{"id":330795,"date":"2024-06-19T08:37:33","date_gmt":"2024-06-19T07:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=330795"},"modified":"2024-06-20T18:22:31","modified_gmt":"2024-06-20T17:22:31","slug":"porto-as-duas-universidades-de-germano-silva-a-ilha-do-cruzinho-e-a-avo-analfabeta-que-o-ensinou-a-rezar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-as-duas-universidades-de-germano-silva-a-ilha-do-cruzinho-e-a-avo-analfabeta-que-o-ensinou-a-rezar\/","title":{"rendered":"Porto: As duas universidades de Germano Silva &#8211; a ilha do \u00abCruzinho\u00bb e a av\u00f3 analfabeta que o ensinou a rezar"},"content":{"rendered":"<p><em>Jornalista de 93 anos, acarinhado na cidade do Porto, fala da do seu percurso c\u00edvico e humano e das hist\u00f3rias que devem continuar a marcar o jornalismo<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_141020\" aria-describedby=\"caption-attachment-141020\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-141020 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/germano_silva-1080x720.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-141020\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>Porto, 18 jun 2024 (Ecclesia) \u2013 Germano Silva, jornalista de 93 anos, diz que o crescimento na ilha do Cruzinho e o crescimento junto da av\u00f3 J\u00falia, foram determinantes na sua vida em forma\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>\u201cPara mim, a ilha onde eu vivi, o Cruzinho, foi uma universidade, porque aprendi muito, neste sentido de ser \u00fatil ao pr\u00f3ximo, da partilha, da solidariedade. Eu aprendi com aquela gente\u201d, reconhece \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>O jornalista recorda diferen\u00e7as na celebra\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Jo\u00e3o, no Bairro do Cruzinho, onde cresceu, uma t\u00edpica \u201cilha\u201d portuguesa nascida para alojar fam\u00edlias dos oper\u00e1rios, onde o espirito comunit\u00e1rio e humano marcava as rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio do que muita gente imagina, ser um estendal de mis\u00e9ria, n\u00e3o era. Era uma comunidade muito unida, com um grande sentido da partilha e da solidariedade. As pessoas podiam andar zangadas umas com as outras, mas se houvesse algu\u00e9m que estivesse doente ou que precisasse de ajuda, acabava tudo e era preciso juntos centrar todos os esfor\u00e7os no sentido de acudir, de prestar aux\u00edlio \u00e0quela pessoa que precisava\u201d, indica.<\/p>\n<p>A festa do S\u00e3o Jo\u00e3o, que se celebra na noite de 23 para 24 de junho, come\u00e7ava a ser preparada em fevereiro, recorda, com a criatividade dos habitantes da ilha e os materiais que se aproveitavam.<\/p>\n<p>Nascido em Penafiel, Germano Silva foi com um ano de idade para o Porto, mas cedo mudou-se para casa da sua av\u00f3, Dona J\u00falia, com quem viveu entre os dois e os sete anos.<\/p>\n<p>\u201c A minha av\u00f3 era analfabeta mas sabia tudo da natureza. Para mim, ela era uma mulher s\u00e1bia. Foi outra universidade na minha vida. Ela ensinou-me coisas da natureza. Havia \u00e1rvores de fruta que ela pr\u00f3pria tinha plantado e mandava-me subir &#8211; \u00abVai buscar ali as cerejas. Traz as que est\u00e3o picadas dos p\u00e1ssaros, que essas \u00e9 que s\u00e3o boas\u00bb. N\u00e3o tinha rel\u00f3gio mas sabia sempre as horas. Era uma pessoa profundamente religiosa \u2013 sabia as ora\u00e7\u00f5es todas \u00abNesta cama me deito, com esta manta me cubro. Se a morte vier por mim, os anjos do c\u00e9u me cubram\u00bb &#8211; Portanto, era sempre este ritual\u201d, recorda.<\/p>\n<p>A aldeia, onde \u201ccheirava a p\u00e3o quente\u201d ou a broa feita nas fornadas da av\u00f3, \u201cque cortava, depois, junto ao cora\u00e7\u00e3o\u201d, e o sentido religioso da sua av\u00f3, depositou em Germano um \u201csentimento de gratid\u00e3o pelos bens recebidos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAquela gente n\u00e3o tinha dinheiro para ir ao cinema, para ir ao teatro, desciam \u00e0 cidade para ver as montras. Era o espet\u00e1culo que elas podiam ver mas em todas as casas havia livros. As pessoas liam, tinham livros, n\u00e3o eram arredadas da cultura, n\u00e3o, eles tinham cultura\u201d, explica. Germano Silva come\u00e7ou a trabalhar aos 11 anos, porque era preciso ajudar a fam\u00edlia, depois de ter feito exame da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria &#8211; conheceu o trabalho numa retrosaria, passou pelo mundo oper\u00e1rio, nas f\u00e1bricas, at\u00e9 que conseguiu trabalho no Hospital de Santo Ant\u00f3nio; o jornalismo, em 1956, surgiu depois no contacto com colegas de profiss\u00e3o que procuravam hist\u00f3rias em ambiente hospitalar.<\/p>\n<p>Germano Silva indica a passagem pelo mundo fabril como essencial na sua forma\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>\u201cAquelas pessoas eram exploradas de uma maneira intensa. Por exemplo, havia um feriado mas depois t\u00ednhamos que dar duas horas a seguir para compensar a paragem. Ora, isso n\u00e3o era feriado nenhum. O toque para come\u00e7ar a trabalhar dava cinco minutos antes e a m\u00e1quina come\u00e7ava a trabalhar e n\u00f3s t\u00ednhamos de l\u00e1 estar. Ora, cinco minutos antes, durante o ano, era muito tempo. O pr\u00f3prio ambiente das pessoas, a forma como eram tratadas, marcou-me muito\u201d, recorda.<\/p>\n<p>Foi neste ambiente que Germano conheceu a Juventude Oper\u00e1ria Cat\u00f3lica, onde foi militante, procurando, com outros, melhorar a vida das pessoas \u2013 ali reconhece um contributo religioso, c\u00edvico e humanista: \u201cEra um movimento cat\u00f3lico mas tratava das condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cfraternidade e partilha\u201d da ilha do Cruzinho, o mundo fabril e a participa\u00e7\u00e3o na JOC formaram a sua vis\u00e3o de humanidade e ajudaram a esculpir o jornalismo de contar hist\u00f3rias de pessoas que foi fazendo.<\/p>\n<p>Grato ao Porto que o acarinha, Germano Silva confessa-se t\u00edmido, olha para o tempo que tem pela frente e as coisas que ainda quer fazer, procurando continuar a contar hist\u00f3rias de pessoas e da sua cidade.<\/p>\n<p>A conversa com Germano Silva pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA, na Antena 1, pouco depois da meia-noite, ficando dispon\u00edvel no portal de informa\u00e7\u00e3o e no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista de 93 anos, acarinhado na cidade do Porto, fala da do seu percurso c\u00edvico e humano e das hist\u00f3rias que devem continuar a marcar o 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