e necess\u00e1rio, a ideologia de tipo totalit\u00e1rio, sem possibilidade de contradi\u00e7\u00e3o \u2013 a desqualifica\u00e7\u00e3o de quantos, no mundo cient\u00edfico, procuram explicar de modo diferente as complexidades clim\u00e1ticas actuais \u00e9 o exemplo acabado deste totalitarismo. Mas n\u00e3o se fica por aqui. A subida global dos pre\u00e7os dos cereais, serve-lhe tamb\u00e9m para avan\u00e7ar noutros caminhos. Um dos mais promissores parece ser a tentativa de impor, de novo, o medo da sobrepopula\u00e7\u00e3o humana do planeta, que levaria a escassez cr\u00f3nica de alimentos e a fomes generalizadas. Da\u00ed at\u00e9 \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas estatais de controlo demogr\u00e1fico com penaliza\u00e7\u00f5es para as fam\u00edlias numerosas&#8230; vai um passo pequeno que alguns come\u00e7am a exigir. A carestia dos alimentos tem, evidentemente, muitas causas \u2013 entre elas, a promo\u00e7\u00e3o \u00abecol\u00f3gica\u00bb dos chamados biocombust\u00edveis, feitos a partir de cereais. N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, argumentos s\u00e9rios mostrando a impossibilidade de alimentar a popula\u00e7\u00e3o mundial com os recursos actuais. Infelizmente, isso n\u00e3o det\u00e9m a l\u00f3gica de quem olha os seres humanos como os maiores inimigos de uma natureza sacralizada, \u00e0 qual muitos n\u00e3o se importariam de sacrificar o desenvolvimento dos povos.  4.\t Respeitar o plano do Criador \tDesde as origens, o homem est\u00e1 chamado a \u00abdominar a terra\u00bb (cf. G\u00e9nesis 1, 28). Este dom\u00ednio significa a liberta\u00e7\u00e3o do homem face a todos os \u00abpoderes\u00bb da natureza, pois esta n\u00e3o \u00e9 uma divindade superior ao homem \u2013 logo, \u00e9 princ\u00edpio de liberdade do homem face a todas as outras coisas criadas e instaura a possibilidade de agir sobre a natureza, conhecendo-a e transformando-a. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, um dom\u00ednio isento de \u00abcuidado\u00bb, ou seja, como de senhor sem deveres nem contas a prestar. Mais do que senhorio sobre a cria\u00e7\u00e3o, o dom\u00ednio do homem \u00e9 colabora\u00e7\u00e3o na obra de Deus criador \u2013 e a sua ac\u00e7\u00e3o deve orientar-se no sentido de aprofundar a bondade da cria\u00e7\u00e3o, proclamada tamb\u00e9m nas origens (cf. G\u00e9nesis 1, 31). Eis, pois, como o crist\u00e3o deve entender o plano de Deus sobre a cria\u00e7\u00e3o: um projecto de aperfei\u00e7oamento e humaniza\u00e7\u00e3o continuada, conduzindo a um mundo cada vez mais habit\u00e1vel e acolhedor para todos os filhos de Deus e todas as suas criaturas. Tal n\u00e3o se far\u00e1 sem cansa\u00e7o e sofrimento e apenas se realizar\u00e1 plenamente nos tempos escatol\u00f3gicos. Pode, no entanto, ser j\u00e1 antecipado, sempre que o homem cuida, agradecido, dos bens que lhe foram concedidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral de Bento XVI para o m\u00eas de Agosto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[120,206],"class_list":["post-33369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-bento-xvi","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}