{"id":330264,"date":"2024-06-16T09:31:07","date_gmt":"2024-06-16T08:31:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=330264"},"modified":"2024-06-14T12:08:54","modified_gmt":"2024-06-14T11:08:54","slug":"porto-aumentou-o-numero-da-populacao-idosa-que-esta-de-facto-desprotegida-fernando-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-aumentou-o-numero-da-populacao-idosa-que-esta-de-facto-desprotegida-fernando-paulo\/","title":{"rendered":"Porto: \u00abAumentou o n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o idosa que est\u00e1, de facto, desprotegida\u00bb &#8211; Fernando Paulo"},"content":{"rendered":"<p><em>Ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Consciencializa\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Pessoas Idosas (15 de junho), \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o vereador com o pelouro da Coes\u00e3o Social da C\u00e2mara Municipal do Porto<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_330267\" aria-describedby=\"caption-attachment-330267\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-330267 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1278\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1-768x511.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3410_1-1536x1022.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-330267\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>A autarquia que est\u00e1 a desenvolver um plano para responder aos desafios do r\u00e1pido envelhecimento. Quais s\u00e3o os grandes desafios deste plano? O principal problema est\u00e1 relacionado com a seguran\u00e7a e com o isolamento?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Antes de mais, o Porto tem vindo a assistir a uma taxa de envelhecimento crescente. Temos uma taxa que ronda os 220%, o que nos coloca, de facto, na cidade mais envelhecida do pa\u00eds. Portugal \u00e9 o quinto pa\u00eds mais envelhecido do mundo e, portanto, h\u00e1 aqui desafios que se colocam. Proporcionar um envelhecimento ativo \u00e9 um desafio, mas, sobretudo, temos de olhar para aquilo que \u00e9 a realidade que hoje vive a nossa popula\u00e7\u00e3o idosa, s\u00e9nior, e, por isso, este plano constitui uma resposta a este r\u00e1pido envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, porque o isolamento e a solid\u00e3o s\u00e3o um dos problemas maiores que atingem esta popula\u00e7\u00e3o s\u00e9nior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Precisamente, o plano prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o para sinalizar idosos em isolamento e exclus\u00e3o. Esse trabalho est\u00e1 feito, h\u00e1 uma ideia mais exata de qual \u00e9 a realidade no Porto?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos cerca de 33 mil pessoas com mais de 65 anos que vivem sozinhas e destas, h\u00e1 um n\u00famero significativo que est\u00e1 em risco. Cerca de 20% dos nossos idosos t\u00eam problemas graves a este n\u00edvel e, portanto, a Comiss\u00e3o Municipal de Apoio ao Idoso procura envolver n\u00e3o s\u00f3 o munic\u00edpio, mas as Juntas de Freguesia, a Seguran\u00e7a Social, os servi\u00e7os de sa\u00fade e outras organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, no sentido de podermos criar um radar que permita quebrar a invisibilidade e sabermos onde \u00e9 que est\u00e3o os idosos a viver em situa\u00e7\u00e3o de isolamento e que t\u00eam problemas, os quais carecem de uma resposta espec\u00edfica. Este o grande objetivo \u00e9 criar um radar para quebrar o isolamento. Inspiramo-nos muito na altura da Covid, porque percebemos que, em muitas das situa\u00e7\u00f5es que nos apareciam, muitos dos nossos idosos n\u00e3o tinham qualquer la\u00e7o de vizinhan\u00e7a, qualquer la\u00e7o com as suas fam\u00edlias e, de facto, viviam s\u00f3s, viviam abandonados, com problemas e necessidade de respostas concretas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o seria necess\u00e1ria uma estrat\u00e9gia alargada, uma estrat\u00e9gia, digamos, metropolitana para se perceber a dimens\u00e3o do problema e para se preparar a uma a\u00e7\u00e3o concertada e mais eficaz?