{"id":32684,"date":"2008-06-25T12:17:27","date_gmt":"2008-06-25T12:17:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/25\/paulo-de-tarso\/"},"modified":"2008-06-25T12:17:27","modified_gmt":"2008-06-25T12:17:27","slug":"paulo-de-tarso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/paulo-de-tarso\/","title":{"rendered":"Paulo de Tarso"},"content":{"rendered":"<p>No dia da abertura do Ano Paulino, um olhar sobre uma figura fundamental para a afirma\u00e7\u00e3o do Cristianismo <!--more--> Paulo de Tarso, o &#8220;ap\u00f3stolo das gentes&#8221;, \u00e9 uma figura absolutamente incontorn\u00e1vel da hist\u00f3ria do cristianismo. Com ele, o cristianismo saltou os limites estreitos das fronteiras religiosas e \u00e9tnicas do mundo judaico, atingindo o cora\u00e7\u00e3o do mundo hel\u00e9nico. Humanamente falando, foi Paulo quem fez com que o movimento de Jesus de Nazar\u00e9 ultrapassasse o simples estatuto de uma seita desgarrada da ortodoxia judaica de Jerusal\u00e9m, para se tornar uma proposta verdadeiramente universal, capaz de interessar e de cativar todos os homens e mulheres, de todas as ra\u00e7as e culturas.   <b>Mission\u00e1rio por voca\u00e7\u00e3o<\/b> No ponto de partida dessa espantosa aventura mission\u00e1ria que vai levar o Evangelho \u00e0 conquista do mundo greco-romano, est\u00e1 o encontro de Paulo com Cristo, na estrada de Damasco (cf. Act 9,1-18; 22,5-11; 26,12-18). O pr\u00f3prio Paulo sugere que esse encontro foi um acontecimento repentino, inesperado, que resultou da ac\u00e7\u00e3o livre, gratuita e soberana de Deus (cf. Gal 1,13-17; 1 Cor 9,1; 15,8; Flp 3,12), na linha das hist\u00f3rias prof\u00e9ticas de voca\u00e7\u00e3o. Em qualquer caso, esse encontro com Jesus de Nazar\u00e9, vivo e ressuscitado, levou Paulo a alterar a sua exist\u00eancia, f\u00ealo repensar o seu caminho e tomar consci\u00eancia da sua voca\u00e7\u00e3o. Ao encontrar Jesus Cristo, Paulo apaixona-se por ele; ao apaixonar-se por ele, descobre a for\u00e7a libertadora do seu projecto; e a descoberta do projecto salvador de Deus apresentado em Jesus, gera em Paulo a urg\u00eancia de uma miss\u00e3o evangelizadora que \u00e9 imprescind\u00edvel concretizar: &#8220;ai de mim, se eu n\u00e3o evangelizar!&#8221; (1 Cor 9,16).  Este &#8220;ai&#8221; &#8211; que lembra os &#8220;ais&#8221; prof\u00e9ticos &#8211; traduz o sentimento de um homem que tem a consci\u00eancia absoluta de que n\u00e3o pode demitir-se de testemunhar Jesus ressuscitado, porque sen\u00e3o toda a sua vida, tudo aquilo que ele \u00e9, tudo aquilo que d\u00e1 sentido e forma \u00e0 sua exist\u00eancia, se desmorona completamente. A sua voca\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 &#8220;anunciar o Evangelho de Deus&#8221; (Rom 1,1; cf. 1 Cor 1,1): s\u00f3 dessa forma a sua vida far\u00e1 sentido.  <b>Os caminhos do an\u00fancio do Evangelho<\/b> O imperativo da evangeliza\u00e7\u00e3o traduz-se, para Paulo, em sucessivas viagens mission\u00e1rias, que o levam a percorrer, ao servi\u00e7o de Cristo e do Evangelho, toda a \u00c1sia Menor e Gr\u00e9cia, ao longo de mais de uma dezena de anos. Logo no ano 45, Paulo parte de Antioquia da S\u00edria para uma primeira grande viagem mission\u00e1ria, que se prolonga at\u00e9 ao ano 48 e que o vai levar, por Chipre, at\u00e9 ao sul da \u00c1sia Menor.  Acompanhado de Barnab\u00e9, Paulo prega nas sinagogas de Antioquia da Pis\u00eddia, Ic\u00f3nio, Listra e Derbe (cf. Act 13,3- 14,28); mas rapidamente a Boa Nova levada pelos dois mission\u00e1rios salta os muros da sinagoga e desafia os homens e as mulheres de cultura hel\u00e9nica. O Evangelho come\u00e7a, ent\u00e3o, a ser uma proposta com dimens\u00e3o universal. Entre os anos 49 e 52, Paulo &#8211; acompanhado por Silas &#8211; percorre toda a \u00c1sia Menor (Cil\u00edcia, Fr\u00edgia, Gal\u00e1cia, M\u00edsia), passando depois para a Maced\u00f3nia e descendo para o sul da Gr\u00e9cia, at\u00e9 Atenas e Corinto, antes de regressar a Antioquia da S\u00edria (cf. Act 15,35-18,22). \u00c9 durante esta viagem que o Evangelho de Jesus se instala, decididamente, no mundo grego e a\u00ed cria ra\u00edzes fortes e definitivas em cidades como Filipos, Tessal\u00f3nica ou Corinto.  