{"id":3333,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/documento-final-do-i-congresso-nacional-da-escola-catolica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"documento-final-do-i-congresso-nacional-da-escola-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/documento-final-do-i-congresso-nacional-da-escola-catolica\/","title":{"rendered":"Documento Final do I Congresso Nacional da Escola Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p>Perspectivas emergentes <!--more--> I CONGRESSO NACIONAL DA ESCOLA CAT\u00d3LICA  Perspectivas emergentes  \u201cEm boa hora decidiu a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas realizar um Congresso Nacional a fim de unir e valorizar esfor\u00e7os e vontades em prol da Escola Cat\u00f3lica\u201d. Estas palavras, com que se inicia a carta da Secretaria de Estado do Vaticano dirigida ao Congresso, expressam bem aquele que \u00e9 o sentir geral de todos os congressistas.  Sabemos que o ambiente educativo no qual vivemos \u00e9 marcado por uma vis\u00e3o estatal de orienta\u00e7\u00e3o claramente laicista., mas, apesar disso, e tamb\u00e9m por isso, n\u00e3o queremos deixar de partilhar e transmitir a nossa  reflex\u00e3o educativa, concretizando, assim, o direito, que \u00e9 tamb\u00e9m para n\u00f3s o dever, de exercer a cidadania,  prestando um servi\u00e7o \u00e1 sociedade portuguesa.  Nesse sentido, foi preocupa\u00e7\u00e3o nossa, ao longo destes dias, \u201credesenhar com esmero a Identidade da Escola Cat\u00f3lica, profeticamente aberta a todos, participada, verdadeira comunidade educativa, sem desmerecer a sua qualidade\u201d, bem como \u201credescobrir que os valores evang\u00e9licos s\u00e3o moldura adequada para um projecto educativo e que \u00e9 inesgot\u00e1vel o paradigma educador que \u00e9 Jesus Cristo\u201d (da mensagem inicial do Secretario Geral ao Congresso).  E sejamos claros, o trabalho que aqui desenvolvemos ao longo destes dias n\u00e3o constituiu, sobretudo, uma quest\u00e3o religiosa, ou confessional, como alguns podem pensar e outros certamente gostariam de fazer crer, mas sim uma quest\u00e3o de liberdade. Com efeito, as liberdades de ensinar e aprender s\u00e3o uma realidade que integra o \u00e2mbito dos direitos fundamentais da pessoa humana. A n\u00f3s compete o dever de exercer estas liberdades, ao Estado a obriga\u00e7\u00e3o de as garantir, defendendo-as de abusos e atropelos e criando as condi\u00e7\u00f5es para o seu exerc\u00edcio (cf mensagem inicial do Secret\u00e1rio Geral, citando o Cardeal Patriarca)  Escola cat\u00f3lica \u2013 Propostas e Desafios  \u00c9 a partir do tema do nosso Congresso que aqui vamos tentar identificar quais as perspectivas e desafios que foram surgindo ao longo da reflex\u00e3o.  Uma primeira perspectiva emerge de uma forma destacada: A Escola Cat\u00f3lica para concretizar a sua miss\u00e3o, na fidelidade \u00e0 sua especificidade, tem de ser verdadeiramente escola e verdadeiramente cat\u00f3lica. Se quisermos, podemos dizer que estas duas dimens\u00f5es constituem as duas faces de uma mesma moeda, e como todos sabemos numa moeda as duas faces s\u00e3o igualmente importantes e indispens\u00e1veis.  \u00c9 desta realidade que surgem as propostas e os desafios, que vamos reflectir em duas direc\u00e7\u00f5es: Do mundo para a Escola Cat\u00f3lica; Da Escola Cat\u00f3lica para o mundo.  Comecemos pela primeira \u2013 Do mundo para a EC.  Hoje parece haver um consenso alargado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o do futuro do mundo, que todos queremos mais humano e mais fraterno.Todos sabemos como \u00e9 fundamental e imprescind\u00edvel que a(s) cultura(s) esteja(m) ao servi\u00e7o da dignifica\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do ser humano.  A partir desta necessidade, podemos perceber como emerge uma clara proposta de interven\u00e7\u00e3o a todos aqueles que tenham a capacidade de reflectir e concretizar a educa\u00e7\u00e3o.  Tamb\u00e9m daqui emergem desafios inevit\u00e1veis:  A Escola Cat\u00f3lica deve ser, tem de ser, uma escola de todos e para todos. A criatividade e a ousadia s\u00e3o a este n\u00edvel indispens\u00e1veis; A Escola Cat\u00f3lica tem de testemunhar inequivocamente a sua identidade, fundada e centrada em Jesus Cristo. Nele encontramos o paradigma para a nossa interven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica.  A Escola Cat\u00f3lica tem que ter significado e ser significante. Podemos estar muito atentos ao mundo, mas se n\u00e3o formos capazes da dimens\u00e3o do transcendente, ent\u00e3o corremos o risco de ser uma escola cujos significantes carecem de significado, uma escola como muitas outras escolas, uma escola que acaba por dizer pouco ainda que o diga muito bem. Podemos estar abertos ao transcendente, mas se n\u00e3o formos capazes de o concretizar na hist\u00f3ria concreta que vivemos, ent\u00e3o corremos o perigo de ter significado, mas carecer de significante. Podemos ainda viver numa constante roda-viva de actividades convencionais e rotineiras, fechando-nos sobre n\u00f3s mesmos, ent\u00e3o corremos o risco de carecer de significado e significante (Cf Ab\u00edlio de Greg\u00f3rio Garc\u00eda, La escuela cat\u00f3lica que escuela?,Anaya 21, Madrid 2001, 52-53). Se quisermos podemos aqui utilizar outra linguagem, a Escola Cat\u00f3lica tem de ser sacramento.   