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Enquanto humanidade, hoje temos v\u00e1rios desafios, a pobreza e a exclus\u00e3o social est\u00e3o muito presentes na nossa sociedade. Portugal tem cerca de 18% de pessoas a viver em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e exclus\u00e3o social; invariavelmente, os grupos mais atingidos s\u00e3o os vulner\u00e1veis, entre os quais temos a nossa popula\u00e7\u00e3o idosa.<\/p>\n<p>E \u00e9 necess\u00e1rio adequarmos as respostas \u00e0s necessidades. N\u00f3s temos de personalizar hoje tamb\u00e9m as respostas, em fun\u00e7\u00e3o da especificidade das necessidades da popula\u00e7\u00e3o. Temos um conjunto de popula\u00e7\u00e3o s\u00e9nior que est\u00e1 relativamente inclu\u00edda, inserida na comunidade, mas que precisa de servi\u00e7os adaptados \u00e0s suas necessidades.<\/p>\n<p>Temos outras pessoas que, fruto deste envelhecimento que padecem hoje de determinadas respostas, algumas tradicionais, como a Estrutura Residencial para Pessoas Idosas ou apoio domicili\u00e1rio, Centro de Dia ou Centro de Conv\u00edvio, que n\u00e3o chegam\u2026 as respostas hoje s\u00e3o manifestamente insuficientes para essas necessidades. Tamb\u00e9m temos de introduzir aqui a quest\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o social, encontrar novas respostas para novas necessidades e novas exig\u00eancias. E temos, sobretudo, de prevenir e tamb\u00e9m investir muito no chamado envelhecimento ativo. Aquilo que n\u00f3s percebemos \u00e9 que, muitas vezes, a popula\u00e7\u00e3o idosa \u00e9 como se perdesse cidadania e n\u00f3s queremos que a cidade, as pessoas possam ter uma vida ativa e plena em todas as fases da vida, que o envelhecimento seja prazeroso e que as pessoas n\u00e3o percam a cidadania e possam, naturalmente, ser cidad\u00e3os de plenos direitos e plenos deveres, perfeitamente inseridos na comunidade. Isto \u00e9 muito desafiante.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Olhando para a cidade e sabendo dos problemas de habita\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o amplamente noticiados, pergunto se, entre estes idosos isolados ou abandonados, t\u00eam sido detetadas situa\u00e7\u00f5es de pessoas sem-abrigo?<\/em><\/p>\n<p>Sim, n\u00f3s apresent\u00e1mos h\u00e1 poucos dias o n\u00famero das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem-abrigo na cidade. Felizmente, diminu\u00edmos em 11% o n\u00famero de pessoas que, de acordo com a defini\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia, vivem em condi\u00e7\u00e3o de sem-abrigo, mas aumentou o n\u00famero de pessoas sem teto, que vivem na rua. E tamb\u00e9m aumentou o n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o idosa que est\u00e1, de facto, desprotegida e que est\u00e1 a viver na rua.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema estrutural. \u00c9 um dos pilares sociais que mais tem sido dif\u00edcil de concretizar no nosso pa\u00eds. Ali\u00e1s, a Lei de Bases da Habita\u00e7\u00e3o tem 3 ou 4 anos, portanto, vai atingindo, de facto, muito a nossa popula\u00e7\u00e3o e a popula\u00e7\u00e3o idosa; para al\u00e9m do problema do acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, n\u00f3s hoje tamb\u00e9m temos muita popula\u00e7\u00e3o idosa que est\u00e1 a viver em condi\u00e7\u00f5es de grande indignidade, ou seja, n\u00e3o estando desprotegida, mas as condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o s\u00e3o, de facto, muito indignas e tamb\u00e9m temos procurado atuar a esse n\u00edvel.