{"id":325277,"date":"2024-05-12T09:31:07","date_gmt":"2024-05-12T08:31:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=325277"},"modified":"2024-05-13T09:45:20","modified_gmt":"2024-05-13T08:45:20","slug":"media-corremos-o-risco-de-cair-num-mundo-em-que-vinculamos-informacao-que-nunca-e-confirmada-padre-joao-basto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/media-corremos-o-risco-de-cair-num-mundo-em-que-vinculamos-informacao-que-nunca-e-confirmada-padre-joao-basto\/","title":{"rendered":"Media: \u00abCorremos o risco de cair num mundo em que ve\u00edculamos informa\u00e7\u00e3o que nunca \u00e9 confirmada\u00bb &#8211; padre Jo\u00e3o Basto"},"content":{"rendered":"<p>Diretor do Secretariado Diocesano da Comunica\u00e7\u00e3o Social e do jornal Not\u00edcias de Viana, \u00e9 o convidado desta semana da entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/Ecclesia, no Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais celebrado pela Igreja Cat\u00f3lica<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_325283\" aria-describedby=\"caption-attachment-325283\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-325283 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/0W1A2570-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-325283\" class=\"wp-caption-text\">Foto: RR<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Come\u00e7amos pelo tema escolhido pelo Papa para esta celebra\u00e7\u00e3o: \u2018Intelig\u00eancia artificial e sabedoria do cora\u00e7\u00e3o, para uma comunica\u00e7\u00e3o plenamente humana\u2019. O que representa este desafio deixado pelo Papa Francisco?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que o desafio do Papa com esta mensagem \u00e9 tentar alertar para que a comunica\u00e7\u00e3o, nos seus amplos meios, n\u00e3o se torne, por influ\u00eancia da intelig\u00eancia artificial, algo ou autorreferencial ou pseudoan\u00f3nimo. Autorreferencial, por um lado, porque pode reduzir as pessoas a dados, e isso \u00e9 uma frase que o Papa tem\u2026 reduzir as pessoas a dados, reduzir o pensamento a um esquema ou o bem a um lucro, e tamb\u00e9m an\u00f3nima ou pseudoan\u00f3nima porque pode tamb\u00e9m se traduzir numa esp\u00e9cie de desresponsabiliza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua editorial, coletiva, por uma polui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cognitiva. E acho que este \u00e9 o desafio do Papa, tentar que o recurso \u00e0 intelig\u00eancia artificial, que depende de n\u00f3s se \u00e9 bom ou mau, n\u00e3o possa tornar que o jornalismo e a comunica\u00e7\u00e3o se torne autorreferencial e an\u00f3nima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 a\u00ed uma quest\u00e3o que me parece importante desenvolver e pergunto se \u00e9 justo sublinhar exatamente o conjunto de amea\u00e7as que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel identificar no uso da intelig\u00eancia artificial, j\u00e1 falou de algumas, para o jornalismo e n\u00e3o s\u00f3, de forma geral, para a comunica\u00e7\u00e3o humana, porque temos os casos da manipula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o nas redes sociais, das fake news que s\u00e3o agravadas por estes recursos, \u00e9 importante estarmos atentos a estas amea\u00e7as?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 importante estar atento, mas \u00e9 importante tamb\u00e9m refor\u00e7ar algo que o Papa diz, que \u00e9 tentar tamb\u00e9m desviar e limpar o terreno de an\u00e1lise de certas leituras, muitas vezes catastrofistas, e de alguns efeitos paralisadores no uso das tecnologias, nomeadamente a intelig\u00eancia artificial. \u00c9 verdade que existe, e o Papa tamb\u00e9m no meio da mensagem, conte\u00fados como as fake news e os deepfake, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que n\u00f3s temos que olhar para a intelig\u00eancia artificial naquilo que ela \u00e9. A intelig\u00eancia artificial \u00e9 uma forma de expressar matematicamente o pensamento, foi isso que o Thomas Hobbes disse quando escreveu o Leviat\u00e3, e \u00e9 isso que ele pensa que poder\u00e1 ser, no s\u00e9culo XVI, XVII, muito distante dos nossos dias, poder\u00e1 ser uma esp\u00e9cie de intelig\u00eancia. A verdade \u00e9 que tudo o que \u00e9 expresso de maneira matem\u00e1tica, e o Kurt G\u00f6del, no s\u00e9culo XX, explicou bem isso, n\u00e3o \u00e9 um sistema coeso, portanto, esta ideia de que a intelig\u00eancia artificial \u00e9 uma amea\u00e7a, \u00e9 uma amea\u00e7a quanto baste, e n\u00f3s tamb\u00e9m temos de relativizar esses perigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Faria sentido falar mais em intelig\u00eancias artificiais do que s\u00f3 numa grande entidade, para ser mais justo com aquilo que realmente temos diante de n\u00f3s?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que n\u00f3s temos aqui uma entidade que \u00e9, como todas as tecnologias, amb\u00edgua, ou seja, n\u00f3s podemos utilizar a intelig\u00eancia artificial, e o Sindicato de Jornalistas Portugueses falou disso o ano passado, at\u00e9 em consequ\u00eancia da Carta de Paris sobre a intelig\u00eancia artificial e o jornalismo. N\u00f3s podemos falar da intelig\u00eancia artificial como um apoio ao trabalho jornal\u00edstico, porque h\u00e1 um certo trabalho repetitivo, um certo trabalho de an\u00e1lise, que ajuda em que a intelig\u00eancia artificial \u00e9 um grande aux\u00edlio. Podemos tamb\u00e9m falar da intelig\u00eancia artificial como uma forma de propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o falsa, portanto, n\u00f3s temos que perceber aqui do que realmente estamos a falar. Depois de um jogo de futebol, efetivamente, a intelig\u00eancia artificial ajuda muito, ou pode ajudar, porque analisa um conjunto de dados que \u00e9 muito dif\u00edcil n\u00f3s rapidamente analisarmos. Pode tamb\u00e9m potenciar a divulga\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de not\u00edcias falsas, isso tamb\u00e9m \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Na apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem para este ano, que decorreu em Viana do Castelo, precisamente, falava-se da falta de um jornalismo com an\u00e1lise que procura explicar, de justificar os acontecimentos. Como \u00e9 que v\u00ea esta cr\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p>Compreendo a cr\u00edtica, acho que o jornalismo passa por um conjunto de dificuldades hoje que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 a qualidade do jornalismo. N\u00f3s temos o problema que tem a ver com o modelo de neg\u00f3cio, temos tamb\u00e9m o problema que tem a ver com a chacina que muitas vezes \u00e9 feita \u00e0s reda\u00e7\u00f5es e a qualidade do jornalismo \u00e9 tamb\u00e9m um deles. Muitas vezes o nosso jornalismo \u00e9, e a comunica\u00e7\u00e3o que fazemos, depende de um sistema quase de alcateia, de l\u00f3gica tribal. Pouco recetivo tamb\u00e9m a cr\u00edticas. Se me pergunta que o nosso jornalismo tem uma dificuldade na an\u00e1lise? Eu tenho dificuldade em ver, porque conhe\u00e7o exemplos disso. Eu acho que existe a tend\u00eancia para que o consumo desmere\u00e7a esse tipo de conte\u00fados e porque o consumo desmerece esse tipo de conte\u00fados, depois as reda\u00e7\u00f5es e o trabalho \u00e9 feito em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse \u00e9 um desafio mais particular ainda, por exemplo, no trabalho com um t\u00edtulo como o \u2018Not\u00edcias de Viana\u2019?