{"id":32610,"date":"2008-06-22T17:47:25","date_gmt":"2008-06-22T17:47:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/22\/tributo-a-maria-helena-da-rocha-pereira\/"},"modified":"2008-06-22T17:47:25","modified_gmt":"2008-06-22T17:47:25","slug":"tributo-a-maria-helena-da-rocha-pereira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/tributo-a-maria-helena-da-rocha-pereira\/","title":{"rendered":"Tributo a Maria Helena da Rocha Pereira"},"content":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de D. Manuel Clemente na entrega do Pr\u00e9mio de Cultura Padre Manuel Antunes 2008 <!--more--> A quarta atribui\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Padre Manuel Antunes, da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, contempla este ano, com toda a justi\u00e7a e oportunidade, a pessoa e a obra da Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira.  A justi\u00e7a \u00e9 devida a quem dedicou e dedica um trabalho de tantos e t\u00e3o preenchidos anos ao estudo e ensino da Cultura Cl\u00e1ssica, com grande excel\u00eancia internacionalmente reconhecida.  \u201cCl\u00e1ssica\u201d se chamou tamb\u00e9m por ser didacticamente transmitida, tal era a consci\u00eancia que t\u00ednhamos do que lhe dev\u00edamos, da literatura \u00e0 arte, da vida particular \u00e0 pol\u00edtica. E \u201ccl\u00e1ssica\u201d era ainda, por nos dar um ponto de partida humanista, suficientemente s\u00f3lido e global para se tornar numa aut\u00eantica \u201ccasa comum\u201d.  Basta ler os textos do Novo Testamento, para ver como o Cristianismo nascente contou com tal cultura, vivendo nela, mesmo quando a ultrapassava (1). Ali\u00e1s, ca\u00eddo o Imp\u00e9rio Romano, foi nas institui\u00e7\u00f5es eclesiais que o legado cl\u00e1ssico encontrou abrigo e transmiss\u00e3o. Particularmente com os europeus, esta cultura chegou ao mundo inteiro e o actual quadro b\u00e1sico de direitos e deveres em que nos entendemos como \u201chumanidade\u201d \u00e9 muito subsidi\u00e1rio desse primeir\u00edssimo h\u00famus.   Tratando-se de cultura, tem desta o vigor e o perigo. O vigor adv\u00e9m-lhe de ter sido t\u00e3o propagada e assumida que ainda hoje se subentende, como mem\u00f3ria, gosto e comportamento, verdadeiro \u201ccaldo cultural\u201d que, \u00e0 partida, nem se discutiria, t\u00e3o omnipresente se revela. O perigo adv\u00e9m-lhe disso mesmo: \u00e9 t\u00e3o b\u00e1sica e geral, a heran\u00e7a cl\u00e1ssica, que corre o risco de n\u00e3o ser advertida, nem sistematicamente transmitida. Isto pode significar tragicamente esquecida. Neste preciso ponto tocamos a oportunidade da presente atribui\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio Padre Manuel Antunes. Verificamos na sociedade portuguesa um maior investimento no ensino tecnol\u00f3gico, compreens\u00edvel na actual conjuntura social e econ\u00f3mica. Em termos de mentalidade, isto vai a par com a for\u00e7a da ci\u00eancia, no sentido que ela foi ganhando na Europa moderna.  Tudo muito certo, tudo insuficiente. De facto, nas mais diversas \u00e1reas da sociedade e do trabalho, a moderniza\u00e7\u00e3o e os resultados pr\u00e1ticos, vistos apenas do ponto de vista cient\u00edfico e t\u00e9cnico, correm o grande risco de perderem a preval\u00eancia humanista. Facilmente, a pessoa humana &#8211; cada homem e cada mulher em concreto &#8211; pode diluir-se na generalidade dos factores de produ\u00e7\u00e3o e rendimento.    Perigo mais do que evidente, pois \u00e9 gritante hoje em dia. Ora, se o legado cl\u00e1ssico tanta coisa nos traz, \u00e9 exactamente na imensa profundidade de cada ser humano que ele mais se traduz. E \u00e9 tamb\u00e9m aqui que a cultura cl\u00e1ssica mais se alia com o \u201cEcce homo!\u201d que Jesus de Nazar\u00e9 inteiramente realiza e oferece. Aqui tamb\u00e9m colhe, hoje como sempre, a advert\u00eancia evang\u00e9lica: \u201c \u2013 De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?\u201d. E \u00e9 por tais raz\u00f5es, de valor e circunst\u00e2ncia, que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, atrav\u00e9s do seu Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, atribui um pr\u00e9mio que transporta o nome doutro grande cultor dos estudos cl\u00e1ssicos \u00e0 Professora Maria Helena da Rocha Pereira, eminente figura deste decisivo campo, cujo trabalho n\u00e3o h\u00e1-de ser tido por derradeiro, mas sim como elo e garantia de futuro no saber essencial.  <i>D. Manuel Clemente, F\u00e1tima, 20 de Junho de 2008        NOTA: 1 &#8211; J\u00e1 a pr\u00f3pria religi\u00e3o grega ultrapassara outras, mas n\u00e3o a de Israel. Retenha-se este trecho da Autora: \u201cA primeira e mais evidente caracter\u00edstica destas divindades [dos Poemas Hom\u00e9ricos] \u00e9 serem luminosas e antropom\u00f3rficas, o que, pondo de parte a religi\u00e3o hebraica, que \u00e9 um caso \u00fanico e sem paralelo, representa uma superioridade incontest\u00e1vel sobre as demais da Antiguidade. Em vez de pot\u00eancias ocultas e terr\u00edveis, temos formas claras, que se comportam e reagem como seres humanos superlativados\u201d (PEREIRA, Maria Helena da Rocha \u2013 Estudos de Hist\u00f3ria da Cultura Cl\u00e1ssica. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1967, vol. 1, p. 85).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de D. 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