De 53 a 58, Paulo volta a percorrer a Gal\u00e1cia, a Fr\u00edgia, a Maced\u00f3nia e a Gr\u00e9cia (cf. Act 18,23-21,26), numa viagem que n\u00e3o \u00e9 tanto de cria\u00e7\u00e3o de novas comunidades, mas que \u00e9, sobretudo, de confirma\u00e7\u00e3o na f\u00e9 e de consolida\u00e7\u00e3o das Igrejas j\u00e1 existentes. \u00c9feso tornar-se-\u00e1, durante este per\u00edodo, a &#8220;base de ac\u00e7\u00e3o&#8221; de Paulo.  Ao olharmos para o mapa f\u00edsico das viagens mission\u00e1rias de Paulo ficamos, naturalmente, impressionados pela imensid\u00e3o dos espa\u00e7os percorridos, numa \u00e9poca e num contexto em que as desloca\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham a facilidade, a comodidade e a tranquilidade que os viajantes do nosso tempo encontram e conhecem. Paulo percorreu, ao servi\u00e7o do Evangelho, muitos milhares de quil\u00f3metros (h\u00e1 quem fale em cerca de 20 000 km), em viagens longas, inc\u00f3modas e arriscadas\u2026   No entanto, para al\u00e9m da frieza dos n\u00fameros que nos s\u00e3o dados pelos mapas, no que diz respeito a dist\u00e2ncias percorridas, somos naturalmente levados a pensar num &#8220;caminho&#8221; muito mais complexo, marcado por fadigas sem conta, sofrimentos indiz\u00edveis e riscos de toda a esp\u00e9cie. Na segunda carta aos Coir\u00edntios (cf. 2 Cor 11,24-28), respondendo \u00e0queles que punham em causa o seu direito a usar o t\u00edtulo de ap\u00f3stolo, Paulo recorda os trabalhos, as pris\u00f5es, todos os perigos e riscos que teve de enfrentar por causa do Evangelho.   A descri\u00e7\u00e3o que Paulo a\u00ed apresenta n\u00e3o desenha, nem de perto nem de longe, o quadro completo de tudo o que ele viveu, sofreu e arriscou; mas tem, em pano de fundo, a convic\u00e7\u00e3o profunda, a decis\u00e3o irrevog\u00e1vel e a for\u00e7a impressionante de um homem que deu toda a sua vida \u00e0 miss\u00e3o que recebeu e que n\u00e3o hesitou diante de nenhum risco a fim de levar Jesus ao encontro do mundo.  <b>Um tesouro transportado em vasos de argila<\/b> O que move o &#8220;ap\u00f3stolo das gentes&#8221; em todo este af\u00e3 mission\u00e1rio, n\u00e3o s\u00e3o interesses humanos ou projectos pessoais (cf. 2 Cor 10,2), mas um mandato recebido de Deus. Paulo n\u00e3o se prega a si mesmo, mas a Cristo Jesus. \u00c9 para levar Cristo Jesus ao encontro dos homens e mulheres de todas as ra\u00e7as que Paulo se fez servo de todos (cf. 2 Cor 4,5). Diante daqueles que p\u00f5em em causa a validade do seu minist\u00e9rio, Paulo reconhece que \u00e9 um homem fr\u00e1gil, marcado pela debilidade da condi\u00e7\u00e3o humana; mas isso n\u00e3o impede que ele tenha sido escolhido para &#8220;embaixador&#8221; de Deus (2 Cor 5,20) ou &#8220;ministro da Nova Alian\u00e7a&#8221; (2 Cor 3,6).  &#8220;Trazemos &#8211; diz ele &#8211; este tesouro em vasos de argila, para que se veja que este extraordin\u00e1rio poder \u00e9 de Deus e n\u00e3o \u00e9 nosso&#8221; (2 Cor 4,7). Assim, aconte\u00e7a o que acontecer e sejam quais foram as oposi\u00e7\u00f5es que tiver de enfrentar, ele n\u00e3o pode desistir do seu minist\u00e9rio.  As tribula\u00e7\u00f5es, as fadigas, as incompreens\u00f5es, os sofrimentos f\u00edsicos suportados pelo caminho n\u00e3o s\u00e3o, para Paulo, um obst\u00e1culo intranspon\u00edvel; mas s\u00e3o, at\u00e9, um modo de ele se identificar, cada vez mais, com esse Cristo cujo projecto se concretizou na &#8220;loucura da cruz&#8221;, no dom total de si, e que Paulo, apesar dos seus limites bem humanos, foi chamado a levar a todas as gentes.  <i>Pe. Joaquim Garrido Mendes, SCJ <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia da abertura do Ano Paulino, um olhar sobre uma figura fundamental para a afirma\u00e7\u00e3o do Cristianismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[113],"class_list":["post-32684","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-ano-paulino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32684"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32684\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}