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_330270\" aria-describedby=\"caption-attachment-330270\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-330270\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3399.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-330270\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>E que papel t\u00eam as institui\u00e7\u00f5es sociais e da Igreja Cat\u00f3lica, em todo este processo?<\/em><\/p>\n<p>Naturalmente que t\u00eam aqui um papel fundamental. N\u00f3s n\u00e3o podemos deixar de considerar que no nosso pa\u00eds, eu costumo dizer que o Servi\u00e7o Nacional de Respostas Sociais \u00e9 assumido pelas Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Socialidade Social, em que a Igreja Cat\u00f3lica tem um papel extraordinariamente importante, atrav\u00e9s das suas respostas sociais. Ali\u00e1s, na cidade do Porto, a obra de Diocesana de Promo\u00e7\u00e3o Social, foi constitu\u00edda pela Igreja Cat\u00f3lica conjuntamente com a C\u00e2mara e a Seguran\u00e7a Social, \u00e9 a maior institui\u00e7\u00e3o particular de socialidade da cidade: d\u00e1 resposta a mais de 2 mil pessoas diariamente, nas mais diversas val\u00eancias em que o apoio domicili\u00e1rio, as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas, centros de dia, centros de conv\u00edvio t\u00eam aqui um papel fundamental, n\u00e3o s\u00f3 pela resposta que d\u00e3o, mas pela resposta humanizada. Hoje \u00e9 um desafio que se coloca, a democratiza\u00e7\u00e3o no acesso aos diversos servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m a possibilidade deste servi\u00e7o oferecer, al\u00e9m da quest\u00e3o hoteleira, de sa\u00fade, da alimenta\u00e7\u00e3o, os servi\u00e7os sociais e b\u00e1sicos. Tamb\u00e9m \u00e9 uma resposta humanizada e, de facto, a tradi\u00e7\u00e3o e as respostas assumidas pelas IPSS, especialmente as ligadas \u00e0 Igreja, t\u00eam sempre aqui um cunho que vale a pena salientar, \u00e9 um servi\u00e7o muito humanizado, muito pr\u00f3ximo das pessoas, acionando o voluntariado. isto \u00e9 extraordinariamente importante, n\u00e3o s\u00f3 nas pessoas que servem, como tamb\u00e9m os servidores, quer os volunt\u00e1rios quer os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios: temos de humanizar as pessoas, porque humanizando as pessoas, humanizamos a cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Come\u00e7amos esta conversa pelo plano \u2018Porto Cidade Amiga das Pessoas Idosas\u2019, que vai at\u00e9 2025. A autarquia tem inten\u00e7\u00e3o de prolongar no tempo este plano?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, n\u00f3s vamos fazer as terceiras jornadas \u2018Porto Cidade Amiga das Pessoas Idosas\u2019 j\u00e1 em setembro, para fazer a avalia\u00e7\u00e3o de um ano de implementa\u00e7\u00e3o deste plano. Este \u00e9 um compromisso social com a cidade, n\u00e3o s\u00f3 do munic\u00edpio, porque este plano tem cerca de 80 a\u00e7\u00f5es, envolveu mais de 70 organiza\u00e7\u00f5es, queremos criar uma cidade consciente do dever de proteger, de apoiar os nossos idosos e criar condi\u00e7\u00f5es para que todos possam ter uma vida ativa e plena. Hoje, os desafios que se colocam est\u00e3o em v\u00e1rias dimens\u00f5es, porque proporcionar este envelhecimento ativo faz com que exista um conjunto de determinantes que s\u00e3o fundamentais. Por isso, envolvemos as v\u00e1rias unidades org\u00e2nicas do munic\u00edpio, mas tamb\u00e9m os baixos setores