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 um desafio ainda maior, at\u00e9 se ligarmos \u00e0 express\u00e3o do \u2018Not\u00edcias de Viana\u2019, que \u00e9 um jornal regional de Viana, do distrito, j\u00e1 mais que centen\u00e1rio, e se ligarmos esse problema \u00e0 quest\u00e3o do modelo de neg\u00f3cio, ou seja, se \u00e9 dif\u00edcil um \u00f3rg\u00e3o nacional se sustentar, muito mais dif\u00edcil \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o regional. E isto por dois pontos, que \u00e9, em primeiro lugar, a dificuldade de financiamentos, ou seja, uma coisa \u00e9 n\u00f3s potenciarmos ou procurarmos publicidade junto de uma pessoa ou de uma pessoa dizendo que o nosso \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o tem uma amplitude nacional, a outra \u00e9 procurarem pequenos empres\u00e1rios, algo que tenha amplitude regional e que muitas vezes n\u00e3o tem amplitude que n\u00f3s queremos. Depois, h\u00e1 uma grande depend\u00eancia daquilo que s\u00e3o os pequenos poderes, que muitas vezes viciam o jogo da comunica\u00e7\u00e3o regional. Quando n\u00f3s falamos tamb\u00e9m aqui, \u00e9 muito frequente falar aqui do financiamento p\u00fablico, \u00e9 preciso ver que se a n\u00edvel nacional, \u00e0s vezes, o financiamento p\u00fablico pode redundar numa esp\u00e9cie de vicia\u00e7\u00e3o do trabalho jornal\u00edstico, muito mais o \u00e9 num impacto regional, onde as c\u00e2maras, por exemplo, que s\u00e3o grandes poderes locais, t\u00eam uma influ\u00eancia muito grande naquilo que pode ser a linha editorial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobre a quest\u00e3o da imprensa regional. A imprensa regional tem um patrim\u00f3nio de mem\u00f3ria e de comunidade que nenhuma intelig\u00eancia artificial poder\u00e1 substituir. Sente que esses t\u00edtulos s\u00e3o devidamente valorizados?<\/em><\/p>\n<p>Falou a\u00ed de um patrim\u00f3nio de mem\u00f3ria, e isso encaixa, creio eu, naquilo que o Papa diz na mensagem, ou seja, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m rela\u00e7\u00e3o, e o jornal regional tem um contacto quase porta a porta com as pessoas. Efetivamente, hoje em dia, tamb\u00e9m para n\u00e3o estarmos a idealizar, a comunica\u00e7\u00e3o regional\u2026 existe muita comunica\u00e7\u00e3o regional que parte do trabalho unicamente redacional, fechado nas quatro de paredes, e emiss\u00e3o permanente de comunicados que chegam, das c\u00e2maras ou at\u00e9 da Lusa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falta mais reportagem?<\/em><\/p>\n<p>Falta rua. Muitas vezes falta rua. E nota-se isso tamb\u00e9m na forma como se fala dos temas. Aquilo que me parece \u00e9 que este patrim\u00f3nio que o jornalismo regional tem \u00e9 o patrim\u00f3nio muitas vezes da pol\u00e9mica, ou o patrim\u00f3nio de n\u00f3s\u2026 at\u00e9 de alguma agressividade. Reparem, eu sou diretor do \u2018Not\u00edcias de Viana\u2019 e \u00e0s vezes folheio os jornais antigos. H\u00e1 jornais antigos, n\u00f3s temos um bocado a ideia de que n\u00f3s vivemos num mundo muito violento. Os jornais antigos s\u00e3o esp\u00f3lio de um mundo muito mais violento que o nosso. O \u2018Not\u00edcias de Viana\u2019 tem N not\u00edcias de homens que foram mortos \u00e0 sacholada. H\u00e1 um an\u00fancio que eu me recordo, que \u00e9 um do jornal de 1930, que diz: \u2018n\u00e3o acolham na vossa casa esta mulher como criada, pois ela \u00e9 uma mulher de m\u00e1 vida\u2019. Isto era comum nos jornais. Acho que \u00e0s vezes este patrim\u00f3nio, tamb\u00e9m da relativiza\u00e7\u00e3o do presente, \u00e9 muito importante, porque muitas vezes estamos a tratar de um tema como se fosse a primeira vez e esse tema n\u00e3o surge. E acho que isso \u00e9 um patrim\u00f3nio muito importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Isso de olhar para um tema e parecer que \u00e9 a primeira vez que se est\u00e1 a tratar \u00e9 absolutamente recorrente\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 absolutamente recorrente, mas acho que em Portugal n\u00f3s temos um excesso de historicismo. Ou seja, achamos sempre que \u00e9 a primeira vez que estamos a tratar de tudo e de mais alguma coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quando a mensagem do Papa foi lan\u00e7ada em janeiro, foi feita uma sess\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o