{"id":32895,"date":"2008-07-04T12:16:01","date_gmt":"2008-07-04T12:16:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/07\/04\/homilia-de-d-manuel-clemente-na-abertura-no-congresso-europeu-das-vocacoes\/"},"modified":"2008-07-04T12:16:01","modified_gmt":"2008-07-04T12:16:01","slug":"homilia-de-d-manuel-clemente-na-abertura-no-congresso-europeu-das-vocacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-manuel-clemente-na-abertura-no-congresso-europeu-das-vocacoes\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Manuel Clemente na abertura no Congresso Europeu das Voca\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>\u00abComunidade, Lugar de Amor\u00bb <!--more--> Na abertura do nosso Congresso celebramos a Festa de S\u00e3o Tom\u00e9 Ap\u00f3stolo e ouvimos atentamente o Evangelho que lhe diz respeito. N\u00e3o podia vir mais a prop\u00f3sito, por tocar num ponto essencial da problem\u00e1tica vocacional hodierna: a comunidade, lugar da voca\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 for\u00e7ar a par\u00e1bola inspiradora desta reuni\u00e3o internacional. Na verdade, o \u201cbom samaritano\u201d n\u00e3o resume \u00e0 sua aproxima\u00e7\u00e3o pessoal a salva\u00e7\u00e3o daquele homem que encontrara em trist\u00edssimo estado. Alarga a sua ac\u00e7\u00e3o ao contexto comunit\u00e1rio, significado numa \u201cestalagem\u201d onde poderia ser \u201cbem tratado\u201d (cf. Lc 10, 34-35). E n\u00e3o foi dif\u00edcil \u00e0 nossa tradi\u00e7\u00e3o ver nessa estalagem a pr\u00f3pria imagem da Igreja. Mas \u00e9 no Evangelho desta Missa de S. Tom\u00e9 que a alus\u00e3o comunit\u00e1ria se torna mais forte e mesmo determinante para qualquer percurso crist\u00e3o, vocacional tamb\u00e9m. Sabemos como Tom\u00e9, um dos Doze, \u201cn\u00e3o estava com eles\u201d (Jo 20, 24) quando o Ressuscitado lhes aparecera \u201cnaquele dia, o primeiro da semana\u201d. Sabemos que n\u00e3o acreditara em tal apari\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a, pondo mesmo condi\u00e7\u00f5es para a admitir, condi\u00e7\u00f5es que nos podem parecer demasiado concretas e materiais: \u201cSe n\u00e3o vir nas suas m\u00e3os o sinal dos cravos, se n\u00e3o meter o dedo no lugar dos cravos e a m\u00e3o no seu lado\u2026\u201d   Reparemos pois: tratava-se de algu\u00e9m que conhecera Jesus de perto; de algu\u00e9m que ouvira o testemunho dos outros, dito certamente com a for\u00e7a \u201cquerigm\u00e1tica\u201d da primeira experi\u00eancia pascal. E, no entanto, n\u00e3o fora suficiente\u2026 Mas eis que \u201coito dias depois, estavam os disc\u00edpulos outra vez em casa e Tom\u00e9 com eles\u201d (Jo 20, 26). Ent\u00e3o ver\u00e1 Jesus, experimentar\u00e1 a absoluta paz que s\u00f3 na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo desponta e soltar\u00e1, por fim, a mais larga das profiss\u00f5es de f\u00e9: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d.       No actual contexto social do nosso Continente a vida \u00e9 sobremaneira individualizada e dispersa. Criam-se e estreitam-se muitas redes de \u201ccomunica\u00e7\u00e3o\u201d, mas os media n\u00e3o unem realmente os seus utilizadores de modo presencial e comprometido. Mais facilmente os informam do que os formam, mais facilmente os constituem em espectadores do que em participantes, mais facilmente os divertem do que os levam \u00e0 reflex\u00e3o aprofundada; ou os chocam e espantam, pela \u201cdramatiza\u00e7\u00e3o\u201d constante de factos e figuras, em contraste e oposi\u00e7\u00e3o. Mobilizam episodicamente, para tudo se esquecer de seguida, na precipita\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos para ganhar audi\u00eancia. Creio que o \u201cmal\u201d n\u00e3o est\u00e1 propriamente nos media, mas em quem fa\u00e7a deles uma comunidade de substitui\u00e7\u00e3o e por isso virtual, n\u00e3o real. Os media, em si mesmo, s\u00e3o um espantoso meio de cosmovis\u00e3o e partilha de conhecimentos e sugest\u00f5es. Neste sentido t\u00eam as virtualidades e os riscos da t\u00e3o propalada globaliza\u00e7\u00e3o. Permitem uma consci\u00eancia mais universal das coisas, mas n\u00e3o nos podem dispensar de atender \u00e0 realidade pr\u00f3xima e concreta, nem alhear da conviv\u00eancia precisa e solid\u00e1ria, onde o todo se faz parte e parte pelo todo. Onde a \u201chumanidade\u201d, minha e do outro, se realiza, indispensavelmente, na rela\u00e7\u00e3o, na partilha e no compromisso.  