de atividade: a quest\u00e3o dos transportes, a quest\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico, a quest\u00e3o da anima\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o do acesso ao desporto, a humaniza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade, o apoio \u00e0 prote\u00e7\u00e3o social, a quest\u00e3o das acessibilidades, s\u00e3o um conjunto de fatores que contribuem para esta cidade mais igual, para esta cidade mais coesa e n\u00f3s temos de estar atentos a essas situa\u00e7\u00f5es. Os idosos s\u00f3 podem sair de casa se n\u00f3s derrubarmos barreiras f\u00edsicas, se criarmos um transporte amig\u00e1vel das pessoas, se os jardins e o espa\u00e7o p\u00fablico se sentirem que s\u00e3o seguros. Pode ter a quest\u00e3o dos animais, das trotinetes, dos bebedouros, dos bancos, dos sanit\u00e1rios, h\u00e1 aqui um conjunto de determinantes. Temos de estar atentos a isso e o plano procura, de facto, responder e responsabilizar toda a cidade nesta prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Que import\u00e2ncia tem o facto de o Porto integrar a rede mundial de cidades amigas das pessoas idosas e, j\u00e1 agora, que mais cidades portuguesas possam integrar esta rede?<\/em><\/p>\n<p>Sim, j\u00e1 mais de mil cidades de 55 pa\u00edses integram esta rede, que foi criada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade. Aquilo que aprendemos, socorrendo-me das palavras do antigo secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan, \u00e9 que a expans\u00e3o do envelhecer n\u00e3o \u00e9 um problema, \u00e9 sim uma das maiores conquistas da humanidade. O que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 tra\u00e7armos pol\u00edticas ajustadas para um envelhecimento s\u00e3o, aut\u00f3nomo, ativo e plenamente integrado. Temos vindo a trabalhar com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade porque acreditamos muito neste projeto e o Porto n\u00e3o quer estar isolado, nem quer dizer que \u00e9 a \u00fanica cidade que tem um plano. Queremos criar um movimento, para que esta rede se expanda no plano nacional, j\u00e1 iniciamos contactos, houve uma reuni\u00e3o em Faro e estamos em contacto tamb\u00e9m com o escrit\u00f3rio da Europa da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, no sentido de podermos tamb\u00e9m ser um est\u00edmulo e um apoio para criar &#8211; numa coopera\u00e7\u00e3o interministerial ao n\u00edvel do governo e depois nos munic\u00edpios -uma estrat\u00e9gia de expans\u00e3o da rede. Numa primeira fase, a OMS n\u00e3o contava com os munic\u00edpios para a expans\u00e3o desta rede e parece-nos que ela pode expandir-se mais rapidamente responsabilizando os munic\u00edpios, pela capacidade que t\u00eam em poder envolver mais organiza\u00e7\u00f5es no princ\u00edpio da subsidiariedade, que ali\u00e1s \u00e9 um princ\u00edpio da Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Olhando agora para a quest\u00e3o da viol\u00eancia sobre pessoas idosas, uma das realidades mais cru\u00e9is, digamos assim, \u00e9 a do abandono hospitalar, apesar do esfor\u00e7o do Estado e de institui\u00e7\u00f5es, aquilo a que se chamam os internamentos sociais, o seu n\u00famero n\u00e3o para de aumentar. Pergunto-lhe como \u00e9 que est\u00e1 a realidade no Porto e que contributo \u00e9 que a autarquia pode dar para superar este fen\u00f3meno?