em Viana e eu tive a oportunidade de estar com uma turma do 12\u00ba ano a falar do trabalho. Quando se fala de jornalismo e de comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 risco de estarmos a falar de conceitos que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apreendidos pelas novas gera\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p>Sim, acho que sim. Eu sou tamb\u00e9m professor, tenho responsabilidades no semin\u00e1rio e tenho claramente essa perspetiva, ou seja, quando n\u00f3s falamos aqui de jornalismo, o consumo que n\u00f3s temos da parte dos mais jovens de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o consumo que n\u00f3s estamos a falar de ler, ouvir a Renascen\u00e7a, ler o \u2018New York Times\u2019, etc. H\u00e1 aqui um problema que n\u00f3s temos, parece muito dif\u00edcil resolv\u00ea-lo com as estrat\u00e9gias que vamos tendo, isso parece muito claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas \u00e9 preciso criar uma distin\u00e7\u00e3o muito clara entre o trabalho jornal\u00edstico de outros conte\u00fados que est\u00e3o presentes nas diversas plataformas a que atualmente temos acesso\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante, mas acho que ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 feita e mesmo colegas meus e ex-alunos meus que entraram em jornalismo, eu n\u00e3o lhes conhe\u00e7o h\u00e1bitos normais de leitura de jornais e de escuta de r\u00e1dios e de visualiza\u00e7\u00e3o de televis\u00e3o. E isto tamb\u00e9m depois cria um problema que \u00e9 confundir o jornalismo com uma esp\u00e9cie de tend\u00eancia permanente para o lifestyle. Esta ideia de que as entrevistas, e \u00e0s vezes chegam os profissionais a campo, que acham que realmente, jovens acabados de formar, que querem copiar o modelo de entretenimento para o jornalismo. E n\u00e3o \u00e9 bem isso que estamos a tratar. E h\u00e1 sempre o grande problema de fazer uma pergunta inc\u00f3moda, tentar que as perguntas sejam pessoais, tentar que tudo seja na base do entretenimento e as coisas s\u00e3o diferentes. Mas acho que tamb\u00e9m, e olhando para o meu caso e para mim, acho que n\u00f3s tamb\u00e9m criamos esta confus\u00e3o nas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, desse ponto de vista, n\u00e3o se deveria exigir \u00e0 pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o social um trabalho pedag\u00f3gico, direi mais assertivo, na necessidade e na import\u00e2ncia da media\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, porque nem tudo o que se l\u00ea ou v\u00ea na internet \u00e9 verdadeiro, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Apetece-me responder em dois pontos.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que n\u00f3s estamos a regressar, e at\u00e9 com a ajuda da Intelig\u00eancia Artificial, a uma certa \u00e9poca pr\u00e9-hist\u00f3rica na nossa exist\u00eancia humana. Digo isto porqu\u00ea? A hist\u00f3ria baseia-se n\u00e3o s\u00f3 em factos, mas em documentos escritos. N\u00f3s hoje temos muita dificuldade em ter documentos sobre certas coisas. Se vivesse h\u00e1 dois s\u00e9culos atr\u00e1s, corresponder-me-ia com os meus amigos e as minhas amigas por carta. Eu hoje n\u00e3o fa\u00e7o isso, correspondo-me por WhatsApp. Isso \u00e9 um facto que depois desajuda a criar este lastro hist\u00f3rico. Por outro lado, eu acho que n\u00f3s temos, em Portugal e em geral, temos uma falta de educa\u00e7\u00e3o para a literacia. