{"id":33176,"date":"2008-07-18T12:05:10","date_gmt":"2008-07-18T12:05:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/07\/18\/d-ximenes-belo-ira-escrever-livro-sobre-sobre-a-historia-de-timor\/"},"modified":"2008-07-18T12:05:10","modified_gmt":"2008-07-18T12:05:10","slug":"d-ximenes-belo-ira-escrever-livro-sobre-sobre-a-historia-de-timor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-ximenes-belo-ira-escrever-livro-sobre-sobre-a-historia-de-timor\/","title":{"rendered":"D. Ximenes Belo ir\u00e1 escrever livro sobre sobre a hist\u00f3ria de Timor"},"content":{"rendered":"<p>D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Bispo em\u00e9rito de Dili e Pr\u00e9mio Nobel da Paz, tem 60 anos, nasceu a 3 de Fevereiro de 1948 em Baucau, Timor. Em 1980 foi ordenado presb\u00edtero por D. Jos\u00e9 Policarpo. Em Maio de 1983, foi nomeado, por Jo\u00e3o Paulo II, Administrador Apost\u00f3lico da Diocese de Dili. Defensor dos direitos humanos e do povo timorense, apelou \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da paz naquele territ\u00f3rio. Os seus esfor\u00e7os foram recompensados, em 1996, ano em que, juntamente com Ramos Horta, recebeu o Pr\u00e9mio Nobel da Paz.  D. Ximenes Belo esteve na Guarda, entre os dias 7 e 11 de Julho, a orientar um retiro de sacerdotes da Diocese, realizado no Centro Apost\u00f3lico da Guarda. <b>A Guarda<\/b>: Quem \u00e9 D. Ximenes Belo? <b>D. Ximenes Belo<\/b>: Bem, \u00e9 um timorense, um disc\u00edpulo de Jesus Cristo que est\u00e1 ao servi\u00e7o de Deus. Estou reformado, agora estou em Portugal para tratamento, para Timor vou de vez em quando, vou e venho. Estou sedeado no Col\u00e9gio dos Salesianos, em Mogofores, ajudo na par\u00f3quia, nas confiss\u00f5es e quando a pedido das escolas, das universidades e das par\u00f3quias, falo da paz, dos direitos humanos, da justi\u00e7a e da solidariedade.  A Guarda: Como foi o seu percurso acad\u00e9mico? D. Ximenes Belo: Andei no Semin\u00e1rio Menor em Dili, onde andaram tamb\u00e9m Xanana Gusm\u00e3o e outros l\u00edderes pol\u00edticos timorenses e depois, pronto, a um dado momento, senti para seguir D. Bosco [fundador dos Salesianos] e pedi para vir para os Salesianos, porque l\u00e1 em Timor n\u00e3o havia Semin\u00e1rio Menor e ent\u00e3o o mission\u00e1rio que era encarregado dos padres Salesianos em Timor disse-me \u00abolha vai at\u00e9 Portugal e fazes l\u00e1 o aspirantado\u00bb, como se dizia. Depois vim para Portugal, fiz o primeiro e o segundo ciclo, no Semin\u00e1rio de Dili n\u00e3o t\u00ednhamos os exames oficiais e tive que repetir na escola Salesiana de Manique [de Baixo], Estoril, fiz l\u00e1 tamb\u00e9m o noviciado. Fiz [o curso de] Filosofia no ISET (Instituto Superior de Ensinos Teol\u00f3gicos), Teologia na Universidade Cat\u00f3lica e depois continuei a Licenciatura em Roma, na Universidade Salesiana.  A Guarda: Ficou surpreendido com a nomea\u00e7\u00e3o para Bispo de Dili? D. Ximenes Belo: Sim, porque havia padres mais capazes do que eu, mais preparados, eu tinha apenas tr\u00eas anos de sacerd\u00f3cio, tinha regressado da Europa, quando o Papa [Jo\u00e3o Paulo II] me pediu para ser Administrador Apost\u00f3lico e numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de Timor mas, pronto, em obedi\u00eancia ao Santo Padre, aceitei e levei a cruz.  A Guarda: Qual o papel da Igreja Cat\u00f3lica no processo de independ\u00eancia de Timor-Leste? D. Ximenes Belo: N\u00e3o foi um problema pol\u00edtico, portanto, n\u00e3o se pode falar no papel da Igreja Cat\u00f3lica na independ\u00eancia de Timor-Leste. \u00c9 mais um papel de moral, de protec\u00e7\u00e3o das pessoas, dos que sofrem, dos d\u00e9beis, dos direitos humanos, sobretudo na defesa da justi\u00e7a, da paz e dos direitos humanos. Era mais uma voz moral, um suporte moral para a popula\u00e7\u00e3o, do que propriamente uma for\u00e7a pol\u00edtica, porque n\u00f3s n\u00e3o nos sent\u00edamos como pol\u00edticos, o nosso trabalho era na pastoral, ao n\u00edvel da justi\u00e7a e da paz.  