{"id":32645,"date":"2008-06-24T10:33:57","date_gmt":"2008-06-24T10:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/24\/igreja-lanca-reflexao-sobre-portugal\/"},"modified":"2008-06-24T10:33:57","modified_gmt":"2008-06-24T10:33:57","slug":"igreja-lanca-reflexao-sobre-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-lanca-reflexao-sobre-portugal\/","title":{"rendered":"Igreja lan\u00e7a reflex\u00e3o sobre Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Ciclo do SNPC passa pelo centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, procurando tra\u00e7os maiores e refer\u00eancias do nosso pa\u00eds <!--more--> O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) da Igreja Cat\u00f3lica promove de 2008 a 2011 um ciclo de reflex\u00e3o sobre a identidade portuguesa que passar\u00e1, entre outros, pelas celebra\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, no nosso pa\u00eds. Este centen\u00e1rio \u00e9 assumido, de facto como \u201coportunidade para pensar Portugal: os seus fundamentos, os seus tra\u00e7os maiores e referenciais, mas tamb\u00e9m o seu viver de agora\u201d. Para D. Manuel Clemente, presidente da Comiss\u00e3o Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunica\u00e7\u00f5es Sociais (CECBCCS), este ciclo reflexivo procura \u201creflectir sobre a identidade portuguesa\u201d, n\u00e3o apenas por causa dos acontecimentos de 1910, mas recuando at\u00e9 \u00e0s invas\u00f5es francesas, h\u00e1 200 anos, \u201cque trouxeram o impacto da contemporaneidade a Portugal\u201d. A partir da\u00ed, explica o Bispo do Porto, \u201clevantaram-se quest\u00f5es entre sociedade portuguesa, tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, cultura, mentalidade, que ainda hoje est\u00e3o em aberto\u201d. \u201cPortugal, de novo\u201d foi o tema das IV Jornadas da Pastoral da Cultura, em F\u00e1tima, as primeiras que se realizaram neste novo ciclo desenhado pelo SNPC. O Pe. Tolentino Mendon\u00e7a, director deste secretariado, explica \u00e0 ECCLESIA que \u201cesta iniciativa traz sobretudo o testemunho de um estilo da Igreja, a vontade de di\u00e1logo e proximidade com a realidade nacional\u201d. \u201cO conhecimento do modo como se vive, quais s\u00e3o as din\u00e2micas que d\u00e3o corpo ao viver comum s\u00e3o importantes tamb\u00e9m para a miss\u00e3o da Igreja, que \u00e9 o servi\u00e7o do homem\u201d, diz o sacerdote e poeta madeirense. Quanto \u00e0 coincid\u00eancia desta escolha com o centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, o director do SNPC diz que \u201ceste \u00e9 um momento de comemora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00f3, ser\u00e1 tamb\u00e9m um momento de reflex\u00e3o e de repensamento: a melhor maneira de comemorar um marco do passado \u00e9 dizer como estamos n\u00f3s agora\u201d. \u201cPara a pr\u00f3pria Igreja, mais do que pensar qual foi a situa\u00e7\u00e3o h\u00e1 100 anos atr\u00e1s, importa perceber qual o seu lugar hoje, o contributo que oferece numa sociedade aberta e democr\u00e1tica\u201d, precisa.  <b>Portugal e o catolicismo<\/b> No debate que manteve com o historiador Rui Ramos, nas Jornadas de F\u00e1tima, D. Manuel Clemente falou no \u201cCatolicismo, sempre de novo em Portugal\u201d, lembrando, a respeito do tema, que uma sondagem publicada a 10 de Junho, pelo P\u00fablico, frisava que quase 70% dos inquiridos julgava que \u201cser portugu\u00eas equivale a ser religioso, e mais concretamente cat\u00f3lico\u201d. \u00c0 ECCLESIA, assinala que \u201cesses portugueses definem-se mais em termos religiosos do que pol\u00edticos, mas s\u00e3o exactamente essas quest\u00f5es que \u00e9 preciso definir\u201d. Para Tolentino Mendon\u00e7a, \u201cn\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a dimens\u00e3o religiosa \u00e9 uma marca fundamental para a identidade\u201d e \u201c\u00e9 importante perceber que o catolicismo deixa uma marca muito importante, n\u00e3o s\u00f3 no passado, mas tamb\u00e9m no presente\u201d. \u201cNa hora de dizer quem somos, a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 um p\u00f3lo fundamental dessa afirma\u00e7\u00e3o, pessoal e nacional. Isso para a Igreja \u00e9 um desafio muito grande, no sentido de ela se mostrar ainda mais presente, ainda mais capaz de estabelecer pontes e di\u00e1logos com uma realidade que \u00e9 cada vez mais heterog\u00e9nea e mais global\u201d, acrescentou. D. Manuel Clemente sustentou que \u201ca actualidade volta a juntar catolicismo &#8211; particularmente F\u00e1tima \u2013 e Portugal\u201d.  \u201cPor um lado, o lado de dentro, porque a renovada ades\u00e3o \u00e0s peregrina\u00e7\u00f5es traz \u00e0 Cova da Iria, em toda a roda do ano, quantidades grandes e qualidades novas (na idade e no extracto social) de crentes e ex-descrentes. Inqu\u00e9ritos e sondagens evidenciam que, al\u00e9m de necessidades concretas, suas ou dos seus, muitos destes peregrinos demandam respostas e significados identit\u00e1rios e at\u00e9 \u2018nacionais\u2019, colectivos. Por outro lado, o lado de fora, F\u00e1tima \u00e9, para muitos portugueses espalhados pelo mundo o maior lugar de reencontro, religioso e portugu\u00eas, a 13 de Agosto e n\u00e3o s\u00f3\u201d, precisou o presidente da CECBCCS.  <b>Que Portugal?<\/b> \u201cDuzentos anos depois das Invas\u00f5es Francesas (1807-1811), quase um s\u00e9culo depois da implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica (1910) e no novo quadro da Uni\u00e3o Europeia\u201d, frisou o Bispo do Porto, o momento presente \u201c\u00e9 ocasi\u00e3o prop\u00edcia e inevit\u00e1vel para nos perguntarmos sobre a realidade nacional, culturalmente falando, precisamente enquanto \u00abPortugal\u00bb\u201d. Em termos de identidade, indicou, \u201cas coisas n\u00e3o foram f\u00e1ceis, como a longa querela entre liberais e legitimistas demonstrou\u201d. \u201cO que estava ent\u00e3o em causa, portuguesmente falando, era o que voltou a estar em 1910, 1926, 1974 ou ainda hoje, reaparecendo espontaneamente em torno de assuntos t\u00e3o d\u00edspares como o acordo ortogr\u00e1fico ou o Tratado de Lisboa: o que \u00e9 ou ser\u00e1 o \u00abPortugal\u00bb a manter, ou a \u00abregenerar\u00bb, ou a \u00abprogredir\u00bb\u201d, precisou. Rui Ramos, historiador, falou do facto de haver sempre um modelo estrangeiro a adoptar em Portugal, \u201ch\u00e1 sempre a necessidade de mudar, deixar de ser como somos\u201d \u201cEste discurso \u00e9 um mito, esconde a realidade da mudan\u00e7a\u201d, alertou o especialista, lembrando que \u201cos portugueses s\u00e3o uma das popula\u00e7\u00f5es ocidentais cujo modo de vida mais mudou nos \u00faltimos 40 anos\u201d. Mesmo perante um pa\u00eds transformado \u201cbrutalmente\u201d nos \u00faltimos anos, continua a exigir-se \u201cmais mudan\u00e7a\u201d e \u201cignora-se a mudan\u00e7a que o pa\u00eds j\u00e1 sofreu\u201d. \u201cUm dos maiores obst\u00e1culos foram as mudan\u00e7as recentes, como o Estado Social mais virado para se servir a si pr\u00f3prio do que para servir aqueles que precisam\u201d, indicou, referindo ainda que o envelhecimento das popula\u00e7\u00f5es e os problemas de natalidade s\u00e3o \u201cconsequ\u00eancia das mudan\u00e7as\u201d. Neste contexto, desafiou a descobrir no passado \u201cbases para assegurar a flexibilidade\u201d, numa ecologia social, cultural, hist\u00f3rica, conjugando \u201cos passados com os futuros\u201d. Os portugueses, disse, s\u00e3o \u201cv\u00e1rias maneiras de ser\u201d unidas por uma \u201cconversa sobre Portugal\u201d. Para Rui Ramos, h\u00e1 que saber resistir \u00e0 tend\u00eancia de \u201cprojectos homogeneizadores\u201d, com discursos exclusivistas sobre Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ciclo do SNPC passa pelo centen\u00e1rio da Rep\u00fablica, procurando tra\u00e7os maiores e refer\u00eancias do nosso pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[128,138,140,187,207,267,276],"class_list":["post-32645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-centenario-da-republica","tag-comissao-episcopal-da-cultura","tag-comunicacoes-sociais","tag-diocese-do-porto","tag-fatima","tag-natal","tag-pastoral-da-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}