{"id":32522,"date":"2008-06-17T12:48:16","date_gmt":"2008-06-17T12:48:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2008\/06\/17\/igreja-e-estado-tem-de-passar-ao-terreno-pela-defesa-do-patrimonio\/"},"modified":"2008-06-17T12:48:16","modified_gmt":"2008-06-17T12:48:16","slug":"igreja-e-estado-tem-de-passar-ao-terreno-pela-defesa-do-patrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-e-estado-tem-de-passar-ao-terreno-pela-defesa-do-patrimonio\/","title":{"rendered":"Igreja e Estado t\u00eam de passar ao terreno pela defesa do patrim\u00f3nio"},"content":{"rendered":"<p>Director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais aponta prioridades e necessidades mais urgentes <!--more--> Existe em Portugal uma heran\u00e7a incompar\u00e1vel no dom\u00ednio do Patrim\u00f3nio Religioso, rico na diversidade regional e na pluralidade de refer\u00eancias religiosas, do longo per\u00edodo que antecede a ocupa\u00e7\u00e3o romana do que viria a ser o territ\u00f3rio continental portugu\u00eas aos dias de hoje. Jo\u00e3o Soalheiro, director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, aponta prioridades e necessidades mais urgentes, neste campo.  <i> Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Nos pr\u00f3ximos dias 18 e 19 deste m\u00eas, realizar-se-\u00e1 o Conselho Nacional para os Bens Culturais da Igreja. \u00c9 um ponto de chegada ou partida? Jo\u00e3o Soalheiro <\/i>\u2013 Confesso que n\u00e3o sei se \u00e9 ponto de chegada ou de partida. Espero que seja um ponto de outra natureza. \u00c9 a primeira vez que se re\u00fane um Conselho Nacional. Tem um formato profundamente institucionalizado e n\u00e3o \u00e9 um encontro de amigos.  <i> AE \u2013 Mas s\u00e3o amigos do Patrim\u00f3nio? JS <\/i>\u2013\u2013 Amigos das pessoas a quem o Patrim\u00f3nio se destina. Em rela\u00e7\u00e3o ao Conselho Nacional gostaria de frisar que \u00e0 volta da mesma mesa estar\u00e3o representantes de todas as dioceses, nomeados pelos bispos, e representantes nomeados por institui\u00e7\u00f5es eclesiais com um forte empenho e actua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do Patrim\u00f3nio Cultural. Nem todas s\u00e3o detentoras deste Patrim\u00f3nio.  <i> AE \u2013 O que se pretende com esta iniciativa? JS <\/i>\u2013Avaliar os adquiridos na \u00e1rea do Patrim\u00f3nio Cultural ao longo destes \u00faltimos anos. Com a consci\u00eancia muito fresca e muito viva do que foi bem feito e do que foi mal feito tentaremos partir para estrat\u00e9gias de actua\u00e7\u00e3o futura.   <i> AE \u2013 Actualmente, os arquivos eclesiais s\u00e3o \u00aba menina dos olhos\u00bb do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja? JS <\/i>\u2013N\u00e3o diria \u00abmenina dos olhos\u00bb, mas direi uma efectiva prioridade de actua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do patrim\u00f3nio cultural. Nas mais variadas express\u00f5es, este patrim\u00f3nio \u00e9 material e imaterial e passa pela produ\u00e7\u00e3o documental, arquitectura, bibliotecas, invent\u00e1rio, tradi\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. H\u00e1 uma diversidade muito grande nas \u00e1reas de actua\u00e7\u00e3o e n\u00e3o podemos acudir a tudo ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Temos de eleger prioridades e, neste momento, este secretariado elegeu como prioridade de actua\u00e7\u00e3o animar a din\u00e2mica dos arquivos. Neste trabalho temos em vista objectivos muito concretos: n\u00e3o se trata de discutir conceitos e de teorizar os problemas da arquiv\u00edstica, mas pretendemos operacionalizar uma rede de arquivos da Igreja que permita disponibilizar ao p\u00fablico os acervos hist\u00f3ricos e documentais da Igreja Cat\u00f3lica.   <i> AE \u2013 O termo p\u00fablico \u00e9 muito lato? JS <\/i>\u2013Quando digo p\u00fablico n\u00e3o me refiro apenas para consumo interno das comunidades eclesiais. Trata-se de tornar acess\u00edvel \u00e0 sociedade portuguesa o conjunto monumental dos fundos documentais produzidos ao longo de s\u00e9culos.   <b> 500 quil\u00f3metros<\/b> <i> AE \u2013 Quando se fala de arquivos referimo-nos a quil\u00f3metros e quil\u00f3metros de papeis \u00abamarelados\u00bb com dados hist\u00f3ricos do povo portugu\u00eas. Pode-se quantificar o material existente? JS <\/i>\u2013 Avan\u00e7ar com um n\u00famero \u00e9 uma actividade de risco. No entanto, segundo as sondagens que temos feito, tendo em vista operacionalizar esta din\u00e2mica, a Igreja Cat\u00f3lica se conseguir estabelecer essa rede de arquivos \u2013 com tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio do ponto de vista tecnol\u00f3gico, compet\u00eancias, tratamento da documenta\u00e7\u00e3o \u2013 estar\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de disponibilizar ao p\u00fablico, a m\u00e9dio prazo, mais de 500 quil\u00f3metros lineares de documenta\u00e7\u00e3o. Estamos a falar de mais de 500 mil metros lineares de documenta\u00e7\u00e3o   <i> AE \u2013 A Igreja tem no\u00e7\u00e3o deste n\u00famero ao n\u00edvel do patrim\u00f3nio arquiv\u00edstico? JS <\/i>\u2013 A Igreja tem no\u00e7\u00e3o que os seus fundos documentais s\u00e3o valiosos e relevantes. N\u00e3o apenas para a mem\u00f3ria do Cristianismo em Portugal, mas para a sociedade portuguesa em geral. Todavia, talvez n\u00e3o tenha consci\u00eancia da monumentalidade que estes fundos documentais patenteiam. Quando digo que n\u00e3o ter\u00e1 consci\u00eancia \u00e9 no sentido de que os fundos documentais se encontram dispersos pelas mais variadas institui\u00e7\u00f5es eclesiais, canonicamente erectas, e, por isso, n\u00e3o h\u00e1 uma visibilidade ou mem\u00f3ria fotogr\u00e1fica que traduza o impacto desta documenta\u00e7\u00e3o. Quando os arquivos hist\u00f3ricos diocesanos estiverem operacionalizados, esse impacto ser\u00e1 vis\u00edvel: no ponto de vista mat\u00e9rico e, n\u00e3o apenas, na vertente te\u00f3rica. Apesar de todas as vicissitudes hist\u00f3ricas que distra\u00edram da tutela da Igreja cat\u00f3lica muita da sua documenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, neste momento temos ainda espalhada muita documenta\u00e7\u00e3o pelas institui\u00e7\u00f5es.  <i> AE \u2013 Operacionalizar \u00e9 a palavra de ordem. Est\u00e1 bem vincada na sua linha program\u00e1tica. JS <\/i>\u2013  Temos conseguido operacionalizar, um tanto, a nossa interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea do patrim\u00f3nio cultural. \u00c9 manifesto, nas v\u00e1rias dioceses portuguesas, alguma organiza\u00e7\u00e3o estruturada na \u00e1rea dos bens culturais. No entanto, infelizmente, ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel estender este rumo a todas as dioceses. Para l\u00e1 caminhamos. \u00c9 esse o sentir e empenho dos bispos, padres, leigos e servi\u00e7os diocesanos. Todavia, falta concretizar, de uma forma segura e mais eficaz, servi\u00e7os estruturados e empenhados. \u00c9 fundamental dar continuidade ao trabalho, que esses servi\u00e7os vocacionados n\u00e3o fa\u00e7am uma iniciativa \u00f3ptima este ano e que depois estejam parados dois ou tr\u00eas anos.   <i> AE \u2013 Existe esse perigo&#8230; Acontece isso com frequ\u00eancia? JS <\/i>\u2013 H\u00e1 esse perigo na Igreja Cat\u00f3lica como h\u00e1 esse perigo nas estruturas do Estado. Vivemos momentos de dificuldades financeiras. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mobilizar recursos para interven\u00e7\u00f5es de f\u00f4lego nesta \u00e1rea. Vivemos um problema de fundo que passa pela garantia da sustentabilidade das compet\u00eancias \u2013 n\u00e3o das iniciativas \u2013 na \u00e1rea do Patrim\u00f3nio Cultural. \u00c9 muito simples e f\u00e1cil ter ideias \u2013 temos ideias todos os dias -, mas \u00e9 muito dif\u00edcil operacionalizar com compet\u00eancia essas ideias. Actualmente, posso propor a realiza\u00e7\u00e3o de uma iniciativa magn\u00edfica, mas, depois, confronto-me com a dificuldade de n\u00e3o ter dinheiro suficiente para contratar t\u00e9cnicos competentes para colocarem de p\u00e9 o projecto.   <b> Recursos financeiros e operacionaliza\u00e7\u00e3o<\/b> <i> AE \u2013 Para a concretiza\u00e7\u00e3o destes projectos, a Igreja Cat\u00f3lica tem disponibilidade financeira? JS <\/i>\u2013 Sem hesita\u00e7\u00e3o, a resposta \u00e9 negativa. N\u00e3o h\u00e1 capacidade financeira para intervir, de forma adequada, na \u00e1rea patrimonial. Neste momento, nenhuma diocese est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es financeiras de intervir no seu patrim\u00f3nio com a qualidade e a compet\u00eancia desejadas. Mas n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o exclusiva da Igreja Cat\u00f3lica porque, neste momento, tamb\u00e9m o Estado Portugu\u00eas tem as maiores dificuldades em financiar as interven\u00e7\u00f5es na \u00e1rea do Patrim\u00f3nio Cultural.   <i>AE \u2013 Existem parcerias entre a Igreja Cat\u00f3lica e o Estado Portugu\u00eas nesta \u00e1rea? JS \u2013<\/i>  H\u00e1 parcerias que v\u00e3o sendo realizadas \u00abAd hoc\u00bb. No entanto, gostaria de ver definidas prioridades de actua\u00e7\u00e3o e uma maior contratualiza\u00e7\u00e3o dessa actua\u00e7\u00e3o. Vivemos um tempo marcado pela s\u00edndrome dos protocolos, sobretudo protocolos de inten\u00e7\u00f5es. Esta situa\u00e7\u00e3o tem um lado positivo. Significa que h\u00e1 um entendimento base que une as entidades e as institui\u00e7\u00f5es em prol de objectivos comuns. No entanto, estes protocolos n\u00e3o operacionalizam de forma estruturante as interven\u00e7\u00f5es. Como temos rela\u00e7\u00f5es cordiais, \u00e9 chegada a hora de operacionalizar. De dizer \u00abpreto no branco\u00bb, em papel, o que compete a quem, como repartir os encargos da interven\u00e7\u00e3o, calendarizar as opera\u00e7\u00f5es, mas tendo sempre como ponto de partida a clarivid\u00eancia dos objectivos. O pano de fundo deve situar-se num servi\u00e7o de qualidade \u00e0 sociedade portuguesa. N\u00e3o podemos perder este aspecto do horizonte. Mantendo, evidentemente, aquilo que \u00e9 pr\u00f3prio da identidade das institui\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pedindo, por exemplo, \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica que desvirtue a sua natureza e a sua miss\u00e3o por causa de interven\u00e7\u00f5es arregimentadas a prop\u00f3sito de ide\u00e1rios moment\u00e2neos ou de agenda pol\u00edtica.  <i>AE \u2013 Como passar dessa carta de inten\u00e7\u00f5es para um documento operacional? JS \u2013<\/i>  N\u00e3o h\u00e1 receitas que possam ser aplicadas de forma universal de Norte a Sul do pa\u00eds.   <i>AE \u2013 Se o erro est\u00e1 identificado&#8230; JS \u2013<\/i>  N\u00e3o \u00e9 erro. As pessoas t\u00eam de discutir objectivos. Ver o que podem fazer juntas. Repartir os custos dessa interven\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito diferente gastar um milh\u00e3o de Euros numa interven\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9tica num monumento emblem\u00e1tico do que gastar um milh\u00e3o de Euros numa interven\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem tanta visibilidade, mas que, ao fim de dois ou tr\u00eas anos, nos garante uma rede operacionalizada de bens culturais ao servi\u00e7o da sociedade.   <i>AE \u2013 O que significa esta rede de arquivos?  