{"id":328842,"date":"2024-06-03T09:30:33","date_gmt":"2024-06-03T08:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=328842"},"modified":"2024-06-03T09:30:00","modified_gmt":"2024-06-03T08:30:00","slug":"uma-modesta-proposta-no-excesso-de-propostas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-modesta-proposta-no-excesso-de-propostas\/","title":{"rendered":"Uma modesta proposta no excesso de propostas"},"content":{"rendered":"<p><em>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-270080 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Jorge-Pires-Ferreira.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>Tenho alguma ansiedade em saber o que sai do Congresso Eucar\u00edstico Nacional. No momento em que escrevo estas linhas, o Congresso ainda n\u00e3o acabou. Deliberadamente, s\u00f3 depois de concluir este artigo \u00e9 que vou espreitar o que est\u00e1 a acontecer por Braga.<\/p>\n<p>Na Igreja em Portugal, como na sociedade em geral, nos tempos que correm, temos um excesso de paradigmas, de \u201cmomentos hist\u00f3ricos\u201d, como dizia um certo pol\u00edtico que estava sempre a viver momentos desses, de viragens, de mudan\u00e7as estruturais, de novos modelos, que, por mudarem tanto, acabam por ficar no mesmo s\u00edtio.<\/p>\n<p>E vem a\u00ed mais um s\u00ednodo. E um jubileu. Depois de uma \u201cvisita ad limina apostolorum\u201d. E de uma JMJ. E de v\u00e1rios s\u00ednodos. E de um Ano da Miseric\u00f3rdia. E o Ano da F\u00e9. O Paulino. O da Eucaristia. O Ano Sacerdotal\u2026 O que ficou de \u201cPromover a Renova\u00e7\u00e3o da Pastoral da Igreja em Portugal\u00a0\u201c, na sequ\u00eancia da \u201cvisita ad limina\u201d de 2007 (e depois ainda houve a de 2015)?<\/p>\n<p>Mais, algumas propostas, com os seus ritmos, ritos e indulg\u00eancias, parecem dirigir-se a um mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe. Ou pelo menos n\u00e3o existe na nossa Europa. O mundo da cristandade. Mas ainda se vive nele por simulacro, por conven\u00e7\u00e3o, por tradi\u00e7\u00e3o, por arrastamento. Por tudo menos por convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um exemplo. Por esta altura, em qualquer lugar onde h\u00e1 ensino superior, h\u00e1 b\u00ean\u00e7\u00e3o dos finalistas. S\u00e3o uns her\u00f3is os jovens que integram as comiss\u00f5es de finalistas que organizam as b\u00ean\u00e7\u00e3os. Conciliam dezenas de reuni\u00f5es com a \u00faltima etapa dos estudos. Mas tanto esfor\u00e7o para qu\u00ea? Para participarem milhares de jovens na b\u00ean\u00e7\u00e3o dos finalistas, das fitas, das pastas ou do que for. Um sucesso. Mas participarem como? \u00c9 confrangedor estar numa celebra\u00e7\u00e3o destas. A maior parte dos jovens n\u00e3o sabe responder \u00e0 missa. Por vezes at\u00e9 sabem os c\u00e2nticos, porque foram a dois ou tr\u00eas ensaios. Mas n\u00e3o houve ensaios para responder ao presidente da Eucaristia. Muitos passam a celebra\u00e7\u00e3o a olhar para o telem\u00f3vel. Arrisco que v\u00e1rios deles comungam pela segunda vez, depois da primeira Comunh\u00e3o. E alguns comungam mesmo pela primeira vez. \u00c9 uma quest\u00e3o de estar na fila.<\/p>\n<p>As festas populares, as peregrina\u00e7\u00f5es e mais uma s\u00e9rie de encontros ainda atraem multid\u00f5es, enquanto os valores crist\u00e3os perdem relev\u00e2ncia na vida das pessoas. \u00c9 muito estranha uma sociedade em que 80 por centro das pessoas de identificam como cat\u00f3licas, mas n\u00e3o se identificam com a moral sexual cat\u00f3lica (90 por cento dos casais cat\u00f3licos norte-americanos usam contracetivos artificiais \u2013 em Portugal deve-se passar o mesmo), com a indissolubilidade do casamento cat\u00f3lico, com o que a Igreja diz da pr\u00e1tica do aborto e da eutan\u00e1sia, com a f\u00e9 na vida eterna, at\u00e9 com a presen\u00e7a de Jesus no p\u00e3o da Eucaristia. Pertencer sem se identificar com \u00e9 consequ\u00eancia da cristandade, do tempo em que n\u00e3o era preciso convic\u00e7\u00e3o pessoal para se ser crist\u00e3o. Bastava dizer que se cria no que a Igreja cr\u00ea. Hoje, n\u00e3o chega. Ou ent\u00e3o, diz-se que se cr\u00ea no que a Igreja prop\u00f5e, como vemos na celebra\u00e7\u00e3o de qualquer sacramento, principalmente no Batismo de crian\u00e7as, mas depois a vida toda vai por outro lado. E toda a gente sabe disso. \u201cH\u00e1 de ficar alguma coisa\u201d \u2013 \u00e9 a esperan\u00e7a de tantos l\u00edderes das comunidades crist\u00e3s nos batismos, comunh\u00f5es, crismas e casamentos, at\u00e9 porque a \u201cIgreja n\u00e3o \u00e9 para os puros, \u00e9 para todos\u201d. Ainda bem que a Igreja \u00e9 para todos. Todos os que querem. Mas querem mesmo? Sabem ou sentem o que querem e pedem?<\/p>\n<p>Bento XVI escreveu no seu mais belo documento, que prometia tanto, que \u201cno in\u00edcio do ser crist\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que d\u00e1 \u00e0 vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo\u201d (\u201cDeus caritas est\u201d, 1).\u00a0No in\u00edcio, o encontro. Pelo menos o encontro, que seduz, que apaixona, que leva ao seguimento. Sem encontro, nada feito.<\/p>\n<p>Nos anos 90, um pastoralista notou que h\u00e1 muitos batizados, alguns catequizados e poucos evangelizados. Uma pir\u00e2mide t\u00edpica da cristandade a dar as \u00faltimas. Se fosse como Bento XVI preconizou, dever\u00edamos estar num tempo de alguns evangelizados (no encontro apaixonante com Jesus), alguns catequizados (no aprofundamento do encontro) e alguns, com certeza menos, batizados (ades\u00e3o\/amizade formalizada), que mesmo assim poderia incluir o \u201ctodos, todos, todos\u201d do Papa Francisco. J\u00e1 sacramentos sem encontro, a come\u00e7ar pelo Batismo, \u00e9 a origem de todos os equ\u00edvocos eclesiais e o princ\u00edpio da incoer\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Pires Ferreira, Diocese de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":270080,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[170],"class_list":["post-328842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328842\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/270080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}