{"id":33072,"date":"2008-07-14T10:52:01","date_gmt":"2008-07-14T10:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/07\/14\/homilia-de-d-joaquim-mendes-na-celebracao-do-13-de-julho\/"},"modified":"2008-07-14T10:52:01","modified_gmt":"2008-07-14T10:52:01","slug":"homilia-de-d-joaquim-mendes-na-celebracao-do-13-de-julho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-joaquim-mendes-na-celebracao-do-13-de-julho\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Joaquim Mendes na celebra\u00e7\u00e3o do 13 de Julho"},"content":{"rendered":"<p>Peregrina\u00e7\u00e3o anivers\u00e1ria de Julho 2008 <!--more--> Tema: \u201cVim ao mundo para dar testemunho da Verdade\u201d   1. Com estas palavras, Jesus responde \u00e0 interroga\u00e7\u00e3o de Pilatos: \u201cEnt\u00e3o Tu \u00e9s rei?\u201d \u201cTu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d (Jo 18,37). Jesus veio ao mundo para dar testemunho da verdade de Deus, de quem fala quase cada uma das p\u00e1ginas da B\u00edblia, que escutamos e aclamamos na Palavra proclamada. Sempre que os crist\u00e3os se re\u00fanem para celebrar a Eucaristia, antes da mesa eucar\u00edstica, o Senhor p\u00f5e a mesa da Palavra, com a qual alimenta o seu povo e o guia pelos caminhos da Alian\u00e7a e da fidelidade \u00e0 verdade revelada.  2. A Palavra exprime a fidelidade de Deus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alian\u00e7a, oferecida aos homens para a sua salva\u00e7\u00e3o. \u00c9 escutada e acolhida por todo aquele que busca a verdade, vive na verdade: \u201cQuem \u00e9 da verdade escuta a minha voz\u201d (Jo 18,37). Esta palavra eficaz e de uma fecundidade extraordin\u00e1ria \u00e9 indestrut\u00edvel, porque vem de Deus, e exige do homem disponibilidade, convers\u00e3o, confian\u00e7a naquele que a pronuncia, apesar dos sinais de aparente insucesso. O crente \u00e9 continuamente tentado a perder esta confian\u00e7a, quando v\u00ea multiplicarem-se os abandonos, a indiferen\u00e7a e a oposi\u00e7\u00e3o, onde se esperava que a Palavra manifestasse a sua efic\u00e1cia.  3. Dirigindo-se \u00e0s pessoas que n\u00e3o v\u00eaem sen\u00e3o insucessos, para quem todas as esperan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao do Reino parecem goradas, Jesus responde com a par\u00e1bola que escut\u00e1mos: todos os insucessos, incontest\u00e1veis, n\u00e3o impedir\u00e3o um sucesso final que compensar\u00e1 todas as perdas. Dirigida a todas as pessoas desanimadas, a par\u00e1bola do semeador \u00e9 a par\u00e1bola da esperan\u00e7a. Jesus encontra dificuldades no seu minist\u00e9rio: abandonos, deser\u00e7\u00f5es, indiferen\u00e7as e oposi\u00e7\u00f5es, que impressionam os que est\u00e3o \u00e0 sua volta e que os levam a questionarem, se verdadeiramente Ele \u00e9 capaz de estabelecer o Reino de Deus sobre a terra.  A estas objec\u00e7\u00f5es a par\u00e1bola responde: raciocinar assim, seria apenas fixar-se na perda de uma parte da semente e concluir que a semente n\u00e3o dar\u00e1 qualquer fruto. Uma parte da semente, de facto, perde-se, mas n\u00e3o se pode concluir que a semente n\u00e3o d\u00e1 fruto, bem pelo contr\u00e1rio.  4. Os insucessos n\u00e3o faltam tamb\u00e9m hoje; n\u00e3o faltam crist\u00e3os desorientados, desiludidos, sem esperan\u00e7a. A par\u00e1bola da semente conserva toda a sua actualidade. N\u00e3o obstante as adversidades, o terreno pedregoso, os espinhos que amea\u00e7am e sufocam a semente, no fim, onde a semente consegue enraizar, a recolha \u00e9 abundante, frutifica e produz cem, oitenta, sessenta e trinta\u2026 Apesar das adversidades, do terreno refract\u00e1rio da hist\u00f3ria, dos espinhos das consci\u00eancias ego\u00edstas, o Reino de Deus desenvolver-se-\u00e1 em plenitude. A par\u00e1bola \u00e9 por isso, um apelo \u00e0 confian\u00e7a e \u00e0 esperan\u00e7a no Reino de Deus e na sua for\u00e7a oculta no manto da sua pobreza e do seu aparente insucesso. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a mensagem do or\u00e1culo de Isa\u00edas, da primeira leitura: a Palavra de Deus \u00e9 eficaz, a sua for\u00e7a fecundante \u00e9 semelhante \u00e0 da chuva t\u00e3o desejada pelo agricultor e celebrada no \u201ccanto da primavera\u201d, do salmo responsorial que cantamos.  