{"id":333305,"date":"2024-07-16T09:10:29","date_gmt":"2024-07-16T08:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=333305"},"modified":"2024-07-08T16:12:40","modified_gmt":"2024-07-08T15:12:40","slug":"uma-mensagem-para-os-novos-padres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-mensagem-para-os-novos-padres\/","title":{"rendered":"Uma mensagem para os novos padres"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto\u00a0<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-321545 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Jorge-Teixeira-da-Cunha.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Sempre que chega o fim do ano letivo, acontece nas nossas dioceses a ordena\u00e7\u00e3o de alguns padres novos. O n\u00famero vai estabilizando em cerca de duas dezenas, entre diocesanos e religiosos. Isso significa principalmente que a voca\u00e7\u00e3o continua a ser uma realidade, mas que temos de pensar com urg\u00eancia sempre maior como vamos assegurar a presid\u00eancia das nossas comunidades paroquiais e os nossos movimentos de apostolado. A Igreja n\u00e3o pode existir sem ministros ordenados, mas a forma de despertar as voca\u00e7\u00f5es e de as validar tem de ser pensada de novo.<\/p>\n<p>Um futuro de trabalho intenso espera estes novos ministros, tendo em conta as necessidades sempre crescentes de gente para assegurar a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia e as outras formas de manuten\u00e7\u00e3o das comunidades. Por isso ocorre defender estes novos ministros para que n\u00e3o sejam submetidos a um ritmo louco que coloca em causa a qualidade do trabalho pastoral e mesmo a perseveran\u00e7a na voca\u00e7\u00e3o. Segundo boas opini\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante boa, mas o acompanhamento dos novos e dos outros deixa algo a desejar. N\u00e3o h\u00e1 muitas solu\u00e7\u00f5es para obviar a este risco, tendo em conta o a forma de vida dos padres seculares, caracterizada pela autonomia, independ\u00eancia e subsist\u00eancia material a cargo de cada um. H\u00e1, por\u00e9m, algumas formas de acompanhamento e alguns cuidados que s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias para que os primeiros tempos dos novos padres n\u00e3o sejam traum\u00e1ticos e n\u00e3o corram o perigo de rapidamente ficarem amargurados e mesmo desesperados. Muito \u00fatil seria distribuir os membros mais experientes, mais prestigiados e mais capazes, pelos lugares que criam centralidade e confiar-lhes algum papel na integra\u00e7\u00e3o e no acompanhamento dos novos que chegam \u00e0 vida pastoral. Com sabedoria e prud\u00eancia, isso seria poss\u00edvel, escolhendo pessoas que sejam capazes de exercer influ\u00eancia sem paternalismo e de motivar os novos sem lhes impor qualquer forma de seguidismo. Alguma vez seremos capazes de operar uma tal reforma das nossas dioceses?<\/p>\n<p>Se \u00e9 certo que o lugar dos padres seculares \u00e9 no meio do seu povo, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que alguma forma de proximidade e de coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel e desej\u00e1vel. Deixados \u00e0 sua sorte, muitos jovens correm o s\u00e9rio risco de optar por estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia pouco defens\u00e1veis. Entre essas, podemos observar alguma tend\u00eancia para o integrismo, para o rubricismo, para a intransig\u00eancia moral e pastoral com os fi\u00e9is. Reparemos que estes caminhos est\u00e3o em linha com certas tend\u00eancias da nossa cultura de hoje. Os movimentos populistas, o crescimento das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas extremistas, revelam uma car\u00eancia de realidade que n\u00e3o existe s\u00f3 na Igreja. Quando assim \u00e9, a cultura inventa formas de sobreviv\u00eancia de substitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, se algo podemos aconselhar aos novos padres \u00e9 n\u00e3o descurem a aut\u00eantica experi\u00eancia da f\u00e9, pois essa \u00e9 o caminho fundamental para a realidade tanto pessoal como comunit\u00e1ria. Essa experi\u00eancia nos livrar\u00e1 de buscar apoios na secura da doutrina, na letra da norma moral, ou na vagabundagem das modas e de estilos de vida apresentados pela comunica\u00e7\u00e3o massiva das redes. A experi\u00eancia da f\u00e9 \u00e9 incoativa, \u00e9 uma convers\u00e3o que configura de novo e profundamente e continuamente a exist\u00eancia humana. Essa experi\u00eancia \u00e9 progressiva e d\u00e1 sentido \u00e0 hist\u00f3ria pessoal e \u00e0 criatividade pastoral imprescind\u00edvel para congregar o povo de Deus. Essa experi\u00eancia supera continuamente o manique\u00edsmo que v\u00ea tudo como mau ou como bom, tanto na vida pessoal como na dos outros. A vida nunca \u00e9 totalmente m\u00e1 nem totalmente boa, \u00e9 um processo hist\u00f3rico de liberta\u00e7\u00e3o do mal e de entrada no bem, uma vida sujeita ao fracasso, ao insucesso, mas, por gra\u00e7a, sempre aberta \u00e0 convers\u00e3o cont\u00ednua. A experi\u00eancia da f\u00e9 aut\u00eantica desenvolve a capacidade de confronto com os outros, de escuta dos outros, de respeito pelos outros. E j\u00e1 por c\u00e1 andava mesmo antes da preocupa\u00e7\u00e3o com a sinodalidade.<\/p>\n<p>Os novos padres sejam bem-vindos. A vida sacerdotal \u00e9 uma aventura inesgot\u00e1vel e n\u00e3o uma forma que se aprende de uma vez para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Teixeira da Cunha, Diocese do Porto\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":321545,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-333305","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333305\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321545"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}