{"id":33231,"date":"2008-07-22T11:02:36","date_gmt":"2008-07-22T11:02:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/07\/22\/voluntariado-missionario-20-anos-em-accao\/"},"modified":"2008-07-22T11:02:36","modified_gmt":"2008-07-22T11:02:36","slug":"voluntariado-missionario-20-anos-em-accao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/voluntariado-missionario-20-anos-em-accao\/","title":{"rendered":"Voluntariado Mission\u00e1rio: 20 anos em ac\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 1988, a vontade de trabalhar em benef\u00edcio das popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, levou alguns jovens a sair de Portugal para colaborar no terreno em projectos mission\u00e1rios, amplamente enraizados na realidade da Igreja local. Foram os primeiros de muitos leigos que, desde a\u00ed, se sentiram chamados a entregar parte da sua vida, para que povos com menos oportunidades possam ver melhoradas as suas condi\u00e7\u00f5es. Foi ali, no final da d\u00e9cada de 80 que, de forma espont\u00e2nea, teve in\u00edcio um movimento que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje: o do voluntariado mission\u00e1rio. A express\u00e3o \u201cvoluntariado mission\u00e1rio\u201d generalizou-se nos \u00faltimos anos para designar o desejo que os leigos sentem de ser rosto e presen\u00e7a de Deus junto de outros povos. Esta manifesta\u00e7\u00e3o de Deus concretiza-se atrav\u00e9s do trabalho que realizam em favor da promo\u00e7\u00e3o humana e social das popula\u00e7\u00f5es com que se cruzam, numa l\u00f3gica de coopera\u00e7\u00e3o, ou seja, operando com os parceiros locais, indo ao encontro das reais necessidades das popula\u00e7\u00f5es. Na ac\u00e7\u00e3o que desenvolvem com as comunidades j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o os volunt\u00e1rios que vivem, mas Cristo que vive neles. O caminho come\u00e7ou a percorrer-se h\u00e1 20 anos e hoje, duas d\u00e9cadas passadas, o Voluntariado Mission\u00e1rio \u00e9 uma realidade consolidada em Portugal, tendo j\u00e1 respondido a este apelo mais de 3.000 leigos, 1.000 dos quais nos \u00faltimos quatro anos. Ano ap\u00f3s ano, muitos s\u00e3o aqueles que se sentem chamados a trabalhar em projectos de coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento em pa\u00edses long\u00ednquos e, num gesto de entrega, doam parte das suas vidas para responder de forma afirmativa a este chamamento. Este ano s\u00e3o cerca de 300 leigos volunt\u00e1rios que partem com a miss\u00e3o de contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo, mais equitativo e mais humano, integrados em projectos dinamizados por entidades cat\u00f3licas (Institutos\/Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas, ONGD, Associa\u00e7\u00f5es, Grupos Universit\u00e1rios de Ac\u00e7\u00e3o Social, Dioceses e Par\u00f3quias) com ac\u00e7\u00f5es no terreno.  A maioria dos volunt\u00e1rios parte em miss\u00e3o em projectos de curta dura\u00e7\u00e3o (1 a 2 meses) e s\u00e3o sobretudo jovens, universit\u00e1rios ou rec\u00e9m-licenciados, cujas vidas familiares e profissionais s\u00e3o mais flex\u00edveis, que oferecem o seu tempo de f\u00e9rias para actuar em causas a favor dos pa\u00edses mais pobres. No entanto, \u00e9 cada vez mais not\u00f3rio o n\u00famero de jovens casais, de adultos na vida activa e adultos reformados que opta por tomar parte de projectos mission\u00e1rios, muitas vezes (no caso dos primeiros) abandonando os seus empregos e arriscando a estabilidade profissional j\u00e1 alcan\u00e7ada. Apesar de os projectos de curta dura\u00e7\u00e3o cativarem a maior parte dos volunt\u00e1rios, n\u00e3o deixa de ser interessante salientar que 22% dos leigos que partem em miss\u00e3o durante o ano de 2008 o fazem por um per\u00edodo de 1 ou mais anos, registando-se um aumento relativamente a anos anteriores, o que traduz um n\u00edvel de compromisso e entrega mais alargado.  Se atendermos \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios por g\u00e9nero, as mulheres s\u00e3o as que partem em maior n\u00famero (68%). Se atendermos ao pa\u00eds de miss\u00e3o \u00e9 Mo\u00e7ambique que recebe o maior n\u00famero de leigos (43%), seguido de Angola (25%), em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe trabalhar\u00e3o 9% dos volunt\u00e1rios, em Timor-Leste e Guin\u00e9-Bissau 5%, em Cabo Verde 4%, para o Brasil, Z\u00e2mbia, Burundi e Rep\u00fablica Centro-Africana partir\u00e3o 0,7%.  Um dado curioso e, ao mesmo tempo, animador \u00e9 o facto de 22% dos volunt\u00e1rios que partem em miss\u00e3o n\u00e3o o fazerem pela 1\u00aa vez, repetindo a experi\u00eancia de voluntariado mission\u00e1rio, o que revela o qu\u00e3o marcantes s\u00e3o estas experi\u00eancias na vida de quem as vivencia. As experi\u00eancias repetidas revelam ainda que, uma vez tomando contacto com as comunidades locais, os volunt\u00e1rios sentem de forma mais profunda que ainda h\u00e1 muito para fazer e que, com a sua ac\u00e7\u00e3o, podem ser agentes transformadores da realidade, contribuindo para o bem-comum. Uma vez terminado o projecto para o qual os volunt\u00e1rios trabalharam no terreno, estes regressam a Portugal. E \u00e9 aqui, no seu pa\u00eds de origem, que, ap\u00f3s uma viv\u00eancia t\u00e3o rica, uma imensid\u00e3o de potencialidades deve ser explorada, trabalhada e colocada ao servi\u00e7o. A miss\u00e3o n\u00e3o termina com o regresso, mas continua no dia-a-dia dos leigos, atrav\u00e9s das campanhas em que se envolvem, sensibilizando a popula\u00e7\u00e3o portuguesa para as quest\u00f5es da coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento, especialmente nos pa\u00edses lus\u00f3fonos. Num mundo que privilegia a estabilidade financeira, a carreira profissional, a constru\u00e7\u00e3o da vida em prol de objectivos pessoais, os volunt\u00e1rios mission\u00e1rios s\u00e3o uma contra-corrente: abandonam o conforto, o bem-estar, a seguran\u00e7a e colocam-se ao servi\u00e7o do outro, agindo onde for preciso, fazendo o que for necess\u00e1rio.    <i>Ana Patr\u00edcia Fonseca, Plataforma Voluntariado Mission\u00e1rio &#8211; FEC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1988, a vontade de trabalhar em benef\u00edcio das popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, levou alguns jovens a sair de Portugal para colaborar no terreno em projectos mission\u00e1rios, amplamente enraizados na realidade da Igreja local. 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