{"id":328861,"date":"2024-06-07T09:54:23","date_gmt":"2024-06-07T08:54:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=328861"},"modified":"2024-06-03T10:56:00","modified_gmt":"2024-06-03T09:56:00","slug":"crise-climatica-e-fe-responsabilidade-de-todos-todos-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/crise-climatica-e-fe-responsabilidade-de-todos-todos-todos\/","title":{"rendered":"CRISE CLIM\u00c1TICA e F\u00c9 \u2013 Responsabilidade de \u201ctodos, todos, todos\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 An\u00edbal Barreiros, Diocese de Coimbra<\/em><strong>\u00a0<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270101 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jose-barreiros-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jose-barreiros-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jose-barreiros-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jose-barreiros-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jose-barreiros-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/jose-barreiros.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>As quest\u00f5es ambientais est\u00e3o na agenda p\u00fablica desde a Confer\u00eancia Internacional de Estocolmo, em junho de 1972, portanto h\u00e1 mais de cinquenta anos. Hoje, enquanto falamos de meio ambiente, continuamos a minar as condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade do planeta.\u00a0As decis\u00f5es s\u00e3o adiadas, como se a humanidade ainda tivesse tempo pela frente. A sua impot\u00eancia para agir nem parece incomod\u00e1-la. Estamos a transformar o planeta juntos, sem que ningu\u00e9m ache por bem faz\u00ea-lo. Sentimos que nos deparamos com escolhas que antes n\u00e3o dependiam de n\u00f3s, e ainda assim sentimo-nos impotentes para mudar as coisas que dependem de n\u00f3s. Precisamos de uma nova forma de pensar. O Papa Francisco reconhece que os crist\u00e3os, ao longo da hist\u00f3ria, nem sempre foram capazes de desenvolver uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com o seu ambiente:<\/p>\n<p>A enc\u00edclica\u00a0<em><strong>Laudato Si<\/strong><\/em>\u00a0(LS) publicada em 18 de junho de 2015, contribuiu certamente para sensibilizar as pessoas para os desafios que nos s\u00e3o colocados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, j\u00e1 que o Papa afirma claramente que n\u00e3o h\u00e1 crises separadas, uma crise social, por um lado, e uma crise ambiental, por outro, mas uma crise descrita como socioambiental (<em>LS<\/em>). De facto, para o Papa, &#8220;tudo est\u00e1 interligado&#8221;. Tamb\u00e9m nos mostra a fragilidade dos equil\u00edbrios ecol\u00f3gicos, das amea\u00e7as \u00e0 biodiversidade, do esgotamento de recursos que, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo, pareciam inesgot\u00e1veis. Ou seja, coloca-nos a quest\u00e3o do futuro do planeta. Em que condi\u00e7\u00f5es os nossos descendentes a encontrar\u00e3o? A situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 parece irrevers\u00edvel. Os ambientalistas t\u00eam vindo a alertar que a atividade humana j\u00e1 mudou radicalmente o nosso ambiente planet\u00e1rio. O aquecimento global \u00e9 um dos principais marcadores e impulsionadores disso. Os cientistas calculam que a humanidade produziu mais di\u00f3xido de carbono do que todos os outros organismos terrestres combinados; que a humanidade monopolizou mais da metade da \u00e1gua doce dispon\u00edvel na superf\u00edcie terrestre e que causou o desaparecimento de mais de um quarto das esp\u00e9cies animais.<\/p>\n<p>A crise ecol\u00f3gica \u00e9 apenas a manifesta\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o desequilibrada com a terra, consequ\u00eancia da atividade humana: &#8220;Crescemos a pensar que \u00e9ramos seus donos e senhores, autorizados a explor\u00e1-la&#8221; (<em>LS<\/em>\u00a02). H\u00e1 uma necessidade urgente de sair desse tipo de atitude, mas sem cair no excesso oposto de conceder a primazia a outras criaturas que n\u00e3o o homem: &#8220;Um antropocentrismo desviante n\u00e3o precisa necessariamente dar lugar a um &#8216;biocentrismo&#8217;, porque isso implicaria introduzir um novo desequil\u00edbrio que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolveria os problemas como acrescentaria outros&#8221; (<em>LS<\/em>). \u00c9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de coer\u00eancia: &#8220;N\u00e3o podemos exigir dos seres humanos um compromisso respeitoso com o mundo se n\u00e3o reconhecermos e valorizarmos simultaneamente as suas capacidades particulares de conhecimento, vontade, liberdade e responsabilidade&#8221; (<em>LS<\/em>).<\/p>\n<p>&#8220;Esquecemo-nos de que n\u00f3s mesmos somos p\u00f3 (Gn 2,7). O nosso pr\u00f3prio corpo \u00e9 feito de elementos do planeta, o seu ar d\u00e1-nos f\u00f4lego e a sua \u00e1gua nos revigora e nos restaura&#8221;, escreve o Papa Francisco logo no in\u00edcio de sua enc\u00edclica. Como habitantes da Terra, tamb\u00e9m somos feitos do mesmo material que a Terra e vivemos dos recursos que ela nos d\u00e1. Estamos constitutivamente ligados \u00e0 natureza e isso impede-nos de conceber a natureza como separada de n\u00f3s ou como uma mera estrutura para nossas vidas. Estamos inclu\u00eddos nela, fazemos parte dela e estamos envolvidos com ela.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso, que as Escrituras negam qualquer pretens\u00e3o de propriedade absoluta. Quando o homem se comporta como dono absoluto da terra, n\u00e3o \u00e9 apenas o planeta que est\u00e1 em perigo, mas tamb\u00e9m os pobres e as gera\u00e7\u00f5es futuras. A terra \u00e9 uma heran\u00e7a comum, cujos frutos nos devem beneficiar a todos, inclusive os que v\u00eam depois de n\u00f3s. &#8220;Cada comunidade pode tirar da bondade da terra o que precisa para sobreviver, mas tamb\u00e9m tem o dever de proteg\u00ea-la e garantir a continuidade de sua fertilidade para as gera\u00e7\u00f5es futuras&#8221; (<em>LS<\/em>).<\/p>\n<p>A crise que estamos a enfrentar atualmente mede o tamanho, a urg\u00eancia e a beleza do desafio que a humanidade tem de combater. Obriga-nos a questionar as nossas conce\u00e7\u00f5es de progresso, desenvolvimento, liberdade, futuro e estimula a nossa imagina\u00e7\u00e3o a inventar outras formas de viver. \u00c9 na f\u00e9 que o Papa nos convida a viver, na esperan\u00e7a de que Deus nunca abandona a humanidade em dificuldades, mesmo quando os homens s\u00e3o respons\u00e1veis por ela: \u00abDeus, quer agir connosco e conta com nossa coopera\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m \u00e9 capaz de obter algo de bom com o dano que provocamos\u00bb (<em>LS<\/em>). Mas tamb\u00e9m \u00e9 um motivo eminentemente positivo que deve levar os crist\u00e3os a serem pontas de lan\u00e7a em termos de ecologia: a sua preocupa\u00e7\u00e3o com a terra n\u00e3o \u00e9 motivada pelo medo de uma cat\u00e1strofe mais ou menos iminente, mas vem da voca\u00e7\u00e3o adequada do ser humano, \u00abchamado para renovar todas as criaturas para o seu Criador\u00bb (<em>LS<\/em>), at\u00e9 a transfigura\u00e7\u00e3o final de toda a realidade, para criar um clima e uma cultura de prote\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 An\u00edbal Barreiros, Diocese de Coimbra\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":270101,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-328861","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328861"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328861\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}