{"id":3252,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/familia-escola-media-igreja-construtores-da-paz\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"familia-escola-media-igreja-construtores-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familia-escola-media-igreja-construtores-da-paz\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia, Escola, Media, Igreja, construtores da paz"},"content":{"rendered":"<p>A paz \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que come\u00e7a no interior de cada ser humano. Sermos os primeiros a amar, sem esperarmos que sejam os outros a dar o primeiro passo, amar at\u00e9 os inimigos, esquecendo ofensas do passado e aprendendo a perdoar, tal \u00e9 o desafio que os jovens assinalam na mensagem que circula pelo mundo \u201cPeace, top priority\u201d. Viver procurando aquilo que nos une, em vez daquilo que nos divide, sentirmo-nos membros da mesma fam\u00edlia espalhada por toda a terra, essa \u00e9 a tarefa assinalada pelos jovens, em tempo de m\u00faltiplas guerras. O tema deste grupo de trabalho \u00e9 o da constru\u00e7\u00e3o da paz nas fam\u00edlias, nas escolas, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e nas Igrejas. Concordaremos todos que estes \u201cambientes\u201d de educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os e os tempos privilegiados de constru\u00e7\u00e3o da paz. De uma constru\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da paz, alicer\u00e7ada em valores, fundada numa \u00e9tica que envolva e d\u00ea aos mais pequenos gestos do quotidiano. Em tempo de guerra, como aquele que acabamos de presenciar, os media provocam reac\u00e7\u00f5es fortes, mobilizam a opini\u00e3o p\u00fablica, mas raramente ajudam a compreender os problemas estruturais que alimentam a guerra. H\u00e1, neste aspecto como em outros, uma esp\u00e9cie de tabloidiza\u00e7\u00e3o da vida quotidiana, que fecha em vez de abrir horizontes, que provoca mas n\u00e3o vai at\u00e9 aos porqu\u00eas, que, no limite, formata mas n\u00e3o educa. H\u00e1 um n\u00famero crescente de cidad\u00e3os que considera que o debate \u00e9tico se imp\u00f5e nas organiza\u00e7\u00f5es e empresas que controlam os media. O debate sobre a verdade, a liberdade, a justi\u00e7a e a paz n\u00e3o deveria transpor o mero foro individual ou de pequenos grupos profissionais, para alcan\u00e7ar o \u00e2mago da produ\u00e7\u00e3o dos media? Importaria, nesta sociedade t\u00e3o marca-da pela informa\u00e7\u00e3o e pelos media, desencadear uma adequada educa\u00e7\u00e3o para o uso cr\u00edtico e esclarecido dos media, quer do ponto de vista da utiliza\u00e7\u00e3o e do consumo quer do ponto de vista das capacidades de express\u00e3o atrav\u00e9s dos media, usufruindo da variedade de suportes e de linguagens. Essa n\u00e3o seria uma tarefa da educa\u00e7\u00e3o escolar? As escolas desempenham um papel crucial na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e dos jovens para a paz. Desde logo no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar, importa assegurar a justi\u00e7a social, um dos pilares da paz, criando as condi\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o de percursos educativos dignos para todos os portugueses. Em seguida, na promo\u00e7\u00e3o de valores que confinam com a paz, como a toler\u00e2ncia, a verdade, a solidariedade, a justi\u00e7a, a participa\u00e7\u00e3o social, a liberdade.  Se queremos contribuir para eliminar o racismo e a xenofobia que grassam pelo nosso mundo, n\u00e3o deveremos investir na escola como espa\u00e7o aberto a todos, em qualquer idade, qualquer que seja o seu g\u00e9nero, cor, etnia e condi\u00e7\u00e3o social? Pensamos que a escola pode ser um espa\u00e7o privilegiado de aprendizagem da paz, dos pensamentos e das atitudes de paz. Para isso tem de percorrer caminhos \u00e1rduos como o desenvolvimento da compreens\u00e3o e a pr\u00e1tica da solidariedade humana, como a toler\u00e2ncia e o respeito pelos direitos humanos, como a promo\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios democr\u00e1ticos e de uma real participa\u00e7\u00e3o social, como o respeito pelo meio ambiente e a compreens\u00e3o das vantagens de um desenvolvimento sustent\u00e1vel. Ser\u00e1 que as nossas escolas avivam esta forma\u00e7\u00e3o ou escondem-na atr\u00e1s de disciplinas \u201cmuito importantes\u201d? N\u00e3o haver\u00e1 margens de progress\u00e3o muito grandes, nas nossas escolas, para a aprendizagem da paz? A fam\u00edlia pode ser um bom n\u00facleo humano fundador da paz. Somos chamados por Deus, como diz o Papa, a formar uma \u00fanica fam\u00edlia.  Educar para a paz \u00e9 ensinar o respeito pelo outro, compreender o lugar do outro na minha pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o pessoal, \u00e9 ensinar e aprender a resolver os conflitos. As fam\u00edlias podem ser espa\u00e7os privilegiados de aprendizagem de paz.  \u00c9 esse o ambiente que prevalece nas nossas fam\u00edlias? Que paz se edifica em fam\u00edlias onde se multiplicam os maltratos, onde n\u00e3o h\u00e1 respeito m\u00fatuo, onde a pobreza e a injusti\u00e7a conduzem a situa\u00e7\u00f5es de desespero e de conflito?  Que horizontes de paz podem as fam\u00edlias construir de novo, em esperan\u00e7a, nomeadamente como exemplo de vida para os seus filhos? A educa\u00e7\u00e3o religiosa desempenha um papel particularmente importante na educa\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos de sincera abertura e toler\u00e2ncia, de esp\u00edritos de paz. Diz o Papa Jo\u00e3o Paulo II que \u201ca religi\u00e3o possui uma fun\u00e7\u00e3o vital para suscitar gestos de paz e consolidar condi\u00e7\u00f5es de paz, podendo desempenh\u00e1-la de forma tanto mais eficaz quanto mais decididamente se concentrar naquilo que lhe \u00e9 pr\u00f3prio: a abertura a Deus, o ensino da fraternidade universal e a promo\u00e7\u00e3o duma cultura solid\u00e1ria\u201d. Como vivemos este esp\u00edrito construtor da paz nas nossas comunidades eclesiais? Como \u00e9 que a Igreja hoje presente em Portugal est\u00e1 a ser testemunha desta fun\u00e7\u00e3o vital de suscitar gestos de paz? Diz Frederico Mayor: \u201cCompete \u00e0s gera\u00e7\u00f5es presentes a quase imposs\u00edvel tarefa b\u00edblica de \u201ctransformar as lan\u00e7as em arados\u201d (Is 2,4) e evoluir de um instinto de guerra \u2013 forjado desde a origem dos tempos \u2013 para uma consci\u00eancia de paz. Seria o melhor legado para deixar aos nossos descendentes. Com que satisfa\u00e7\u00e3o poder\u00edamos olhar nos olhos dos nossos filhos!\u201d  Joaquim Azevedo <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paz \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que come\u00e7a no interior de cada ser humano. 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