{"id":33234,"date":"2008-07-22T11:59:01","date_gmt":"2008-07-22T11:59:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/07\/22\/voluntariado-para-a-cooperacao-3\/"},"modified":"2008-07-22T11:59:01","modified_gmt":"2008-07-22T11:59:01","slug":"voluntariado-para-a-cooperacao-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-para-a-cooperacao-3\/","title":{"rendered":"Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Compreender o que motiva os jovens Volunt\u00e1rios a partirem para os pa\u00edses em desenvolvimento <!--more--> No passado dia 2 de Julho defendi a minha tese de mestrado que procura analisar o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o: os seus actores, promotores e campo de actua\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que procura vislumbrar qual o seu futuro. Com este trabalho procurei ir \u00e0s origens do Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o, \u00e0s Miss\u00f5es, para perceber como nasceu e para servir que tipo de fins. Para tal, procurei acompanhar a sua evolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar aos Volunt\u00e1rios mission\u00e1rios e laicos dos dias de hoje.  Atrav\u00e9s deste trabalho procurei a resposta para algumas inquieta\u00e7\u00f5es, como: perceber qual o papel do Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o nas sociedades de hoje, inseridas no contexto da globaliza\u00e7\u00e3o. Qual o seu contributo? Compreender o que motiva os jovens Volunt\u00e1rios a partirem para os pa\u00edses em desenvolvimento, a darem parte do seu tempo para uma causa diferente. \u00c9 o mundo que apela aos jovens para partirem ou s\u00e3o os jovens que se sentem impelidos a mudar a realidade que os rodeia?  A rapidez das not\u00edcias e da comunica\u00e7\u00e3o, a melhoria dos meios de transporte, nomeadamente a facilidade com que se pode apanhar um avi\u00e3o, o aumento do poder de compra, s\u00e3o elementos que contribuem para o surgimento de novos conceitos como Volunturismo, bem como a sua rela\u00e7\u00e3o com o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o. A disserta\u00e7\u00e3o foi o culminar de um capricho. Esta n\u00e3o \u00e9 a palavra mais cient\u00edfica para ser utilizada num trabalho de fim de mestrado, mas lan\u00e7a a semente para fundamentar o que me levou a chegar at\u00e9 aqui. Quis escrever sobre o tema do Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o porque tamb\u00e9m j\u00e1 fui uma Volunt\u00e1ria para a Coopera\u00e7\u00e3o. E desde que voltei do projecto de voluntariado mission\u00e1rio, senti a necessidade de estudar e perceber o que fui fazer a \u00c1frica. Por tudo isto, o destino do trabalho foi o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o em Portugal. Procurei fazer a sua contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, analisar o caminho percorrido e levantar os desafios que se apresentam aos grupos que promovem o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o em Portugal.  Com este trabalho procurei delinear as fronteiras e apresentar as defini\u00e7\u00f5es de Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o e Voluntariado Mission\u00e1rio, entre outras. A maioria das defini\u00e7\u00f5es \u00e9 criada pelas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es de Voluntariado. Existe, contudo, alguma bibliografia, embora escassa, no \u00e2mbito das ci\u00eancias sociais e pol\u00edticas que teorizaram sobre este tema.  