A Guarda: A presen\u00e7a dos portugueses em Timor-Leste \u00e9 bem aceite? D. Ximenes Belo: Como sabe, \u00e9 bem aceite. Desde 1999, depois do referendo, que voltaram para l\u00e1, atrav\u00e9s da presen\u00e7a dos militares, dos policias, agora, concretamente da GNR, e dos cooperantes, sobretudo no aspecto da Educa\u00e7\u00e3o. Continua a ser necess\u00e1ria a presen\u00e7a [dos portugueses), sobretudo de assessores, de conselheiros, de professores e de t\u00e9cnicos. Como sabe, Timor \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o nova e precisa sempre de apoio internacional, sobretudo dos Pa\u00edses de express\u00e3o de L\u00edngua Portuguesa.  A Guarda: No seu ponto de vista, actualmente, \u00e9 seguro viver em Timor? D. Ximenes Belo: \u00c9 seguro. \u00c9 s\u00f3 ir l\u00e1 e ver\u00e1 com os pr\u00f3prios olhos que \u00e9 seguro. Claro que h\u00e1 problemas. H\u00e1 falta de trabalho para os jovens.  Em Timor n\u00e3o \u00e9 como aqui em Portugal que tem ind\u00fastrias, tem f\u00e1bricas, mas, o Governo tenta organizar a vida para que os Timorenses se sintam em casa e, sobretudo, gozarem os benef\u00edcios da independ\u00eancia. Independ\u00eancia pol\u00edtica j\u00e1 tem, agora, precisa de desenvolver o aspecto econ\u00f3mico, cultural agr\u00edcola e industrial. Tudo isto, ainda \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver.   A Guarda: O que \u00e9 que falta para que Timor se torne num Pa\u00eds pr\u00f3spero e pac\u00edfico? D. Ximenes Belo: Isso n\u00e3o se faz num dia, leva muito tempo e, claro, como sabe, em 1999 foi tudo destru\u00eddo e foi preciso recome\u00e7ar a pouco a pouco e, neste momento, o programa que h\u00e1, da parte do Governo, s\u00e3o aqueles programas essenciais que est\u00e3o relacionados com a ordem p\u00fablica, consolidar os aspectos da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da agricultura e a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, sobretudo para os jovens. Como sabe, h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es internacionais que est\u00e3o a explorar petr\u00f3leo e g\u00e1s natural em Timor. Esperamos que o que prov\u00e9m de l\u00e1 reverta em benef\u00edcio das popula\u00e7\u00f5es.  A Guarda: Como \u00e9 a vida de um Bispo Nobel da Paz? D. Ximenes Belo: \u00c9 a vida como a de outro Bispo qualquer, n\u00e3o \u00e9 a vida de um Bispo que est\u00e1 nas nuvens. Somos muito terra a terra, servimos as pessoas, trabalhando pela paz, pelos direitos humanos.   A Guarda: O que \u00e9 que veio transmitir aos padres da Diocese da Guarda? D. Ximenes Belo: A minha prega\u00e7\u00e3o aqui, aos sacerdotes, tamb\u00e9m \u00e9 nessa linha. Estamos a reflectir sobre a ora\u00e7\u00e3o, dita pela paz, de S. Francisco de Assis \u00abonde houver guerra que eu leve a paz, onde houver \u00f3dio que eu leve a uni\u00e3o\u00bb. Estamos a cada dia, a fazer medita\u00e7\u00f5es sobre esta ora\u00e7\u00e3o. Isto para os sacerdotes, porque para os jovens falo sobretudo de educa\u00e7\u00e3o para a paz.  A Guarda: Que projectos tem para o futuro? D. Ximenes Belo: N\u00e3o tenho projectos nenhuns, a n\u00e3o ser o projecto de estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos senhores Bispos, dos senhores padres, e ajudar os Salesianos. O projecto pessoal que tenho \u00e9 tentar escrever o livro sobre a Hist\u00f3ria de Timor, desde 1556 at\u00e9 2006, abrange um per\u00edodo de 450 anos.   A Guarda: Quando prev\u00ea proceder ao seu lan\u00e7amento? D. Ximenes Belo: N\u00e3o se sabe. Como sabe, quando se escreve sobre Timor \u00e9 muito dif\u00edcil porque n\u00e3o h\u00e1 muitos documentos. J\u00e1 tivemos quatro inc\u00eandios ao longo dos s\u00e9culos. Os arquivos que foram mandados para Macau, Goa, tamb\u00e9m grande parte, sofreu com as inunda\u00e7\u00f5es, com a perca dos documentos, por isso, aqui em Portugal ainda terei de consultar os Arquivos Hist\u00f3rico Ultramarino, a Torre do Tombo, e outros Arquivos. Isto de escrever a Hist\u00f3ria, \u00e9 muito dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 romance, \u00e9 preciso ter dados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Bispo em\u00e9rito de Dili e Pr\u00e9mio Nobel da Paz, tem 60 anos, nasceu a 3 de Fevereiro de 1948 em Baucau, Timor. Em 1980 foi ordenado presb\u00edtero por D. Jos\u00e9 Policarpo. Em Maio de 1983, foi nomeado, por Jo\u00e3o Paulo II, Administrador Apost\u00f3lico da Diocese de Dili. 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