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nossa rede social, neste momento, conta com 326 organiza\u00e7\u00f5es e temos as comiss\u00f5es sociais de freguesia organizadas e procuramos que todo este trabalho da \u00e1rea social seja um trabalho partilhado, de corresponsabilidade, de um diagn\u00f3stico conjunto e tamb\u00e9m de\u00a0uma partilha de responsabilidades, de complementaridade nas respostas que \u00e9 necess\u00e1rio dar. N\u00f3s temos vindo a trabalhar com os hospitais, tamb\u00e9m com a Seguran\u00e7a Social, no sentido de identificar o problema e de poder conseguir adequar as respostas para aquilo que s\u00e3o as necessidades. E de facto, neste momento, no Distrito do Porto,\u00a0a Seguran\u00e7a Social ter\u00e1 mais de 600 pedidos\u00a0de urg\u00eancia, de situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, a aguardar vaga em estrutura residencial para pessoas idosas.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio n\u00f3s investirmos fortemente &#8211; o Estado Central, que n\u00e3o descentralizou para as autarquias as respostas sociais &#8211; apesar de as autarquias terem aqui uma grande responsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Doutor Fernando Paulo, s\u00f3 para clarificar: haver\u00e1 nesta altura cerca de 600 pessoas em internamento social?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o.\u00a0\u00a0Estou a falar de situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a aguardar por resposta e que pertencem a grupos vulner\u00e1veis. E aqui no Distrito do Porto, est\u00e3o identificados pelos servi\u00e7os de atendimento social, e sinalizados pelos hospitais, n\u00f3s teremos, \u00e0 volta de 600 pessoas, a aguardar resposta em estrutura residencial para pessoas idosas.<\/p>\n<p>Nos nossos hospitais, na situa\u00e7\u00e3o de Covid, n\u00f3s chegamos a ter, nos hospitais do Porto, \u00e0 volta de 150 pessoas que tinham alta cl\u00ednica e n\u00e3o tinham para onde ir e, portanto, aguardavam essa disponibilidade. Praticamente, com o fim do Covid, essa situa\u00e7\u00e3o foi resolvida, mas neste momento temos, outra vez situa\u00e7\u00f5es que se est\u00e3o a acumular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas n\u00e3o tem ideia do n\u00famero?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Neste momento n\u00e3o temos um n\u00famero concreto, mas andar\u00e1 muito pr\u00f3ximo das 100 pessoas outra vez.\u00a0E, portanto, h\u00e1 aqui a necessidade de olhar para esta realidade. Conseguirmos investir, eu n\u00e3o diria apenas em estruturas residenciais para pessoas idosas, porque h\u00e1 aqui uma evolu\u00e7\u00e3o hoje tamb\u00e9m na presta\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Parte do princ\u00edpio de que no domic\u00edlio as pessoas t\u00eam as condi\u00e7\u00f5es para lhes ser assegurada a continuidade de um conjunto de apoios e de acompanhamento, mas isso de facto n\u00e3o acontece.\u00a0N\u00f3s precisamos de investir mais em cuidados continuados de m\u00e9dia e longa dura\u00e7\u00e3o, precisamos de estruturas tamb\u00e9m interm\u00e9dias entre a alta cl\u00ednica e aquilo que s\u00e3o a resposta para o regresso ao lar.\u00a0Mas a estrutura familiar hoje tamb\u00e9m se alterou profundamente e, portanto,\u00a0temos de criar respostas diferenciadas, porque aquilo que \u00e9 hoje a realidade da alta cl\u00ednica de um hospital n\u00e3o corresponde \u00e0quilo que \u00e9 a possibilidade, no seio familiar, de a pessoa poder convalescer e recuperar totalmente no domic\u00edlio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>At\u00e9 que ponto a descentraliza\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias na \u00e1rea que tutela pode tornar mais eficaz a interven\u00e7\u00e3o? Houve uma grande resist\u00eancia por parte dos munic\u00edpios, em particular por parte do munic\u00edpio do Porto ao processo de descentraliza\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de compet\u00eancias nesta \u00e1rea. Est\u00e1 pacificada essa situa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Completamente pacificada.