{"id":328655,"date":"2024-06-01T09:45:55","date_gmt":"2024-06-01T08:45:55","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=328655"},"modified":"2024-06-01T12:05:04","modified_gmt":"2024-06-01T11:05:04","slug":"entre-ser-cristao-e-ser-contra-os-imigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entre-ser-cristao-e-ser-contra-os-imigrantes\/","title":{"rendered":"Entre Ser Crist\u00e3o e Ser Contra os Imigrantes"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Miguel Lopes Neto, Diocese do Algarve<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_324058\" aria-describedby=\"caption-attachment-324058\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-324058\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/miguel-neto-2024.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-324058\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p>A mensagem central do cristianismo \u00e9 de amor, compaix\u00e3o e acolhimento ao pr\u00f3ximo. Jesus Cristo, nos seus ensinamentos, enfatizou a import\u00e2ncia de cuidar dos necessitados, dos marginalizados e dos estrangeiros. No Evangelho de Mateus 25:35-36, Ele diz: &#8220;Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estive na pris\u00e3o, e fostes ver-me.&#8221; Esta passagem b\u00edblica sublinha a obriga\u00e7\u00e3o moral dos crist\u00e3os em ajudar e acolher aqueles que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, incluindo os imigrantes.<\/p>\n<p>No entanto, observa-se um contraste crescente entre os ensinamentos da doutrina e a postura de alguns crentes contempor\u00e2neos, em rela\u00e7\u00e3o aos imigrantes. Esse paradoxo pode ser explicado por fatores sociopol\u00edticos, econ\u00f3micos e culturais, que influenciam a opini\u00e3o p\u00fablica e as pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o. A preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a, o impacto financeiro e a preserva\u00e7\u00e3o da identidade nacional s\u00e3o frequentemente citados como raz\u00f5es para a resist\u00eancia ao acolhimento de imigrantes.<\/p>\n<p>A mim, surpreende-me, sobretudo, que haja a perce\u00e7\u00e3o de sentido de inseguran\u00e7a, associado a uma maior imigra\u00e7\u00e3o. Quem deve sentir-se inseguro n\u00e3o s\u00e3o os residentes e naturais de Portugal, mas os imigrantes. S\u00e3o esses que s\u00e3o atacados nas suas resid\u00eancias, onde tantas vezes s\u00e3o altamente explorados, com alt\u00edssimos pre\u00e7os de aluguer e que, por isso, habitam essas casas em condi\u00e7\u00f5es desumanas. Tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas de xenofobia e racismo, s\u00f3 porque tiveram o azar de nascer no Nepal, Paquist\u00e3o, India, etc. Estas atitudes obscurecem a responsabilidade crist\u00e3 de acolher o pr\u00f3ximo e, muitas vezes, s\u00e3o elas que fomentam as rea\u00e7\u00f5es violentas por parte destes grupos populacionais: se me perseguem, tenho de me defender; se me injuriam, respondo na mesma moeda; se n\u00e3o aceitam a minha cultura, n\u00e3o aceito a deles e tamb\u00e9m os passo a tratar usando comportamentos racistas e xen\u00f3fobos. O mal atrai o mal e o bem atrai o bem.<\/p>\n<p>A perspetiva crist\u00e3 de acolhimento pode e deve ser conciliada com a sustentabilidade da seguran\u00e7a social. Os imigrantes, muitas vezes vistos como um fardo econ\u00f3mico, na verdade, podem contribuir significativamente para a economia e a sustentabilidade dos sistemas de seguran\u00e7a social. Em muitos pa\u00edses, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 a envelhecer (\u00e9 o caso de Portugal), havendo uma menor propor\u00e7\u00e3o de trabalhadores ativos em rela\u00e7\u00e3o aos aposentados. Isso coloca uma press\u00e3o crescente sobre os sistemas de seguran\u00e7a social, que dependem das contribui\u00e7\u00f5es dos trabalhadores ativos para sustentar as pens\u00f5es e os servi\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>Os imigrantes, especialmente os jovens, podem ajudar a equilibrar essa equa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica. Ao ingressarem no mercado de trabalho, eles contribuem com impostos e para a seguran\u00e7a social, ajudando a financiar os servi\u00e7os p\u00fablicos e as reformas. Estudos mostram que, em muitos casos, os imigrantes s\u00e3o mais propensos a ocupar empregos que s\u00e3o menos desejados pelos trabalhadores locais, preenchendo lacunas importantes na for\u00e7a de trabalho e impulsionando a economia. Al\u00e9m disso, a diversidade trazida pelos imigrantes pode fomentar a inova\u00e7\u00e3o e a criatividade, beneficiando a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>Do ponto de vista crist\u00e3o, acolher os imigrantes n\u00e3o \u00e9 apenas um ato de compaix\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma forma de contribuir para o bem comum. A resist\u00eancia ao acolhimento de imigrantes pode ser vista como uma falha em viver de acordo com os princ\u00edpios fundamentais do cristianismo. Ser crist\u00e3o implica reconhecer a dignidade e o valor de cada ser humano, independentemente de sua origem. Isso inclui trabalhar para criar uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos t\u00eam a oportunidade de prosperar.<\/p>\n<p>Portanto, \u00e9 poss\u00edvel ser crist\u00e3o e apoiar o acolhimento destas pessoas, vendo-os n\u00e3o como uma amea\u00e7a, mas como uma oportunidade para fortalecer a comunidade e promover a sustentabilidade. Os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a ser exemplos de amor e hospitalidade, refletindo os ensinamentos de Jesus em suas a\u00e7\u00f5es e atitudes. Ao fazer isso, n\u00e3o apenas cumprem seu dever religioso, mas tamb\u00e9m contribuem para uma sociedade mais coesa, equitativa e sustent\u00e1vel. Ao abra\u00e7ar essa responsabilidade, os crist\u00e3os podem honrar sua f\u00e9 e ajudar a construir um futuro melhor para todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Miguel Lopes Neto, Diocese do Algarve<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":324058,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[185,258],"class_list":["post-328655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-diocese-do-algarve","tag-migracoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=328655"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/328655\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/324058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=328655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=328655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=328655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}