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para o jornalismo. \u00c9 para a educa\u00e7\u00e3o para a literacia financeira, para a literacia pol\u00edtica. Eu quando pergunto aos meus alunos a diferen\u00e7a entre umas elei\u00e7\u00f5es legislativas e aut\u00e1rquicas, eles n\u00e3o sabem, pura e simplesmente. Eles acham que est\u00e3o para a votar para o primeiro-ministro, n\u00e3o imaginam que est\u00e3o a votar para deputados. N\u00f3s precisamos realmente de uma chancela. Corremos o risco de cair num mundo em que ve\u00edculamos informa\u00e7\u00e3o que nunca \u00e9 confirmada, porque \u00e9 muito dif\u00edcil de confirmar. E \u00e9 por isso que eu acho que \u00e9 preciso tamb\u00e9m esta literacia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A ideia \u00e9 que para que um caso seja verdade, basta que v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o social o tenham divulgado\u2026<\/em><\/p>\n<p>Eu recordo-me h\u00e1 uns tempos atr\u00e1s de um debate na RTP sobre o futuro do jornalismo, onde um dos convidados que diz algo do g\u00e9nero:\u00a0 Eu escrevo artigos para jornais em v\u00e1rios pa\u00edses. Quando eu fa\u00e7o uma prova de facto, aponto um facto num artigo meu, todos os jornais exteriores a Portugal me ligam a perguntar onde \u00e9 que o senhor se baseou. Em Portugal n\u00e3o acontece. Eu acho que tamb\u00e9m h\u00e1 aqui um trabalho que tem de ser feito neste sentido. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o modelo neg\u00f3cio, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a extin\u00e7\u00e3o das reda\u00e7\u00f5es como temos assistido e que deve-nos levar \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o da pluralidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, mas \u00e9 tamb\u00e9m a qualidade do jornalismo que n\u00f3s fazemos, que \u00e0s vezes tamb\u00e9m cria um desinteresse nas pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E tamb\u00e9m n\u00e3o cria uma certa intoxica\u00e7\u00e3o informativa que ser\u00e1 respons\u00e1vel pelo aumento dos populismos e dos extremismos?<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que h\u00e1 aqui algo premente, e que tem a ver com a forma como se comunica, como se diz ou divulga uma not\u00edcia. Por exemplo, por vezes ouvimos: X arrasou Y; ou num debate em vez de ser um debate moderado, as pessoas est\u00e3o a conversar, e vemos que vai ser um debate para ver quem \u00e9 que \u00e9 o \u00faltimo que fica em p\u00e9. Isto cria claramente mais boost (impulso) nas redes sociais, cria mais impacto. E o que talvez seja preciso, e tem sido adiantado, \u00e9 que os algoritmos, porque tudo isto destes boosts, e esta esp\u00e9cie de plano inclinado, de bola de neve, deriva tamb\u00e9m do uso de algoritmos, e eu acho que \u00e9 preciso talvez que haja uma regula\u00e7\u00e3o, cada vez maior, mas tamb\u00e9m que haja uma regula\u00e7\u00e3o deste algoritmo. Que n\u00f3s possamos saber que h\u00e1 algoritmos que t\u00eam a chancela de grupos de comunica\u00e7\u00e3o e que s\u00e3o protegidos por esse grupo de comunica\u00e7\u00e3o e que n\u00e3o permitem que as not\u00edcias que s\u00e3o dadas sejam unicamente not\u00edcias ligadas a este tipo de viol\u00eancia tamb\u00e9m verbal.<\/p>\n<p>Corremos o risco &#8211; e nesta semana h\u00e1 um caso premente &#8211; corremos o risco que na semana onde existem quest\u00f5es prementes no governo, onde existem quest\u00f5es prementes tamb\u00e9m na guerra de faixa de Gaza, com Israel e a Palestina, ou Israel ou Hamas, a not\u00edcia mais badalada, a not\u00edcia que toda a gente fala, \u00e9 porque um socialite foi preso. Portanto, h\u00e1 aqui uma desproporcionalidade muito clara. Quando existe a possibilidade de um cessar-fogo numa guerra com uma escala global, e aquilo que abre dois telejornais \u00e9 a pris\u00e3o de um socialite parece-me claro o ponto em que n\u00f3s estamos.<\/p>\n<p>Hoje liguei a internet e fui ver as primeiras p\u00e1ginas de alguns \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o designadamente no digital, e \u00e9 gritante o destaque que este assunto tem. E acho que isto revela uma certa neurose face ao clima informativo, que depois alimenta os populismos.