{"id":326653,"date":"2024-05-20T12:14:51","date_gmt":"2024-05-20T11:14:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=326653"},"modified":"2024-05-20T12:14:51","modified_gmt":"2024-05-20T11:14:51","slug":"nao-ha-fatima-sem-cristo-e-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-ha-fatima-sem-cristo-e-a-igreja\/","title":{"rendered":"N\u00e3o h\u00e1 F\u00e1tima sem Cristo e a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>O m\u00eas de maio \u00e9 muito marcado pela devo\u00e7\u00e3o mariana. Conv\u00e9m que esta devo\u00e7\u00e3o seja vivida de forma correta e n\u00e3o desligada do n\u00facleo central da f\u00e9 crist\u00e3, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com Jesus Cristo e com a Igreja. Quando ou\u00e7o alguns crist\u00e3os a dizerem \u201cpara mim, Nossa Senhora de F\u00e1tima \u00e9 tudo\u201d, ou \u201co mais sagrado para mim \u00e9 Nossa Senhora\u201d, h\u00e1 aqui algo de muito errado e distorcido, que precisa de ser corrigido. E quando vejo muitos peregrinos a caminhar em dire\u00e7\u00e3o a F\u00e1tima, que raramente participam na Missa da par\u00f3quia e que vivem alheados da vida da comunidade paroquial de que fazem parte, h\u00e1 aqui uma grave deturpa\u00e7\u00e3o e uma viv\u00eancia errada da f\u00e9 crist\u00e3. Para come\u00e7ar, lembro ou lembramos que o centro da f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 Jesus Cristo e o seu Evangelho, Ele \u00e9 que salva e d\u00e1 vida. Maria, apesar de na ordem da gra\u00e7a estar acima de n\u00f3s, \u00e9 simplesmente intercessora e nada mais. E se \u201caben\u00e7oa\u201d, f\u00e1-lo por estar profundamente unida a seu filho Jesus Cristo e pela for\u00e7a e gra\u00e7a de Deus, de quem \u00e9 m\u00e3e, e n\u00e3o por sua pr\u00f3pria for\u00e7a ou poder, que nunca teve.<\/p>\n<p>Aqui h\u00e1 uns tempos, Jos\u00e9 Antonio Pagola, numa reflex\u00e3o que publicou num blogue, chamava a aten\u00e7\u00e3o para as deforma\u00e7\u00f5es e desvios que a devo\u00e7\u00e3o mariana pode acarretar, ainda para mais quando alimentada por acontecimentos como as apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima. Come\u00e7a por alertar que a devo\u00e7\u00e3o mariana n\u00e3o \u201cse trata de fomentar uma piedade que alimenta secretamente uma rela\u00e7\u00e3o infantil de depend\u00eancia e fus\u00e3o com uma m\u00e3e idealizada. A psicologia h\u00e1 muito nos advertiu contra os riscos de uma devo\u00e7\u00e3o que exalta falsamente Maria como &#8220;Virgem e M\u00e3e&#8221;, favorecendo, no fundo, o desprezo pela &#8220;mulher real&#8221; como a eterna tentadora do homem.\u201d Um dos crit\u00e9rios decisivos para se verificar que a devo\u00e7\u00e3o mariana est\u00e1 a ser retamente vivida com o devido esp\u00edrito crist\u00e3o \u201c\u00e9 ver se ela fecha o crente sobre si mesmo ou se o abre ao projeto de Deus; se o faz voltar a uma rela\u00e7\u00e3o infantil com uma &#8220;m\u00e3e imagin\u00e1ria&#8221; ou se o encoraja a viver a sua f\u00e9 de forma adulta e respons\u00e1vel, seguindo fielmente Jesus Cristo.\u201d Temos aqui pano para mangas e para muitas horas de aturada reflex\u00e3o. A devo\u00e7\u00e3o a Maria \u00e9 para se aprender com ela a viver uma vida autenticamente crist\u00e3. Como escreve Pagola, \u201cMaria \u00e9 hoje para n\u00f3s um modelo de aceita\u00e7\u00e3o fiel de Deus a partir de uma posi\u00e7\u00e3o de f\u00e9 obediente; exemplo de atitude sol\u00edcita para com o Filho e de solicitude solid\u00e1ria por todos os que sofrem; mulher comprometida com o &#8220;Reino de Deus&#8221; pregado e promovido por seu Filho.\u201d Portanto, \u201ca devo\u00e7\u00e3o a Maria n\u00e3o \u00e9 um elemento secund\u00e1rio para alimentar a religi\u00e3o de pessoas &#8220;simples&#8221;, inclinadas a pr\u00e1ticas e ritos quase &#8220;folcl\u00f3ricos&#8221;. Aproximar-se de Maria \u00e9, antes, colocar-se no melhor ponto para descobrir o mist\u00e9rio de Cristo e acolh\u00ea-lo.