Vejamos, agora, a segunda direc\u00e7\u00e3o &#8211; Da EC para o Mundo  Toda a educa\u00e7\u00e3o, para ser verdadeira educa\u00e7\u00e3o, tem de envolver sempre uma determinada concep\u00e7\u00e3o do ser humano e da vida. \u00c9 a este n\u00edvel que podemos colocar a proposta da EC ao mundo. Trata-se de propor uma cosmovis\u00e3o,  uma concep\u00e7\u00e3o do ser humano e uma experi\u00eancia de vida, tendo como centro inspirador e inst\u00e2ncia cr\u00edtica a pessoa de Jesus Cristo.  A partir daqui emergem desafios evidentes:  A forma\u00e7\u00e3o integral da pessoa humana exige trabalhar a dimens\u00e3o do religioso, da transcend\u00eancia, da interioridade.  N\u00e3o pode haver verdadeira constru\u00e7\u00e3o da personalidade sem valores a partir dos quais se podem discernir os caminhos a trilhar e as atitudes a assumir. Para promover esta educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias escolas enraizadas em verdadeiras comunidades educativas, e estas s\u00e3o muito mais do que simples comunidades laborais.  Para alcan\u00e7ar este objectivo \u00e9 indispens\u00e1vel promover a \u2018cumplicidade\u2019 com as fam\u00edlias no processo de educa\u00e7\u00e3o.   Interpela\u00e7\u00f5es  Por causa da sua miss\u00e3o, a Escola Cat\u00f3lica tem de ser criativa, ousada e interventiva, por isso ela n\u00e3o pode deixar de exigir que os actos das nossas autoridades governativas sejam coerentes com o seu discurso. Na verdade, constantemente ouvimos que uma das grandes apostas do governo (de todos os \u00faltimos governos) \u00e9 numa educa\u00e7\u00e3o de qualidade e que por ela passam muitos dos passos a dar no sentido do progresso do nosso Pa\u00eds.  Tamb\u00e9m temos ouvido dizer, por parte das mesmas autoridades, que a Escola Cat\u00f3lica \u00e9 uma escola de qualidade. Pois bem: sejam ent\u00e3o consequentes apoiando inequivocamente e sem medos, nem preconceitos pol\u00edticos ou religiosos, aqueles que j\u00e1 deram provas sobejas de fazer bem e que continuam comprometidos nesse caminho. Como j\u00e1 se disse no in\u00edcio, o apoio \u00e0 Escola Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o religiosa ou confessional; \u00e9 uma quest\u00e3o de liberdade.  E se nos acusam de ser elitistas ou apenas de chegarmos a algumas franjas (o que de todo nem \u00e9 uma verdade absoluta), ent\u00e3o ajudem-nos a chegar a todos porque, n\u00e3o restem duvidas que \u00e9 essa a nossa vontade e o nosso querer.    Neste caminho \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio assumir, com coragem outros gestos:  Temos que reconhecer que mais do que Escola Cat\u00f3lica, aquilo que ainda somos \u00e9, \u2018escolas cat\u00f3licas\u2019. N\u00e3o se preconiza aqui evidentemente uma uniformiza\u00e7\u00e3o; o que se quer \u00e9 uma maior unidade nos princ\u00edpios, na reflex\u00e3o e nas respostas aos desafios.  Se queremos ser verdadeiras comunidades educativas, ent\u00e3o temos que responder ao desafio da integra\u00e7\u00e3o dos leigos, n\u00e3o apenas porque os religiosos e as religiosas j\u00e1 s\u00e3o poucos, nem somente na partilha das responsabilidades de gest\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso ir mais longe; e, com ousadia, assumir parcerias na constru\u00e7\u00e3o da identidade e no discernimento da miss\u00e3o. Claro que a constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade destas exige v\u00ednculos muito mais profundos que os laborais; para isso \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio que as entidades tutelares e os leigos assumam atitudes e gestos que v\u00e3o para al\u00e9m de um simples contrato laboral.  Temos que assumir, com ousadia, que a Escola Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o \u00e0 Igreja, mas \u00e9 acima de tudo um servi\u00e7o que a Igreja presta ao mundo, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. Por isso ela tem que ser sentidamente acarinhada e apoiada pela comunidade eclesial, na qual, ao viver a experi\u00eancia de encontro com Jesus Ressuscitado, adquire os tra\u00e7os da sua identidade e ganha a for\u00e7a para realizar a sua miss\u00e3o.  O caminho que a partir deste congresso se nos abre \u00e9 certamente dif\u00edcil, mas a fidelidade ao que somos exige que o percorramos com coragem e esperan\u00e7a.   I Congresso Nacional da Escola Cat\u00f3lica F\u00e1tima 15 de Novembro de 2003 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perspectivas emergentes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[171,193,206,207],"class_list":["post-3333","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-beja","tag-educacao","tag-familia","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3333\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}