\u00a0 Ainda bem que coloquei essa quest\u00e3o, e a hist\u00f3ria h\u00e1-de repor aquilo que foi a verdade dos factos.\u00a0 Ali\u00e1s, a Ministra Ana Abrunhosa e Ana Mendes Godinho sabem que foi o Porto que lhes levou a esta situa\u00e7\u00e3o e que fez com que o Governo alterasse aquilo que era os cerca de 50 milh\u00f5es iniciais para a descentraliza\u00e7\u00e3o na \u00e1rea social e passasse para 90 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>N\u00f3s lev\u00e1mos uma quest\u00e3o concreta e assumimos um compromisso que foi, n\u00f3s n\u00e3o concord\u00e1vamos que nos passassem processos cujo volume processual para acompanhar fam\u00edlias vulner\u00e1veis, ao n\u00edvel do RSI (Rendimento Social de Inser\u00e7\u00e3o) e do SAS (Servi\u00e7o de A\u00e7\u00e3o Social), fosse \u00e0 volta de 500 processos por t\u00e9cnico. Isso era imposs\u00edvel. E n\u00f3s demonstramos que era isto o que estava previsto.<\/p>\n<p>E, portanto, o Governo reviu e bem a situa\u00e7\u00e3o, alterou-se este r\u00e1cio para 100 processos por t\u00e9cnico e o Porto, h\u00e1 cerca de um m\u00eas fez uma avalia\u00e7\u00e3o e o balan\u00e7o que foi extremamente positivo. Defendemos o princ\u00edpio da descentraliza\u00e7\u00e3o, sempre estivemos de acordo com ele; apenas exig\u00edamos que houvesse o n\u00famero m\u00ednimo de t\u00e9cnicos capaz de ajudar a criar oportunidade. E hoje os n\u00fameros est\u00e3o \u00e0 vista. Ali\u00e1s o n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo diminuiu e n\u00f3s somos ac\u00e9rrimos defensores do princ\u00edpio da subsidiariedade, porque estando mais pr\u00f3ximos n\u00f3s conseguimos implicar melhor os t\u00e9cnicos, capacitar, qualificar, coordenar todo este trabalho, gerar complementaridades e fazer as articula\u00e7\u00f5es que \u00e9 necess\u00e1rio. Entre as quest\u00f5es de g\u00eanero, entre as quest\u00f5es da viol\u00eancia dom\u00e9stica, quest\u00f5es idosas, quest\u00f5es da prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens em risco, as fam\u00edlias com grupos mais vulner\u00e1veis e, portanto, todas estas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Cri\u00e1mos recentemente o n\u00facleo de garantia para a inf\u00e2ncia, estamos com o plano de a\u00e7\u00e3o Porto cidade Amiga das Pessoas Idosas, o Plano Municipal de Sa\u00fade, vamos assinar agora o protocolo no \u00e2mbito da referencia\u00e7\u00e3o da rede de viol\u00eancia dom\u00e9stica, estamos a atualizar o nosso diagn\u00f3stico do plano de desenvolvimento social, e elaborar tamb\u00e9m o plano municipal de combate \u00e0 pobreza e portanto\u00a0achamos que do ponto de vista local, nesta articula\u00e7\u00e3o com todas as entidades, n\u00f3s conseguimos gerar uma maior oportunidade para a inclus\u00e3o, para a inser\u00e7\u00e3o e sobretudo para que todos os cidad\u00e3os possam aceder \u00e0quilo que a cidade tem para oferecer e sobretudo oportunidade para que todas as pessoas estejam felizes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s come\u00e7amos esta conversa por recordar o Dia Mundial da Consciencializa\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Pessoas Idosas que se assinalou no s\u00e1bado. Isto \u00e9 um fen\u00f3meno particularmente chocante, e certamente deve merecer a aten\u00e7\u00e3o de todos. Eu pergunto-lhe como olha para os casos que se v\u00e3o verificar na sociedade portuguesa e se teme que um agravamento da crise econ\u00f3mica possa criar situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. A quest\u00e3o de viol\u00eancia \u00e9 uma quest\u00e3o que nos deve ocupar, sobre qualquer pessoa, e naturalmente sobre os grupos mais vulner\u00e1veis, aqueles que n\u00e3o