Assim, entendemos que o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o implica que o Volunt\u00e1rio viva e trabalhe em contexto cultural diferente, isto \u00e9, nunca pode ser considerado como Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o qualquer ac\u00e7\u00e3o que se desenrole dentro do Estado de nacionalidade do Volunt\u00e1rio. \u00c9 desej\u00e1vel que o Voluntariado seja desenvolvido a partir de uma organiza\u00e7\u00e3o, que enquadre e oriente o Volunt\u00e1rio, n\u00e3o s\u00f3 na realidade cultural, social e institucional que vai integrar, mas tamb\u00e9m na ac\u00e7\u00e3o para que est\u00e1 mais vocacionado, de acordo com as suas aptid\u00f5es e as especificidades t\u00e9cnicas do trabalho. \u00c9 tamb\u00e9m recomend\u00e1vel que as organiza\u00e7\u00f5es possuam um programa de forma\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o para o Voluntariado, que permita aos candidatos, conhecer n\u00e3o s\u00f3 a filosofia de actua\u00e7\u00e3o da Institui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o projecto que v\u00e3o integrar, as especificidades do p\u00fablico-alvo com que v\u00e3o trabalhar e as fun\u00e7\u00f5es que lhes est\u00e3o destinadas. (1) Durante a estadia no terreno, os Volunt\u00e1rios t\u00eam acesso a algumas condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas (alojamento, bolsa de estadia, transportes e seguro), apesar de serem vari\u00e1veis consoante a organiza\u00e7\u00e3o e o programa. T\u00eam tamb\u00e9m uma estrutura de acompanhamento que inclui apoio em caso de doen\u00e7a, apoio log\u00edstico, articula\u00e7\u00e3o com parceiros, seguimento do trabalho e avalia\u00e7\u00e3o do projecto.  Verifica-se, nos \u00faltimos anos, um incremento de novas \u00e1reas de trabalho Volunt\u00e1rio, como as da cultura, do ambiente, da luta pela paz, por uma globaliza\u00e7\u00e3o alternativa e pela igualdade entre g\u00e9neros e, precisamente, do desenvolvimento, que s\u00e3o as que atraem mais os jovens Volunt\u00e1rios. Para al\u00e9m destas, podem ser \u00e1reas de interven\u00e7\u00e3o as seguintes: Ajuda Humanit\u00e1ria, Apoio \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Seguran\u00e7a Alimentar, Apoio \u00e0 Sa\u00fade e Forma\u00e7\u00e3o, Micro-Finan\u00e7as, Infra-estruturas e Novas Tecnologias (2). O Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 um modo de promover e aprofundar valores como a paz, interculturalidade, respeito pela diferen\u00e7a, toler\u00e2ncia.  Por sua vez, o Voluntariado Mission\u00e1rio \u00e9 uma express\u00e3o que come\u00e7ou a ouvir-se nos \u00faltimos anos e que reflecte um tipo espec\u00edfico de Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o. O Voluntariado Mission\u00e1rio est\u00e1 sobretudo vocacionado para desenvolver ac\u00e7\u00f5es fora do pa\u00eds, designadamente em pa\u00edses em vias de desenvolvimento, onde existem miss\u00f5es religiosas que d\u00e3o apoio log\u00edstico aos Volunt\u00e1rios mission\u00e1rios. Os Volunt\u00e1rios mission\u00e1rios desenvolvem projectos de educa\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o, de sa\u00fade, de associativismo, de promo\u00e7\u00e3o da mulher, de evangeliza\u00e7\u00e3o, etc. Estes Volunt\u00e1rios s\u00e3o leigos, enviados numa miss\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja a que pertencem, o que n\u00e3o significa que trabalhem apenas com entidades relacionadas com a Igreja, uma vez que os mission\u00e1rios que est\u00e3o inseridos nas comunidades locais facilitam a sua implementa\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o ao \u2018terreno\u2019. A dura\u00e7\u00e3o dos projectos pode ir de um a dois meses, normalmente no per\u00edodo de Ver\u00e3o, ou durar um ou mais anos. Os projectos mais curtos, normalmente envolvem jovens universit\u00e1rios que aproveitam as f\u00e9rias para fazerem Voluntariado. Nos projectos de longa dura\u00e7\u00e3o (um ano ou mais), os Volunt\u00e1rios s\u00e3o, normalmente, rec\u00e9m-licenciados ou jovens que se encontram numa fase da vida pessoal e profissional mais flex\u00edvel. Contudo, estas caracter\u00edsticas n\u00e3o s\u00e3o estanques. A Igreja Cat\u00f3lica foi a precursora do Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o. Mas muito tem evolu\u00eddo desde o s\u00e9culo XV. Hoje em dia a par do fen\u00f3meno da Globaliza\u00e7\u00e3o procura, sobretudo, o m\u00fatuo enriquecimento cultural de modo a alcan\u00e7ar a verdadeira promo\u00e7\u00e3o humana. Com este trabalho pude concluir que a Globaliza\u00e7\u00e3o lan\u00e7a o grande desafio de procurarmos um modo de vivermos juntos, o que implica a inven\u00e7\u00e3o de um novo projecto s\u00f3cio-cultural que articule a luta contempor\u00e2nea pela redistribui\u00e7\u00e3o, com o reconhecimento multicultural de v\u00e1rias identidades e formas de estar no mundo.  O Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o surge como resposta a este novo desafio proposto pela Globaliza\u00e7\u00e3o. O Volunt\u00e1rio tem a possibilidade de olhar para o mundo como uma comunidade global, onde existem interesses e responsabilidades partilhadas (3). Se defendermos que existe uma comunidade global, ent\u00e3o existe a necessidade de construir uma sociedade civil global e de desenvolver o capital social global, e \u00e9 aqui que o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o pode desempenhar um papel fundamental para alcan\u00e7armos este objectivo. E como afirmou Ola Stafseng (2003:16): \u201cYouth policy is becoming a matter of global solidarity (4). Nos \u00faltimos anos o Voluntariado tem evolu\u00eddo de uma simples d\u00e1diva altru\u00edsta de tempo, para uma forma rec\u00edproca de troca de experi\u00eancias em prol da constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade global. Tubb (2006), afirma que estamos a entrar numa nova era para o Voluntariado para a Coopera\u00e7\u00e3o, que se auto-define como uma possibilidade de troca de conhecimentos e de capacidades, bem como uma partilha de modos de pensar e de estar. As Na\u00e7\u00f5es Unidas (2002) [5] defendem que o Voluntariado tem o potencial para construir o caminho para uma comunidade global, onde as trocas de tempo e de capacidades podem proporcionar um fortalecimento da coexist\u00eancia e sustentabilidade das fronteiras. A atitude priorit\u00e1ria para o desenvolvimento \u00e9 transformar a percep\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam do mundo, o modo como utilizam os seus recursos e se relacionam umas com as outras quer como indiv\u00edduos quer como na\u00e7\u00f5es. E aqui os Volunt\u00e1rios para a Coopera\u00e7\u00e3o t\u00eam um papel fundamental, pois ao sa\u00edrem da sua realidade e ao partirem ao encontro das necessidades de terceiros, conseguem mudar a percep\u00e7\u00e3o que t\u00eam do mundo, e procuram mudar as suas atitudes.  <i>In\u00eas Saraiva Azevedo NOTAS: 1 &#8211; Azevedo M., Magalh\u00e3es, R., 2007  2 &#8211; Azevedo, M., Magalh\u00e3es, R., 2007 3 &#8211; Estas ideias n\u00e3o s\u00e3o novas, foram defendidas na Brandt Commission (1980), North-South: A programme for survival; report of the Independent Commission on International Development. Cambridge Mass: MIT; e Commission for Africa (2005), Our common interest. Report for the Commission for Africa 4 &#8211; http:\/\/www.un.org\/esa\/socdev\/unyin\/documents\/covercontentsoverview.pdf 5 &#8211; Na\u00e7\u00f5es Unidas, (2002):4<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compreender o que motiva os jovens Volunt\u00e1rios a partirem para os pa\u00edses em desenvolvimento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[101,193,211,256,261,266,320,329,330],"class_list":["post-33234","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-africa","tag-educacao","tag-ferias","tag-meio-ambiente","tag-missoes","tag-nacoes-unidas","tag-turismo","tag-voluntariado","tag-voluntariado-missionario"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33234","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33234"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33234\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33234"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33234"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33234"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}