\u201d Espero que os muitos devotos de Maria e mais concretamente de Nossa Senhora de F\u00e1tima procurem viver a sua devo\u00e7\u00e3o mariana com esta disposi\u00e7\u00e3o e abertura, porque, se assim n\u00e3o for, est\u00e3o a incorrer numa grave distor\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>Temos assistido em Portugal ao nascimento do fen\u00f3meno dos fatimistas: crist\u00e3os que deslocaram o centro da sua f\u00e9 de Cristo para Nossa Senhora e a viv\u00eancia da sua f\u00e9 da comunidade a que pertencem para o santu\u00e1rio de F\u00e1tima, com grande indiferen\u00e7a e falta de compromisso para com a Igreja local a que pertencem (n\u00e3o generalizando). H\u00e1 que dizer que \u00e9 uma grave distor\u00e7\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 e um grave desvio quanto \u00e0 viv\u00eancia da mesma e do Batismo. Segundo dizem alguns estudiosos, F\u00e1tima cativou as pessoas porque a Igreja hier\u00e1rquica fomentou uma religiosidade fria e calculista, assente num Deus demasiado paternal, um Deus juiz e autorit\u00e1rio, dispensador de recompensas e castigos, e escondeu o rosto maternal de Deus, a sua ternura e o seu carinho, o Deus pr\u00f3ximo e acolhedor, o Deus do amor e da miseric\u00f3rdia. At\u00e9 aceito o reparo e a hierarquia da Igreja n\u00e3o deve deixar de refletir nele. Mas, se lermos bem o Evangelho, o que se busca em F\u00e1tima est\u00e1 l\u00e1. Leiam a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo. Na minha opini\u00e3o, o nascimento dos fatimistas vem mais na linha da religi\u00e3o sentimentalista, protetora e interesseira que muitos crentes gostam de cultivar, a costela \u201cpag\u00e3\u201d que ainda conservamos dentro de n\u00f3s, a \u00abreligi\u00e3o dos favores e dos jeitos\u00bb sem grande exig\u00eancia de contrapartidas e compromissos, a pr\u00e1tica religiosa que busca Deus n\u00e3o pelo que Ele \u00e9, mas pelo o que Ele d\u00e1. \u00c9 uma viv\u00eancia profundamente errada da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>F\u00e1tima s\u00f3 se compreende e se aceita se nos fizer chegar a Cristo e \u00e0 Igreja, se nos torna mais disc\u00edpulos de Cristo e crist\u00e3os comprometidos na Igreja e com a Igreja, testemunhas coerentes de Cristo e do Evangelho, anunciadores e construtores do Reino de Deus. F\u00e1tima n\u00e3o \u00e9 para fugirmos de Cristo e da Igreja, e muito menos \u00e9 uma evas\u00e3o e um sedativo para a vida, como d\u00e1 a ideia que \u00e9 para muitos crentes. Logo \u00e0 entrada do santu\u00e1rio, temos a Bas\u00edlica da Sant\u00edssima Trindade, que nos recorda que tudo parte de Deus e \u00e9 para chegar a Deus. Este \u00e9 o centro da f\u00e9 crist\u00e3. F\u00e9 que nos foi transmitida pelos Ap\u00f3stolos, que d\u00e3o nome \u00e0s portas da Bas\u00edlica. A guiar-nos na viv\u00eancia e no fortalecimento da nossa f\u00e9 e na descoberta dos seus desafios e maravilhas, temos Maria, que nos d\u00e1 a m\u00e3o quando pisamos aquela terra virgem e experimentamos aquele sil\u00eancio que nos enche a alma. F\u00e1tima, hoje, \u00e9 uma escola de verdadeira espiritualidade crist\u00e3, \u00e9 uma escola de ora\u00e7\u00e3o, \u00e9 um espa\u00e7o de encontro com Cristo e por Cristo com Deus Pai, \u00e9 um espa\u00e7o de fraternidade, de encontro e comunh\u00e3o de culturas, de universalidade crist\u00e3, \u00e9 um espa\u00e7o de verdadeira comunh\u00e3o entre todos os crist\u00e3os do mundo.\u00a0 \u00c9 para isto que apelam as imagens de Nossa Senhora de F\u00e1tima que temos nas nossas igrejas e \u00e9 neste mist\u00e9rio que devemos penetrar quando l\u00e1 vamos e quando de l\u00e1 partimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre V\u00edtor Pereira, Diocese de Vila Real<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":268285,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-326653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=326653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/326653\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=326653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=326653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=326653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}