JS \u2013<\/i>  A quest\u00e3o \u00e9 profunda. N\u00e3o se resolve com a coloca\u00e7\u00e3o de documentos na Internet que as pessoas consultam conforme a sua disponibilidade. Uma rede de arquivos n\u00e3o pode ser, e n\u00e3o \u00e9, o somat\u00f3rio de arquivos institucionalizados. Uma rede de arquivos \u00e9, sobretudo, o resultado de institui\u00e7\u00f5es que partilham as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es, as mesmas metodologias e os mesmos instrumentos de trabalho. A comunh\u00e3o dos mesmos objectivos. Isto sim, \u00e9 uma rede de arquivos. Seria muito bom que, independentemente das derivas regionais pr\u00f3prias de cada diocese, os arquivos da Igreja pudessem partilhar \u2013 dentro de meia d\u00fazia de anos &#8211; sistemas inform\u00e1ticos, quadros de qualifica\u00e7\u00e3o e instrumentos de descri\u00e7\u00e3o documental. Quanto mais partilhados forem estes instrumentos e metodologias, mais rede \u2013 no sentido espec\u00edfico do termo \u2013 de arquivos da Igreja n\u00f3s teremos.  <i>AE \u2013 Nesta era de globaliza\u00e7\u00e3o e das novas tecnologias, faz sentido tanto empenho nos pap\u00e9is \u00abamarelados\u00bb dos arquivos? JS \u2013<\/i> \u2013 Basta ver a Wikip\u00e9dia. Muitas vezes, quando consultamos artigos sobre personalidades ou acontecimentos neste site da Internet, informa-nos que \u00abn\u00e3o dispomos de informa\u00e7\u00e3o sobre&#8230; \u00bb. As novas tecnologias s\u00e3o fant\u00e1sticas, mas se o trabalho pr\u00e9vio da recolha e do tratamento da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o for feito n\u00e3o h\u00e1 novas tecnologias que possam partilhar informa\u00e7\u00e3o. As novas tecnologias ainda n\u00e3o provaram capacidade de gerar informa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ao momento, s\u00f3 potenciaram a divulga\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Estamos a falar do trabalho pr\u00e9vio, a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o pode ser feita sem os testemunhos hist\u00f3ricos. Temos de trabalhar para salvaguardar os documentos e proporcionar esses documentos a quem tem as compet\u00eancias para os  ler e tratar, do ponto de vista da informa\u00e7\u00e3o.   <i>AE \u2013 A Igreja tem pessoas capacitadas para tratar esse acervo documental? JS \u2013<\/i> A Igreja n\u00e3o precisa de \u00abter\u00bb pessoas capacitadas para fazer o que quer que seja. A igreja necessita \u00e9 de saber onde vai encontrar essas pessoas com compet\u00eancias pr\u00f3prias para as envolver nesse trabalho. N\u00e3o estamos num tempo em que actuar, no \u00e2mbito do patrim\u00f3nio cultural, se compade\u00e7a com a simples boa vontade. N\u00e3o basta a boa vontade, mas \u00e9 preciso ir buscar compet\u00eancias. Estas encontram-se nas universidades e no mercado de trabalho. Do meu ponto de vista, \u00e9 um erro querer ter presb\u00edteros a responder com compet\u00eancias pr\u00f3prias a todos os problemas na \u00e1rea patrimonial. O envolvimento dos leigos \u00e9 precioso. No entanto, n\u00e3o quero dizer que n\u00e3o seja importante ter presb\u00edteros especializados \u2013 atrav\u00e9s de estudos universit\u00e1rios \u2013 em diferentes \u00e1reas e tamb\u00e9m no patrim\u00f3nio.  <b>Radiografia \u00e0s Dioceses<\/b> <i>AE \u2013 Recentemente, fez um p\u00e9riplo pelas dioceses portuguesas para se inteirar e mobilizar os agentes desta \u00e1rea. Resultados positivos ou negativos? JS \u2013<\/i>  Enquadro este p\u00e9riplo que estou a terminar de uma forma algo diferente. Primeiro, mais do que sensibilizar pretendi auscultar os bispos e agentes dos bens culturais da Igreja. Sensibilizar \u00e9 uma palavra bonita, mas n\u00e3o est\u00e1 no horizonte da minha actua\u00e7\u00e3o.   <i>AE \u2013 No entanto, \u00e9 fundamental incentivar&#8230;  JS \u2013<\/i>  Neste momento n\u00e3o vivemos num quadro que seja necess\u00e1rio sensibilizar as pessoas para o patrim\u00f3nio cultural. Sensibilizar para estas quest\u00f5es foi um problema s\u00e9rio vivido nos anos 80 e 90. Estamos noutra fase. Pretendemos operacionalizar a actua\u00e7\u00e3o.  <i>AE \u2013 Se compararmos este ide\u00e1rio a uma maratona podemos dizer que h\u00e1 atletas que est\u00e3o \u00e0 frente de outros? JS \u2013<\/i>  A experi\u00eancia das dioceses nesta \u00e1rea \u00e9 muito diversa. A experi\u00eancia de algumas \u00e9 exemplar e motivo de vontade para outras caminharem no mesmo sentido. H\u00e1 cada vez mais um sentimento de entreajuda e de procura de partilha dos objectivos, da resolu\u00e7\u00e3o dos problemas e dos pr\u00f3prios meios. Todavia, necessitamos de passar a uma fase de concretiza\u00e7\u00e3o mais intensa.   <i>AE \u2013 Uma corrida com lebres e tartarugas? JS \u2013<\/i>  Todos caminhamos a passos diferentes porque a medida das nossas pernas tamb\u00e9m \u00e9 diferente. Noto, isso sim, um empenho muito grande em transformar a \u00e1rea dos Bens Culturais da Igreja num lugar pastoral. Trazer e devolver o Patrim\u00f3nio Cultural \u00e0 vida das comunidades eclesiais.  <i>AE \u2013 A Igreja est\u00e1 a acordar para o valor est\u00e9tico do Evangelho? JS \u2013<\/i> A Igreja sempre teve uma consci\u00eancia muito n\u00edtida da beleza do Evangelho e da capacidade criadora que as gera\u00e7\u00f5es conseguiram demonstrar ao longo dos tempos.   <b>Sem chorar o passado<\/b> <i>AE \u2013 H\u00e1 muitos documentos que se perderam&#8230; Uns vandalizados e outros que foram parar a m\u00e3os indevidas. N\u00e3o s\u00e3o lament\u00e1veis estes acontecimentos? <\/i> JS \u2013 Apesar de causar esc\u00e2ndalo, costumo dizer que n\u00e3o compete \u00e0 gera\u00e7\u00e3o dos vivos chorar as certid\u00f5es de \u00f3bito do patrim\u00f3nio que, todos os dias, temos de assinar. Com esta afirma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pretendo desresponsabilizar inc\u00farias, nem iludir os problemas que est\u00e3o associados \u00e0 perda de patrim\u00f3nio; mas \u00e9 preciso ter a consci\u00eancia viva de que n\u00e3o h\u00e1 capacidade \u2013 humana e eclesial \u2013 de conservar tudo aquilo que a vida pulsante das comunidades eclesiais consegue produzir. \u00c9 lament\u00e1vel que se percam documentos  &#8211; mais antigos, ou mais recentes &#8211; em condi\u00e7\u00f5es de inc\u00faria. No entanto, mais importante do que lamentar as perdas \u00e9 ter consci\u00eancia do que podemos fazer para as evitar. E faz\u00ea-lo efectivamente.  <i>AE \u2013 O que fazer para alterar esta situa\u00e7\u00e3o? <\/i> JS \u2013 A sensibiliza\u00e7\u00e3o das pessoas para estes problemas est\u00e1 feita. N\u00e3o necessitamos de gastar mais energias a sensibilizar para estas quest\u00f5es e para as solu\u00e7\u00f5es. Cheg\u00e1mos \u00e0 hora do pragmatismo:  \u00e9 preciso operacionalizar as solu\u00e7\u00f5es teorizadas. Quando fa\u00e7o refer\u00eancia \u00e0 operacionaliza\u00e7\u00e3o, refiro-me ao desenhar projectos, or\u00e7ament\u00e1-los, contratualiz\u00e1-los e execut\u00e1-los num prazo calendarizado. \u00c9 chegada a hora de sermos eficazes. N\u00e3o podemos continuar a teorizar. Mais do que gastar energias a lamentar as perdas, \u00e9 fundamental fazer algo de positivo e estruturante para evitar mais perdas. Todavia, evitar perdas n\u00e3o pode ser o objectivo da nossa interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea patrimonial e, concretamente, na \u00e1rea documental. O objectivo fundante e fundamental da Igreja Cat\u00f3lica, na \u00e1rea do patrim\u00f3nio, \u00e9 servir a sociedade portuguesa. E faz\u00ea-lo \u00e0 luz da sua miss\u00e3o evang\u00e9lica. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Director do Secretariado Nacional dos Bens Culturais aponta prioridades e necessidades mais urgentes<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[168,285],"class_list":["post-32522","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-da-guarda","tag-patrimonio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32522\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}