Voltando \u00e0 par\u00e1bola inspiradora deste Congresso, grandes ideias e \u201cagendas\u201d teriam os que passaram por aquele pobre homem que ali jazia meio morto\u2026 Finalmente, um samaritano, que tamb\u00e9m teria ideias e agendas, soube deter-se e levant\u00e1-lo, levantando-se a si mesmo como exemplo \u00edmpar de humanidade e rela\u00e7\u00e3o. Exemplo universal, global, porque localizado e concreto.       O que se diz da sociedade diga-se tamb\u00e9m da Igreja e da dimens\u00e3o vocacional, constitutiva da sua miss\u00e3o. Existe a Igreja como voca\u00e7\u00e3o divina \u00e0 santidade, que \u00e9 comunh\u00e3o absoluta com Deus e com os outros. Na expressiva passagem que ouvimos da Epistola aos Ef\u00e9sios, \u00e9 precisamente de \u201cfam\u00edlia\u201d que se fala, com a forte carga de rela\u00e7\u00e3o e proximidade que tal palavra evoca: \u201cIrm\u00e3os: J\u00e1 n\u00e3o sois estrangeiros nem h\u00f3spedes, mas sois concidad\u00e3os dos santos e membros da fam\u00edlia de Deus\u2026\u201d (Ef 2, 19).  Assim traduzida tal realidade nov\u00edssima, oferecida na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo &#8211; como humanidade resgatada para a comunh\u00e3o com Deus e com os outros, naquela \u201cpaz\u201d que o mesmo Cristo derrama pelo Esp\u00edrito -, a Igreja \u00e9 no mundo uma fermenta\u00e7\u00e3o permanente de unidade e comunh\u00e3o. A constitui\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica sobre a Igreja, do \u00faltimo Conc\u00edlio ecum\u00e9nico, encontrou as palavras mais adequadas e estimulantes para definir essa verdade.  Fala-nos o Conc\u00edlio \u201cda Igreja, que em Cristo, \u00e9 como que o sacramento ou sinal e instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o genro humano\u201d (Lumen Gentium, n\u00ba 1). E n\u00e3o se esquece de aludir \u00e0s modernas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o, que tanto cresceriam nas quatro d\u00e9cadas seguintes: \u201cAs condi\u00e7\u00f5es deste tempo tornam maior a urg\u00eancia deste dever da Igreja a fim de que todos os homens, hoje mais intimamente unidos por toda a esp\u00e9cie de v\u00ednculos sociais, t\u00e9cnicos e culturais, alcancem a unidade total em Cristo\u201d (ibidem). Importa assim que, como Tom\u00e9, tamb\u00e9m cada um dos crist\u00e3os fa\u00e7a na comunidade a melhor experi\u00eancia do Ressuscitado. Dessa experi\u00eancia fundamental renascer\u00e1 como \u201cap\u00f3stolo\u201d, irradiando vida pascal, deste ou daquele modo espec\u00edfico, como carisma e minist\u00e9rio.                          \u201cSamaritanos da esperan\u00e7a para uma Europa com futuro humano e crist\u00e3o\u201d, assim nos queremos todos, especialmente na dimens\u00e3o vocacional. Sejamos ent\u00e3o intermedi\u00e1rios activos entre cada um que encontrarmos e a \u201cestalagem\u201d em que se fortale\u00e7a e relance. Tamb\u00e9m porque um futuro humano significa necessariamente comunidade e conviv\u00eancia. Sobretudo porque futuro crist\u00e3o significa vida pascal de comunh\u00e3o e paz, celebra\u00e7\u00e3o e partilha.  A Tom\u00e9 ningu\u00e9m mais o deteria, no testemunho de Cristo, porventura at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia. Mas foi na comunidade pascal de Jerusal\u00e9m que se reencontrou naquele dia, como voca\u00e7\u00e3o e destino. Sejamos n\u00f3s suficientemente criativos para acolher, integrar e acompanhar eclesialmente cada adolescente, jovem ou adulto e a experi\u00eancia crist\u00e3 redundar\u00e1 em m\u00faltiplas voca\u00e7\u00f5es.     + Manuel Clemente, Bispo do Porto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abComunidade, Lugar de Amor\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,203,206],"class_list":["post-32895","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32895","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32895\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}