t\u00eam voz e que vivem em situa\u00e7\u00e3o de maior isolamento e de invisibilidade e esta \u00e9 a nossa preocupa\u00e7\u00e3o primeira e por isso este plano de a\u00e7\u00e3o tem algumas medidas concretas no sentido de combater a invisibilidade. Mas acreditamos muito tamb\u00e9m que temos de ser motores de mudan\u00e7a, fazer a pedagogia do envelhecimento, tamb\u00e9m da cidadania, da quest\u00e3o dos valores, da \u00e9tica, o investimento na educa\u00e7\u00e3o, na prepara\u00e7\u00e3o e na qualifica\u00e7\u00e3o dos nossos t\u00e9cnicos e sobretudo mostrar que todos os cidad\u00e3os, do ponto de vista \u00e9tico, a nossa corresponsabilidade enquanto cidad\u00e3os, enquanto profissionais, que devemos criar as condi\u00e7\u00f5es para de facto olhar a outra pessoa na sua dignidade, nos seus direitos humanos e devemos preparar os servi\u00e7os para combater todas as formas de viol\u00eancia.\u00a0\u00c9 isso que n\u00f3s temos feito, por exemplo, ao n\u00edvel das comunidades migrantes, muitas vezes h\u00e1 estere\u00f3tipos e preconceitos que h\u00e1 relativamente a determinados grupos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas houve um aumento de inseguran\u00e7a com a imigra\u00e7\u00e3o no Porto ou n\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o ligamos um facto ao outro. \u00c0s vezes a comunica\u00e7\u00e3o social liga estas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_330268\" aria-describedby=\"caption-attachment-330268\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-330268\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/0W1A3414.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-330268\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>A comunica\u00e7\u00e3o social d\u00e1 eco do que diz a sociedade e os atores pol\u00edticos, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, aqui, entendam, n\u00e3o era uma cr\u00edtica \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social. \u00c0s vezes d\u00e1 voz a essas quest\u00f5es, mas n\u00f3s n\u00e3o fazemos uma liga\u00e7\u00e3o direta. Eu tenho a \u00e1rea da coes\u00e3o social, n\u00f3s temos uma comunidade migrante hoje legalizada com mais de 23 mil imigrantes na cidade, as nossas escolas p\u00fablicas do pr\u00e9-escolar ao 12\u00ba ano t\u00eam 3200 alunos,\u00a0n\u00f3s n\u00e3o temos quest\u00f5es de inseguran\u00e7a, bem pelo contr\u00e1rio. \u00c9 uma oportunidade de educar para a diversidade, para a toler\u00e2ncia, para os valores.\u00a0N\u00f3s temos os nossos mediadores municipais interculturais para trabalhar com as comunidades migrantes, temos escolas que t\u00eam mais de 40 comunidades e, de facto, n\u00e3o temos situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.\u00a0Agora, \u00e9 natural que haja determinados grupos, que as for\u00e7as de seguran\u00e7a v\u00e3o acompanhando, mas n\u00e3o tem nada a ver com este fen\u00f3meno da imigra\u00e7\u00e3o.\u00a0H\u00e1 outro tipo de fen\u00f3menos que est\u00e3o a acontecer, mas n\u00e3o tem a ver com esta diversidade cultural, que tem sido uma oportunidade para o munic\u00edpio trabalhar e para que a cidade no seu todo tamb\u00e9m crie as condi\u00e7\u00f5es para ser mais tolerante, mais compreensiva.\u00a0Ainda h\u00e1 poucos dias recebi uma comitiva do Porto com as v\u00e1rias igrejas que est\u00e3o no Porto. N\u00f3s encomend\u00e1mos \u00e0 Universidade Lus\u00f3fona um trabalho, e neste momento a Universidade est\u00e1 a preparar em conjunto com a autarquia uma Carta das Religi\u00f5es, para fazermos todo o levantamento do culto no munic\u00edpio.\u00a0Porque tudo isto \u00e9 uma oportunidade para sensibilizarmos e despertarmos para a multiculturalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando \u00e9 que estar\u00e1 pronta essa carta?