{"id":327710,"date":"2024-05-25T23:18:34","date_gmt":"2024-05-25T22:18:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=327710"},"modified":"2024-05-28T14:57:58","modified_gmt":"2024-05-28T13:57:58","slug":"ad-limina-eu-fui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ad-limina-eu-fui\/","title":{"rendered":"\u00abAd Limina\u00bb: Eu fui"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Paulo Rocha, Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-90469 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paulorocha2016-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paulorocha2016-300x213.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paulorocha2016-768x545.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paulorocha2016-400x284.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/paulorocha2016.jpg 980w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Os bispos de Portugal participaram, durante a \u00faltima, semana na visita \u2018Ad Limina\u2019. Quatro dias de reuni\u00f5es de trabalho que n\u00e3o tinham o prop\u00f3sito de prestar contas nem o des\u00edgnio de elaborar um caderno de encargos a entregar, no fim de muitos quil\u00f3metros percorridos, a cada bispo, para que fosse cumprido na sua diocese. E se d\u00favidas existissem sobre o regime em que decorrem as reuni\u00f5es e as din\u00e2micas de participa\u00e7\u00e3o dos bispos nas estruturas centrais da Igreja Cat\u00f3lica, o \u00faltimo encontro, o encontro com o Papa Francisco, confirmou a mudan\u00e7a de paradigma, como indicou o presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, D. Jos\u00e9 Ornelas, uns minutos depois de ter descido do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 preciso recuar muitos anos para ter mem\u00f3ria de que estes encontros com o Papa eram revestidos de alguma formalidade: um elemento da Confer\u00eancia Episcopal presente, o seu presidente, lia uma sauda\u00e7\u00e3o ao Papa, que depois lia um discurso preparado para a ocasi\u00e3o. Como ali\u00e1s continua a acontecer com muitas audi\u00eancias concedidas pelo Papa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Francisco tem considerado as visitas \u2018Ad Limina\u2019 dos bispos de todas as partes do mundo como audi\u00eancias privadas, sem discursos formais, antes como oportunidade de di\u00e1logo, qual fam\u00edlia que se encontra. E foi isso que aconteceu desta vez, com os bispos de Portugal: os discursos foram deixados de lado, desde logo pelo presidente da CEP, e durante quase duas horas, aconteceu escuta, di\u00e1logo, participa\u00e7\u00e3o. E a convocat\u00f3ria para a miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma narrativa algo longa para passar o que os bispos de Portugal afirmaram, ap\u00f3s esta visita \u2018Ad Limina\u2019: assinalou uma mudan\u00e7a de paradigma, uma nova forma de ser Igreja, a sinodalidade a acontecer. De facto, mais do que prestar contas, os bispos participaram numa experi\u00eancia de trabalho conjunto; mais do que ficar agarrados a relat\u00f3rios, trocaram ideias e preocupa\u00e7\u00f5es sobre a miss\u00e3o da Igreja, na atualidade; mais do que procurar conclus\u00f5es e decis\u00f5es, sentiram-se parte de um caminho que \u00e9 percorrido por tantos, por milh\u00f5es. E um Papa, como cada batizado, \u00e9 um entre muitos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O que resulta daqui? Sementes, fermentos, nascentes, premissas&#8230; Os frutos chegar\u00e3o depois e os resultados tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em causa, uma experi\u00eancia que \u00e9 imposs\u00edvel descrever sem nela ter participado, mas que interessa a um p\u00fablico muito abrangente, na comunidade portuguesa. N\u00e3o apenas o p\u00fablico cat\u00f3lico, mas as cidad\u00e3s e os cidad\u00e3os que se importam com a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor para todos, onde a dimens\u00e3o religiosa, pela institui\u00e7\u00e3o Igreja Cat\u00f3lica e pelo compromisso social que faz emergir em tandos concidad\u00e3os, \u00e9 indiscut\u00edvel, a par de muitas outras&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 por isto que um evento, uma experi\u00eancia como o encontro dos respons\u00e1veis por todas as dioceses de Portugal com os organismos da Santa S\u00e9 e com o Papa tem de ser mostrada, deve tornar-se vis\u00edvel no contexto de cada comunidade crente, de cada fam\u00edlia de cada pessoa. E isso \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o social: informar sobre o que interessa ao p\u00fablico, sem exclusivos medi\u00e1ticas ou ondas que determinam cada vez mais o comportamento coletivo e o perfil das sociedades que constitu\u00edmos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No processo de comunica\u00e7\u00e3o, hoje n\u00e3o \u00e9 preciso esperar pelo notici\u00e1rio da noite para saber tudo o que aconteceu durante o dia. As din\u00e2micas de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o cada vez mais abrangentes e, numa rede sem fronteiras, rapidamente chegam as imagens e as mensagens que fazem a hist\u00f3ria do dia. O que n\u00e3o dispensa a media\u00e7\u00e3o do jornalismo que, por profissionalismo, tem de ser a garantia da apresenta\u00e7\u00e3o de factos, e, por deontologia, a possibilidade de passar a hist\u00f3ria do acontecido sem filtros pessoais ou institucionais que a deturpem. Mas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 sozinho&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, n\u00e3o s\u00e3o apenas os t\u00edtulos nacionais, da imprensa r\u00e1dio ou televis\u00e3o, que fazem a comunica\u00e7\u00e3o. A possibilidade de produzir e emitir conte\u00fados abeira-se cada vez mais de todos os dispositivos e faz de cada pessoa, caso o queira, um meio de comunica\u00e7\u00e3o. Claro que s\u00e3o processos que atuam em bolha e reclamam a capacidade de habitar territ\u00f3rios desconhecidos, generalistas&#8230; Mas s\u00e3o processos que est\u00e3o a\u00ed, que tamb\u00e9m s\u00e3o comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O desaparecimento dos jornalistas de momentos marcantes para a hist\u00f3ria de um dia ou de um s\u00e9culo fragiliza o jornalismo. Seja qual for o tema! Assim acontece com uma qualquer confer\u00eancia de imprensa onde tudo \u00e9 \u201cfabricado\u201d dentro de portas ou com a divulga\u00e7\u00e3o de qualquer novidade exclusivamente a partir de quem a tem de \u201cvender\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um contexto amplo onde atuam os diferentes atores da sociedade, num jogo de tens\u00f5es de desfecho quase sempre imprevis\u00edvel. E raramente capaz de gerar consensos entre partes, as institucionais e as comunicativas. Mas o jornalismo nunca se pode demitir de uma fun\u00e7\u00e3o essencial: observar. S\u00f3 depois pode informar e ainda mais posteriormente interpretar. Quando a interpreta\u00e7\u00e3o preceder a observa\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o, facilmente se transforma em preconceito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No global festival de m\u00fasica, que agora vai passar pelo parque Tejo, em Lisboa, a divulga\u00e7\u00e3o foi acontecendo, desde a primeira edi\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com a for\u00e7a mobilizadora da declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica &#8220;Eu vou&#8221;, estampada em tantas camisolas . Uma campanha que me leva a pensar na nobre profiss\u00e3o de informar e na respons\u00e1vel possibilidade de apreciar ou julgar: \u00e9 bem diferente, e mais aut\u00eantica, quando sustentada pela possibilidade de afirmar &#8220;Eu fui&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Rocha, Ag\u00eancia Ecclesia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":90469,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-327710","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327710\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/90469"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}