<\/p>\n<p>Ou seja, h\u00e1 quem diga que os populismos, quer de extrema-esquerda, quer de extrema-direita, est\u00e3o ligados a uma certa dificuldade de falar dos problemas reais das pessoas, e tamb\u00e9m a uma certa forma de dar p\u00e3o e circo para que estas pessoas tamb\u00e9m se entretenham. E acho que n\u00f3s estamos, muitas vezes, preocupados com isso, mas n\u00e3o percebemos como ca\u00edmos na armadilha de dar gas\u00f3leo e gasolina e esse tipo de coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No fundo o Padre Jo\u00e3o est\u00e1 a dizer que a pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o social, sem querer eventualmente, tamb\u00e9m ajuda a alimentar esses populismos&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>Sim, acho que sim, para mim \u00e9 gritante. A forma como n\u00f3s trat\u00e1mos com certos atores pol\u00edticos, a forma como deix\u00e1mos de fazer contradit\u00f3rio, como confundimos as coisas. Ali\u00e1s, esse \u00e9 um exemplo claro em Portugal, o exemplo hist\u00f3rico, recente, de atores pol\u00edticos que s\u00e3o entrevistados em programas como este, que apesar de convidados n\u00e3o ser grande coisa, s\u00e3o programas jornal\u00edsticos, e depois que v\u00e3o fazer o talk show da manh\u00e3, h\u00e1 aqui uma confus\u00e3o clara entre as duas coisas, e parece-me que n\u00e3o h\u00e1 balizas, e \u00e9 importante ter estas balizas. Uma coisa \u00e9 uma entrevista, um debate, outra coisa \u00e9 uma conversa informal num talk show da manh\u00e3 ou num programa do Youtube.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Este 55\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9 uma jornada em que a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 tamb\u00e9m convidada a pensar na forma como comunica. Pergunto-lhe se h\u00e1 consci\u00eancia, pelo menos do contato que tem e do conhecimento que tem nos respons\u00e1veis cat\u00f3licos da necessidade de investir nesta \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que h\u00e1, at\u00e9 por causa de quest\u00f5es ainda recentes na hist\u00f3ria e na mem\u00f3ria da Igreja em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Estamos a falar, por exemplo, das quest\u00f5es ligadas \u00e0 pol\u00e9mica que houve com os casos de abusos sexuais?<\/em><\/p>\n<p>Sim, parece-me que sim. Se calhar respondo em dois ou tr\u00eas pontos. Primeiro, eu acho que a dificuldade da Igreja n\u00e3o est\u00e1 em comunicar-se nos m\u00e9dia, ou seja, acho que a Igreja tem, muito embora se possa dizer que \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 destacada como creio que possa ser, mas tem aceita\u00e7\u00e3o nos media.<\/p>\n<p>Eu acho que a Igreja comunica nos m\u00e9dia, n\u00e3o sabe \u00e9 comunicar com os media. Tem presen\u00e7a, e h\u00e1 pessoas da Igreja que s\u00e3o relevantes, e ainda temos o caso recente do bispo de Set\u00fabal, D. Am\u00e9rico Aguiar, que vai comentar para um canal de televis\u00e3o, o pr\u00f3prio cardeal Tolentino, era um dos articulistas mais lidos e mais antigos, no Expresso. Portanto, n\u00f3s temos essa presen\u00e7a. Acho que n\u00e3o sabemos, depois \u00e9 fazer um trabalho que n\u00e3o \u00e9 de comunica\u00e7\u00e3o externa, mas \u00e9 de comunica\u00e7\u00e3o institucional. Acho que esse trabalho nos falta. Parece-me \u00e9 que muitas vezes tamb\u00e9m n\u00f3s exigimos demasiado, e falo enquanto gabinete de comunica\u00e7\u00e3o: Exigimos demasiado aos bispos e damos pouco. N\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica aos jornalistas, \u00e9 uma cr\u00edtica mesmo interna, at\u00e9 a mim pr\u00f3prio.\u00a0 Acho que exigimos demasiado aos bispos condi\u00e7\u00f5es e damos pouco, e acho que devemos deixar, enquanto gabinete de comunica\u00e7\u00e3o, de exigir tantos meios e passar a dar mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Muitas publica\u00e7\u00f5es da Igreja, muita imprensa regional e alguma nacional passaram ou passam por dificuldades, e j\u00e1 se referiu ao longo da nossa conversa a essa quest\u00e3o. Tem encontrado no poder pol\u00edtico a vontade para tentar ajudar na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas?<\/em><\/p>\n<p>Sendo uma quest\u00e3o, tamb\u00e9m ela muito complexa, eu acho que aqui n\u00f3s temos de ter alguma dist\u00e2ncia, e apesar de saber que sindicalmente existe uma tend\u00eancia no jornalismo para achar importante haver um financiamento p\u00fablico, como \u00e9 o caso, por exemplo, do \u2018Le Monde\u2019, um jornal de refer\u00eancia e \u00e9 quase financiado pelo Estado franc\u00eas, mas eu acho que n\u00f3s precisamos de arranjar formas de financiamento que n\u00e3o dependam necessariamente do poder pol\u00edtico. Porque na imprensa nacional, como \u00e9 o \u2018Le Monde\u2019, um jornal internacional, isso pode funcionar porque h\u00e1 muitos leitores. Na imprensa regional isso n\u00e3o acontece.\u00a0Eu acho que tornar a imprensa regional dependente do financiamento p\u00fablico, nomeadamente do financiamento direto de institui\u00e7\u00f5es camar\u00e1rias, direto de algumas empresas que s\u00e3o muitas vezes monop\u00f3lios nas pr\u00f3prias regi\u00f5es, cria depend\u00eancia. Ali\u00e1s, faz com que os jornais e os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social sejam gabinetes de imprensa, ou seja, sejam unicamente megafones dos gabinetes de imprensa, e isto \u00e9 claramente perigoso. N\u00f3s sabemos claramente que num meio regional basta o Presidente da C\u00e2mara muitas vezes n\u00e3o atender o telefone e n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia. E \u00e9 diferente o impacto se o Presidente da Rep\u00fablica n\u00e3o atender o telefone, ou se um Bispo n\u00e3o atender o telefone num caso de abuso. No caso do autarca basta n\u00e3o conceder a entrevista, basta n\u00e3o querer falar, basta n\u00e3o ligar, e n\u00f3s ficamos claramente despidos, e parece-me \u00f3bvio que isto acontece num meio regional, e parece-me tamb\u00e9m importante n\u00f3s precavermos isso. O poder pol\u00edtico \u00e9 importante, acho que \u00e9 uma parte essencial para resolver uma situa\u00e7\u00e3o grave na comunica\u00e7\u00e3o regional e na comunica\u00e7\u00e3o nacional, mas h\u00e1 risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1 o risco de outras p\u00fablicas virem a fechar portas, por exemplo?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Eu acho que h\u00e1 risco, e h\u00e1 o risco de sobreviverem, num meio regional, as comunica\u00e7\u00f5es que s\u00e3o claramente dependentes e negativamente dependentes do poder camar\u00e1rio. Isto parece-me claro. E \u00e9 um alerta que muitas vezes neste debate n\u00e3o \u00e9 dado, porque n\u00f3s estamos focados em grandes \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o nacional: Quando se fala de comunica\u00e7\u00e3o regional, e n\u00f3s temos muitos desertos informativos em Portugal, o pr\u00f3prio distrito de Viana tem muitos concelhos que s\u00e3o desertos informativos, ou seja, locais onde n\u00e3o existe nenhum \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social e onde a \u00fanica informa\u00e7\u00e3o que recebem \u00e9 aquela que \u00e9 filtrada por gabinetes das c\u00e2maras. E acho que isto \u00e9 importante de referir, e n\u00f3s n\u00e3o temos esta aten\u00e7\u00e3o hoje em dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor do Secretariado Diocesano da Comunica\u00e7\u00e3o Social e do jornal Not\u00edcias de Viana, \u00e9 o convidado desta semana da entrevista conjunta Renascen\u00e7a\/Ecclesia, no Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais celebrado pela Igreja Cat\u00f3lica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":325283,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[140],"class_list":["post-325277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-comunicacoes-sociais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325277\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/325283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}