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Esperemos que dentro de 6, 7 meses esteja pronta e, portanto, mais do que georreferenciar, para n\u00f3s \u00e9 uma oportunidade de nos aproximarmos e para mostrar que devemos celebrar esta diversidade cultural, porque ela \u00e9 uma oportunidade tamb\u00e9m para educarmos para os valores, para esta diversidade.\u00a0O Porto \u00e9 uma cidade cosmopolita, uma cidade aberta e tolerante, democr\u00e1tica, livre, mas \u00e0s vezes \u00e9 um pouco conservadora e, portanto, n\u00f3s tamb\u00e9m temos de desconstruir preconceitos.<\/p>\n<p>E o mesmo acontece relativamente aos idosos.\u00a0Hoje, do ponto de vista social, \u00e9 como que se os idosos, a partir de uma determinada idade, perdessem a sua capacidade de decidir, s\u00e3o os filhos que decidem por ele, s\u00e3o institucionalizados.\u00a0Muitas vezes perdem o t\u00edtulo, perdem a sua hist\u00f3ria, passam a ser o nome. E n\u00f3s queremos contrariar esta situa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos que potenciar e aproveitar aquilo que s\u00e3o experi\u00eancias de vida e dar oportunidade para que haja esta cidadania ativa e plena.\u00a0Isto \u00e9 uma forma tamb\u00e9m de combatermos as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia, de quebrar a invisibilidade, de criar servi\u00e7os e, sobretudo, criar uma cidade plena. N\u00f3s queremos que a cidade seja vivida.\u00a0Temos 42 quil\u00f3metros quadrados, temos uma diversidade de equipamentos culturais, atividades desportivas, um conjunto de servi\u00e7os e queremos, de facto, que a cidade seja vivida por todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na sua mensagem para o IV Dia Mundial dos Av\u00f3s e Idosos, o Papa Francisco pediu coragem no combate ao abandono e alertou para as atitudes ego\u00edstas que levam ao descarte. Falta na sociedade esta aposta na educa\u00e7\u00e3o, para a cidadania e para a solidariedade?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim. Nas nossas escolas do primeiro ciclo temos, por exemplo, filosofia, temos yoga, temos judo no pr\u00e9-escolar, s\u00e3o atividades que \u00e0s vezes nos convidam a uma outra atitude, a uma outra reflex\u00e3o, mas acho que \u00e9 preciso continuar a educar.\u00a0Eu sou da \u00e1rea da filosofia e vejo que, por exemplo, a filosofia quase que desaparece dos curr\u00edculos do ensino secund\u00e1rio.\u00a0Eu acho que n\u00f3s precisamos de investir e capacitar ainda muito mais para este exerc\u00edcio de cidadania, para respeitarmos o outro na sua dignidade, na sua identidade e na sua necessidade de ser feliz.\u00a0N\u00f3s precisamos olhar o ser humano neste sentido \u00e9tico de responsabilidade e, portanto, achamos que h\u00e1 muito bons exemplos, estamos no bom caminho, mas este tem de ser um esfor\u00e7o continuado.\u00a0Temos de continuar a investir para, que de facto, as nossas cidades sejam cidades participadas. N\u00f3s somos seres de rela\u00e7\u00e3o e \u00e9 na rela\u00e7\u00e3o com os outros que n\u00f3s somos verdadeiramente pessoas e \u00e9 nesta rela\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos que cultivar e aprofundar, que de facto tamb\u00e9m reconhecemos o outro no sentido \u00e9tico, na sua dignidade. \u00c9 nisso que n\u00f3s acreditamos, \u00e9 por isso que continuamos a trabalhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Consciencializa\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Pessoas Idosas (15 de junho), \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o vereador com o pelouro da Coes\u00e3o Social da C\u00e2mara Municipal do 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