5. A Palavra de Deus, tamb\u00e9m hoje, encontra um vasto horizonte de indiferen\u00e7a, hostilidade e rejei\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que ela perde a sua for\u00e7a ou se deixa de proclamar. Ela continua a contar com uma por\u00e7\u00e3o de \u201cboa terra\u201d, onde cai e frutifica e produz fruto abundante, que compensa largamente as perdas do terreno est\u00e9ril. A \u201cboa terra\u201d \u00e9 o terreno espiritual dos \u201cpequenos\u201d, dos pobres, dos pecadores convertidos que alargam o cora\u00e7\u00e3o e a vida \u00e0 palavra de Cristo, que acolhem com entusiasmo e confian\u00e7a a \u201cBoa-Nova\u201d do Reino que promete perd\u00e3o e paz. Esta semente santa, que cai no cora\u00e7\u00e3o dos justos e dos fi\u00e9is, compensa as desilus\u00f5es, pela semente est\u00e9ril dos indiferentes, auto-suficentes e prepotentes.  6. Esta par\u00e1bola da esperan\u00e7a \u00e9 uma grande reflex\u00e3o sobre o Reino de Deus, sobre a Igreja, sobre a f\u00e9 e sobre as obras, sobre o mal, a incredulidade e a rejei\u00e7\u00e3o obstinada da luz e do bem, por isso Jesus adverte: \u201cQuem tem ouvidos, oi\u00e7a\u201d. A Palavra de Deus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 verdade, mas \u00e9 for\u00e7a que opera em n\u00f3s e nos introduz no dinamismo da salva\u00e7\u00e3o, \u00e9 fonte de vida. Esta Palavra continua a viver na Igreja. O Evangelho que a Igreja proclama \u00e9 Palavra de Deus, \u201cviva, eficaz e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes; penetra at\u00e9 dividir o esp\u00edrito (\u2026) julga as disposi\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o h\u00e1 criatura oculta \u00e0 sua presen\u00e7a (Hb 4,12). A Palavra liberta da \u201ccorrup\u00e7\u00e3o que escraviza\u201d, produz uma transforma\u00e7\u00e3o radical, que vai para al\u00e9m das nossas for\u00e7as e possibilidades, responde \u00e0 esperan\u00e7a da revela\u00e7\u00e3o que os filhos de Deus esperam ansiosamente, como refere o ap\u00f3stolo S. Paulo, na segunda leitura. A Palavra de Deus sacia a intelig\u00eancia, aquece o cora\u00e7\u00e3o, encoraja a vida.  7. Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s: Como Maria Sant\u00edssima sejamos um \u201cbom terreno\u201d, que acolhe a Palavra com um cora\u00e7\u00e3o aberto, dispon\u00edvel, generoso e d\u00f3cil. A Palavra gera em n\u00f3s Cristo. Deste modo, podemos oferec\u00ea-lo ao mundo como Maria.  A Palavra \u00e9 um grande tesouro, que precis\u00e1mos de redescobrir e de valorizar na nossa vida de crentes e na vida das nossas comunidades crist\u00e3s. Ela \u00e9 uma presen\u00e7a de Deus que nos acompanha e nos guia pelos caminhos da fidelidade \u00e0 alian\u00e7a.  Nela podemos escutar Deus que nos fala, dialogar com Ele, encontrar resposta para as nossas d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es, encontrar raz\u00f5es para viver com esperan\u00e7a e dar raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a a quantos nos interrogam e nos questionam sobre a f\u00e9, manifestando assim que o Reino de Deus chegou, germina e frutifica em n\u00f3s. A Palavra ilumina, d\u00e1 a for\u00e7a e a coragem de Cristo, para dar testemunho da Verdade, num mundo ferido pela mentira, pelo erro, pela falsidade, onde muitos se iludem, pensando que o Reino e os seus valores est\u00e3o ultrapassados. A Palavra responde \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do nosso mundo, a todos aqueles que obstinadamente se fixam somente no terreno pedregoso e com espinhos onde a semente se perde; que procuram sublinhar o insucesso do Reino, descredibilizando a Igreja, procurando remet\u00ea-la para a esfera do privado. A Palavra \u00e9 um convite \u00e0 esperan\u00e7a de crentes e n\u00e3o crentes, para que abram os olhos para ver a luz, a verdade e o bem, os frutos da semente da Palavra que germina no cora\u00e7\u00e3o de tantos homens e mulheres e nas comunidades crist\u00e3s, que, no sil\u00eancio, na humildade e na discri\u00e7\u00e3o produzem, \u201cumas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um\u201d. Estes s\u00e3o todos aqueles que escutam a voz de Cristo e d\u00e3o testemunho da verdade de Deus, hoje, no mundo. Associemo-nos a eles, para que a nossa vida crist\u00e3 seja fecunda, produza fruto abundante, glorifique a Deus, e seja sinal da presen\u00e7a de que o Reino est\u00e1 vivo e continua e fecundar a hist\u00f3ria.  F\u00e1tima, 13 de Julho de 2008 <i>\u2020 Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peregrina\u00e7\u00e3o anivers\u00e1ria de Julho 2008<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[207],"class_list":["post-33072","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33072\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}