{"id":332908,"date":"2024-07-07T09:21:49","date_gmt":"2024-07-07T08:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=332908"},"modified":"2024-07-05T15:23:41","modified_gmt":"2024-07-05T14:23:41","slug":"tolerancia-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tolerancia-zero\/","title":{"rendered":"Toler\u00e2ncia Zero"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266640 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Absorvidos com as preocupa\u00e7\u00f5es do quotidiano e as interpela\u00e7\u00f5es de um mundo que se move numa velocidade fren\u00e9tica deixamos escapar, muitas vezes, os sinais vulgares que apontam para uma Sociedade em mudan\u00e7a e n\u00e3o, necessariamente, no melhor sentido.<\/p>\n<p>Um desses sinais \u00e9 a degrada\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, partilhado por todos n\u00f3s, e a destrui\u00e7\u00e3o daquilo que constitui o patrim\u00f3nio colectivo. Na verdade, caminhando pelas ruas da nossa Cidade, e em lugares cujo encanto desde sempre nos seduziu, encontramos, em contraste, locais em que reina a incivilidade. Os \u201cgrafiti\u201d que proliferam pelas paredes de edif\u00edcios p\u00fablicos e privados ou o mobili\u00e1rio urbano que \u00e9 destru\u00eddo s\u00e3o sintomas de uma aus\u00eancia de valores ou, melhor dito, de uma anomia que \u00e9 um estilo de vida de muitos daqueles que connosco partilham a mesma Cidade. \u00c9 doloroso olhar para monumentos onde se escreve a nossa Hist\u00f3ria colectiva e depararmo-nos com a sua degrada\u00e7\u00e3o como se os mesmos fossem \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Muitas vezes os sinais de incivilidade surgem no do dia a dia na hostilidade entre pessoas comuns ou nascem do confronto em rela\u00e7\u00e3o a quem representa a autoridade. Para muitos a rela\u00e7\u00e3o com o Outro \u00e9 pautada pela aus\u00eancia de princ\u00edpios b\u00e1sicos como a dignidade humana e a viol\u00eancia, ou a denominada \u201clei do mais forte\u201d, \u00e9 a regra. O dever de acatar a ordem legitima de quem tem a inerente autoridade \u00e9, para muitos, uma mera figura de ret\u00f3rica pois que as regras de vida s\u00e3o ditadas pelos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Esta incivilidade, que cada vez mais grassa na cidade e no pa\u00eds, n\u00e3o se consubstancia nas formas mais graves de delinqu\u00eancia, mas envenena a vida dos habitantes e contribui para o sentimento de inseguran\u00e7a. Efectivamente, o aumento dos sinais de incivilidade sem qualquer sinal de repress\u00e3o, ou regress\u00e3o, conduz irremediavelmente a um aumento da delinqu\u00eancia e do sentimento de inseguran\u00e7a pessoal, bem como \u00e0 eros\u00e3o do controlo social informal, convocando gradualmente a ina\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os que, por medo, fatalismo ou exaspera\u00e7\u00e3o, evitam o confronto com os seus agentes.<\/p>\n<p>Importa aqui acentuar n\u00e3o \u00e9 a pobreza que produz inseguran\u00e7a, antes pelo contr\u00e1rio. A rela\u00e7\u00e3o l\u00f3gica \u00e9 outra: um espa\u00e7o degradado pela incivilidade e pelo crime s\u00f3 pode conduzir \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida dos seus habitantes que, muitas vezes, s\u00e3o os mais carenciados. Em muitos casos estes n\u00e3o ter\u00e3o outro rem\u00e9dio sen\u00e3o partir.<\/p>\n<p>Estamos em crer que este \u00e9 um tempo em que se imp\u00f5e por um lado a recupera\u00e7\u00e3o imediata do que \u00e9 o espa\u00e7o comum, alvo de actos de incivilidade e, por outro, uma intoler\u00e2ncia, sem condescend\u00eancia, para com os actos que corroem o tecido social. Esta \u00e9, certamente, a prioridade das prioridades, ou seja, uma reconquista proactiva do espa\u00e7o, baseada na n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da incivilidade. Falamos, assim, de uma toler\u00e2ncia zero.<\/p>\n<p>Lastimavelmente, muitos destes fen\u00f3menos que contribuem para a degrada\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o comum, e rompem os la\u00e7os sociais, s\u00e3o olimpicamente afastados dos discursos oficiais e omitidos nas estat\u00edsticas. Muitos deles s\u00e3o sinais de que, como dizia Shakespeare, algo est\u00e1 mal no reino da Dinamarca, sendo este o momento de repensar os caminhos percorridos.<\/p>\n<p>Assim, a Escola, espa\u00e7o inviol\u00e1vel ao qual confiamos os nossos jovens na expectativa de que a mesma seja um lugar de conhecimento, civilidade e seguran\u00e7a, transformou-se, em muitos locais em algo distinto, e mais parecido com um espa\u00e7o de confronto. \u00a0De acordo com uma balan\u00e7o recente <strong>o ano letivo 2021\/2022 registaram-se 6.067 ocorr\u00eancias<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>em ambiente escolar, mais 1.573 do que no ano anterior. Entre as principais ocorr\u00eancias, a esmagadora maioria nos distritos de Lisboa e Porto,\u00a0<strong>registaram-se 1.860 ofensas \u00e0 integridade f\u00edsica<\/strong><strong>,\u00a0<\/strong><strong>1.128 casos de inj\u00faria ou amea\u00e7a<\/strong><strong>\u00a0e<\/strong><strong>\u00a0711 furtos<\/strong>, mas tamb\u00e9m ofensas sexuais e posse ou uso de arma. Os principais diagn\u00f3sticos est\u00e3o relacionados com<strong>\u00a0<\/strong><strong>comportamentos graves antissociais ou de indisciplina<\/strong><strong>, <\/strong>mas h\u00e1 tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es de<strong>\u00a0<\/strong><strong>consumo de estupefacientes<\/strong><strong>,\u00a0 <em>b<\/em><\/strong><em>ullying<strong>,<\/strong><\/em><strong>\u00a0<\/strong><strong>consumo de bebidas alco\u00f3licas<\/strong><strong>,\u00a0<\/strong><em>gaming <\/em>\u00a0(jogos de entretenimento),\u00a0<em>gambling<\/em>\u00a0(jogos a dinheiro) e\u00a0<strong>pr\u00e1tica de crimes<\/strong> (Conf. Viol\u00eancia nas escolas \u2014 Caracteriza\u00e7\u00e3o, An\u00e1lise e Interven\u00e7\u00e3o\u201d de Miguel Rodrigues)<\/p>\n<p>A autoridade dos Educadores \u00e9, muitas vezes, minada por uma leitura condescendente que hipoteca o futuro. Esta n\u00e3o \u00e9, certamente, a Escola que queremos para os nossos filhos.<\/p>\n<p>Como afirma o Papa <em>Francisco<\/em>: pensar na\u00a0<em>Educa\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0\u00e9 pensar nas gera\u00e7\u00f5es futuras e no futuro da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-332908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=332908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332908\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=332908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=332908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=332908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}